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4.5 REALIZAÇÃO DE UM PROJETO

A ideia fundamental dos projetos, segundo Fernando ­Hernández e Montserrat Ventura36, como forma de organizar os conhecimentos escolares, propõe que os “alunos aprendam procedimentos que lhes permitam organizar a informação, descobrindo as relações que podem ser estabelecidas a partir de um tema ou de um problema”. A função principal do projeto é possibilitar aos alunos o desenvolvimento de estratégias que os auxiliem a organizar o conhecimento mediante o tratamento de uma informação.

É fundamental para a ação docente criar um ambiente positivo para se conseguir do aluno participação ativa, presença dinâmica, interação envolvente, comunicação fácil, motivação à flor da pele, segundo Pedro Demo37. Outra função da ação docente é organizar as atividades do discente. O sucesso de um projeto requer que o educando tenha ciência das etapas necessárias a sua efetivação, de importância da sua ação, sendo, então, ator e autor da construção do conhecimento.

O papel a ser cumprido pelos alunos no desenvolvimento de um projeto requer que se leve em conta, segundo Celso ­Antunes38, a idade dos alunos, o nível de seu desenvolvimento cognitivo, o ponto de ação de suas inteligências e também as experiências ou não com o uso de habilidades operatórias. Deve-se esclarecer as etapas que vai executar em seu projeto, compreendendo qual é sua tarefa nesta grande orquestra.



Não nos cabe, em qualquer momento, estipular formas prontas para trabalhar com projetos, mas organizar etapas para facilitar o entendimento e sua realização. Behrens39 propõe cinco etapas (momentos) que sugerem a construção como característica inerente à proposta do trabalho com projetos.

O primeiro momento, segundo Behrens40, refere-se ao aquecimento, à problematização. É o momento da introdução do assunto, quando o educador busca motivar os alunos para uma discussão. Faz-se presente a problematização. Evidenciam-se as necessidades, que impulsionam à investigação científica.

Nesse primeiro momento, deve haver também o enquadramento, ou seja, deve-se esclarecer quais são os critérios que o professor vai utilizar para orientar as tarefas, seus prazos, normas, formas de avaliação, enfim, acordar com os alunos quais serão as etapas a cumprir, constituindo um contrato pedagógico, conforme Phillipe Perrenoud41. Esse contrato pedagógico não é rígido. Ele pode e deve sofrer alterações à medida que emergirem necessidades naturais do processo de construção do conhecimento; porém deve haver o consenso de todo o grupo para sua alteração.

Em um segundo momento, ocorre a pesquisa sobre o tema. Recomenda-se que ela seja realizada individualmente pelo educando, com o apoio do educador. Atualmente as fontes de pesquisa são inúmeras, portanto não se devem restringir a enciclopédias. Sem tirar o valor destas, a questão é ampliar o universo de pesquisa do aluno, é impeli-lo a buscar soluções com informações realmente elaboradas, que passarão a formar seu conhecimento e, dessa forma, passarão a ter significado.

No terceiro momento, após o tempo previsto para a atividade individual, os alunos, em pequenos grupos, no espaço da aula5, devem comparar os resultados obtidos com a pesquisa, discutindo suas conclusões, levantando dúvidas e aprofundando itens da pesquisa, contando sempre com a presença do professor enquanto facilitador da aprendizagem.

O quarto momento refere-se a um momento de partilha, de socialização do conhecimento, em que todos os alunos terão a oportunidade de expor suas conclusões, orientados pelo professor. Esses resultados podem ser discutidos em forma de seminários, com técnicas criativas e com uso de tecnologias adequadas. Vale ressaltar que o conhecimento só tem validade quando é partilhado socialmente, principalmente na era da globalização, que impõe à escola a necessidade de educar seus alunos para a partilha e para o trabalho em equipe.

Em um quinto momento, após os esforços feitos ao longo das pesquisas e debates, é necessário sistematizar os conceitos, ou seja, ensejar a reequilibração das estruturas cognitivas. A sistematização é tarefa que deve ser realizada pelo aluno com a orientação do professor, e não feita somente pelo professor, como tem ocorrido nas escolas. A criatividade tem grande espaço nesse momento, devendo-se dar lugar às diferentes formas de expressão e de registro.

Segundo Winkeler42,

a avaliação também deve ser coerente com os estudos feitos nos projetos, ela deve ser processual e contínua, levando em consideração o real desenvolvimento de cada aluno, e sempre que houver necessidade, o educador não deve hesitar em realizar intervenções mobilizadoras, para que se sinta produtor do conhecimento e responsável pelo processo da sua aprendizagem e da aprendizagem de seus pares.

Cabe enfatizar que essas etapas são flexíveis e devem ser adequadas a cada tema problematizador, pois a criatividade e a peculiaridade de cada área do conhecimento sugerem diferenciações metodológicas na elaboração dos projetos educativos.

Do ponto de vista do aluno, esta forma de organização e condução do processo educativo traduz-se numa oportunidade única de participação profunda e abrangente em todas as etapas da realização de uma ação: análise de uma situação, decisão de intervir ou não, planejamento, execução, avaliação da ação e apropriação de seus resultados. Refere-se a uma tarefa que se pensa e se concretiza em função de uma finalidade concreta, real, que se torna fonte do sentido e o suporte da significação de seu fazer43.

É importante deixar claro que o ensino e a aprendizagem se realizam mediante um percurso que nunca é fixo e que conta com o auxílio de todas as formas de expressão, de registro, bem como das novas tecnologias. O projeto serve como um fio condutor para a atuação do educador em relação aos alunos. Utiliza a tecnologia como instrumento para colaborar no desenvolvimento do processo de aprendizagem, reveste-se de um valor relativo e dependente desse processo. Ela é importante por constituir um instrumento significativo para favorecer a aprendizagem dos alunos.

Essa proposta parte do pressuposto de que o fundamental é a atividade do aluno, seu pensamento em ação; uma ação que é refletida, interiorizada em suas estruturas mentais. Reconhece que o aluno inteligente é ativo, irrequieto, um organismo vivo em permanente troca com seu meio ambiente, que toma iniciativas ao interagir com o mundo e atua sobre ele.

O educador é o mediador entre o educando e o conhecimento, portanto deve ser um profissional formador, reflexivo, consciente da importância de seu papel, comprometido com o processo educativo, integrado ao mundo de hoje, responsável socialmente pela formação do cidadão e, principalmente, um eterno aprendiz, buscando “inovar e inovar-se”. Como a função primordial do educador é possibilitar aos seus alunos o acesso ao conhecimento elaborado, este deve passar por esquematizações, reestruturações, simplificações e reconstruções práticas como meio de promover sua apreensão pelos alunos. Dessa forma, estará sendo de fato um mediador na interação dos alunos com os objetos de conhecimento e a orientação didática que assume.

Dentro de uma metodologia de “trabalhar com projetos”, compete ao educador elaborar junto com a equipe pedagógica todos os seus planos de trabalho, escolhendo juntamente com a coordenação livros e materiais didáticos; desenvolver as atividades de sala de aula tendo em vista a apreensão do conhecimento pelo aluno; estar sempre se aperfeiçoando e se atualizando; ser um observador das atitudes de seus alunos, evitando qualquer tipo de discriminação no âmbito escolar, resguardando sempre o respeito por todos os envolvidos no processo de aprendizagem.

Aprender a aprender, como afirma Fernández44, não é outra coisa que entender que alguns dos processos de ensino devem ensinar e ao mesmo tempo ensinar-se. O novo foco da educação escolar não abandona os conteúdos, mas deles se utiliza para que o aluno desenvolva habilidades e alcance competências exigidas do novo profissional-cidadão. Nesse foco, aprender a aprender é o grande objetivo a ser alcançado. Espera-se do aluno que ele seja capaz de estabelecer relações significativas entre conteúdos novos por processos mentais de comparação, correlação, aplicação, análise, síntese e julgamento.

Segundo Emília Ferreiro e Ana Teberosky45 “é preciso ter presente que ao aprendiz como sujeito de sua prática de aprendizagem corresponde, necessariamente, um professor sujeito da sua prática docente e, para construir a sua competência, o único caminho é o da reflexão sobre a sua prática”.

Atualmente, podemos observar o quanto é importante a formação de educadores que valorizem o desenvolvimento próprio e coletivo com criatividade e criticidade e que incentivem a leitura e a produção de materiais próprios, criando cidadãos questionadores e pesquisadores. É por esse motivo que a metodologia de trabalhar com projetos está sendo tão aceita em determinadas escolas, pois ela realmente consegue instigar o aluno a pensar de maneira integrada com sua realidade social.

A educação para a cidadania global propõe o desenvolvimento de uma consciência ecológica, relacional, pluralista, interdisciplinar, sistêmica e espiritual, que traga maior noção de abertura, hábitos e valores, que proporcione uma nova visão da realidade baseada na consciência do estado de inter-relação e interdependência essencial com tudo a sua volta e que transcenda fronteiras disciplinares, conceituais, físicas, sociais e culturais.

O grande desafio do educador deste século é dar conta dos paradigmas que a sociedade vem apresentando com uma expectativa de visão de mundo em que se busca um processo de mudança conceitual, pensando diferente e visando à produção de conhecimentos, à elaboração própria, autônoma, com iniciativa, em uma sociedade do conhecimento com visão de totalidade, de rede, de teia, de conexão, e um sistema integrado em que se supera a fragmentação e a reprodução do conhecimento, provocando o espírito crítico, o diálogo e a ética para uma educação em que a liberdade será a meta fundamental, objetivando-se assegurar o desenvolvimento máximo do ser em relação com o meio. Para tanto, requer que docentes e discentes estejam inteirados nesse processo, caminhando juntos para que realizem uma aprendizagem significativa. É importante que o professor esteja preparado para aprender juntamente com seus alunos, priorizando uma proposta de parceria no processo de construção do conhecimento como também do homem consciente para sua realidade.



ATIVIDADES DE AUTOAVALIAÇÃO

Para as quesrtões a seguir, marque a alternativa correta.

Na intervenção psicopedagógica na escola, a tarefa do psicopedagogo é:

trabalhar no âmbito individual.

diagnosticar o problema de aprendizagem.

criar espaços de aprendizagem.

trabalhar administrativamente.

A importância do lúdico na intervenção na aprendizagem reside no fato de:

o educador preencher o tempo de sua aula.

manter os alunos em silêncio.

mediar a relação do brincar com o aprender.

responder às exigências institucionais.

Qual é a função principal do trabalho com projetos?

Possibilitar a construção de estratégias.

Manter os conteúdos sistemáticos inalterados.

Transmitir conteúdos estáticos.

Identificar quem não aprende.

Quais são as três etapas de um trabalho com projetos?

Problematização, pesquisa e avaliação.

Estudo, devolutiva e resumo.

Caracterização, intervenção e resumo.

Criatividade, planejamento e avaliação.

Quais são as funções que a caixa de trabalho desenvolve quando trabalhada em sala de aula?

Autonomia, dependência e cooperação.

Corporeidade, atividades e sabedoria.

Planejamento, autoridade e coerência.

Autonomia, planejamento e vivência grupal.

ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM



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