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CAIXA DE TRABALHO4: UMA CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA PARA O TRABALHO EM SALA DE AULA



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4.2 CAIXA DE TRABALHO4: UMA CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA PARA O TRABALHO EM SALA DE AULA

As situações que os educadores vêm enfrentando nas salas de aula diante do processo de aprendizagem de seus alunos estão levando, cada vez mais, os educadores a procurar subsídios que os auxiliem a resolver os problemas de aprendizagem, como se sozinhos pudessem dar conta de uma situação tão complexa.

É importante que os educadores, como já vimos anteriormente, saibam qual é seu papel dentro da sala de aula, pois encontram expectativas diferenciadas quanto a ele. A herança conteudista da construção histórica da posição da escola frente à aquisição do conhecimento leva o professor a assumir o compromisso de ir além da transmissão de conhecimentos.

Uma atitude investigativa é fundamental para que o educador esteja atento às necessidades dos educandos, o que não quer dizer que o educador deva ser o responsável em diagnosticar o educando com dificuldades de aprendizagem e realizar intervenções capazes de saná-las. O educador pode e deve subsidiar-se para intervir enquanto educador, pensando que a transmissão do conhecimento deve ter uma nova configuração, em que o campo relacional que se estabelece entre educador e educando seja fonte de subsídios para a configuração de seu perfil profissional.

Segundo Barbosa12,

é preciso mexer no conhecimento, compartilhar e construir conhecimento, sentir a inquietação frente ao novo. O aluno precisa ser protagonista da transformação social, aprender a utilizar os instrumentos do seu tempo e, principalmente, aprender a conviver superando esta onda de desvalores, de violência, de corrupção e de preocupação desmedida com o ter.

A psicopedagogia tem procurado auxiliar na ação pedagógica da sala de aula, propondo ao educador o resgate do humano, além da preocupação com o saber. Levar o educador a pensar e compreender seu aprender certamente facilita e desvenda o fazer psicopedagógico ao educador.

Ainda segundo Barbosa13:

A ressignificação do não saber, condição necessária para haver aprendizagem, pode deflagrar uma reflexão sobre as formas de ensino/aprendizagem, sobre o conhecimento e sua função no mundo de hoje. Faz-se necessário confrontar elementos, tais como a dúvida e a certeza, a disciplina e a indisciplina e a interdisciplinaridade, a linearidade e a transversalidade, a ciência e a consciência, o pensar e o agir, o sentir e o compartilhar, entre ouros.

Para efetivação dessa proposta psicopedagógica, que se propõe a auxiliar o educador no seu fazer psicopedagógico, é primordial a internalização de estudos sobre a importância da atitude operativa que o educador deve assumir quando pensa em transformar sua ação pedagógica, tornando-a uma intervenção significativa. As sugestões de intervenções operativas citadas por Barbosa14 devem fazer parte do cotidiano do educador dentro do espaço escolar.

Mais uma vez vamos nos referir à epistemologia convergente. Dela vamos tomar a visão de uma aprendizagem que supera os enfoques inatista e ambientalista, caracterizando uma perspectiva interacionista para a aprendizagem, que deve respaldar o posicionamento do educador que busca de um fazer pedagógico diferenciado.

A proposta que vamos apresentar está inserida nos pressupostos de Visca15, quando ele nos fala da intervenção psicopedagógica clínica, a qual chama de processo corretor. Para ele,

processo é um transcurso do que vai se sucedendo e é uma característica de todas as coisas, de estar a cada instante de uma forma distinta da anterior [...] Por outro lado temos o termo corretor, que é formado por “co” e “reger”, sendo o primeiro elemento – co – uma forma prefixa latina da preposição com, e o segundo – reger –, a ação do correto funcionamento de um aparelho ou organismo.

Portanto, tomando como base seus pressupostos sobre o uso da caixa de trabalho na intervenção psicopedagógica, é fundamental contextualizar este recurso para utilizá-lo em sala de aula como um auxiliar do educador no desenvolvimento de novas práticas educativas. Para isso, é necessário ressignificar o uso desta ferramenta para o espaço da sala de aula.

A caixa de trabalho foi inicialmente utilizada pela psicanálise. Analistas infantis utilizavam a caixa individual, que continha materiais lúdicos e estruturados para que a criança pudesse representar seu mundo interno, suas fantasias inconscientes diante do mundo real que se apresentava a ela. Na ludoterapia (trabalho psicanalítico desenvolvido com crianças), a caixa passou a ser um depositário de conteúdos significados pela criança durante o processo terapêutico. Os materiais que ela continha eram, de certa forma, modificados e ressignificados pelas crianças, recebendo projeções e adquirindo uma simbolização particular para cada criança, fazendo da caixa um espaço particular e próprio de cada sujeito.

A partir desse significado para a psicanálise, a caixa de trabalho idealizada por Visca16 para a intervenção psicopedagógica passou a ser considerada um depositário de conteúdos de saber e não-saber. Ela guarda materiais que possibilitam a vivência do aprender e está longe de ser um simples receptáculo de materiais e produções17.

Isso mostra a importância significativa desse recurso no processo de intervenção clínica psicopedagógica, pois ela contém elementos que propiciam a superação dos obstáculos que se apresentam ao sujeito e que o impedem de desenvolver sadiamente seu aprender. O trabalho com a caixa só alcança seu objetivo se paralelamente ao seu uso forem utilizados recursos verbais e/ou corporais para que o sujeito perceba a pertinência de sua ação – estes já foram descritos e discutidos na proposta da intervenção psicopedagógica com base na atitude operativa.

Tais recursos são: informação, mostra, modelo de alternativas múltiplas, mudança de situação, acréscimo de modelos, explicação intrapsíquica, assinalamento, desempenho de papéis, interpretação, vivência do conflito, problematização e destaque do comportamento.18



No atendimento clínico, já no enquadramento do trabalho psicopedagógico, um contrato é estabelecido, e dele fazem parte os referenciais de uso da caixa de trabalho. O enquadramento é uma técnica que procura tornar constantes variáveis que podem interferir na observação do movimento de aprendizagem.

Segundo Barbosa19, os aspectos que devem ser considerados para a organização da caixa de trabalho, a partir do diagnóstico, são:

idade cronológica e idade de desenvolvimento;

interesses;

características socioculturais;

sexo;


facilidades e dificuldades;

funcionamento para aprender e diferenças funcionais;

nível de apropriação da linguagem escrita;

vínculos afetivos estabelecidos com as situações de aprendizagem.

Dessa forma, a montagem da caixa deve ser feita com base em alguns referenciais estabelecidos por meio do processo do diagnóstico psicopedagógico e contratados no início do processo de intervenção. Qualquer modificação nesse processo deve fazer parte de um novo enquadramento.



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