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CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA PARA O TRABALHO COM ATIVIDADES LÚDICAS



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4.1 CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA PARA O TRABALHO
COM ATIVIDADES LÚDICAS

A ação psicopedagógica no interior da escola requer do psicopedagogo encarar a necessidade de estruturar um fazer voltado mais ao coletivo do que ao individual. É muito comum psicopedagogos e educadores acreditarem que as técnicas lúdicas favoreçam esse foco de atuação. O trabalho em grupo, portanto, é uma excelente oportunidade para o desenvolvimento de relações interpessoais, bem como se caracteriza por ser um contexto propício para a realização de atividades que priorizam o brincar.

Em uma ação educativa o educador frequentemente se vale de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas, recheando sua prática interventiva, em que busca facilitar a aquisição do conhecimento de maneira mais prazerosa. Porém, muitos não refletem sobre o significado de uma ação interventiva, fazendo do lúdico uma escora, em que se apoia quando enfrenta as dificuldades da rotina da sala de aula.

Portanto, o respaldo que o fazer psicopedagógico oferece ao educador e ao próprio psicopedagogo, no sentido de levá-los a refletir sobre o que realmente caracteriza uma intervenção por meio de jogos ou atividades lúdicas, torna concreta a importância desse uso, a partir dos resultados obtidos.

Para a continuidade de nossas reflexões, é importante retomar os conteúdos que tratam da prática interventiva e a atitude operativa. Estes conteúdos são fundamentais para que se reconheça quais são os reais objetivos de se utilizar jogos ou atividades lúdicas na intervenção do processo de aprendizagem.

A ação psicopedagógica não tem como objetivo “ensinar” o jogo, mas usá-lo como mediador de uma intervenção que mobilize funções necessárias para a aprendizagem e o desenvolvimento.



Segundo Campos, citado por Silvia Amaral1, “o uso de jogos no contexto educacional só pode ser situado corretamente a partir da compreensão dos fatores que colaboram para uma aprendizagem ativa e da definição do seu lugar na sala de aula”.

O educador deve estar ciente de que seu uso como estratégia de ensino requer uma apropriação diferenciada, pois apresenta caráter dialético, instável, ambivalente, ativo e progressivo de uma relação com o conhecimento em uma perspectiva de construção. Essa estratégia deve ter caráter transformador da prática docente.



Há uma grande divergência, segundo alguns autores, na questão da conceituação de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas. Segundo Tizuko Morchida Kishimoto2, existem termos que, por serem empregados com significados diferentes, acabam tornando-se imprecisos, como jogo, brinquedo e brincadeira.

Para essa autora, denominam-se jogos situações como a disputa de uma partida de xadrez, um gato que empurra uma bola de lã, um tabuleiro com peões e uma criança que brinca com boneca. A variedade de fenômenos considerados como jogo mostra a complexidade da tarefa de defini-lo.

Ainda referindo-se a Kishimoto3, jogo, brinquedo e brincadeira têm sido utilizados com o mesmo significado, porém ela declara uma definição em que brinquedo é entendido sempre como o objeto, suporte da brincadeira. Esta é a descrição de uma conduta estruturada com regras, e jogo designa tanto o objeto quanto as regras do jogo, o brinquedo e a brincadeira.

Portanto, independentemente do significado que se queira dar a esses conceitos, o poder do jogo e do brincar no desenvolvimento infantil – no que se refere à possibilidade de a criança ressignificar o mundo externo com base em conteúdos simbólicos, desenvolvendo flexibilidade e austeridade para ­enfrentá-lo – faz das atividades lúdicas uma grande aliada do educador e dos profissionais que atuam junto aos educandos.

Gilles Brougère4 nos mostra que ao longo da história o jogo sempre esteve ligado a futilidades. Somente a partir do século XIX ele passou a ser suporte de atividades didáticas, visando também à aquisição do conhecimento. Porém, o uso do jogo não pode adquirir caráter de obrigatoriedade em detrimento de uma ação inerente à criança, que é brincar.

As instituições educacionais deveriam investir nos seus educadores, proporcionando uma formação que os levasse a incorporar o lúdico em suas propostas pedagógicas, esclarecendo que seu uso não é uma perda de tempo, mas um parceiro.

Para o educador também é importante que estas atividades não sejam sentidas como obrigatoriedade, mas como possibilidades de também ele sentir que seu papel está sendo desempenhado de forma prazerosa.

Segundo Campos, citado por Amaral5,

o uso do jogo é formativo em dupla mão de direção: junto ao aluno e ao professor. Para o professor, o jogo tem potencial de promover novas e melhores formas de ensinar, em geral, para qualquer disciplina, diferentes maneiras de interagir com a turma e de se posicionar dentro da sala de aula, como coordenador das atividades e facilitador do aprender do aluno em vez de centro irradiador das decisões e do saber.

É essencial que dentro da escola haja espaço para o desenvolvimento global e harmonioso por meio de brincadeiras, jogos e outras atividades lúdicas. O educando não deve ser impedido de assumir sua corporeidade, passando horas imobilizado em uma sala de aula, nem o educador de assumir sua corporeidade profissional, limitando-se a conteúdos predeterminados.



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