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Sobre a filosofia do desporto em Portugal: o caso de Sílvio Lima



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Sobre a filosofia do desporto em Portugal: o caso de Sílvio Lima.
Ao contrário do que sucede em bastantes outros países, não há, nos estudos universitários em Portugal, uma tradição muito consistente de Filosofia do Desporto. Com efeito, organizações como a International Association for the Philosophy of Sport (IAPS) – que promove anualmente, desde 1972, então ainda com o nome de Philosophic Society for the Study of Sport, congressos de âmbito mundial –, a British Philosophy of Sport Association (BPSA), a European Association for the Philosophy of Sport (EAPS) ou a mais recente Asociación Latina de Filosofía del deporte (ALFiD) constituem inegável testemunho da vitalidade internacional desta sub-área da Filosofia, pois envolvem e reúnem académicos oriundos de diferentes países e de distintas áreas em actividades científicas e editoriais de grande interesse. O caso português, apesar de alguns progressos esporádicos recentes, deve assim ser visto mais como uma excepção do que uma regra no contexto das universidades de todo o mundo.

É certo que, nos Departamentos e nas Faculdades de Desporto de algumas Universidades do nosso país, há diversos casos de investigadores e professores que se têm, por assim dizer, aproximado desta área da Filosofia do Desporto. Para referir apenas os dois casos mais conhecidos, Manuel Sérgio, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, e Jorge Olímpio Bento, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, têm desenvolvido intensa actividade investigativa e editorial nas áreas respectivamente da epistemologia da motricidade humana e da filosofia da educação ou pedagogia desportiva. No entanto, do lado da Filosofia, e ao contrário do que sucede em outras áreas das chamadas Ciências Humanas e Sociais, como a Sociologia, a História e a Psicologia, a verdade é que parece haver uma nítida distracção relativamente ao fenómeno desportivo. Ora, julgo que existe uma dimensão específica na abordagem filosófica do desporto. Em que consiste essa especificidade?



O discurso filosófico sobre o desporto não deve, obviamente, pretender constituir-se como hegemónico ou subordinante em relação aos outros saberes científicos que, ao longo das últimas décadas, têm vindo muito legitimamente a construir o seu espaço, dedicando ao desporto uma pluralidade de olhares que, no mínimo, seria absurdo qualquer filósofo do desporto ignorar ou até secundarizar. Mas, ao mesmo tempo, a Filosofia do Desporto não deve fugir a duas das suas missões essenciais. Por um lado, confrontar-se, revelando a paciência que o assunto exige, com o problema da definição do desporto como actividade intrinsecamente humana que, na sua especificidade, não se deve confundir, por exemplo, com o trabalho, a política, a arte ou a religião, mesmo se, em muitas circunstâncias, as fronteiras entre todos estes campos não são absolutamente nítidas. Ainda assim, torna-se claro que a determinação do que se entende por intrinsecamente humano constitui, desde logo, um problema nada fácil de resolver. Por um lado, é indiscutível que reduzir o humano exclusivamente à sua dimensão biológica é um reducionismo que nem um autor como Desmond Morris, no seu famoso O macaco nu, ousou defender:
Houve muitas espécies formidáveis que se extinguiram no passado, e nós não somos excepção. Mais cedo ou mais tarde, teremos de partir e deixar lugar para qualquer outra coisa. Para isso acontecer mais tarde e não mais temos de nos demorar a contemplar-nos friamente como exemplares biológicos e compreender alguma coisa sobre as nossas limitações. Foi por isso que escrevi este livro, e porque decidi deliberadamente insultar a nossa espécie, chamando macacos nus a todos nós, em vez de utilizar o nome mais habitual. Isso ajuda-nos a manter o sentido das proporções e obriga-nos a encarar aquilo que continua a passar-se logo abaixo da superfície das nossas vidas. É possível que, com o entusiasmo, eu tenha exagerado. Existem muitos elogios que eu podia ter cantado, muitas realizações extraordinárias que podia ter descrito. Ao omiti-las, caí forçosamente numa descrição unilateral. Nós somos uma espécie extraordinária, e eu não pretendo negá-lo nem diminui-lo. Mas isso tem-se dito e repetido demasiadamente. Quando se lança a moeda, parece que sai sempre cara, e eu senti que já ia sendo tempo de a virar e olhar para a outra face (Morris, 1975: 241-242 (sublinhados meus).
Por outro lado, determinar o que define essa diferença entre os animais humanos e os animais não-humanos é tarefa quase impossível ou, pelo menos, sempre inacabada, como Jacques Derrida, em L’animal que donc je suis, soube explicar, num texto que, entre muitas outras qualidades, pode ser lido também como uma resposta a Morris:
Nus sem o saber, os animais não estariam (seriam) verdadeiramente nus. Não estariam nus porque são nus. Em princípio, à excepção do homem, nenhum animal terá pensado em vestir-se. O vestir-se seria o próprio do homem, um dos próprios do homem (…) como a palavra ou a razão, o logos, a história, o riso, o luto, a sepultura, o dom, etc. (A lista dos próprios do homem forma sempre uma configuração, desde do primeiro momento. E isto pela seguinte razão: é uma lista que não tem apenas uma dimensão (un seul trait) e não se encontra nunca fechada. Por definição (par structure), pode arrastar consigo (aimanter) um número não finito de outros conceitos, a começar pelo conceito de conceito) (Derrida, 2006: 19).
Dito isto, importa sublinhar que o olhar da Filosofia do Desporto não é, por assim dizer, axiologicamente neutro. Ou seja, o filósofo do desporto valora o próprio fenómeno desportivo, quer como prática, quer como espectáculo. E, por conseguinte, embora nelas não se esgotando, a Filosofia do Desporto frequentemente desemboca na ética ou na estética, importando-lhe não apenas o que desporto é, mas também o que o desporto pode e deve ser.

Do ponto de vista da filosofia, saber com um lastro histórico de milénios, a relevância da Filosofia do Desporto não se afigura menor. Com efeito, a actividade desportiva, na sua complexidade e riqueza multidimensional, influi, graças ao seu poder interpelador e polémico, várias áreas tradicionais da filosofia, como sejam a ética, a estética, a filosofia política e até a antropologia filosófica, lançando novas questões e, no mesmo lance, oferecendo novas pistas para velhos problemas. Seria possível invocar inúmeros exemplos para ilustrar o que acabámos de dizer. Centrarei a minha atenção apenas num deles.

De que modo o desporto contemporâneo não recoloca em termos inéditos a já referida questão filosófica dos limites da condição humana? Como assinala Isabelle Queval, a propósito da antinomia filosófica em torno do famoso atleta sul-africano Oscar Pistorius,
deixá-lo o correr [nos Jogos Olímpicos] é abrir caixa de Pandora aos cyborgs do desporto. Proibi-lo de correr é negar a essência do desporto de alto rendimento na sua artificialidade intrínseca (Queval, 2009: 149).
Sem querer esgotar a enorme complexidade deste e doutros problemas filosóficos decorrentes do fenómeno desportivo, penso que já disse o suficiente para sugerir, quer a legitimidade, quer a importância da Filosofia do Desporto, bem como a necessidade de desenvolver esta área de investigação em Portugal. Tanto mais, que nos últimos anos da década de Trinta do século passado, um filósofo português, Sílvio Lima, publicou um conjunto de ensaios que, numa altura em que o termo Filosofia do Desporto ainda era bastante incomum, podem perfeitamente ser considerados como precursores desta sub-área da Filosofia. É isso, pelo menos, o que em seguida procurarei demonstrar.

Da análise de todos os textos de Sílvio Lima dedicados ao desporto, vou destacar três teses principais. Para cada uma delas, escolhi um texto que, de forma concisa mas clara, ilustre o que considero ser o essencial da argumentação do filósofo. Após este momento de explicitação, tentarei discutir especialmente a última delas que, em meu entender, pode merecer certas reservas, sobretudo se vista numa perspectiva mais consentânea com o desporto dos nossos dias.

A primeira tese pode ser assim sintetizada: o desporto é, nuclearmente, soberania do espírito. Segundo Sílvio Lima,

o desporto é, nuclearmente, espírito, soberania do espírito (não há autêntico desporto sem ascese) e pretende criar, não o perfeito animal, mas o perfeito cidadão, exemplar harmonioso de formosura moral e física (Lima, 2002: 973).

Daí decorre uma implicação obrigatória: porque se trata de uma actividade essencialmente espiritual, «não há autêntico desporto sem ascese». Que significa para Sílvio Lima ascese? Remetendo para a matriz clássica do conceito, o filósofo explica: a ascese é

exercício, esforço, tensão. Ascese vem do grego áskesis e áskesis de áskein, exercitar-se, combater. A designação de asceta era aplicada, na antiguidade helénico-romana, a todo o varão que se exercitava, se adestrava, se preparava para os jogos do estádio ou os labores da vida militar. Asceta significava atleta (de athlos, combate). A ascese representava o treino; a ascética era, afinal, a ars athletica, a agonística. Pois bem, o atletismo pressupunha, como condição ‘sine qua non’, um regime especial, uma disciplina psíco-física; a essa disciplina (verdadeira higiene) chama-se a ascese (Lima, 2002: 1039-1040).

Devo sublinhar, porém, que esta ascese ou endurecimento não é apenas de ordem psicofísica. De facto, sendo o desporto essencialmente uma actividade com alma, uma actividade de natureza espiritual, a ascese desportiva comporta, inevitavelmente, uma dimensão moral. Neste ponto preciso, a concepção de Sílvio Lima aproxima-se, do meu ponto de vista pelo menos, da tese de Johan Huizinga, para quem o jogo, no qual se inclui também o desporto,

vai além dos limites das actividades puramente físicas e biológicas. Tem uma função significante, ou seja, tem um sentido» (Huizinga, 2003: 17).


Daí que, de acordo com Sílvio Lima, encontremos no coração do desporto «uma virtude, uma ascese, uma disciplina ética» (Lima, 2002: 1040), que se consubstancia no fair-play.

Passo a considerar, agora, uma segunda tese que poderia exprimir assim: o desporto é a negação total da guerra. Para Sílvio Lima, a expressão inglesa do fair-play compreende quatro dimensões: 1) Fidelidade ou respeito pelas regras; 2) Apagamento do indivíduo perante o grupo e do grupo perante o Jogo. 3) Colaboração perante o adversário: o antagonista deve ser visto como colaborador, não como inimigo, no sentido em que, se ele não existisse, era a existência do próprio jogo que seria posta em causa. 4) Esforço volitivo permanente.

Como se vê, o fair-play encerra em si mesmo a ideia de que o adversário é um colaborador antagonista. Esta ideia é especialmente fecunda para compreender uma outra interessante perspectiva de Sílvio Lima, para quem o desporto, mais do que ser um instrumento de guerra ou um aliado da violência é, antes de tudo, um modo de fomentar o pacifismo, aspecto que, importa recordar, está igualmente bem presente na doutrina de Pierre de Coubertin, o fundador do movimento olímpico moderno.

Com efeito, Sílvio Lima preocupa-se em desconstruir o preconceito que associa a actividade desportiva à actividade bélica, declarando:

[a] guerra jamais pode ser um desporto. Porquê? (...) Em primeiro lugar: o desporto respeita a vida. A morte nada tem a ver com a essência do desporto; pelo contrário, a morte – provocada na pessoa de outrem – anula o desporto. Decerto. A morte pode resultar, como acidente inevitável ou como descuido imperdoável, da prática do desporto. (...) Em segundo lugar: o desporto (...) pressupõe a igualdade dos jogadores» (Lima, 2002: 1024-1026).

Ora, não é fácil imaginar uma força militar agressora empenhada em fornecer armamento às tropas inimigas, com o objectivo de realizar uma batalha com armas idênticas. De resto, na guerra o sucesso de uma iniciativa depende, numa grande maioria dos casos, do efeito surpresa provocado por um ataque inesperado.

Esta ideia de que o desporto requer uma situação de igualdade entre os jogadores é particularmente fecunda. Aí se alicerça, afinal, uma das dimensões mais relevantes do desporto no domínio da pedagogia política, ou seja, a ideia de que o desporto constitui uma escola de sã democracia. No fundo, é esse esforço que confere ao desporto o seu papel modelar no âmbito de uma perspectiva educacional. De facto, o desporto é o exemplo de uma actividade radicalmente democrática, onde vigora o ideal da igualdade de oportunidades.

Para encerrar esta abordagem, que não pretende esgotar toda a riqueza da sua filosofia do desporto, considerarei uma terceira tese de Sílvio Lima, a qual se pode resumir assim: a arte e o jogo [ou o desporto] são distintos: esferas livres, que se interpenetram, sem se confundirem. Claro que esta tese de Sílvio Lima se aproxima daquilo a que hoje se costuma chamar Estética do Desporto e que, durante os últimos anos, tem conhecido desenvolvimentos bastante fecundos. Em rigor, Sílvio Lima não utiliza a expressão a Estética do Desporto mas, em alguns dos seus textos, designadamente em “Arte e jogo, jogo e arte”, confronta-se com o problema das relações entre desporto e arte. Assim, pergunta:

É então o jogo uma arte? Sim, quando o jogador é um artista que o transforma em arte» (Lima, 2002: 1016).
Nesses casos, o jogo como que se aproxima do estatuto da arte, dado que, para Sílvio Lima, entre ambos há uma relação, por assim dizer, assimétrica. Por isso, escreve:

o jogo é filho precário do tempo; quando cessa, cessa tudo. Tudo acabou. A obra de arte, pelo contrário, transcende o tempo, guarda – qual recordação – o instante da inspiração do artista, esse instante fluído, inapreensível, como se congelou, se eternizou. Do génio de Rodin ficou para sempre o Pensador; das danças de Isadora, ou da beleza dos jogos desportivos helénicos, que resta? Foi a arte precisamente que eternizou o jogo grego, o discóbolo de Míron, o efebo de carne e osso já é pó anónimo, mas o seu formoso gesto – raptado ao tempo pela arte – ficou vivo para a eternidade (Lima, 2002: 1014-1015).


Julgo que há alguns aspectos que merecem ser discutidos nesta perspectiva de Sílvio Lima. Em primeiro lugar, é possível desvincular a experiência estética da experiência artística e, por isso, podemos realizar a primeira dessas experiências noutros contextos, entre os quais o espectáculo desportivo. Por outro lado, e no caso de se querer relacionar a experiência desportiva (do ponto de vista do espectador, note-se) e a experiência artística, torna-se mais fácil fazê-lo, se considerarmos as chamadas artes performativas que, como Sílvio Lima acaba por admitir através do exemplo da dança, têm uma fugacidade comparável à que diz caracterizar o jogo.

Ora, como tentei mostrar anteriormente, o conceito de percepção competitiva permite mostrar como os espectadores das competições desportivas realizam experiências estéticas que, em virtude das características específicas do próprio desporto (designadamente a incerteza e a auto-teleologia), se distinguem da experiência artística vivida pelo espectador num concerto, numa peça teatral ou num bailado.

Devo referir que, para Sílvio Lima, um dos vícios mais perigosos que afecta o desporto contemporâneo é o que ele designa por espectarismo. De tal modo que

o essencial é transformar cada espectador (depois dum prévio noviciado físico-científico) em jogador (o que não quer dizer que o segundo pressuponha a supressão do primeiro) (Lima, 2002: 967-968).


Esta perspectiva anti-espectarista (com a qual, de resto, estou em grande parte de acordo) talvez ajude a explicar a dificuldade que Sílvio Lima tem em admitir a dimensão estética no espectador do desporto e, por via disso, a razão pela qual defende uma secundarização do desporto em relação à arte.

Ora, estou convencido de que alguns contributos recentes da chamada Estética do Desporto permitem, por um lado, ir mais além do que as teses de Sílvio Lima sobre as relações entre desporto e arte e, ao mesmo tempo, sustentar a intuição, proposta por aquele que foi com certeza o primeiro filósofo português do desporto, segundo a qual a arte e o desporto são distintos: «esferas livres, que se interpenetram, sem se confundirem» (Lima, 2002: 1022).No entanto, defendo também a perspectiva de que, independentemente de considerar o inegável mérito da reflexão filosófica que Sílvio Lima dedicou ao desporto – sobretudo se atendermos ao momento histórico e ao contexto cultural, académico e científico em que publicou os seus ensaios –, tal não implica que seja necessário ou até vantajoso aceitá-las de um modo acrítico e definitivo. Pelo contrário, não discutir ou polemizar (no sentido grego do termo polemos que era tão caro ao antigo Professor da Universidade de Coimbra) as suas teses é que seria verdadeiramente perder o desafio que ele nos convida a jogar nos seus ainda hoje belos ensaios.



Assim, creio que pode ser muito útil fazer dialogar a filosofia do desporto de Sílvio Lima com algumas das propostas de Isabelle Queval, por exemplo, pois a leitura dos livros da filósofa francesa pode ser uma importante ajuda para se perceber alguns dos limites do ensaísmo desportivo do autor português. Com efeito, Isabelle Queval defende a ideia de que o desporto grego é um fenómeno que apenas se pode perceber se atendermos a que se vive, nessa época, num mundo fechado, onde atleta visa, antes de mais harmonizar-se com o cosmos. Na época moderna, o desporto situa-se num universo aberto com uma visão histórica do tempo. Dessa mudança de paradigma, que Koyré definiu numa obra que hoje já é um clássico da história das ideias científicas (Koyré, s/d), não pode dissociar-se, por exemplo, a obsessão de bater os records que caracteriza quer o chamado desporto de alto rendimento, quer outras abordagens do fenómeno desporto típicas do nosso tempo. De resto, há na própria expressão desporto grego um indisfarçável anacronismo, pois o desporto é um conceito moderno que, em rigor, não faz sentido na Antiguidade. Isabelle Queval sublinha precisamente este ponto, quando recorda o seguinte:
Devemos a Pierre Coubertin e à sua renovação dos jogos Olímpicos e, por conseguinte, ao próprio ideário olímpico enquanto tal, a ideia do enraizamento do desporto na tradição antiga. (…) Não é certo, porém, que esta origem assinale uma continuidade, nem mesmo que se possam articular as realidades modernas e antigas através do uso dos mesmos conceitos. As representações do mundo e do homem, as estruturas sociais e políticas, a relação com o religioso e com a violência levam alguns autores, como Norbert Elias (…), a pôr em dúvida que se possa utilizar o mesmo termo para designar o desporto antigo e o desporto moderno. O termo desporto seria, então, reservado para denominar o desporto inglês que aparece no século XIX e que se desenvolve através das formas pelas quais o conhecemos. Ainda assim, é preciso notar, no entanto, que a matriz antiga subsiste ainda no desporto por via semântica através de palavras como olimpismo, ginásio, decatlo, hipódromo, etc.» (Queval, 2009: 21-22).
Ora, a verdade é que Sílvio Lima parece querer avaliar alguns dos elementos caracterizadores do desporto do século XX através de uma mundividência inspirada no mundo helénico e que, portanto, é incomensurável com a época contemporânea. No capítulo seguinte, dedicarei a minha atenção a um desses temas do desporto dos nossos dias, cuja complexidade não cessa de aumentar.



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