Índice Estética e Desporto a percepção competitiva Ganhar jogando feio segundo Brad Gilbert Sobre a filosofia do desporto em Portugal: o caso de Sílvio Lima Desporto e Profissionalismo Nota Final Bibliografia Estética e Desporto



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Sobre o Autor:

João Tiago Lima. Professor Auxiliar com Agregação do Departamento de Filosofia da Universidade de Évora. Investigador do CICP (Centro de Investigação em Ciência Política). Ensina e estuda nas áreas do pensamento português contemporâneo, da antropologia filosófica, da bioética e da filosofia do desporto. Principais obras anteriores: O Fogo do Espírito – Desporto, Olimpismo e Ética (Academia Olímpica de Portugal. 2007), Existência e Filosofia – O ensaísmo de Eduardo Lourenço (Campo das Letras, 2008), Falar Sempre de Outra Coisa – Ensaios sobre Eduardo Lourenço (Âncora Editora, 2013).




1 «L’artiste apporte son corps, recule, place et ôte quelque chose, se comporte de tout son être comme son oeil et devient tout entier un organe qui s’accommode, se déforme, cherche le point, le point unique qui appartient virtuellement à l’oeuvre profondément cherchée» (Valéry, 2016: 299).

2 A palavra estética tem a sua origem no termo grego aisthesis que significa, primeiramente, sensação ou sensibilidade. A partir do século XVIII, sobretudo com A. G. Baumgarten, a Estética passa a ser considerada como uma disciplina filosófica autónoma, na qual se estuda o Belo e outras categorias, designadamente no campo da arte.

3 Como se sabe, é na leitura que faz da fenomenologia pontiana que Manuel Sérgio radica a sua bem conhecida “epistemologia da motricidade humana”: «A motricidade diz-nos que o mundo está dentro de nós, antes de qualquer tematização. Porque o homem é portador de sentido – daí a sua intencionalidade operante, ou motricidade (Sérgio, 1988: 92).

4 Claro que a fenomenologia pontiana visa interditar que se pense quer o espírito, quer o corpo humano isoladamente, pois um dos seus desafios consiste precisamente em superar as dificuldades do dualismo antropológico clássico de que Descartes talvez seja o principal representante.

5 Sobre o conceito de espírito olímpico (Lima, 2007: 9-21).

6 Este conto foi pela primeira vez publicado no livro Anatomia de uma derrota, em 1986. Dois anos volvidos, Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado realizaram uma curta-metragem inspirada no texto de Paulo Perdigão. O filme, com a duração de doze minutos, tem como protagonista António Fagundes e pode ser visionado em https://www.youtube.com/watch?v=NAApOKrH318.

7 Escrito já no nosso século e depois da morte do goleiro cruz-maltino, o conto foi publicado na bela antologia Contos da Colina dedicada ao Vasco da Gama em 2012, ou seja, dois anos antes do desastre frente à Alemanha no Minerão.

8 Num ensaio com o sugestivo título “Fair-play: menos palavras e mais acção”, Lieke Vloet, membro do Comité Olímpico Holandês, opera uma distinção que me parece muito produtiva entre o que chama fair-play estrito e fair-play abrangente. O primeiro designa apenas o modo correcto como se actua durante a competição, ou seja, a rigorosa obediência às regras do jogo e às pessoas que o supervisionam. O segundo designa não apenas a prática desportiva com honestidade e com desportivismo [e reparemos que esta definição incorre numa forma circular: fazer desporto com desportivismo], mas também a finalidade dessa prática: promoção de valores, a saúde, a integração social e a orientação dos jovens, etc. (Cf. Vloet, 2006: 2002).

9 No capítulo inicial do livro, Gilbert apresenta a sua visão – que, no essencial, não diverge muito da perspectiva do seu adversário – dessa memorável (e única) vitória sobre McEnroe, escrevendo o seguinte: «John McEnroe e eu nunca fomos o que se pode chamar os melhores amigos do mundo. É o que sucede quando duas pessoas não gostam uma da outra. Ele pensa que eu tenho más pancadas. Eu penso que ele tem uma atitude incorrecta. Mas a verdade é que McEnroe tem razão. Em teoria, ele nunca deveria perder com um jogador como eu» (Gilbert, 2007: XXII).

10 Gilbert refere, entre outras coisas, que McEnroe é «um jogador com um grande serviço» e que tem «um espantoso talento» (Gilbert, 2007: 114, 215).

11 Importa reconhecer que o extraordinário desenvolvimento do ténis nos últimos anos torna algumas das categorias estéticas usadas por Brad Gilbert um pouco anacrónicas. Assim, pelo menos ao nível do ténis mundial, é bastante difícil encontrar um jogador que seja apenas um pusher ou um serve-volley player pois esses modelos de jogo são neutralizados com facilidade, caso se tornem absolutamente previsíveis.

12 Gregorio Maranon (Madrid, 1887-1960), médico e humanista espanhol, é um dos autores com quem Sílvio Lima mais dialoga nas suas reflexões sobre desporto. Entre as suas obras dedicadas ao tema, destaca-se o ensaio Sexo, trabajo y deporte, publicado originariamente em 1926.

13 Julgo mais proveitoso aproximar os conceitos de arte e desporto, pois entendo que, por vezes, Sílvio Lima romantiza um pouco a sua concepção de ciência, nomeadamente quando distingue categoricamente entre ciência aplicada e ciência pura ou desinteressada. Por isso, iremos centrar a nossa atenção sobretudo nas relações que Sílvio Lima estabelece entre a actividade artística e a actividade desportiva.

14 «O desporto deve ser sempre uma pausa entre dois trabalhos; pausa recreativa do primeiro trabalho e pausa preparadora do segundo trabalho. O significado transcendente do desporto reside no seguinte: em este realizar simultaneamente duas espécies de objectivos:1º Dar satisfação a várias necessidades presentes, imediatas de repouso ou distensão do corpo e da alma (o repouso não pressupõe necessariamente a imobilidade);

Treinar o indivíduo, pelo desenvolvimento e manutenção de certas qualidades psíco-físicas, para o futuro trabalho» (Lima, 2002: 958).



15 «O jogo serve de recreio ao trabalhador, de pausa, de evasão higiénica às duras necessidades e brutalidades da oficina» (Ibidem).

16 Em Desportismo Profissional (1939), o autor volta ao assunto de modo mais desenvolvido, mas substitui o termo espectarismo por espectadorismo. Cf. Lima, 2002: 1079. Curiosamente, em artigos com os títulos “Desporto-Espectáculo” e “Desportos por procuração” e publicados em O Primeiro de Janeiro no mês de Fevereiro de 1943, o autor retoma o essencial da argumentação expandida nos textos anteriores e recorre de novo ao termo originário espectarismo: «Um dos vícios, ou defeitos, do desporto contemporâneo (…) é o chamado espectarismo ou exibicionismo» (Lima, 2010: 203).

17 Por uma questão de espaço, não é possível abordar aqui o modo como o sistema de apostas desportivas condiciona poderosamente o desporto nos nossos dias. É uma questão cuja complexidade não deve, nem pode, desencorajar uma abordagem necessariamente séria e aprofundada. Muito pelo contrário. Tanto mais que o próprio Sílvio Lima, dando o exemplo do boxe americano, alerta para os efeitos perversos de tal sistema, escrevendo: «O boxe fez-se lotaria, roleta, Monte-Carlo; cada qual “serve-se” dos jogadores para efectuar uma especulação. Há preferências individuais: certos arriscam pelo eleito A, outros pelo eleito B. É um jogo de bolsa, e não de desporto, o que ali se desenrola», (Lima, 2002: 1081).

18 Não descobri em nenhum dos textos de Sílvio Lima qualquer referência directa ao problema da dopagem (pelo menos no sentido que hoje tem este conceito) que, como se sabe, já existia na época. No entanto, muitas das advertências que o professor da Universidade de Coimbra realiza como que prenunciam aquele que é muitas vezes considerado um dos maiores problemas éticos do desporto hodierno.

19 Apenas na medida em que o espectador for motivado a tornar-se praticante é que os estádios cumprem a sua função essencial: «o estádio deve (…) ser uma verdadeira escola de desporto (…). [O seu papel] será mais exercicional que espectacular, mais dinâmico que estático. Esta predominância da primeira função restringirá os abusos perigosos do espectadorismo.O espectador não será expulso do tablado, mas será solicitado a abandonar a sua estática postura e a intervir dinamicamente no estádio. Se é moço e real amante do jogo, porque razão há-de o espectador continuar sempre lá no alto, imerso como cegonha em reumatizante quietismo?» (Lima, 2002: 1081).

20 «Pergunta-se agora: não pode – em caso algum – o jogador fazer do jogo uma profissão?Respondo: não pode como jogador, mas pode fazê-lo como professor e treinador de jogo.

Exemplifico:



A equitação (…) é um desporto; pois bem, o equitador pode ensinar esta técnica (por ex., num instituto) e desse ensino receber o óbolo das suas lições. Não é aqui o desporto que é remunerado, mas o seu magistério, o carácter pecuniário do desporto continua a manter-se íntegro», (Lima, 2002: 1082).

21 Para uma análise e discussão mais desenvolvida e aprofundada do que chamei já, em diversas ocasiões, o caso Arthurs, cf. J. Lima, 2007: 63-69.


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