Microsoft Word poesia, Crisalidas, 1864



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Crisálidas

 

 



 

 

 



 

Texto-fonte:

 

Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,

 

Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.



 

 

 



Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1864.

 

 



 

 

 



 

 

ÍNDICE

 

 

 



MUSA CONSOLATRIX

 

  



VISIO

 

  



QUINZE ANOS

 

 



 

STELLA


 

  

EPITÁFIO DO MÉXICO



 

  

POLÔNIA



 

  

ERRO



 

 

 



ELEGIA

 

  



SINHÁ

 

  



HORAS VIVAS

 

  



VERSOS A CORINA

 

  



ÚLTIMA FOLHA

 

  



 

 

 



 

POEMAS PRESENTES NA PRIMEIRA EDIÇÃO

 

 



 

LÚCIA


 

 

 



O DILÚVIO

 

 



 

 



 

 

A CARIDADE



 

 

 



A JOVEM CATIVA

 

 



 

NO LIMIAR

 

 

 



ASPIRAÇÃO

 

 



 

CLEÓPATRA

 



 

 

OS ARLEQUINS



 

 

 



AS ONDINAS

 

 



 

MARIA DUPLESSIS

 

 

 



AS ROSAS

 

 



 

OS DOUS HORIZONTES

 

 

 



MONTE ALVERNE

 

 



 

AS VENTOINHAS

 

 

 



ALPUJARRA

 

 



 

EMBIRRAÇÃO

 

 

 



POSFÁCIO

 

  



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

MUSA CONSOLATRIX

 

 

 

Que a mão do tempo e o hálito dos homens



 

Murchem a flor das ilusões da vida,

 

Musa consoladora,



 

É no teu seio amigo e sossegado

 

Que o poeta respira o suave sono.



 

 

 



Não há, não há contigo,

 

Nem dor aguda, nem sombrios ermos;



 

Da tua voz os namorados cantos

 

Enchem, povoam tudo



 

De íntima paz, de vida e de conforto.

 

 

 



Ante esta voz que as dores adormece,

 

E muda o agudo espinho em flor cheirosa,



 

Que vales tu, desilusão dos homens?

 

Tu que podes, ó tempo?



 

A alma triste do poeta sobrenada

 

À enchente das angústias,



 

E, afrontando o rugido da tormenta,

 

Passa cantando, alcíone divina.



 

Musa consoladora,

 

Quando da minha fronte de mancebo



 

A última ilusão cair, bem como

 

Folha amarela e seca



 

Que ao chão atira a viração do outono,

 

Ah! no teu seio amigo



 


Acolhe-me, — e haverá minha alma aflita,

 

Em vez de algumas ilusões que teve,



 

A paz, o último bem, último e puro!

 

 

 



 

 

VISIO

 

 

 

Eras pálida. E os cabelos,



 

Aéreos, soltos novelos

 

Sobre as espáduas caíam...



 

Os olhos meio cerrados

 

De volúpia e de ternura



 

Entre lágrimas luziam...

 

E os braços entrelaçados,



 

Como cingindo a ventura,

 

Ao teu seio me cingiam...



 

 

 



Depois, naquele delírio,

 

Suave, doce martírio



 

De pouquíssimos instantes

 

Os teus lábios sequiosos,



 

Frios, trêmulos, trocavam

 

Os beijos mais delirantes,



 

E no supremo dos gozos

 

Ante os anjos se casavam



 

Nossas almas palpitantes...     

 

 

 



 Depois... depois a verdade,

 

A fria realidade,



 

A solidão, a tristeza;

 

Daquele sonho desperto,



 

Olhei... silêncio de morte

 

Respirava a natureza, —



 

Era a terra, era o deserto,

 

Fora-se o doce transporte,



 

Restava a fria certeza.

 

 

 



Desfizera-se a mentira:

 

Tudo aos meus olhos fugira,



 

Tu e o teu olhar ardente,

 

Lábios trêmulos e frios,



 

O abraço longo e apertado,

 

O beijo doce e veemente;



 

Restavam meus desvarios,

 

E o incessante cuidado,



 

E a fantasia doente.

 

 

 



E agora te vejo. E fria

 

Tão outra estás da que eu via



 

Naquele sonho encantado!

 

És outra, calma, discreta,



 

Com o olhar indiferente,

 

Tão outro do olhar sonhado,



 

Que a minha alma de poeta

 

Não se vê a imagem presente



 

Foi a visão do passado.

 

 

 




Foi, sim, mas visão apenas;

 

Daquelas visões amenas



 

Que à mente dos infelizes

 

Descem vivas e animadas,



 

Cheias de luz e esperança

 

E de celestes matizes:



 

Mas, apenas dissipadas,

 

Fica uma leve lembrança,



 

Não ficam outras raízes.

 

 

 



Inda assim, embora sonho,

 

Mas, sonho doce e risonho,



 

Desse-me Deus que fingida

 

Tivesse aquela ventura



 

Noite por noite, hora a hora,

 

No que me resta de vida,



 

Que, já livre da amargura,

 

Alma, que em dores me chora,



 

Chorara de agradecida!

 

 

 



 

 

QUINZE ANOS

 

 

 

Oh! la fleur de l'Eden, pourquoi l'as-tu 



fannée,

 

Insouciant enfant, belle Eve aux blonds 



cheveux!

 

 

 

ALFRED DE MUSSET



 

 

 



 

 

Era uma pobre criança...



 

— Pobre criança, se o eras! —

 

Entre as quinze primaveras



 

De sua vida cansada

 

Nem uma flor de esperança



 

Abria a medo. Eram rosas

 

Que a doida da esperdiçada



 

Tão festivas, tão formosas,

 

Desfolhava pelo chão.



 

— Pobre criança, se o eras! —

 

Os carinhos mal gozados



 

Eram por todos comprados,

 

Que os afetos de sua alma



 

Havia-os levado à feira,

 

Onde vendera sem pena



 

Até a ilusão primeira

 

Do seu doido coração!



 

 

 



Pouco antes, a candura,

 

Coas brancas asas abertas,



 

Em um berço de ventura

 

A criança acalentava



 

Na santa paz do Senhor;

 

Para acordá-la era cedo,



 

E a pobre ainda dormia

 

Naquele mudo segredo



 


Que só abre o seio um dia

 

Para dar entrada a amor.



 

 

 



Mas, por teu mal, acordaste!

 

Junto do berço passou-te



 

A festiva melodia

 

Da sedução... e acordou-te!



 

Colhendo as límpidas asas,

 

O anjo que te velava



 

Nas mãos trêmulas e frias

 

Fechou o rosto... chorava!



 

 

 



Tu, na sede dos amores,

 

Colheste todas as flores



 

Que nas orlas do caminho

 

Foste encontrando ao passar;



 

Por elas, um só espinho

 

Não te feriu... vais andando...



 

Corre, criança, até quando

 

Fores forçada a parar!



 

 

 



Então, desflorada a alma

 

De tanta ilusão, perdida



 

Aquela primeira calma

 

Do teu sono de pureza;



 

Esfolhadas, uma a uma,

 

Essas rosas de beleza



 

Que se esvaem como a escuma

 

Que a vaga cospe na praia



 

E que por si se desfaz;

 

 

 



Então, quando nos teus olhos

 

Uma lágrima buscares,



 

E secos, secos de febre,

 

Uma só não encontrares



 

Das que em meio das angústias

 

São um consolo e uma paz;



 

 

 



Então, quando o frio 'spectro

 

Do abandono e da penúria



 

Vier aos teus sofrimentos

 

Juntar a última injúria:



 

E que não vires ao lado

 

Um rosto, um olhar amigo



 

Daqueles que são agora

 

Os desvelados contigo;



 

 

 



Criança, verás o engano

 

E o erro dos sonhos teus;



 

E dirás, — então já tarde, —

 

Que por tais gozos não vale



 

Deixar os braços de Deus.

 

 

 



 

 

STELLA

 

 

 

Já raro e mais escasso



 


A noite arrasta o manto,

 

E verte o último pranto



 

Por todo o vasto espaço.

 

 

 



Tíbio clarão já cora

 

A tela do horizonte,



 

E já de sobre o monte

 

Vem debruçar-se a aurora.



 

 

 



À muda e torva irmã,

 

Dormida de cansaço,



 

Lá vem tomar o espaço

 

A virgem da manhã.



 

 

 



Uma por uma, vão

 

As pálidas estrelas,



 

E vão, e vão com elas

 

Teus sonhos, coração.



 

 

 



Mas tu, que o devaneio

 

Inspiras do poeta,



 

Não vês que a vaga inquieta

 

Abre-te o úmido seio?



 

 

 



Vai. Radioso e ardente,

 

Em breve o astro do dia,



 

Rompendo a névoa fria,

 

Virá do roxo oriente.



 

 

 



Dos íntimos sonhares

 

Que a noite protegera,



 

De tanto que eu vertera,

 

Em lágrimas a pares,



 

 

 



Do amor silencioso,

 

Místico, doce, puro,



 

Dos sonhos de futuro,

 

Da paz, do etéreo gozo,



 

 

 



De tudo nos desperta

 

Luz de importuno dia;



 

Do amor que tanto a enchia

 

Minha alma está deserta.



 

 

 



A virgem da manhã

 

Já todo o céu domina...



 

Espero-te, divina,

 

Espero-te, amanhã.



 

 

 



 

 


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