Maria auxiliadora silva freitas


REFLETINDO A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM FORMATIVA EM AMBIENTES



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REFLETINDO A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM FORMATIVA EM AMBIENTES ON-LINE
Para além das vertentes, que têm assinalado a incidência de uma abordagem positivista, essencialmente técnica, uma cuidadosa análise das investigações e trabalhos, realizados sobre a avaliação, tem demarcado esse campo, não somente dentro dos estudos sobre o currículo ou o ensino, mas como produto de relações interdisciplinares.

Em Méndez (2002), encontramos os motivos, que justificam a natureza da avaliação como um processo de acesso democrático ao conhecimento e à ascensão das pessoas. No que concerne a pertinência sócio-política e pedagógica da avaliação, o autor afirma que “avaliar é conhecer, é contrastar, é dialogar, é indagar, é argumentar, é deliberar, é raciocinar, é aprender” e mais: “ avaliar é construir o conhecimento por vias heurísticas de descobrimento” (idem, p.63).

A concepção de uma avaliação formativa, (Bonniol e Vial, 2001; Méndez, 2002; Hadji, 2001; Sacristán e Gómez, 1998; Afonso, 2000; Luckesi, 2003; Vasconcellos, 1998; Hoffmann, 2001;) tem apresentado um novo sentido como ação pedagógica estruturada na base de relações de reciprocidade e intersubjetividade, enquanto instrumento de emancipação. Como lembra Afonso (2000, p. 96), “a avaliação formativa, sem deixar de estar relacionada com o Estado democrático, [...] parece ser a forma de avaliação pedagógica mais congruente com o princípio de comunidade e com o pilar da emancipação”, e Hadji (2001) ao destacar a natureza mediadora da avaliação, implicando, por parte do professor, flexibilidade, vontade de adaptação e de poder modificar sua ação; o aluno, “que não somente saberá onde anda, mas poderá tomar consciência das dificuldades que encontra e tornar-se-á capaz, na melhor das hipóteses, de reconhecer e corrigir ele próprio seus erros”. (idem, p.20).

Essas reflexões teóricas trazem à tona uma questão básica: a necessidade de ressignificar a própria concepção de avaliação no bojo de uma nova visão de educação, de universidade e de sociedade, enfim, como um processo de busca da identidade e da qualidade do fazer pedagógico, de forma participativa, consensuada, numa relação de extrema confiança e cumplicidade entre as pessoas envolvidas.

Essas referências são extremamente importantes para o estudo da avaliação na EAD, considerando que o aluno pode desenvolver as habilidades de auto-aprendizagem, auto-disciplina e auto-avaliação, sendo gestor, co-responsável e sujeito de seu próprio processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, a interatividade, proporcionada pelas TICs, emerge no espaço da EAD como uma possível configuração tecnológica e de uma nova dimensão pedagógica no sentido da busca do diálogo entre os ambientes digitais e os atores sociais - professores e alunos, por oferecerem “técnicas de interação criadas pelas redes telemáticas (e-mail, listas de discussão, websites,etc)” (BELLONI, 2001.p.59).

Do lugar desta perspectiva, a avaliação na EAD deve ser olhada de forma contextual e processual, a partir de um processo de reconfiguração das comunicações humanas e da complexidade que envolve as práticas pedagógicas. Nesse sentido, as estratégias metodológicas, utilizadas pelo professor para acompanhar os alunos, são de grande importância, transformando-as numa atividade de pesquisa e reflexão.

Por conseguinte, essa abordagem polariza uma questão de credibilidade, que parece ser crucial no contexto da avaliação on-line: como se dá a legitimação de um processo de avaliação que ocorre sem a presença permanente do professor? Em Ramal (2001, p.14-15), encontramos a seguinte resposta:

...a avaliação ocorre ao longo dos processos, é diversificada, já que há muitos ambientes de interação; é mais centrada na pessoa, e a prática da auto-avaliação é, muitas vezes, a melhor opção para estudantes interessados em verificar seu próprio rendimento (...) a legitimidade da EAD deverá ser conquistada através de estratégias inteligentes, que envolverão testes on-line, acompanhamento personalizado e novos conceitos de avaliação” (...). (p.14-15)


Concebida dessa maneira, a avaliação assume outras possibilidades, em que os ambientes de aprendizagem virtual podem favorecer importantes contributos a modalidade formativa. Destacamos o uso de alguns softwares livres, como o Moodle1, que apresenta um conjunto de ferramentas síncronas e assíncronas a ser utilizado pelos professores e alunos, nas atividades, como: chat, fórum de discussão, portfólio coletivo, weblog educativo, entre outras. Estas possibilidades contribuem, sobremaneira, para desenvolver uma metodologia da prática avaliativa, alicerçada numa concepção de educação democrática e de aprendizagem colaborativa, onde o conhecimento é construído em ambientes digitais2, que propiciam a interação, a colaboração e a avaliação.

Em qualquer das aplicações mencionadas, é preciso atentar para o contexto sócio-político, no qual o grupo está inserido, além dos aspectos éticos, científicos e tecnológicos que envolvem a avaliação na EAD. É preciso, pois, contextualizar, definir prioridades, escolher métodos e procedimentos compatíveis com uma abordagem teórico-metodológica que viabilize um processo de qualidade social na educação à distância. Somente assim, justifica-se a importância da avaliação em ambientes de aprendizado virtuais.

Na linha metodológica desta pesquisa, optamos por uma diretriz que priorize a abordagem epistemológica e metodológica da etnopesquisa crítica, por refletir o sentido e o significado do fenômeno que se pretende mostrar, tentando compreendê-lo em sua essência, no próprio fazer reflexivo de sua práxis. (MACEDO, 2004) Nesse sentido, a pertinência da fenomenologia hermenêutica apresenta-se como perspectiva que aponta para interpretar as experiências vividas, levando-se em conta a prática de sentido, em que os interlocutores constroem e se constroem.

Trata-se de um procedimento hermenêutico, chamado por Santos (1996) de hermenêutica diatópica, cujo objetivo é maximizar a consciência da incompletude recíproca das culturas, através de um diálogo mútuo, atentando para a escolha de um campo mais vasto de reciprocidade para não cair numa forma de imperialismo cultural. Nesse sentido, a educação trilha por caminhos com diferentes aportes teóricos e disciplinares, haja vista a complexidade dos fenômenos apresentados na prática pedagógica. Tratar da avaliação na EAD, nessa perspectiva metodológica, significa olhar a complexidade do objeto de investigação e buscar possibilidades para romper com práticas convencionais, adentrando no campo de sua ressignificação.

Essas inferências definem o Estudo de Caso como primeira aproximação metodológica, dada as suas características para estudar o contexto da avaliação no campo da educação a distância, das quais destacamos, com base em André (1995): a interação entre o pesquisador e o fenômeno pesquisado; a possibilidade do pesquisador rever toda a metodologia durante o desenrolar do trabalho, modificando as técnicas e, até mesmo, as questões norteadoras e a ênfase no processo da pesquisa.

Portanto, nossa perspectiva, neste projeto de tese, é de investigar e aprofundar essas e outras questões, através de alguns procedimentos metodológicos que acontecerão em momentos presenciais (observação, entrevistas semi-estruturadas) e momentos on-line, mediatizados pelas tecnologias de comunicação interativa, que servirão de suporte tecnológico durante a itinerância dessa pesquisa.

Finalmente, ainda que o desafio seja grande para articular uma concepção de avaliação formativa com as particularidades trazidas pelos ambientes digitais, esperamos contribuir com a construção de novos conceitos e práticas pedagógicas, que respondam às necessidades de alunos e professores que atuam na modalidade de educação a distância.


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