Mais Esperto que o Diabo



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Mais Esperto que o Diabo ( PDFDrive )



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Sobre a obra:
A presente obra é disponibilizada pela equipe 
Le Livros
 e seus diversos parceiros,
com o obj etivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos
acadêm icos, bem com o o sim ples teste da qualidade da obra, com o fim
exclusivo de com pra futura.
É expressam ente proibida e totalm ente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer
uso com ercial do presente conteúdo
Sobre nós:

Le Livros
e seus parceiros disponibilizam conteúdo de dom inio publico e
propriedade intelectual de form a totalm ente gratuita, por acreditar que o
conhecim ento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer
pessoa. Você pode encontrar m ais obras em nosso site: 
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.
"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."


“Medo é a ferramenta de um Diabo idealizado pelo homem. A fé
inabalável em si mesmo é tanto a arma que derrota este Diabo
quanto a ferramenta que o homem utiliza para construir uma vida
de sucesso. E é mais do que isso. É uma conexão direta com as
forças irresistíveis do universo que apoiam o homem que não
acredita em fracassos e derrotas, senão como experiências
meramente temporárias.”
Napoleon Hill




Do original em inglês Outwitting the Devil
COPYRIGHT © 2011 By
The Napoleon Hill Foundation 1a edição em português: 2014
Direitos reservados desta edição: CDG Edições e Publicações Tradução
M. Conte Jr. FRC, M∴M
Preparação de texto e revisão
José Renato Deitos
Capa
Pâmela Siqueira
Projeto gráfico e editoração
Isabel Kubaski
Adaptação para eBook
Hondana
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


H647m
Hill, Napoleon
Mais esperto
que o diabo: o
mistério revelado
da liberdade e do
sucesso. /
Napoleon Hill,
tradução e epílogo
de M. Conte Jr. –
Porto Alegre:
CDG, 2014.
200p.
ISBN 978-85-
68014-00-4


1. Literatura -
ficção. I. Conte
Jr., M. II.
Título.
CDU 820-3
Bibliotecária Responsável: Ana Lígia Trindade CRB/10-1235
Dados técnicos do livro
Fontes: Times New Roman, Arial Papel: lux cream 70g (miolo) e supremo
240g (capa) Medidas: 15,8x23cm *Autor de mais de 100 milhões de cópias
vendidas segundo a Fundação Napoleon Hill


SUMÁRIO
Capítulo Um
MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM ANDREW CARNEGIE
Capítulo Dois
UM NOVO MUNDO SE REVELA PARA MIM
Capítulo Três
UMA ESTRANHA ENTREVISTA COM O DIABO
Capítulo Quatro
ALIENANDO-SE COM O DIABO
Capítulo Cinco
A CONFISSÃO CONTINUA
Capítulo Seis
RITMO HIPNÓTICO
Capítulo Sete
SEMENTES DO MEDO
Capítulo Oito
PROPÓSITO DEFINIDO
Capítulo Nove
EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
Capítulo Dez
AUTODISCIPLINA
Capítulo Onze
APRENDENDO COM A ADVERSIDADE
Capítulo Doze
AMBIENTE, TEMPO, HARMONIA E PRECAUÇÃO
RESUMO
EPÍLOGO


+ ESPERTO QUE O DIABO
Pelo homem que quebrou o código do Diabo e o forçou a confessar.
O mais corajoso e inspirador de todos os livros de autoconhecimento,
escrito pelo filósofo do sucesso número 1 da América, que, após trinta anos
de pesquisas, achou o Diabo e arrancou dele uma confissão fantástica,
revelando onde ele mora, por que ele existe, como ele ganha o controle da
mente das pessoas e o principal: como qualquer um pode vencê-lo. Este livro
é um curso generoso em psicologia, deixando claros os princípios de como
funciona a mente humana. Quando você terminar esta história do Diabo,
você saberá muito mais sobre Deus.
Por Napoleon Hill
Autor de Pense e enriqueça


P
Capítulo Um
MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM ANDREW CARNEGIE
or mais de um quarto de século, meu principal objetivo foi o de separar e
organizar, em uma filosofia de realizações, as principais causas tanto do
fracasso como do sucesso, com o objetivo de ser útil a todos os outros que não
têm nem a inclinação nem a oportunidade de se engajar nesse tipo de
pesquisa.
Meu trabalho começou em 1908, como resultado de uma entrevista que
fiz com Andrew Carnegie. Eu, francamente, contei ao senhor Carnegie que
eu tinha concebido a ideia de entrar para a faculdade de Direito e que eu
havia pensado em pagá-la entrevistando homens e mulheres bem-sucedidos,
descobrindo como eles conseguiam sucesso e descrevendo as minhas
descobertas para revistas. No final de minha visita, o senhor Carnegie me
perguntou se eu tinha ou não coragem para realizar algo que ele estava para
me oferecer. Respondi que coragem era tudo o que eu tinha e que estava
preparado para dar o meu melhor, independentemente da proposta que ele
tinha a me oferecer.
Ele então disse:
“A sua ideia de escrever histórias sobre homens e mulheres bem-
sucedidos é memorável enquanto ideia, e eu não tenho nenhuma intenção
de tentar desencorajá-lo de cumprir o seu objetivo. Mas eu preciso lhe dizer
que, se você realmente quer fazer um serviço que seja útil, não somente para
as pessoas de hoje, mas também que dure para toda a posteridade, ocupe o
seu tempo organizando, baseado nessas histórias, as causas do fracasso e do
sucesso dessas pessoas. Há milhões de pessoas no mundo que não têm a
menor concepção das causas do sucesso e do fracasso. As escolas e
faculdades ensinam praticamente tudo, exceto os princípios de realização
pessoal. Eles exigem que jovens, homens e mulheres, passem de quatro a oito
anos adquirindo conhecimentos abstratos, mas não os ensinam o que fazer
com esse conhecimento depois de tê-lo.
“O mundo está precisando de uma filosofia de realização prática e
inteligível, organizada a partir de conhecimento resultante da experiência de
homens e mulheres da grande universidade da vida. Em todo o campo da
filosofia, eu não encontro nada que se assemelhe ao tipo de filosofia que
tenho em mente. Nós temos muito poucos filósofos que são capazes de
ensinar a homens e mulheres a arte de viver. Parece, para mim, que há uma
oportunidade que deveria desafiar um jovem ambicioso do seu tipo, mas
ambição pura não basta para essa tarefa que eu sugeri. Aquele que ousar
seguir minha sugestão deverá ter coragem e tenacidade.
“O trabalho demandará pelo menos vinte anos de esforço contínuo,
durante o qual aquele que topar terá que ganhar a vida com outra fonte de


renda, porque esse tipo de pesquisa nunca é lucrativo no seu início, e
geralmente os poucos que se aventuraram a contribuir para a civilização
através de trabalhos dessa natureza tiveram que esperar cem anos ou mais
após seus próprios funerais para receber reconhecimento pelo seu feito. Se
você prosseguir com esse trabalho, deve entrevistar não somente os poucos
que foram extraordinariamente bem-sucedidos, mas também os muitos que
fracassaram. Você deve cuidadosamente analisar milhares de pessoas que
foram classificadas de ‘fracassadas’ – e eu quero dizer com o termo
‘fracassado’ homens e mulheres que chegam aos estágios finais de suas vidas
desapontados porque não conseguiram alcançar as metas que haviam se
proposto de coração. Tão inconsistente como parece ser, você aprenderá
muito mais como ser bem-sucedido a partir dos fracassos do que com o tão
chamado ‘sucesso’. Eles lhe ensinarão o que não fazer.
“Na parte final da sua pesquisa, se você conseguir com sucesso manter o
foco, fará uma descoberta que poderá ser uma grande surpresa. Descobrirá
que a causa para o sucesso não é algo separado e longe do homem, mas que é
uma força tão intangível na natureza, que a maioria dos homens nunca a
reconhece; uma força que pode muito bem ser chamada de ‘Outro Eu’. O
mais interessante é o fato de que este ‘outro eu’ raramente exerce sua
influência ou se faz conhecer, exceto em momentos de emergência, quando
os homens são forçados, por meio das adversidades e das derrotas
temporárias, a mudar seus hábitos e pensar estratégias para sair das
dificuldades. Minha experiência me ensinou que um homem nunca está tão
perto do sucesso como quando o que ele chama de ‘fracasso’ toma conta de
sua vida, porque nessas ocasiões ele é forçado a pensar. Se ele pensar com
exatidão e com persistência, vai descobrir que aquilo que ele chama de
fracasso, na verdade, nada mais é que um sinal para elaborar um novo plano
ou objetivo. A maior parte dos fracassos reais se deve a limitações que os
homens impõem a si mesmos em suas próprias mentes. Se eles tivessem
a coragem de ir mais um passo à frente, eles descobririam os seus próprios
erros.”
Começando uma vida nova
O discurso do senhor Carnegie reformulou a minha vida por completo e
plantou em minha mente um desejo ardente, que me orientou sem cessar.
Isso aconteceu mesmo eu não tendo a mais vaga ideia do que significava o
termo o “Outro Eu”.
Durante o meu trabalho de pesquisa nas causas de fracasso e sucesso, tive
o privilégio de analisar mais de 25 mil homens e mulheres que eram
rotulados de “derrotados”, e mais de 500 que eram classificados de “bem-
sucedidos”. Muitos anos atrás, tive meu primeiro contato com aquele “Outro
Eu” que o senhor Carnegie havia mencionado. A descoberta veio como ele


disse que viria: como resultado de dois pontos cruciais da minha vida, mas
que foram, na verdade, emergências e que me forçaram a pensar um jeito de
vencer as minhas dificuldades de tal maneira que eu nunca havia
experimentado.
Gostaria que fosse possível descrever essa descoberta sem o uso do
pronome pessoal “eu”, mas isso é impossível, visto que ela ocorreu através de
experiências pessoais que não podem ser separadas. Para dar uma visão
completa da descoberta, terei que voltar ao primeiro desses dois pontos
marcantes da minha vida e mostrar, passo a passo, essa descoberta.
Para realizar a pesquisa, com a compilação de dados, foram necessários
anos de trabalho. Eu tinha chegado à falsa conclusão de que minha tarefa
de organizar uma filosofia completa de sucesso pessoal havia terminado.
Longe de estar completo, meu trabalho havia apenas começado. Eu havia
erigido o esqueleto de uma filosofia, organizando os dezessete princípios do
sucesso e as trinta maiores causas do fracasso, mas aquele esqueleto tinha
que ser coberto com a carne da realização e da experiência. Além disso, tinha
que ser dada ao trabalho uma alma que inspirasse homens e mulheres a não
somente transporem obstáculos, mas também a não se deixarem abater por
eles.
A “alma”, que ainda teria que ser adicionada, como eu descobri depois,
somente se tornaria disponível após aparecer o meu “outro eu”, através dos
dois pontos cruciais da minha vida. Resolvendo focar a minha atenção e
quaisquer talentos que eu por ventura tivesse em retornos monetários através
de canais de negócios, decidi dedicar-me à profissão de publicitário. Tornei-
me, então, o gerente de publicidade do curso de extensão La Salle da
Universidade de Chicago. Tudo correu maravilhosamente bem durante um
ano. Entretanto, no final desse ano, fui tomado por um violento desgosto
pelo meu trabalho e, então, me demiti.
Posteriormente, ingressei no ramo de cadeias de lojas, juntamente com o
ex-presidente da Universidade de Extensão La Salle. Logo me tornei
presidente da Cia. de Doces Betsy Ross. Porém desacordos com os sócios
desse negócio fizeram com que eu saísse do empreendimento. A atração pela
propaganda ainda estava em meu sangue, e tentei novamente dar expressão
a ela. Organizei uma escola de propaganda e vendas, como uma parte da
Escola de Negócios Bryant & Stratton.
O empreendimento navegava em águas tranquilas e muito dinheiro
entrava rapidamente. Foi então que os Estados Unidos tomaram parte da
Primeira Guerra Mundial. Em resposta a um chamado interior, que palavras
não conseguem descrever, saí da Escola e entrei para o serviço do governo
dos Estados Unidos, sob a direção pessoal do presidente Woodrow Wilson,
deixando um negócio fantástico desintegrar-se.
No dia do armistício, em 1918, comecei a atuar na publicação da revista
Golden Rule (Regra de Ouro, na tradução livre). Apesar do fato de eu não ter


nenhum centavo de capital, a revista cresceu rapidamente e em pouco
tempo ganhou circulação nacional, chegando a quase meio milhão de
exemplares, finalizando seu primeiro ano de negócios com um lucro de
3,156 mil dólares. Alguns anos depois, aprendi com um experiente executivo
de uma empresa de publicações que nenhum homem capaz naquele ramo
pensaria em começar uma revista tal como esta com menos do que 500 mil
dólares de capital.
A revista Golden Rule e eu estávamos destinados a nos separar. Quanto
mais sucesso alcançávamos, mais descontente eu me tornava. Até que,
finalmente, devido a um acúmulo de perturbações causadas por sócios no
negócio, dei a revista como um presente a eles e deixei o negócio. Com essa
atitude, provavelmente joguei fora uma pequena fortuna.
Logo após, organizei uma Escola de Treinamento para vendedores. Minha
primeira missão era treinar um exército de vendas de 3 mil pessoas para uma
rede de lojas. Receberia 10 dólares para cada vendedor que frequentasse a
minha aula. Dentro de seis meses, esse trabalho havia me rendido um pouco
mais de 30 mil dólares. O Sucesso, em termos financeiros, estava coroando
meus esforços com abundância. Novamente meu espírito estava
descontente. Eu não estava feliz. Tornava-se, a cada dia, mais óbvio que
nenhuma quantidade de dinheiro, em algum momento, me faria feliz.
Sem a menor desculpa razoável por minhas ações, saí do negócio e desisti
de um empreendimento no qual teria facilmente recebido um salário
satisfatório. Meus amigos e sócios no negócio pensaram que eu estava louco, e
eles não estavam tão errados nos seus pensamentos. No fundo, eu estava
inclinado a concordar com eles, mas parecia que não havia nada que eu
pudesse fazer para mudar de ideia. Procurava pela felicidade e ainda não a
tinha encontrado. Pelo menos, essa é a única explicação que eu poderia
oferecer para justificar as minhas atitudes um tanto quanto inusitadas. Qual
o homem que realmente conhece a si mesmo?
Isso aconteceu no final do outono de 1923. Eu me sentia solitário em
Columbus, Ohio, sem recursos e, pior ainda, sem nenhum plano para me tirar
daquela situação difícil. Na verdade, era a primeira vez na vida que eu estava
acuado devido à falta de recursos. Em muitas ocasiões, já havia passado por
momentos de aperto, mas nunca antes havia faltado dinheiro a tal ponto de
eu não conseguir suprir as minhas necessidades pessoais. A experiência me
assombrou: eu parecia estar totalmente à margem do que poderia ou deveria
fazer.
Pensei em uma dúzia de jeitos de conseguir resolver os meus problemas,
mas descartei-os todos: eram impraticáveis e impossíveis de realizar. Me senti
como alguém que estava perdido em uma selva, sem uma bússola sequer.
Toda tentativa que eu fazia para me tirar da dificuldade acabava me
trazendo de volta para o ponto de partida.
Por quase dois meses, sofri com a pior das doenças humanas: a indecisão.


Eu conhecia os dezessete princípios da realização pessoal, mas não sabia
como aplicá-los. Sem saber, estava encarando uma daquelas emergências da
vida de que o senhor Carnegie havia me falado, situações essas em que os
homens muitas vezes descobrem os seus “Outros Eus”. Meu estresse era tão
grande que em nenhum momento me ocorreu sentar, analisar a sua causa e
procurar a sua cura.
Derrota é convertida em vitória
Uma tarde, tomei uma decisão que me ajudou a sair daquela situação. Eu
tinha um sentimento de que o que eu realmente desejava era sair para os
“espaços abertos do país”, onde poderia respirar ar fresco e, principalmente,
pensar.
Comecei a caminhar e já havia percorrido mais ou menos sete ou oito
milhas quando, de repente, me vi parado. Por muitos minutos, fiquei ali
como se estivesse com os pés colados. Tudo na minha volta tornou-se escuro.
Eu podia ouvir o som estridente de alguma forma de energia que estava
vibrando a uma frequência muito alta.
Então meus nervos aquietaram-se, meus músculos relaxaram e uma
grande calma tomou conta de mim. A atmosfera começou a clarear e,
enquanto isso ocorria, recebi um comando de meu interior, que veio na
forma de um pensamento, tão perto quanto eu posso descrevê-lo.
O comando era tão claro e distinto, que não havia meios de eu não
entendê-lo. Na essência, ele disse: “Chegou o momento de você completar a
filosofia de sucesso que você começou, seguindo a sugestão de Carnegie.
Volte para casa de uma vez por todas e comece a transferir os dados que você
juntou da sua própria mente, transformando-os em manuscritos”. O meu
“Outro Eu” havia acordado.
Por alguns minutos, permaneci aterrorizado. Essa experiência não era
parecida com nada que eu houvesse experimentado antes. Eu virei e
caminhei rapidamente até chegar em casa. Quando me aproximei de casa, vi
meus três filhos olhando pela janela para as crianças do vizinho, que estavam
decorando uma árvore de Natal. Então, me lembrei que era véspera de Natal.
Para completar, me dei conta, com um sentimento de pura tristeza, tal qual
eu jamais havia experimentado, de que não haveria árvore de Natal na nossa
casa. O olhar de desapontamento no rosto das minhas crianças me fez
lembrar desse fato com muita dor.
Entrei em casa, sentei em frente à minha máquina de escrever e comecei
de uma vez por todas a transcrever todas as descobertas que eu havia feito,
relacionadas às causas de sucesso e fracasso. No instante em que coloquei a
primeira folha de papel na máquina, fui interrompido pelo mesmo
sentimento estranho que havia me ocorrido algumas horas antes. E este


pensamento passou de forma muito clara na minha mente.
“Sua missão nesta vida é completar a primeira filosofia de sucesso e
realização pessoal. Você tem tentado em vão escapar da sua tarefa, cada
esforço trazendo fracasso para você. Você está procurando pela felicidade.
Aprenda esta lição, de uma vez por todas: você somente achará a alegria
ajudando outros a encontrá-la. Você tem sido um estudante teimoso. Você
tinha que ser curado da sua teimosia através de desapontamentos sucessivos.
Dentro de poucos anos, o mundo todo começará uma experiência na qual
milhões de pessoas que necessitam desta filosofia terão acesso a ela,
justamente devido a este direcionamento que você recebeu para completá-
la. A sua grande oportunidade de achar a felicidade prestando um serviço
útil terá chegado. Vá trabalhar e não pare até que você tenha completado e
publicado os manuscritos que você começou.”
Eu estava consciente de ter chegado ao final do arco-íris da vida e estava
feliz!
A dúvida aparece
O “feitiço”, se é que essa experiência pode ser assim chamada, passou.
Comecei a escrever e, pouco depois, fui sugestionado pela minha “razão” e
pensei que talvez eu estivesse entrando numa missão estúpida. A ideia de
que um homem que estava em plena depressão e praticamente falido
pudesse escrever uma filosofia de sucesso pessoal me parecia tão fantasiosa
que ri vigorosamente e acabei dando gargalhadas.
Me arrumei na cadeira, passei os dedos pelo meu cabelo e tentei criar um
álibi que justificaria à minha própria mente que eu deveria tirar o papel da
máquina de escrever antes de começar. Mas a vontade de continuar era
muito mais forte do que o desejo de desistir, e acabei me reconciliando com a
minha tarefa e segui em frente.
Olhando aos eventos passados, agora sob a ótica de tudo o que aconteceu,
posso ver que essas pequenas experiências de adversidade, pelas quais passei,
foram entre as mais enriquecedoras e lucrativas de todas as minhas
vivências. Elas na verdade foram bênçãos, porque me forçaram a continuar
um trabalho que finalmente me trouxe uma oportunidade para me fazer
mais útil ao mundo do que eu jamais teria sido caso tivesse sido bem-
sucedido em quaisquer dos planos ou objetivos anteriores.
Por quase três meses, trabalhei nesses manuscritos, finalizando-os
durante o começo de 1924. Assim que os completei, me senti novamente
compelido a voltar ao grande jogo dos negócios americanos.
Sucumbindo ao meu desejo, comprei a Faculdade de Negócios
Metropolitana em Cleveland, Ohio, e comecei a organizar os planos para
aumentar a sua capacidade. No final de 1924, tínhamos desenvolvido e


expandido, adicionando novos cursos. Havíamos dobrado os números,
considerando o melhor momento que a escola já tinha vivido.
Novamente, o germe do descontentamento começou a se fazer sentir em
meu sangue. Mais uma vez, eu sabia que não poderia achar a felicidade
neste tipo de empreendimento. Repassei o negócio aos meus sócios e fui para
a plataforma de palestras, falando sobre a filosofia de realização e sucesso
pessoal, para a organização pela qual eu havia devotado tantos dos meus anos
anteriores.
Uma noite, estava marcado para eu palestrar em Canton, Ohio. O destino,
ou o que quer que algumas vezes pareça moldar o futuro dos homens, não
importasse o quanto eu tentasse lutar contra ele, novamente me colocou
cara a cara com uma nova e muito dolorosa experiência.
No meu auditório em Canton estava sentado Don R. Mellett, responsável
pela publicação do Canton Daily News. O Sr. Mellett ficou tão interessado na
filosofia de realização e sucesso pessoal da minha palestra naquela noite que
me convidou para visitá-lo no dia seguinte.
Essa visita resultou em um acordo de parceria que era para ter acontecido
no dia 1o de janeiro seguinte, quando o senhor Mellett planejava renunciar
ao cargo de chefe da publicação do Daily News para se encarregar do negócio
e da publicação da filosofia na qual eu estava trabalhando. Contudo, em
julho de 1926, o Sr. Mellet foi morto por Pat McDermott, uma figura
carimbada do submundo, e um policial de Canton, sendo ambos
posteriormente sentenciados à prisão perpétua. Ele foi morto porque estava
expondo em seu jornal uma ligação entre os bandidos e alguns membros da
polícia de Canton. O crime foi um dos mais chocantes que a Era da Proibição
já produziu.
O acaso (?) salva minha vida
Na manhã seguinte à morte do senhor Mellet, fui chamado no telefone
por uma pessoa desconhecida que me alertou de que eu teria uma hora para
sair de Canton e de que eu poderia ir voluntariamente dentro de uma hora,
mas se eu esperasse mais tempo eu provavelmente iria dentro de um caixão.
Minha associação com o senhor Mellett havia aparentemente sido mal
interpretada. Seus assassinos decerto acreditavam que eu estava conectado
de forma direta à exposição que ele vinha fazendo em seus jornais.
Não esperei acabar o meu limite de uma hora, mas imediatamente entrei
no meu carro e dirigi para a casa de parentes nas montanhas a oeste de
Virgínia, onde fiquei até que os assassinos tivessem sido colocados na prisão.
Essa experiência veio bem dentro da categoria descrita pelo senhor Carnegie
como “uma emergência” que força homens a pensarem. Pela primeira vez na
minha vida, conheci a dor do medo constante. A minha experiência de


alguns anos anteriores, em Columbus, havia preenchido a minha mente com
dúvida e indecisão temporária, mas esta preencheu a minha mente com um
medo que parecia impossível de remover. Durante o tempo em que eu estava
escondido, raramente deixava a casa à noite e, quando saía, mantinha
minha mão em uma pistola automática levada no bolso do casaco, mantida
destravada para ação imediata. Se um automóvel estranho parasse em frente
à casa onde eu estava escondido, eu ia imediatamente para o porão e, com
cuidado, escrutinava os seus ocupantes através das janelas.
Depois de alguns meses convivendo com esse tipo de experiência, meus
nervos começaram a sentir. A coragem sumiu por completo, assim como a
ambição que eu tinha em meu coração durante os longos anos de trabalho
em busca das causas do fracasso e do sucesso também partiu.
Vagarosamente, passo a passo, me senti caindo num estado de total
letargia da qual eu temia que jamais conseguisse emergir. O sentimento deve
ter sido o mesmo que aqueles que pisam na areia movediça sentem, quando
se dão conta de que cada esforço que fazem para tirá-los da areia apenas leva
mais para o fundo. O medo é uma areia movediça que se retroalimenta.
Se a semente da insanidade estivesse presente na minha constituição
física, certamente ela teria germinado durante esses meses subsistindo como
um morto-vivo. Indecisão completa, sonhos irresolutos, dúvidas e medo eram
tudo o que a minha mente experimentava dia e noite.
A “emergência” que eu encarei fora desastrosa por dois motivos. Primeiro,
a verdadeira natureza dessa emergência me manteve num estado de
constante indecisão e medo. Segundo, esse enclausuramento forçado me
deixou em estado de tensão constante. Eu tendia a me preocupar com o peso
do tempo que passava.
A minha faculdade da razão tinha sido quase paralisada. Me dei conta de
que precisava trabalhar a minha mente para sair desse estado mental. Mas
como? Os recursos que tinham me ajudado a resolver todas as emergências
anteriores da minha vida parece que criaram asas e me deixaram
completamente à mercê da situação.
Além de todas as dificuldades que eu estava enfrentando até esse
momento, outra situação que parecia mais dolorosa que todas as outras
combinadas surgiu. Era a tomada de consciência de que eu havia gasto a
maior parte dos meus últimos anos em busca do arco-íris, procurando aqui e
lá pelas causas do sucesso, e me achando agora neste exato momento mais
fraco e incapacitado do que qualquer uma das 25 mil pessoas às quais eu
havia julgado como sendo “fracassos”.
Esse pensamento era quase que enlouquecedor. Além disso, era também
extremamente humilhante, porque eu estava palestrando por todo o país em
escolas e faculdades e para organizações de comércio, tentando contar às
outras pessoas como aplicar os 17 princípios do sucesso, enquanto aqui estava


eu, incapaz de aplicá-los para mim mesmo. Estava certo de que nunca mais
poderia encarar o mundo com um sentimento de confiança.
Toda vez em que me olhava no espelho, notava uma expressão de
desgosto próprio na minha face, e frequentemente disse coisas ao homem no
espelho que não devem ser escritas. Eu havia começado a tomar o lugar na
categoria dos charlatões que oferecem a outros um remédio para a cura que
eles não conseguem aplicar com sucesso a si mesmos.
Os criminosos que assassinaram o senhor Mellett foram julgados e
mandados para a prisão perpétua; por isso, seria perfeitamente seguro,
considerando onde eles estavam, sair do meu esconderijo e novamente tocar
o meu trabalho. Contudo, não conseguia sair porque agora encarava
circunstâncias mais aterrorizantes do que aquela que havia sido criada pelos
assassinos.
A experiência destruíra qualquer tipo de iniciativa que eu havia possuído.
Eu sentia uma influência de tal modo depressiva que tudo parecia um
pesadelo. Estava vivo e poderia me mover, mas não conseguia pensar em um
único movimento por meio do qual eu pudesse continuar a procurar pela
meta que eu tinha estipulado para mim mesmo, baseado na sugestão do
senhor Carnegie. Estava rapidamente me tornando indiferente não apenas a
mim mesmo, mas, pior ainda, começava a me tornar mal-humorado e
irritado com aqueles que haviam me oferecido abrigo durante a minha
“emergência”.
Encarei a maior emergência da minha vida. A menos que tenha passado
por uma experiência similar, você não consegue imaginar como me senti. Tais
experiências não conseguem ser descritas. Para serem entendidas, devem ser
sentidas.
O momento mais dramático da minha vida
A virada veio de repente, no outono de 1927, mais de um ano após o
incidente de Canton. Deixei a casa em uma noite e caminhei para o prédio
da escola pública que se situava no topo de uma montanha acima da cidade.
Eu havia chegado a uma decisão de lutar contra tudo aquilo antes que a
noite acabasse. Comecei a caminhar em volta do edifício, tentando forçar
meu cérebro confuso a pensar com clareza. Devo ter dado centenas de voltas
ao redor do prédio antes que qualquer coisa que se assemelhasse a um
pensamento organizado pudesse cruzar a minha mente. Enquanto
caminhava, repetia constantemente para mim mesmo: “Existe uma saída e
vou achá-la antes de voltar pra casa”. Devo ter repetido essa frase mil vezes.
Além disso, estava decidido a fazer exatamente o que eu estava dizendo a
mim mesmo. Estava totalmente desgostoso comigo mesmo, mas ensaiei uma
esperança de salvação.


Então, como um raio que cai de um céu claro, uma ideia explodiu em
minha mente com tal força que o impulso fez com que meu sangue subisse e
descesse das minhas veias de forma abrupta: “Este é o seu período de teste.
Você foi reduzido à pobreza e humilhado para que pudesse ser forçado a
descobrir o seu outro eu”.
Pela primeira vez em anos, recordei o que o senhor Carnegie dissera sobre
este “outro eu”. Nesse momento, lembrei-me que ele havia dito que eu
descobriria este outro eu no final do meu trabalho de pesquisa pelas causas
de fracasso e sucesso, e ainda recordei que ele disse que a descoberta
normalmente viria como resultado de uma emergência, quando homens são
forçados a mudar os seus hábitos e pensar formas de sair da dificuldade.
Continuei caminhando ao redor da escola, só que agora eu estava
flutuando. Inconscientemente, parecia saber que estava para ser liberado da
prisão que havia feito a mim mesmo.
A partir desse momento, me dei conta de que esta grande emergência
havia me trazido uma oportunidade não somente para descobrir o meu
“outro eu”, mas também para testar a eficácia da filosofia de sucesso que eu
vinha ensinando a outros como sendo algo palpável e realizável. Brevemente,
eu saberia se ela funcionaria ou não. Tomei a decisão de que, se ela não
funcionasse, eu queimaria todos os manuscritos e nunca mais me sentiria
culpado por tentar provar aos outros que eles eram “os mestres de seus
destinos, os capitães de suas almas”.
A lua cheia estava recém cobrindo o topo da montanha. Eu nunca a
havia visto brilhar tão intensamente antes. Enquanto a estava
contemplando, outro pensamento cruzou a minha mente: “Você tem
mostrado às outras pessoas como dominar o medo e como sobrepujar as
dificuldades que surgem nas emergências da vida. De agora em diante, você
pode falar com autoridade, porque está a ponto de superar as suas próprias
dificuldades com coragem e objetivo, resoluto e destemido”.
Com este pensamento veio uma mudança na química do meu ser que me
elevou a um estado de euforia que eu nunca havia experimentado. Meu
cérebro começou a clarear, e o estado de letargia no qual ele se encontrava
começou a passar. A minha razão passou a trabalhar novamente.
Por um breve momento, estava feliz pelo privilégio de passar por longos
meses de tormento, já que a experiência me ofereceu a oportunidade de
testar a eficácia dos princípios de sucesso, os quais eu vinha pesquisando de
forma inexorável.
Quando este pensamento surgiu, parei, uni os meus pés, saudei (eu não
sabia o que ou quem) e fiquei rigidamente em estado de meditação por
muitos minutos. Isso parecia, de início, uma atitude boba, mas, enquanto eu
estava lá de pé naquele estado, outro pensamento cruzou a minha mente em
forma de uma “ordem”, que era tão breve e instantânea quanto uma ordem


dada por um comandante militar a um subordinado.
A ordem dizia: “Amanhã, entre no seu carro e dirija até a Filadélfia. Lá
você receberá ajuda para publicar a sua filosofia do sucesso”.
Não havia nenhuma forma de explicação e qualquer tipo de modificação
da ordem. Tão logo a recebi, caminhei de volta para casa, fui para a cama e
dormi profundamente com uma paz de espírito tal que não experimentava
havia mais de um ano.
Quando acordei na manhã seguinte, me levantei da cama e
imediatamente comecei a fazer as malas para a viagem à Filadélfia. Minha
razão me dizia que eu estava embarcando numa missão sem sentido. Quem
eu poderia conhecer na Filadélfia que pudesse me ajudar financeiramente a
publicar oito volumes de livros a um custo de 25 mil dólares? Eu me
questionei.
Instantaneamente, ouvi em minha mente a resposta para essa questão de
forma tão clara como se as palavras tivessem sido ditadas em meu ouvido:
“Você agora está seguindo ordens, em vez de ficar fazendo perguntas. O seu
‘outro eu’ estará no comando durante toda esta viagem”.
Havia outra condição que parecia fazer a minha preparação para ir à
Filadélfia algo que beirava o absurdo. Eu não tinha dinheiro. Esse
pensamento mal me havia ocorrido quando meu “outro eu” explodiu dando
uma ordem enfática: “Peça para o seu cunhado 50 dólares e ele emprestará
para você”.
A ordem parecia definitiva e final. Sem qualquer hesitação, segui as
instruções. Quando pedi o dinheiro ao meu cunhado, ele disse: “Claro,
certamente vou lhe emprestar os 50, mas, se você vai para tão longe, seria
melhor levar 100 dólares”. Agradeci a ele e disse que 50 dólares seriam o
suficiente. Sabia que não bastava, mas esta era a quantia que meu “outro eu”
havia me ordenado a pedir, e foi exatamente isso que fiz.
Eu estava bastante aliviado quando me dei conta de que meu cunhado
não ia me perguntar por que eu estava indo para a Filadélfia. Se ele soubesse
tudo que havia se passado pela minha mente na noite anterior, talvez
pensasse que eu deveria ir para um hospital psiquiátrico em vez de sair em
busca do pote de ouro no final do arco-íris.
Meu “outro eu” assume o comando

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