Lacan: psicanálise, ontologia e política Aula 1


Sujeição libidinal e emancipação social



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Sujeição libidinal e emancipação social
Mas, e este é um ponto fundamental, ao se indagar sobre as formas da vida social, a psicanálise procurou sobretudo descrever os regimes de adesão à sujeição social, ou seja, a esta maneira de associar a própria instauração da vida psíquica, a constituição de suas instâncias à modalidades de adesão ao que nos faz sofrer. Pois a sujeição não poderia se dar apenas através da coerção, da violência direta, embora ela não deixe de apelar a tais expedientes, se necessário for. Há processos identificatórios, demandas de amor, expectativas de amparo, ou seja, há todo um circuito de afetos com seus medos, esperanças, melancolias que sustenta o poder, que dá ao poder a força de sujeitar sujeitos, de gerir suas expectativas e sofrimentos, e é deste circuito que a psicanálise fala. Nós paradoxalmente amamos aquilo que nos sujeita, e não seria de outra forma que tal sujeição conservaria sua força.

Por esta razão, a psicanálise logo se consolidou como uma referência maior na análise de fenômenos de regressão social. Que lembremos, por exemplo, do recurso massivo da Escola de Frankfurt à psicanálise na análise de fenômenos como o antisemitismo, o nazismo e a constituição de personalidades autoritárias. Este recurso está presente desde o início dos anos trinta, com os estudos pioneiros de Erich Fromm sobre a adesão do operariado alemão ao nazismo a partir da análise das articulações entre “impulsos emocionais do indivíduo e suas opiniões políticas”1. Fromm procurava, para além da expressão explícita do engajamento político, compreender e tipificar as estruturas motivacionais e emocionais que sustentavam tais decisões. Sua compreensão visava lançar luz sobre as contradições imanentes entre comportamentos públicos e representações psíquicas, o que poderia explicar o sistema de modificações bruscas das posições políticas da classe operária, como a deserção do comunismo em direção ao nazismo.

Mas para além do uso da psicanálise na análise das dinâmicas de regressão social, os frankfurtianos foram os primeiros a mostrar como a integração da psicanálise no interior de uma reflexão sobre a crítica social permitiria desenvolver uma verdadeira crítica da economia libidinal do capitalismo. Esta era a consequência da compreensão de que a análise dos processos de racionalização social e seus descaminhos deveria, se quiser esclarecer seu fundamento, incorporar considerações mais amplas sobre a ontogênese das capacidades prático-cognitivas dos sujeitos2. No entanto, Freud mostraria como tal ontogênese seria indissociável da reflexão sobre a dinâmica conflitual dos processos de socialização das pulsões e do desejo no interior de esferas de interação como a família, as instituições sociais e o Estado, fornecendo novas bases para uma perspectiva materialista na medida que derivava dinâmicas amplas de racionalização social das experiências materiais de interação tendo em vista problemas de satisfação e reconhecimento.



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