Joaquim Filipe Peres de Castro


Figura : Distribuição das idades nas amostras



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Figura : Distribuição das idades nas amostras
A idade média dos regressados é de 53 anos. De entre os regressados 46% têm entre os 51 e os 75 anos de idade, seguindo-se aqueles indivíduos entre os 26 e os 50 anos com 33%. A amostra de emigrantes é mais jovem, pois, a média das idades é de 36 anos, tendo 30% de sujeitos até aos 25 anos, quando nos regressados eles são somente de 11% e a maioria dos sujeitos, ou seja, 60% têm entre 26 a 50 anos de idade, constituindo-se como o valor mais destacado das duas amostras. Os inquiridos emigrantes com mais de 51 anos são apenas 16%, não existindo qualquer participante com mais de 76 anos, quando nos regressados eles são 11%.
Nos regressados a idade média, aquando do início dos percursos emigratórios, foi de 19 anos. O tempo médio da estadia foi de 28 anos e o retorno realizou-se, em média, aos 44 de anos de idade, ou seja, o regresso efectua-se em plena idade activa90. A idade média, do início dos percursos emigratórios, para os emigrantes é de 14 anos de idade.
A maioria dos questionados nasceu em Melgaço: 76% dos regressados e 69% dos emigrantes. Nos regressados existem 12% de participantes nascidos em França, sendo que, nos emigrantes, esta expressão é de 23%.
Figura 2: Distribuição dos géneros nas amostras

Nos regressados, 48% são mulheres e 52% são homens, pelo contrário, nos emigrantes 54% são mulheres e 46% são homens, ou seja, nos regressados existem mais homens e nos emigrantes mais mulheres.


Figura 3: Distribuição da escolaridade dos regressados e dos emigrantes

Nos regressados sobressaem os sujeitos com o ensino primário, isto é, 36% – 51% dos homens e 21% das mulheres91: X2(7, N = 163) = 26.436, p = .000 –, seguindo-se aqueles que não estudaram com 19%: 23% de mulheres e 15% de homens. São, portanto, as mulheres que têm menor escolaridade. Os sujeitos com o ensino preparatório e o terceiro ciclo são 11%, sendo ainda que 6% dispõem do ensino complementar. Nos emigrantes, o predomínio é do ensino preparatório com 29%, seguindo-se o terceiro ciclo com 23% e o ensino primário com 15%. O ensino complementar com 14% e somente 4% dos sujeitos não estudaram, existindo 4% para cada género. Os licenciados são 14%92, em ambas as amostras, constatando-se que são elas que sobressaem de forma manifesta: 23% das regressadas face a 6% de homens e 21% das emigrantes perante 4% dos homens. Conclui-se, pois, que dos regressados para os emigrantes, as qualificações académicas têm aumentado, sendo que este acréscimo é notável nas mulheres. Por último, as respostas obtidas nas qualificações técnico-profissionais são escassas93.


Em ambos os grupos amostrais, a França foi o país de destino preferencial. Ao longo das entrevistas, algumas pessoas mostraram terem emigrado para distintos países. Nos regressados, 7%, ou seja, o segundo valor mais elevado, emigrou para o Canadá. Nos emigrantes, 83% dos sujeitos encontram-se em França, em detrimento de 68% de regressados que se encontravam em França, estes dados apontam para o aumento do fluxo para aquele país. Para os actuais emigrantes, o segundo país de emigração é a Suiça: 4%.

6.2 As razões da emigração


Na construção do questionário foram utilizados as tipologias presentes na literatura, assim como o material extraído a partir das entrevistas, na tentativa de o adequar à realidade melgacense. Em qualquer caso, no registo do inquérito por questionário, a tipologia apresentada apenas pretende fornecer um modelo de análise e não uma análise “realista” da realidade observada (Pires, 2003). A tarefa não é somente a de seleccionar e organizar os materiais, nas torná-los compreensíveis e significativos para o meio social de pertença.
As tipologias expostas e a sua interligação descrevem ainda a evolução histórica da problemática, na qual as abordagens económica ou política-administrativa eram dominantes, conferindo lugar à inclusão de variáveis contextuais, as quais se evidenciam nas relações entre os indivíduos (Pires, 2003), como a inclusão da família enquanto núcleo da decisão de emigrar (Leandro, 2004; Maia, 2003). Adensando a complexidade do fenómeno, o percurso emigratório, apenas numa família, também varia imenso, senão vejamos o testemunho da melgacense San-Payo (2000): “Meu tio emigrou para a Argentina e por lá ficou . . . Manuel meu pai . . . foi para o Rio de Janeiro . . . Porém, o apego à família e ao seu país fizeram-no regressar.” (p. 144).
O factor político, por sua vez, é realçado como elemento impulsionador da emigração (Almeida & Barreto, 1974; Brettell, 1991; P. Monteiro, 1985; Pereira 1981, 1990, 1993; Rocha, 1965), na medida em que condiciona o desenvolvimento económico e a repartição da riqueza. O factor político impõe ainda um enquadramento legal à decisão de emigrar, o qual, em Portugal, era tipicamente restritivo, favorecendo a emigração ilegal. No discurso literário, a variável política aparece em F. Castro (1984, [1930]), uma vez que as diferenças sociais e económicas se fundam no comportamento entre os seres humanos.
A variável aventura foi introduzida, pois, ela é atribuída como uma característica “intrínseca” dos portugueses, desde os descobrimentos. Contudo, mediante uma análise comparativa, outros povos emigraram tanto ou mais do que os portugueses, por exemplo, os galegos, os quais emigraram também para Portugal (Alves, 1992), permanecendo o ditado popular de teor discriminatório: “trabalhar como um galego”.
A vertente cultural também emerge nas entrevistas, sendo atribuída ainda por Torga (2003, [1931]), Namora (1997, [1967]) e M. Antunes (1981). Sanchis (1983), no que diz respeito aos melgacenses, descreve o encontro entre jovens residentes e emigrantes, na serra da Peneda (freguesia montanhosa do concelho de Arcos de Valdevez), ponto de romaria, onde os jovens procuravam nos emigrantes respostas para as suas inquietações. O conflito laboral também foi incluído, uma vez que esta foi registada nas entrevistas94.
Um outro tipo de estudos têm vindo a realçar a importância da interligação das componentes intrapsíquicas e sociais, na medida em que ambas se determinam mutuamente, sendo que o estabelecimento intrapsíquico da confiança básica95 (Costa, 1991; Gleitman, 1993; Sprinthall & Collins, 1999) no mundo permitiria o explorar do mesmo, podendo conduzir a um percurso emigratório. Estes estudos têm como ponto de partida a abordagem psicanalítica de Erikson (1968, 1994). Foi o psicanalista e antropólogo de origem alemã e dinamarquesa que introduziu o constructo da identidade na psicologia. O sentimento de identidade emerge a partir da interacção entre os mecanismos sociais e individuais, no percurso de vida de Erikson foram as condições históricas – o nazismo – que conduziram à introdução dos factores sociais na psicanálise (Coles, 2000). No registo sociológico, Giddens (1994) retoma o conceito de confiança básica, o qual se refere ao primeiro estágio de desenvolvimento psicossocial, ou seja, a confiança básica versus desconfiança básica. Assim dispondo, a confiança básica revela-se também importantissíma nos sistemas socioeconómicos (Giddens, 1994). Ora, para emigrar é necessário depositar uma confiança básica nas informações obtidas (Castles, 2005; Pires, 2003; Portes, 1999). Usualmente, para os indivíduos com maior grau académico, a decisão de emigrar dependerá do conteúdo das informações obtidas através da comunicação social e das instituições formais. Para aqueles com menor educação académica serão as pessoas mais achegadas a fonte de informação. O factor da confiança básica não foi directamente afectado ao questionário, constituindo-se como uma limitação do estudo e um desafio futuro.
As causas para a emigração, de qualquer modo, não repousam num único factor, mas na relação entre elas, sendo que as tipologias descritas são insuficientes para a descrever. Como ter-se-á oportunidade de constatar, o elemento comum entre os discursos é a problematização da emigração, ou seja, a simples atribuição para os percursos emigratórios encerra também a forma de encarar a emigração e, em consequência, o passado, o presente e o futuro da comunidade de pertença. Nas entrevistas, os inquiridos alicerçam as suas respostas no passado histórico, tendo em consideração a situação ou a predisposição do presente e projectam-se no futuro. As respostas individuais projectam, pois, uma perspectiva colectiva, tal como Ferrarotti (1986) aponta. Na determinação das causas do fenómeno emigratório, em qualquer caso, a problematização não se centra apenas na economia ou na política, mas na cultura em sentido alargado. Este registo complexo pode-se encontrar na literatura, isto é, em “Emigrantes” de F. Castro (1982, [1928]). O protagonista do romance é Manuel da Bouça, homem de escassos recursos e com cerca de cinquenta anos de idade, no qual o motivo poderá parecer somente económico, contudo, dada a profundeza psicológica da personagem, podem-se ainda entrever outros como a inveja ou a cobiça96.
No registo comparativo, em M. Silva et al. (1984), Cepeda (1991), Medeiros e Madeira (2003) ou Ramalho (2003), a motivação preponderante era a económica. Kemp e Morrisset (Citados por Alpalhão & Rosa, 1980) num inquérito realizado junto dos emigrantes portugueses em Hull, no Canadá, mostraram que 73% dos indivíduos emigraram para procurarem uma vida melhor, 12% por razões sociopolíticas e 16% pela melhor qualidade de vida, é curioso constatar que a primeira e a terceira razões apontadas remetem para o registo económico, sendo que o motivo económico encontra diversas formas de se manifestar consoante o desenvolvimento sociocultural da sociedade em causa, ou seja, no caso da sociedade canadiana, a forma de encarar o fenómeno social condicionou a própria forma de o questionar. De qualquer modo, como já foi afirmado, a tipologia apresentada pretende ser um modelo de análise e não uma análise realista.

Figura 4: Razões para emigrar em ambas as amostras



66% dos regressados consideram a razão económica muito importante, isto é, 76% de homens e 53% de mulheres: X2(3, N = 138) = 10,782, p = .013. Segue-se a razão familiar com 55% de sujeitos, assistindo-se, aqui, a um predomínio feminino, ou seja, 76% são mulheres e 39% são homens: X2(3, N = 128) = 20,629, p = .000. A dimensão política é desvalorizada, obtendo 14%, no entanto esta razão sobressai nos indivíduos entre os 51 e os 75 anos com 21%, o que nos remete, em termos históricos, para a política restritiva do Estado Novo: X2(9, N = 122) = 22,432, p = .00897. A seguinte opção considerada como muito importante foi a aventura: 8%. A razão conflito laboral obteve somente 5%. Por último, a razão cultural emerge com apenas 4%. Na opção de resposta outras razões, somente cinco sujeitos responderam, sendo, em duas delas, o casamento a razão fundamental, o que reforça a componente familiar.


Para os emigrantes, os valores obtidos são muito semelhantes, à excepção da categoria aventura, a qual obteve o terceiro resultado mais relevante, ou seja, 25%, sendo que 71% destes indivíduos têm o terceiro ciclo de escolaridade: X2(15, N = 32) = 26,545, p = .033. Em termos profissionais, 29% são, agora, operários e igual valor é encontrado no sector dos serviços: X2(21, N = 31) = 38,113, p = .013. Porém, a razão predominante é também a económica com 78%, constituindo-se como o valor mais elevado das duas amostras. É curioso verificar que 50% dos mais jovens dizem ainda ser este o motivo muito importante, reforçando o motivo económico como factor repulsivo, mesmo entre os mais jovens emigrantes, apesar do valor da distribuição, entre os 26 e os 50 anos, ser 91%: X2(4, N = 36) = 9,635, p = .047. Segue-se a razão familiar, a qual se eleva para 57%, obtendo um resultado mais expressivo do que na amostra de regressados. A razão política, curiosamente, eleva-se também para 16%, assim como a razão cultural para 6%. O conflito laboral, por seu turno, desce para 3%. Nos sujeitos até aos 25 anos, o motivo cultural colhe 40% e o laboral 25%, estes valores são os mais destacados na distribuição etária, respectivamente, X2(6, N = 33) = 14,967, p = .021 e X2(6, N = 31) = 12,960, p = .04498. Concluindo, a razão económica predomina, em ambas as amostras, sendo que, no entanto, esta categoria tem ganho relevância junto dos emigrantes e é ainda importante junto dos emigrantes mais jovens. O motivo familiar é também mais elevado nos emigrantes.
6.3 A clandestinidade
A questão da clandestinidade da emigração portuguesa, no registo da evolução da problemática dos fluxos emigratórios descrita por Castles (2005), remete para o âmbito político-administrativo, a qual, a par da económica e da familiar, se constitui como uma das grandes áreas na abordagem das migrações99. Na análise da literatura efectuada (Castles, 2005; Castles & Miller, 1996; Figueiredo, 2005; Pires, 2003; Portes, 1999; Ramalho, 2003; V. Santos, 2004), as restrições à emigração constituem-se como uma característica internacional, uma vez que a livre circulação de pessoas coloca em questão o equilíbrio internacional dos Estados e, inclusivamente, das respectivas “identidades” (International Organization for Migration [IOM], 2005; Baganha, 2005). Neste contexto, em Portugal, em meados do século XX, o reagrupamento familiar era afigurado com receio100.
No que diz respeito ao direito internacional dos trabalhadores migrantes e das suas famílias, a legislação é muito recente, tendo sido adoptada apenas em 1993, na Conferência Mundial de Direitos Humanos101 (IMO, 2005, p. 10). No entanto, na realidade, a situação actual é preocupante, pois, dos 30 países que rectificaram aquele instrumento internacional a maioria não são países de acolhimento (Naciones Unidas, 2005).
O estudo da clandestinidade deverá ter em consideração as condicionantes de ambos os Estados, assim como as internacionais (Baganha, 1991; Oliveira, 2007). A questão da determinação102 do número de emigrantes clandestinos é uma antiga questão, já levantada em Martins (1956, [1887]), até porque Portugal, usualmente, restringiu a livre emigração (Pereira, 1981, 1990, 1993).
Figura 5: A clandestinidade

Em Melgaço, mais de metade dos regressados, isto é, 68%, emigraram de forma legal e 32% de forma clandestina103. Os homens fizeram-no bem mais do que as mulheres, 44% face a 16% de mulheres: X2(1, N = 142) = 13,087, p = .000. O predomínio dos homens remete para as condições políticas do Estado Novo, até porque os sujeitos desta amostra têm em média 53 anos de idade e, efectivamente, 53% dos sujeitos com mais de 76 anos e 43% dos indivíduos entre os 51 e os 75 anos emigraram de forma clandestina, não existindo qualquer indivíduo com menos de 25 anos: X2(3, N = 141) = 21,405, p = .000.


A frequência escolar destes inquiridos é escassa, sendo que são 48% a disporem do ensino primário e 47% dos que não estudaram e ainda 19% com o preparatório: X2(6, N = 142) = 28,287, p = .000. Deste modo, é verosímil que 21% dos sujeitos fossem trabalhadores não qualificados, 48% dos operários, 67% das domésticas – remetendo para um reagrupamento familiar clandestino – e apenas 5% pertenciam ao sector dos serviços: X2(8, N = 130) = 23,264, p = 003104. Nos emigrantes, a diferença entre legais e ilegais é ainda mais eloquente, pois 88% dos sujeitos emigraram de forma legal, em detrimento de somente 12% que terão emigrado de modo ilegal.
6.4 As redes sociais de suporte
Quer a emigração seja clandestina ou legal, após o estabelecimento dos primeiros imigrantes, inicia-se a imigração através das redes de suporte social. Estas últimas fomentam a emigração, estabelecendo uma interdependência entre o espaço de partida e o de acolhimento, sendo que possibilitam um atenuar das dificuldades de integração, diminuem a possibilidade de discriminação e as dificuldades económicas, assim como fornecem informações acerca do mercado de trabalho no exterior e no interior da rede social (Pires, 2003; Portes, 1999). No registo da saúde mental, as redes de suporte social constituem-se como garantes da saúde mental dos emigrantes. (IOM, 2003; Rosa & Roma, 2002), uma vez que reduzem as possibilidades de eclodir um transtorno de adaptação (American Psychiatric Association, 2002). A separação da família, o isolamento, a incompreensão da língua e a não adaptação às novas normas sociais são condicionantes psicopatológicas (Minga, 1985; Simões, 1985), quando a mudança de espaço de vida é notável (B. Santos, 1987).
Na emigração continental, de início, as redes sociais eram estabelecidas entre homens jovens. Posteriormente, no país de acolhimento, as redes sociais encontram-se relacionadas, entre outros fenómenos, com o reagrupamento familiar. Em França, em 1968, a alteração da lei permitiu o reagrupamento familiar e a partir de 1974 a emigração familiar era maior do que a efectuada isoladamente (Neto, 1985). Em 1977, é assinado um acordo entre ambos os países (Rocha-Trindade et al., 1995; V. Santos, 2004). O reagrupamento familiar introduz as portuguesas no mercado de trabalho, até porque a expectativa dos percursos emigratórios era de brevidade. A elevada percentagem de actividade das mulheres terminou por fomentar a aculturação dos filhos, uma vez que estes eram socializados em infantários franceses. O reagrupamento veio também romper com a perspectiva de um percurso emigratório breve, fazendo emergir a “ideologia do retorno” (Brettell, 1984). A “ideologia do retorno” pressupõe uma perspectiva de brevidade dos percursos emigratórios e o desejo de acumular, nesse período de tempo, o máximo de capital económico possível, até porque uma integração mais prolongada lhes estava vedada. Contudo, a integração social no espaço francês, para além do restrito âmbito laboral, pressupõe a adesão à cultura de acolhimento (Castles & Miller, 1996), o que propicia um acentuar da ambiguidade cultural. Tendo em atenção o reagrupamento familiar, o estabelecimento de laços mais profundos com o espaço de acolhimento e o prolongamento dos percursos emigratórios, as relações espaciais entre ambos os espaços intensificam-se, dando origem ao vaivém característico da emigração portuguesa continental. Actualmente, a constituição das redes de suporte social, no concelho de Melgaço, poderá relacionar-se ainda com a crescente desertificação humana e física, pois para muitas famílias a maioria dos seus membros são emigrantes. No questionário entregue à Escola Profissional do Alto-Minho Interior e à EB 2,3/S de Melgaço, verifica-se que não existe relação directa entre o abandono escolar e a emigração. Na escola profissional, afirmou-se que os alunos emigram somente após terem terminado o curso. E, curiosamente, o abandono escolar incide nas freguesias da zona ribeirinha, quiçá, porque as restantes se encontram demasiado desertificadas. No entanto, nesta mesma instituição, constata-se uma relação directa entre as redes sociais e a emigração105.
Figura 6: Ajuda obtida no início do percurso emigratório

A ajuda obtida, no início dos percursos emigratórios, remete para o facto da ajuda recorrer ou não no interior das redes sociais de suporte. Ora, 69% dos regressados e 76% dos emigrantes obtiveram ajuda através de familiares106. O elemento familiar é especialmente relevante para as mulheres regressadas, pois detém 89% da distribuição, reafirmando a força do reagrupamento familiar inicial, face a 53% de homens: X2(6, N = 140) = 25,842, p = .000. A opção de resposta amigos detém 10% para ambas as amostras, sendo que para os regressados a segunda opção de resposta é o passador: 12%. Nos emigrantes a distribuição dos géneros no motivo familiar é também expressiva, embora sem distribuição estatística significativa (p > .050)107: 86% de mulheres e 67% de homens.


6.5 As redes sociais de suporte e o emprego
Figura 7: Ajuda para obter emprego

No que diz respeito ao suporte social necessário para se obter um emprego é também o meio familiar108 que se realça de importância atribuída: 55% para ambas as amostras. Seguem-se os amigos com, respectivamente, 15% nos regressados e 21% nos emigrantes. Nas mulheres o predomínio do suporte familiar é notável: nas regressadas com 70% face a 46% de homens: X2(6, N = 127) = 19,972, p = .003. Na amostra de emigrantes é de 58% para 53% de homens: (p > .050). A família persiste em ser o meio para se obter um emprego, inclusivamente, por entre os licenciados: 75% dos regressados, constituindo-se como o valor mais elevado da categoria, e 67% de emigrantes, assumindo-se como o segundo valor mais expressivo, após 88% de inquiridos com o terceiro ciclo109. O predomínio familiar na ajuda obtida para o início dos percursos emigratórios e o constatado na obtenção de emprego apontam para uma reprodução do fluxo emigratório.


6.6 As ocupações profissionais
As questões das ocupações actuais, antes e durante o percurso emigratório remetem para a diferença entre os processos de socialização primária e secundária, assim como para a presumível mobilidade social ascendente, a qual estaria na origem do conflito entre a comunidade emigrante e a residente. Em Melgaço, antes da emigração se constituir como um elemento capaz de potenciar a mobilidade social ascendente, somente o contrabando e a extracção e a venda de volfrâmio se constituam como factores desequilibrantes do status quo. Em termos psicológicos, tanto a actividade de exploração do volfrâmio como a do contrabando, terão não apenas incrementado a qualidade de vida dos melgacenses, como também aumentaram as expectativas de vida110. Na altura da II Grande Guerra, a única actividade com interesse económico era a exploração do volfrâmio111. Findo o negócio do volfrâmio, restavam as actividades do contrabando e da emigração. No que diz respeito a esta última, segundo P. Monteiro (1985), o trabalho industrial e assalariado permitia ganhos marginais, os quais não eram auferidos nas explorações agrícolas de subsistência. A emigração viria, pois, a propiciar a mudança de espaço de vida, isto é, de um espaço rural passa-se para um industrial (Alpalhão & Rosa, 1983; P. Monteiro, 1985), manifestando-se numa distinta socialização secundária.
As respostas obtidas foram agrupadas segundo a Classificação Nacional das Profissões do Instituto de Emprego e Formação Profissional (2006)112. Através da comparação entre a actividade anterior ao percurso emigratório e a actividade laboral actual, pretendeu-se verificar se existiu uma alteração do padrão de vida e, nomeadamente, verificar se existe uma mobilidade social ascendente, aquando do regresso, remetendo para a hipótese correspondente.
Figura 8: Ocupações dos regressados antes de emigrar e actuais

O predomínio anterior de regressados que se dedicavam à agricultura decresce de 34% para 7%113. A mudança das ocupações, também ocorreu em Portugal, entre 1960 e 1973, segundo Lopes (1996), 600.000 indivíduos abandonaram a lavoura (INE, 2002). O número de operários também diminui, antes eram 22% e, agora, são 7%. O sector de serviços permanece nos 19%. A maioria dos regressados encontra-se reformada, isto é: 47%. Ora, como ter-se-á ensejo de verificar, sendo a idade média, aquando do regresso, de 44 anos, admite-se que preside o interesse em não investirem na constituição de um negócio, em Melgaço. Actualmente, 6% dos sujeitos são especialistas das profissões intelectuais, sendo que o predomínio nas profissões intelectuais recai sobre as mulheres com 9% face a 4% dos homens: X2(7, N = 112 ) = 29,890, p = .000. Em detrimento de apenas 2% de mulheres, antes de emigrarem: X2(8, N = 135) = 33,874, p = .000. Portanto, entre o antes e o depois dos percursos emigratórios, apesar de se confirmar uma mobilidade ascendente, em termos socioeconómicos, em Melgaço, o impacto dessa relativa ascensão, no registo do desenvolvimento económico, é problemático. Esta questão será abordada no núcleo comportamental dos gastos ostensivos. Mas, na pretensão de estabelecer uma comparação com os actuais emigrantes, quais serão as ocupações dos regressados na condição de emigrantes?


Em termos comparativos, em 1982, segundo Tripier (1990), 73% dos emigrantes portugueses, em França, eram operários não qualificados e 21% eram qualificados. Em 1990, segundo Branco (1998), a maioria dos portugueses são operários não qualificados, nomeadamente, no seio do género feminino, embora, desde 1982, tenham diminuído. No género masculino, a actividade predominante, em 1990, continuava a ser a construção civil: 66%, quando, em 1975, era de 75%. Segundo Branco (1998), no entanto, assiste-se a uma mobilidade intersectorial, para o sector terciário, o qual, de resto, prossegue a evolução francesa.
Figura 9: Ocupações dos regressados como emigrantes

Na condição de emigrantes, na amostra de regressados, assiste-se a um claro predomínio dos operários e artífices: 56%, dos quais 85% eram homens e 15% mulheres: X2(8, N = 132) = 73,278, p = .000114. Seguem-se os trabalhadores não qualificados com 14%, os quais, na totalidade, eram 35% das mulheres. Nos serviços encontravam-se também 14% dos sujeitos, dos quais existem mais mulheres do que homens, isto é, 20% de mulheres para 10% de homens. As donas de casa, antes de emigrarem, eram 26%, e, durante o período emigratório, foram 11%, confirmando a elevada taxa de actividade das mulheres. Tendo em atenção as profissões anteriores ao percurso emigratório, assiste-se a uma mudança brusca da ocupação laboral, a qual se reflectirá na mudança da socialização secundária: na passagem da agricultura para a construção civil e para sectores não qualificados.


Figura 10: Ocupações como emigrantes nas duas amostras115

O grupo amostral dos emigrantes permite esboçar um corte temporal. Ora, actualmente, embora o valor dos que se encontram a trabalhar como operários e artífices tenha descido de 56% dos regressados para 39% dos emigrantes, a maioria dos homens emigrantes, isto é, 71% ainda se encontra afectada a esta categoria profissional: X2(8, N = 46) = 22,977, p = .003116. O grupo dos serviços e vendedores obteve um aumento expressivo: 24%, quando nos regressados eram 14%. O predomínio, aqui, é, de novo, das mulheres com 28% perante 19% de homens. No entanto, das auscultadas 12% ainda ocupam profissões não qualificadas, embora na amostra de regressadas fossem 14%. É ainda curioso constatar que 12% das mulheres são, agora, especialistas das profissões intelectuais e científicas, não existindo qualquer homem neste sector, nos regressados o valor era de 2%, sendo que também eram mulheres. É ainda o género feminino que se constitui como a totalidade dos estudantes, constituindo-se com 9% da totalidade da amostra de emigrantes, quando dos regressados eram 6%. Poder-se-ia concluir que o investimento familiar nas qualificações académicas é vertido para o género feminino. Apesar da diminuição dos operários e das trabalhadoras não qualificadas e da transferência de mão-de-obra para os serviços e do aumento das profissões intelectuais, as profissões dos melgacenses com experiências emigratórias mantêm-se, de modo global, pouco valorizadas socialmente. Estes dados serão comparados com a percepção de mobilidade social ascendente, no núcleo dos gastos ostensivos.
A ocupação laboral relaciona-se directamente com o grau de integração na sociedade de acolhimento, uma vez que, consoante a ocupação e os estatutos sociais atribuídos a essas ocupações, será conferido o rótulo de emigrante, ou seja, de alguém “de fora”, tal como apontou Leandro, em 1999 (Citada por Ramalho, 2003). De outro modo, a ocupação e a reprodução profissional terão tanto impacto na sociedade de acolhimento como na de partida, pois, caso não se “suba” tenderá a existir uma reprodução das ocupações laborais, o que, na sociedade de partida, se reflecte na desertificação humana, na não melhoria das qualificações técnico/profissionais, ou seja, a longo prazo, a emigração transforma-se num problema essencial e não na solução para os problemas económicos imediatos da comunidade de pertença117. Ora, a mobilidade profissional dos emigrantes, em França, parece ser horizontal, isto é, ela decorre da aquisição de competências no interior da própria ocupação profissional118, até porque a frequência de cursos técnicos e profissionais é escassa. Porém, a segunda geração tenderá a adquirir maiores competências académicas, neste caso, trata-se da mobilidade intergeracional, mas é de salientar que a reprodução do fluxo para profissões socialmente pouco valorizadas ainda persiste.

6.7 A adaptação ao trabalho


Figura 11: A adaptação ao trabalho

Conquanto o estatuto das ocupações laborais seja baixo, a maioria dos questionados não sentiu dificuldades na adaptação ao trabalho: 75% dos sujeitos responderam que não, sendo que apenas 25% dos regressados responderam que sim. Esta baixa percentagem é inconsistente com a dureza do trabalho da primeira geração. Nos emigrantes a maioria dos sujeitos também não experimentou qualquer dificuldade na adaptação ao trabalho, isto é, 85%, sendo que, neste caso, a percentagem dos sujeitos que responderam afirmativamente é ainda menor, ou seja, 15%.


6.8 A participação sindical
A participação nas associações sindicais revela o grau de integração na sociedade de acolhimento. No início do fluxo emigratório para França, a única forma garantida de integração social era a oferecida pela actividade laboral, constituindo-se como a porta de entrada para a aquisição de direitos sociais (Hannoun, 1985). A integração dos imigrantes polacos e italianos, em princípios do século XX, efectuou-se a partir do ambiente laboral. Os estrangeiros, em França, encontravam-se privados do direito de participar na coisa pública, exceptuando a acção sindical. A liberdade de associativismo estava condicionada ao juízo do Ministério do Interior (Tripier, 1990). Era, portanto, a função produtiva que lhes conferia direitos sociais, estando eles isentos de direitos políticos (Neto, 1985). No registo da análise das condições de partida, em Portugal, o sindicalismo era proibido e os emigrantes, em França, tinham receio de se sindicalizarem, pois seriam conotados como comunistas, aquando do regresso temporário (Domingues, 2005; C. Ribeiro, 1986b, 1986c). As condições de partida terão também, pois, influenciado o comportamento de não adesão sindical.
Em termos comparativos, de acordo com Neto (1985), em meados da década de 60, os estrangeiros sindicalizados eram apenas 10%. No caso dos sindicatos afectos à construção civil, o nível de filiação sindical é muito baixo119 devido à elevada percentagem de ilegais, de estrangeiros e ainda porque a maioria das empresas eram de reduzida dimensão. (Castles & Miller, 1996).
Figura 12: A participação sindical

A grande maioria dos sujeitos regressados não se encontrava inscrita em qualquer associação sindical, isto é, 90%, em detrimento de 10% que pertenceram a um sindicato. Essa percentagem tende a diminuir para 80% de sujeitos emigrantes não sindicalizados e 20% de sindicalizados. Actualmente, são as mulheres a encontrarem-se sindicalizadas: 37% de mulheres para somente 5% de homens: X2(1, N = 41) = 6,771, p = .009. Estes resultados poder-se-iam explicar pelo facto das mulheres deterem um grau académico mais elevado, pois, na amostra de emigrantes, o grau de adesão aumenta com a escolaridade, uma vez que a totalidade dos licenciados estão filiados, isto é, 100%, em detrimento de apenas 14% de sujeitos com o ensino primário e 7% com o ensino preparatório: X2(6, N = 41) = 24,505, p = .000.



6.9 A inscrição na segurança social
Figura 13: A inscrição na segurança social

Em oposição à questão da pertença a uma associação sindical, a maioria dos sujeitos esteve inscrito na segurança social. Dos regressados 81% afirmam que estavam inscritos na segurança social e 19% que não. Nos não inscritos destacam-se 16% de trabalhadoras não qualificadas e 15% de operários e 6% dos serviços e, curiosamente, 50% de licenciados: X2(8, N = 124) = 22.499, p = .004120. A percentagem de inscritos incrementa-se ao ter-se em consideração os emigrantes, pois, estão inscritos 97% dos sujeitos, em detrimento 3% de não inscritos. Os valores em falta são elevados, ou seja, 23%, uma vez que alguns sujeitos são estudantes, desempregados ou, então, não responderam. Segundo Rocha-Trindade et al. (1995), o primeiro acordo celebrado entre a França e Portugal, ocorreu na década de sessenta, abrangendo a questão da segurança social. Nas conversas informais ou nas entrevistas era usual comparar ambos os espaços, tendo em consideração a vantagem retirada da segurança social francesa, sobretudo no que diz respeito às questões de saúde, pois o sistema francês é enaltecido, o que promove o vaivém e a ambiguidade cultural. Porém, para os residentes, as consultas médicas fora de Portugal constituem-se como um argumento para rebaixar e desvalorizar os melgacenses com percursos emigratórios. O desejo de acumular o máximo de capital possível não será alheio ao desejo de obter uma reforma e de regressar. Na questão da filiação sindical e na da segurança social é visível uma crescente integração na sociedade de acolhimento, a qual se efectua mediante a integração laboral, remetendo, posteriormente, para outros âmbitos.


6.10 As razões do regresso
Os motivos para regressar relacionam-se com as razões de partida, mas também com o tipo de relação mantida entre ambos os espaços, uma vez que se influenciam mutuamente121. De acordo com Baganha e Peixoto (1997), o auge dos regressos terá sucedido entre os anos de 1984 e 1986. O regresso coloca o problema de uma nova mudança de espaço de vida, no que diz respeito à segunda geração de emigrantes, ao ponto de se falar de uma dupla emigração122 (Brettell & Rosa, 1984; Neto, 1985; Rocha-Trindade, 1992). Porém, inclusivamente, para a primeira geração, se a estadia se prolongar no tempo, o emigrante poderá não reconhecer o meio de pertença123 (Namora, 1981) ou colocar em causa a união familiar (A. Antunes, 2006; Wall, 1982).
Figura 14: As razões do regresso

Em Melgaço, a percentagem mais elevada de regressos terá sido realizada por motivos familiares: 62%. O motivo familiar é relevante, de modo distinto, pois para 79% das mulheres é muito importante face a 48% dos homens: X2(3, N = 129) = 14,560, p = . 002. O motivo familiar poderá assumir contornos negativos, uma vez que o regresso poderá dever-se ao fracasso do projecto familiar, o qual poderá passar pela insuficiência económica ou pela deficiente adaptação psicossocial (Neto, 1986). O factor familiar é, pois, decisivo tanto na partida como no regresso, até porque são também os sujeitos mais jovens que sobressaem no factor saudades124 com 80% destes sujeitos, como que justificando o comportamento de retorno dos pais: X2(9, N = 116) = 20,591, p = .015. Deste modo, serão também os licenciados quem mais se salientam nas saudades: 75% X2(21, N = 117) = 48,692, p = .001. O motivo saudades é a terceira razão mais considerada, tendo obtido 33%.


O motivo saúde ocupa a segunda posição com 38%, são os sujeitos com mais idade que escolhem esta questão, até porque 44% dos indivíduos entre os 51 e os 75 anos regressaram por motivos de saúde, sendo que a percentagem aumenta nos sujeitos com mais de 76 anos para 59%: X2(9, N = 118) = 18,724, p = .028.
O motivo reforma é a quarta razão que os sujeitos mais elegeram com 31% e, tal como o motivo saúde, tende a ser considerada pelos sujeitos com mais idade, isto é, 56% dos sujeitos com mais de 76 anos, 42% naqueles que têm entre 51 e 75 anos e apenas 13% dos sujeitos até aos 25 anos, estes últimos poderão remeter para a reforma dos seus pais, reafirmando a importância do factor familiar na partida e no regresso: X2(9, N = 118) = 48,132, p = .000. Tendo em atenção as idades seria de esperar que os sujeitos tenham baixas qualificações académicas e, efectivamente, verifica-se que os resultados mais expressivos se encontram entre os indivíduos que não estudaram, isto é, 47% e 41% com o ensino primário com: X2(21, N = 119) = 47,145, p = .001125.
O motivo tinha poupado o suficiente obteve apenas 9%. Como as determinantes económicas são cruciais para a partida, o reduzido valor deste motivo, quando comparado com o motivo reforma, mostra o afinco dos regressados em retirarem vantagens da segurança social do país de acolhimento. O “mito do retorno” revela-se, aqui, pois não é apenas a poupança, ou melhor, a acumulação de capital, que determina o retorno, mas o assegurar uma vida condigna no espaço de partida, abdicando do trabalho árduo em favor de uma reforma. Os valores menos elevados são: não compensava com 4% e os problemas laborais 1%. Os valores reduzidos destas duas últimas razões revelam uma percepção positiva do espaço de acolhimento. Por fim, o regresso poderá dever-se a motivos psicossociais, ou seja, a título de exemplo, o receio de perder os vínculos sociais e afectivos, os quais deveriam também ser incluídos no questionário, constituindo-se como uma limitação.
6.11 A discriminação no espaço de acolhimento
A discriminação, no espaço de acolhimento, remete para a percepção positiva ou negativa desse espaço, sendo, aqui, também comparada com a possível discriminação dos residentes. Ou seja, remete para a ambivalência cultural dos emigrantes nos dois espaços, sendo que o espaço de acolhimento, ao longo das entrevistas, foi considerado como espaço de referência económica e, por vezes, cultural. No espaço de acolhimento, segundo Tripier (1990), a discriminação operava, em primeiro lugar, entre os próprios operários emigrantes, ou seja, os “mais antigos” discriminavam os mais recentes, por exemplo, os italianos e os polacos discriminavam os portugueses. Isto porque se sentiam ameaçados, mas também porque os portugueses encarregavam-se dos trabalhos indesejados, sendo, pois, o seu estatuto social mais baixo. Nas entrevistas a questão de se retirar o ganha-pão é também verbalizada126. No que diz respeito aos naturais dos países de acolhimento, as relações eram distanciadas  (Tripier, 1990). Em França, em época de crise económica, como foi o caso do início dos anos 70, os emigrantes eram vistos como os únicos beneficiários dos fundos estatais. No entanto, essa “culpa” não se verteu, de sobremaneira, para os emigrantes portugueses, senão para os magrebinos e para os negros (Hannoun, 1985). Na esteira de Elias e Scotson (1994), a discriminação, nesta situação, opera na base da diferenciação étnica127. A atribuição para esta diferenciação grupal é a de racismo, mas esta constitui-se apenas como uma das possíveis formas de discriminação, sendo ainda que poderá ocorrer em ambos os sentidos. Se, pelo contrário, o problema é socioeconómico, então, estar-se-á perante um problema de classe ou de estatuto social.
Figura 15: Discriminação no espaço de acolhimento
A maioria dos regressados, isto é, 78% não se sentiu discriminada e aqueles que se sentiram discriminados são 22%. Dos regressados eram as trabalhadoras não qualificadas que mais se sentiam discriminadas com 53%. De entre os operários e artífices somente 23% se sentiam discriminados, ou seja, poderão ser as mulheres quem mais se percepcionam como discriminadas, até porque 33% das donas de casa também têm a mesma percepção: X2(8, N = 131) = 17,191, p. = .028. Nos emigrantes, 73% não se sentem discriminados, sendo que 27% se sentem discriminados, ou seja, a percepção de discriminação tem aumentado, conquanto que ligeiramente. Efectivamente, comparando as distribuições das idades, verifica-se que os 50% dos emigrantes jovens se sentem discriminados, constituindo-se como a distribuição mais elevada (p = .062), quando nos regressados eram somente 8%, até porque a percepção de discriminação se situa nos sujeitos com mais idade, isto é, 44% dos questionados com mais de 76 anos (p = .067;128).
As escassas respostas obtidas, em ambas as amostras, quando se pretendia saber como eram discriminados, remetem para problemas laborais, não adaptação psicossocial e, sobretudo, para a xenofobia e o racismo129. O espaço de acolhimento é, pois, afigurado como acolhedor, tal como sucedeu no estudo de Leandro (2002).
Cabe ainda questionar, o que designa a palavra discriminação para os melgacenses com percursos emigratórios, tendo em linha de conta que ocupam trabalhos com baixos estatutos socioprofissionais? Será que, na percepção dos sujeitos, a palavra discriminar estará excessivamente associada à base étnica? E será que os melgacenses com experiências emigratórias não percepcionam o espaço de acolhimento de modo discriminatório porque para aqueles que têm baixas qualificações, as diferenças sociais são encaradas como inevitáveis e intransponíveis (Neto, 1986)? E será que o “mito do retorno” se constitui como uma compensação psicológica para as dificuldades sentidas, até porque a motivação económica é ainda a predominante?
À guisa de conclusão dos percursos emigratórios, a emigração melgacense efectua-se fundamentalmente para França. A razão económica é decisiva na partida, acentuando-se esta tendência nos actuais emigrantes. Sucedem-se os motivos familiares, os quais são mais expressivos nas emigrantes. O elemento familiar é relevante na ajuda obtida na partida e ainda na obtenção de um emprego, sobretudo, para os actuais emigrantes, revelando a força do reagrupamento familiar e da reprodução do fluxo emigratório. O elemento familiar é também importante no regresso. Entre os regressados e os actuais emigrantes, assiste-se a uma melhoria das qualificações académicas e profissionais, embora a ocupação de sectores profissionais desvalorizados socialmente ainda seja expressivo, revelando-se, grosso modo, numa verosímil reprodução profissional. No entanto, os sujeitos dizem não sentirem problemas de maior na adaptação ao trabalho e dizem ainda não serem discriminados no espaço de acolhimento, sendo que a inscrição na segurança social se incrementa, assim como a participação sindical, revelando uma perspectiva positiva do espaço de acolhimento.

7. O núcleo comportamental da língua


A aculturação linguística é um dos três núcleos comportamentais que diferenciam emigrantes e residentes. A língua é um dos elementos que confere maior visibilidade à interdependência que se instala entre o espaço de acolhimento e o de partida. Neste último, o uso da língua estrangeira assume contornos de problema social, uma vez que os emigrantes, através do uso exclusivo da língua estrangeira, usualmente, o francês, descuram o sentido social atribuído à comunidade de pertença. A aprendizagem da língua e a sua utilização é fulcral na socialização e na apropriação da cultura, uma vez que, tal como afirma A. Cabral (2003), a língua é, simultaneamente, objecto – na medida em que se constitui como um instrumento cultural – e subjecto, uma vez que implica uma relação de pertença ou de rejeição cultural. Desta forma, a recusa da língua materna implicaria a recusa da comunidade de pertença e a consequente desvinculação. Os espaços de partida e de acolhimento, tal como afirmam P. Monteiro (1985) ou Silvano (1997), encontram-se em relação, contudo, nesta perspectiva, afigura-se que o espaço de partida é condicionado de forma negativa, nomeadamente, através da introdução de estrangeirismos, de expressões e, até, de uma certa entoação linguística. No âmbito do uso da língua materna, os emigrantes manifestam-se através da ambiguidade cultural (A. Cabral, 2000), devido à sua interculturalidade, derivando no não reconhecimento comunitário em ambos os espaços.
Pouco mais de um quarto, ou seja, 27% dos sujeitos regressados consideram que os melgacenses com experiências emigratórias são sempre olhados como se não fossem de “cá” e, de entre estes, a distribuição dos géneros é de 35% das mulheres e 20% dos homens: X2(3, N = 156) = 8,699, p = .034. Esta percentagem é mais relevante nos emigrantes, pois cerca de metade, isto é, 44% consideraram a opção sempre. Nesta amostra constam 46% de homens e 43% de mulheres (p > .050)130. Assim sendo, a percepção de uma separação sociocultural parece ter aumentado.
Tendo em consideração as percepções de não reconhecimento e de discriminação e o facto da utilização da língua francesa ser frequente, tornou-se, pois, necessário ter acesso à percepção que os melgacenses com experiências emigratórias têm acerca da ambivalência linguística, permitindo ainda aceder à segunda hipótese inicial, isto é, em que medida é que os sujeitos com percursos emigratórios se sentem aculturados mediante o uso da língua estrangeira?
Nas entrevistas a ambivalência cultural é reconhecida pelos próprios emigrantes. Por vezes, a ambiguidade da dupla pertença identitária é percebida com maior intensidade do que o conflito com os residentes, o qual é como que negado na primeira pessoa do singular pelo homens, remetendo-o para a terceira pessoa do plural: “eles”, ou seja, para a divisão entre os “bons” e os “maus” emigrantes. A percepção da ambiguidade cultural era também mais notável nos jovens entrevistados, os quais têm maior facilidade para se percepcionarem num registo intercultural. Mas, quais serão os motivos dos sujeitos com percursos emigratórios para o uso da língua estrangeira?

Figura 16: Motivos atribuídos para uso da língua estrangeira



Dois motivos dizem respeito aos comportamentos agonísticos que são atribuídos aos emigrantes: a exibição foi considerada muito importante por 24% dos regressados e 22% dos emigrantes, sendo, globalmente o terceiro motivo com maior atribuição de importância131. As mulheres emigrantes são quem mais consideraram este motivo, isto é, 30% das mulheres face a 13% dos homens, X2(3, N = 50) = 9,010, p = .029, nos regressados são 25% das mulheres e 23% dos homens (p = .050). Para os emigrantes, o valor de indivíduos até aos 25 anos que consideram a exibição é o mais expressivo com 46%, face a 16% dos indivíduos entre os 26 e os 50 anos: X2(6, N = 50) = 12,686, p = .048. Nos regressados, a percentagem destes inquiridos é de 19% e os valor mais expressivo é nos sujeitos entre os 26 e os 50 anos com 35%: X2(9, N = 140) = 23,949, p = .004. É curioso ainda verificar que são os licenciados que suportam os resultados mais eloquentes: 37% dos regressados e 43% dos emigrantes, sendo que a distribuição é apenas significativa nos regressados X2(21, N = 141) = 39,097, p = .010, em detrimento dos emigrantes (p = .072)132. Ou seja, no jogo de espelhos que falava A. Gonçalves (1996), são também os melgacenses com percursos emigratórios a atribuir-se esse comportamento, especialmente as mulheres, os mais jovens e os licenciados.


A questão para que os não compreendam obteve apenas 8% nos emigrantes e 13% nos regressados. Nos emigrantes a distribuição dos géneros é significativa, obtendo-se 8% de homens e igual valor de mulheres que a consideram muito importante: X2(3, N = 50) = 9,170, p = .027133, sendo, no entanto, considerada importante por 35% de mulheres e 13% de homens.
Duas outras opções de resposta remetem para a psicologia do desvio, na medida em que implicam a frequência de comportamentos distintivos. No que diz respeito ao motivo porque falam melhor a língua estrangeira, obteve-se 19% dos regressados e 18% dos emigrantes. Apesar de ser somente o quarto motivo com mais expressão percentual, nela se revela a percepção da aculturação na língua francesa. Este último motivo foi também desvalorizado no trabalho de A. Gonçalves (1996).
A categoria que remete para o hábito ou exposição à língua estrangeira, isto é, estão habituados, registou um aumento significativo para os emigrantes, passando de 34% nos regressados para 41%. Em ambas as amostras é este o motivo considerado o maior número de vezes como muito importante. As mulheres são quem mais consideram este motivo: 46% nas regressadas para 23% de homens: X2(3, N = 146) = 13,352, p = .004. Nos emigrantes 48% das mulheres e 33% dos homens consideram este motivo muito importante (p > .050)134. Efectivamente, a dificuldade em falar português e a escolha da língua estrangeira poderão relacionar-se com a mera exposição à última, ou seja, com o facto de para quem fala e, por vezes, pensa e fala onze meses numa única língua, se torna difícil falar e pensar, de imediato, em outro idioma135. De qualquer modo, o facto do valor ser elevado, ou seja, 36% nos regressados, revela uma certa condescendência face ao uso da língua estrangeira, ou seja, os actuais residentes parecem tolerar essa prática.
A categoria porque são gozados ao falarem português, ou seja, que remete para o comportamento agonístico dos residentes face aos emigrantes, registou um aumento nos emigrantes136, pois, de 21% dos regressados se passa para 32% dos emigrantes que a consideram muito importante, sendo o segundo maior valor nesta amostra, o que revela o carácter agonístico das relações. Em ambos as amostras, são as mulheres quem mais consideram como muito importante este factor, assistindo-se a um aumento das emigrantes, pois de 36% das regressadas – X2(3, N = 142) = 21,894, p = .000137 – se passa para 41% de mulheres emigrantes (p > .050), nos homens o aumento ainda é também eloquente, ou seja, de 8% de regressados para 22% nos emigrantes.
A questão do gozo remete para uma forma de discriminação entre melgacenses. O emigrante das freguesias da montanha transporta em si uma forma de língua Galego-Português138. Ora, esta foi durante séculos relegada. Assim dispondo, o comportamento de “esquecimento” da língua materna, neste caso, não se deverá somente à aculturação ou a uma “exibição”, mas a um conflito sociocultural secular, no qual o habitante da montanha se percepciona em desvantagem social. Para o emigrante das freguesias montanhosas será preferível recorrer à língua estrangeira, ganhando um estatuto nunca antes concedido aos habitantes daquelas paragens139. No registo da transversalidade do conflito agonístico e da complexidade das diferentes formas de discriminação, o habitante da zona ribeirinha será o “bom” emigrante e o da montanha é o parolo estrangeirado.
Por fim, as derradeiras questões remetem para a presumível percepção de uma debilidade cultural da comunidade de pertença: porque não sabem falar português e porque a língua estrangeira é melhor do que a portuguesa. Comparando ambas as amostras, é curioso aferir que as duas questões têm resultados menos expressivos nos emigrantes. A primeira questão desce de 6% nos regressados para 4% nos emigrantes. E a segunda questão de 4% para 2%. Portanto, os emigrantes infirmam a questão que remete para o não domínio da língua portuguesa, valorizando-a mais do que os regressados, o que fomenta a ambiguidade cultural. Reforçando esta ideia, é curioso verificar que são os regressados até aos 25 anos a atribuir maior importância à segunda questão com 7% desses sujeitos, porventura, porque se sentem desconfortáveis junto da “nova” língua, revelando problemas de adaptação, sendo ainda que 80% destes sujeitos consideram esta categoria como nada importante, sendo o valor mais expressivo: X2(9, N = 136) = 21,098, p = .012140.
No registo da relação entre ambos os espaços, nos percursos emigratórios, a aculturação foi, de início, profissional e material141. Até porque os emigrantes continentais portugueses eram, maioritariamente, homens jovens que não se relacionavam com a cultura de acolhimento, para além do âmbito laboral. Quando questionados acerca da convivência com estrangeiros, nos regressados, a percentagem de sempre é de somente 23% e nos emigrantes é de 54%. Estas respostas permitem mostrar uma evolução na relação estabelecida entre a comunidade portuguesa e as restantes, na medida em que as relações se incrementam com o decorrer do tempo. Efectivamente, a distribuição de géneros dos emigrantes é significativa: X2(3, N = 52) = 11,187, p = .011, mostrando que 71% dos homens e 39% das mulheres consideram a opção de resposta sempre, em detrimento dos regressados, nos quais são 23% em ambos os sexos (p > .050). No registo dos graus escolares, o valor mais elevado, em ambas as amostras, é encontrado no terceiro ciclo e de 33% dos regressados (p > .050), passa-se para 75% dos emigrantes, constatando-se ainda um incremento nos licenciados, pois de 23% dos regressados se passa para 43% dos emigrantes: X2(18, N = 52) = 33,943, p = .013142.
No registo do processo da socialização, o uso quase que exclusivo da língua estrangeira opera um corte de sentido colectivo entre as sociedades de acolhimento e de partida, o qual é visível também no próprio funcionamento relacional da família. Os filhos dos emigrantes, isto é, a designada segunda geração, corporizam a separação cultural, no que diz respeito à utilização, por vezes, exclusiva da língua estrangeira. Ao longo do mês de Agosto de 2006, verificou-se que os jovens casais (muito deles educados em Portugal) não falam português com os seus filhos. A influência da língua francesa poderá ser visualizada no vídeo realizado143. Em Melgaço, na perspectiva dos regressados, 12% continuam sempre a falar estrangeiro, em detrimento de 29% de indivíduos emigrantes. Em ambos os grupos, são as mulheres que mais respondem sempre: 14% das regressadas contra 11% de homens: X2(3, N = 156) = 13,785, p = .003. Nos emigrantes são 36% de mulheres e 21% de homens (p > .050)144. Cabe lembrar que é nas mulheres que, usualmente, recai a responsabilidade da educação, o que fomenta a ambiguidade cultural e a aculturação linguística. Ao longo das sextas-feiras, dia de mercado, em Melgaço, é frequente assistir-se ao uso da língua francesa145. Os regressados reconhecem-se, juntam-se e recorrem com facilidade à língua estrangeira. Por seu turno, o comportamento agonístico dos residentes não passa por “chamar a atenção” dessas pessoas, mas antes pela desvalorização, a qual se manifesta mediante o maldizer não directo, afirmando que, na verdade, esses indivíduos não sabem falar português e que, portanto, não são de “cá”.
Somente 4% dos sujeitos regressados responderam que os emigrantes falam sempre bem estrangeiro, contra 17% de emigrantes, revelando, mais uma vez, um crescendo da importância da língua estrangeira e da ambiguidade cultural, até porque nos regressados são os mais jovens a considerar esta questão com 24%, constituindo-se como o valor mais destacado: X2(9, N = 153) = 21,885, p = .009. Nos emigrantes os valores, para a mesma faixa etária, encontram-se nos 21%, sendo que o valor atribuído pelos indivíduos entre os 26 e os 50 anos é de 16%, quando nos regressados era de somente 2% (p > .050)146.
No registo de uma relação assimétrica entre ambos os espaços, a cultura foi mencionada pelos entrevistados como factor de ruptura. A cultura francesa é afigurada como “desenvolvida”, “rica” e a cultura portuguesa, por seu turno, é considerada “atrasada” e pouco aliciante. Nas entrevistas a diferenciação cultural é verbalizada tanto como motivo de partida como motivo de regresso periódico ou definitivo. No regresso periódico, as diferenças culturais – modo de vestir, linguagem, modo de estar – são motivos atribuídos para o picanço, sendo que os emigrantes eram facilmente identificáveis, ou seja, ambos os grupos se distinguiam facilmente, tendo como referência diferentes posturas culturais (A. Gonçalves, 1996). Em qualquer caso, no registo histórico, aquilo que se encontra subjacente à tensão agonística é a quebra de sentido colectivo, ou melhor, a mudança social. Assim sendo, os residentes culpabilizam os emigrantes de serem “os outros”, “os de fora”. E os emigrantes, por seu turno, corporizam a quebra de sentido (Xiberras, 1996). No registo da psicologia do desvio, a emigração poderá também ser concebida como uma procura de outras formas culturais, até porque a actividade se realiza num espaço de vida distinto. No estudo de A. Gonçalves (1996), os emigrantes eram culpados de enaltecer o estrangeiro, sendo que eram considerados estrangeirados147. Alguns emigrantes, ao longo das entrevistas, afirmavam que os portugueses, em França, dissimulavam a sua identidade cultural, ou seja, que tinham receio de se mostrarem como portugueses, percebendo a sua cultura como “débil”. Quando, em Portugal, se ostentam como “franceses”. Este comportamento ambivalente poderá conduzir ao isolamento relacional, como se constatou no Canadá (Alpalhão & Rosa, 1980). Mediante as opções de resposta: no país de acolhimento, os emigrantes, em casa, falam estrangeiro e no estrangeiro, os emigrantes, falam português, tratou-se de confirmar, no primeiro caso, a aculturação. E, na segunda questão, a afirmação da língua portuguesa no país de acolhimento, isto é, a afirmação de uma identidade cultural distinta, sendo que, na comparação entre elas, se revela a ambivalência linguística. Constatou-se uma diferença entre ambos os grupos amostrais, evidenciando um maior grau de aculturação nos emigrantes, uma vez que 20% responderam que falam sempre, em casa, uma língua estrangeira, em detrimento dos 10% dos regressados. Em ambos os grupos, são as mulheres que predominam na resposta sempre: 12% nas regressadas contra 7% de homens (p > .050)148 e 21% nas emigrantes para 17% de homens: X2(3, N = 51) = 9,361, p = .025.
Por seu turno, na questão: no estrangeiro falam português, a diferença oscila de 16% nos regressados para 27% nos emigrantes que responderam sempre. Assiste-se, pois, a uma revalorização da língua materna, por parte dos emigrantes. Ora, em ambos os grupos, as questões evidenciam um crescendo da ambiguidade cultural, nesta ocasião no espaço de acolhimento, a qual, evidentemente, tem consequências no espaço de partida. A distribuição dos géneros é significativa nos emigrantes e 46% de homens e 11% de mulheres atestam a questão na opção de resposta sempre: X2(3, N = 52) = 9,119, p = .028149.
A categoria de resposta os filhos emigrantes casam-se mais com gente da terra do que com estrangeiros, pretendia verificar o grau de integração dos emigrantes portugueses, uma vez que o casamento conduz a novas configurações sociais. Os resultados evidenciam uma crescente relação entre a comunidade portuguesa e as restantes, uma vez que os valores sempre diminuem: nos regressados é de 25% e nos emigrantes é de 18%, até porque são os sujeitos mais novos150, pertencentes a ambas amostras, que desconsideram esta questão, nos regressados nenhum dos sujeitos até aos 25 anos considerou esta questão e o resultado mais elevado encontra-se nos indivíduos entre os 51 e os 75 anos com 34%: X2(9, N = 154) = 17,978, p = .035. Nos emigrantes a distribuição não é significativa, sendo de (p = .058), mas o resultado mais elevado encontra-se nas idades descritas, anteriormente, com 43% desses sujeitos e os inquiridos até aos 25 anos são 29%. As distribuições diferenciam os participantes, nos graus de escolaridade, em ambas as amostras. Ora, os licenciados obtêm resultados pouco expressivos nos regressados151, isto é, de 9% e nos emigrantes é de 14%. Pelo contrário; os resultados mais elevados encontram-se junto dos sujeitos com menor escolaridade, ou seja, nos regressados: nos indivíduos que não estudaram com 45%. E nos emigrantes naqueles que têm o ensino primário com 38%, em detrimento de somente 9% dos licenciados. Nos emigrantes este último valor eleva-se para 14%. Assim dispondo, aproximamo-nos de um registo intercultural. Contudo, quando questionado o conservador acerca do número de casais com distintas nacionalidades, elas são escassas, ou seja, os casamentos interculturais efectuam-se, mormente, no espaço de acolhimento152.
Regressando à problemática da ambivalência cultural, segundo Rosa e Lamy (1999), a identificação com uma língua poderá não ter apenas um significado psicológico, mas também material. O desenvolvimento das tecnologias da comunicação e o processo de globalização, ao qual os fluxos migratórios são inerentes, diminuíram o sentido social mantido entre a língua e o território (Castles, 2005).
Remetendo para as hipóteses, os melgacenses com experiências emigratórias percepcionam a separação sociocultural, sendo que ela se tem incrementado, na medida em que, segundo os emigrantes, se assiste a um aumento da convivência com estrangeiros, assim como a um maior número de casamentos mistos. E porque, para mais de um quarto dos emigrantes, em Melgaço, fala-se uma língua estrangeira, sendo que ela é bem falada segundo 17% dos emigrantes. A ambiguidade é também visível no espaço de acolhimento, pois 20% dos emigrantes falam em casa a língua estrangeira e, pelo contrário, no estrangeiro fala-se, na percepção dos inquiridos, cada vez mais a língua portuguesa. Revela-se, de modo paradoxal, pois uma revalorização da língua materna, nomeadamente, no seu uso no estrangeiro e porque a língua estrangeira não é considerada melhor que a portuguesa. Em qualquer caso, a ambiguidade cultural mostra-se com intensidade porque os melgacenses com experiências emigratórias não são olhados como se fossem de “cá”. Esta percepção é particularmente relevante junto dos emigrantes e, de entre estes, das mulheres e dos mais jovens. No que diz respeito ao núcleo linguístico, os sujeitos afiguram-se aculturados. No entanto, as diferenças não se devem às características intrínsecas, nem tão-pouco aos comportamentos agonísticos por parte dos emigrantes, senão que à mera exposição e relacionamentos adquiridos no país de acolhimento e, em menor grau, ao comportamento agonístico preconizado pelos residentes, uma vez que a opção gozo ganha relevância nos emigrantes, nas mulheres e nos licenciados. Em termos dos géneros são as mulheres, os mais jovens e os licenciados quem mais percepcionam a diferença, constituindo-se ainda autocríticos face aos comportamentos agonísticos apontados aos emigrantes, nomeadamente, no caso da exibição, embora, os resultados globais, sejam maiores junto dos regressados. Ter-se-á oportunidade de constatar que, dos três núcleos comportamentais distintivos, a questão linguística não obteve resultados expressivos para explicar os comportamentos agonísticos dirigidos pelos residentes, mas, antes, as razões: porque tinham inveja e porque tinham menos dinheiro. Os resultados têm uma componente paradoxal, pois, se, por um lado, os emigrantes se sentem aculturados, por outro lado, não se sentem parte interdependente do conflito agonístico. A utilização da língua francesa, em Melgaço, parece ganhar contornos de “normalidade”, o que se revela interessante, pois, apesar de esse não ser considerado o centro da discórdia, ele se constitui, em termos culturais, como um verdadeiro desafio. Nos registos da ambivalência cultural e da relação estabelecida entre ambos os espaços, o tipo de aculturação sofrido pelos emigrantes é, pois, a transculturação, uma vez que a relação estabelecida entre ambos os espaços é assimétrica. A introdução de estrangeirismos é patente nas entrevistas153. A mera observação permite também constatar a introdução de estrangeirismos – dessa façon, c’est normal, place, prender, cassé, ramassei – assim como expressões linguísticas – “vamos a ver”, “fazer por isso”, “fazer de conta de prender” constituem-se como alguns exemplos. Por vezes, as palavras são adaptadas, por exemplo, “bem seguro”, “marcha bem”. Para além do uso desmesurado da língua francesa, aquando do regresso temporário dos emigrantes, este fenómeno torna-se particularmente visível às sextas-feiras, quando, em Melgaço, é realizado o dia de mercado. O mercado também é procurado pelos galegos, resultando numa mistura de sons, no qual o português, o galego falado no Sul da Galiza, o castelhano e o francês se misturam. A introdução da língua francesa é, deste modo, visível no dia-a-dia de Melgaço. Aquilo que é, verdadeiramente, constrangedor, é o ar de “normalidade” que o recurso à língua francesa transporta. Longe da questão da interculturalidade, até porque, em Melgaço, ela é inerente154, o uso da língua do país de acolhimento é consequência da relação assimétrica entre os dois países. A recusa da língua materna implica ainda uma desvinculação face a Melgaço e a Portugal. No sentido de averiguar a relação dos emigrantes com Melgaço, foram elaborados questionários dirigidos às agências funerárias, de viagens e aos correios. Em Melgaço, são frequentes os funerais de emigrantes, constituindo-se como um evento de regresso e de reencontro. Os responsáveis das duas agências funerárias pensam que a maioria dos emigrantes melgacenses vão a enterrar na terra natal. Uma das agências funerárias contactadas especializou-se nos funerais de emigrantes155, sendo que, segundo a responsável pela agência, 25% dos funerais realizados pertencem a emigrantes. Nas agências de viagens156, no Natal, na Páscoa e no Verão são frequentes os fluxos de ex-emigrantes e de familiares até aos países de emigração. O número de autocarros disponíveis aumenta exponencialmente, isto porque os emigrantes de primeira geração regressam, mas a restante família, usualmente, permanece no país de acolhimento, obrigando os mais idosos a deslocaram-se. Para os mais velhos, no Natal, época de reencontro familiar, o fluxo é também realizado, usualmente, para França. No contexto da segunda geração de emigrantes, a terra natal dos pais ter-se-á tornado um mero lugar de férias (M. Gonçalves, 2002). As casas construídas pelos emigrantes passam a ter somente uma funcionalidade inerente às férias (Villanova, Leite & Raposo, 1995). Se através do questionário entregue às agências funerárias se entreve a continuidade de uma estreita vinculação face a Melgaço, nas agências de viagens, pelo contrário, assiste-se a uma inversão, sendo que o fluxo se faz cada vez mais para França. No questionário entregue ao posto de correios é afirmado que 65% do total da correspondência seja proveniente do estrangeiro, sendo que o maior volume de correspondência se faz entre os melgacenses com percursos emigratórios157
8. O núcleo comportamental do espaço
8.1 A segregação espacial
O espaço, neste estudo, é afigurado como uma área de relações e de trocas sociais, sendo que são as relações sociais quotidianas que organizam o espaço, ou seja, é a actividade social que funda o tipo de apropriação do espaço158. Ainda no registo da actividade social, a organização do espaço é uma organização de sentido social, sendo que ele opera em referência e relação com outros espaços (P. Monteiro, 1985; Silvano, 1997), podendo estabelecer-se no sentimento de pertença a um determinado espaço. No âmbito da relação estabelecida entre os espaços migratórios, a mobilidade espacial do emigrante permite a abertura ao espaço externo e a transformação do seu próprio espaço, como é o caso da problemática da casa “afrancesada”, assim como confere azo à reconfiguração do espaço de acolhimento através, por exemplo, da mera actividade laboral realizada no sector da construção civil ou mediante a compra e a reconstrução de moradias.
Para Silvano (1997), o espaço poderá ser dividido em espaço de pertença e espaço de referência. No registo da ambivalência cultural, em Melgaço, o espaço de acolhimento parece ter-se tornado também espaço de referência, nomeadamente em termos culturais e económicos (Leandro, 2002). Na problemática da casa, espaço de pertença e espaço de referência poderão não coincidir. O espaço de referência parece provir do país de acolhimento, uma vez que os modelos arquitectónicos escolhidos se encontram longe do espaço natal. Em termos históricos, para Rosas (1997), as migrações internas e externas encontram-se na origem das mudanças sociais ocorridas entre 1950-1975. Para a segunda geração (ou melhor, para as segundas gerações, uma vez que o fluxo emigratório se prolonga por mais de 50 anos), o espaço de acolhimento poderá configurar-se também como espaço de pertença. Ao longo dos percursos emigratórios, os espaços de vida e os processos de socialização alteraram-se, influenciando o espaço de partida.
Segundo A. Gonçalves (1996), em Melgaço, para além do despique entre residentes e emigrantes, assistia-se a uma separação espacial entre ambos os grupos, isto é, existiam, por exemplo, os cafés, maioritariamente frequentados por emigrantes e outros por residentes. Por parte destes, assistia-se ao comportamento de afastamento relacional e do maldizer159, por exemplo, eram frequentes as anedotas sobre emigrantes, algumas das quais tinham origem em França. O café é um espaço de convivência, de encontro e de reencontro e, aqui, em Melgaço, assume-se como muito importante. É, pois, um espaço onde o conflito agonístico se revela: “. . . é lá que um fulano que queira jogar e através disso mostrar que é o mais forte ou o mais inteligente, desafia outro, emigrante de preferência . . .” (Wateau, 2000, p. 196). Por vezes, o picanço resultava em ofensas corporais. No sentido de reforçar a percepção do conflito, tornou-se necessário recorrer aos protagonistas. Trata-se, em primeira instância, de indagar os indivíduos que detêm um conhecimento específico acerca da problemática, tentando não ter como percursor da investigação ideias preconcebidas (Bourdieu et al., 2004). A questão do conflito entre residentes e emigrantes foi colocada a dois advogados e a um oficial de justiça, com décadas de experiência profissional em Melgaço, sendo que são unânimes em considerar que a presença dos emigrantes provocava um aumento dos processos. No que diz respeito aos factores condicionantes, são nomeados: o aumento da população e o aumento do poder económico, uma vez que os emigrantes, agora, recorrem aos tribunais. No registo penal, os processos: “. . . prendiam-se mais com a ofensa à integridade física simples, raramente grave, . . . e difamação160”. Em termos cíveis terão aumentando os processos com a defesa da propriedade. No seio dos entrevistados, o mal-estar entre emigrantes e residentes também é bem patente: “Sim, normalmente, as pessoas, daqui, não gostavam dos emigrantes e havia sempre nos bailes . . . andavam sempre ao barulho com os emigrantes. Os portugueses, daqui, não os viam como portugueses.”161. Ou: “Mal tratada fisicamente . . . nunca, mas psicologicamente . . . às vezes. Sentir as pessoas a olhar para mim como se fosse um animal de circo . . . às vezes, pesa.”162
Neste ponto, tendo em conta a intensidade do conflito, coloca-se, desde logo, uma questão: será que os melgacenses com experiências emigratórias percepcionam uma separação espacial entre emigrantes e residentes? A questão da existência ou não de uma segregação espacial, já foi oportunamente abordada, aquando da análise literária à obra de Elias e Scotson (1994), sendo que a mera observação nos permite infirmar tal problema, uma vez que, em Melgaço, não existem espaços naturais a dividir residentes e melgacenses com experiências emigratórias.
Figura 17: Percepção do comportamento que visa evitar os emigrantes

A afirmação os melgacenses evitam conviver com os emigrantes remete para a percepção de uma presumível separação espacial entre ambos os grupos. Nos regressados a opção de resposta sempre obteve apenas 13%, sendo que a opção poucas vezes obteve 30%. Porém, estes números ampliam-se nos emigrantes, pois, 23% dos sujeitos consideram que os residentes evitam sempre conviver com os emigrantes. Contudo, são também os emigrantes quem mais escolhem a opção nunca: 29%. Esta diferença poderá dever-se às características das duas amostras, uma vez que para os regressados163 o seu espaço de vida, as relações sociais, agora, são estabelecidas em Melgaço. No trabalho de A. Gonçalves (1996), 40% dos residentes disseram que evitavam os emigrantes. Ora, os resultados são, agora, menos expressivos, inferindo-se, uma diminuição, ou seja, a tensão agonística entre ambos os grupos parece ter-se atenuado. Nos regressados 12% dos sujeitos até aos 25 anos consideram a opção sempre, X2(9, N = 155), = 19,470, p = .021; nos emigrantes esse valor ascende para 21% dos emigrantes com as mesmas idades: (p > .050) . Porém, em ambas as amostras, os valores mais elevados das distribuições encontram-se junto dos sujeitos com mais idade. Nos regressados o valor mais expressivo é dos sujeitos com mais de 76 anos, atingindo 39%, sendo que, no entanto, o valor dos mais jovens é o segundo valor com maior expressão: 12%. Conquanto a diminuição perscrutada, a percepção de um comportamento que visa evitar os emigrantes afecta os mais jovens, pois 50% dos emigrantes que são estudantes têm esta percepção, os valores mais expressivos encontram-se junto dos profissionais intelectuais com 67% e das donas da casa – alertando que são elas que mais assumem o conflito agonístico –, esta expressão desce nos serviços para 18% e, curiosamente, nos operários, pois o valor é de 17%. Estes valores são ainda mais surpreendentes nos não qualificados, pois não se encontra nenhum sujeito, apesar deste sector ser ocupado pelo sexo feminino: X2(24, N = 46) = 43,609, p = .008164. A surpresa que estes resultados revelam reside no facto dos residentes desvalorizarem socialmente os emigrantes, apesar do seu poder aquisitivo, ou melhor, precisamente por este, através da sua origem rural, “pobre”, “inculta”. Contudo, estes indivíduos não se sentem discriminados. Os licenciados emigrantes parecem pois ter uma maior percepção das divisões sociais e culturais entre residentes e melgacenses com percursos emigratórios, o que se revela de inclusivo face ao trabalho de A. Gonçalves (1996), uma vez que no seu estudo eram os “diplomados” residentes os mais críticos e que revelavam um maior afastamento social face aos emigrantes.


Em qualquer caso, apesar das percentagens não se revelarem deveras eloquentes, até porque o valor mais elevado não alcança um quarto dos emigrantes, a percepção de uma segregação espacial invoca a diferença sociocultural, na qual 44% dos emigrantes e 27% dos regressados dizem que os melgacences com percursos emigratórios não são considerados de cá. Embora os valores globais sejam maiores junto dos emigrantes, a questão é apenas significativa nos regressados. Deste modo, os valores elevam-se de 35% das mulheres regressadas para 43% das emigrantes e de 20% dos homens regressados para 46% de emigrantes. E, quando questionados acerca das razões pelas quais os residentes picavam os emigrantes, o motivo que remete para as diferenças culturais é considerada como muito importante por 26% de emigrantes e em 15% dos regressados, sendo que ele é significativo nas distribuição das idades dos regressados: X2(9, N = 151), = 21,044, p = .012165. Assim dispondo, são os sujeitos até aos 25 anos que mais consideram este motivo como fonte de conflito: 41%.
Em termos espaciais, o aumento súbito da população constitui-se também como um detonador do conflito agonístico, permitindo, pois, introduzir mais um factor, até porque os emigrantes regressam para tratarem dos seus interesses e ostentarem um estatuto social mais elevado. Os emigrantes, quando questionados acerca das razões para o picanço, atribuem relevância a esta questão, ou seja, ao facto de se perceberem como sendo a “maioria”166. No sentido de retratar o aumento da população no concelho de Melgaço, foram feitas fotografias na Praça da República167. No desertificado concelho de Melgaço, ao longo do ano, diz-se que: “não há ninguém, não se passa nada”. Chegados a meados de Julho, “suspira-se” pela vinda dos emigrantes e dos estudantes universitários. Vai-se dizendo: “eles estão a chegar, já há alguns”. O barómetro de um Verão será calculado consoante o número de emigrantes: “Este ano ‘tá bom”, ou “já não há tantos como dantes, dantes vinham três meses”. Em meados e finais de Julho, instala-se a “confusão”. E os não emigrantes ou os ex-emigrantes dizem: “Nunca mais se vão embora, já não tenho lugar para estacionar o carro168“, ou “ainda bem que vou de férias, no mês de Agosto”. Segundo as agências de viagens, em finais de Agosto, o número de autocarros, transportando emigrantes até França, aumenta exponencialmente. Então, verbaliza-se: “já se nota, já não há ninguém, já nada é como dantes, que ficavam para as festas da Peneda (local de peregrinação, pertencente ao concelho de Arcos de Valdevez) e de Paderne (freguesia de Melgaço)169. Em Setembro, os comerciantes, tendo feito o “mês de Agosto”, vão de férias, o ano escolar inicia-se. O melgacense retorna ao seu estado “natural”, o ciclo anual fecha-se, e diz-se de novo: “Já não há ninguém, não se passa nada”. Em termos espaciais, onde se revela com maior acutilância a diferenciação cultural entre emigrantes e residentes é na problemática da casa “afrancesada”, pois esta era ostentada aos residentes (C. Ribeiro, 1986a). Actualmente, a “separação” espacial revela a crescente desvinculação face ao espaço de partida e a consequente redução dos conflitos agonísticos.

8.2 A problemática da casa “afrancesada”


A casa poderá ser considerada como a: “. . . unidade social primária, isto é, o nível de identidade social com maiores implicações para a apropriação social do espaço e para a integração estrutural do indivíduo.” (Pina-Cabral, Feijó, Nunes, Coelho & Gonçalves, 1987, p. 153). A casa é entendida, deste modo, como um espaço privado que se projecta no espaço público, na paisagem, na representação social do ideal da mesma, não se limitando o ideal às características arquitectónicas, senão que também à actividade social quotidiana.
Em Melgaço, no âmbito do fenómeno emigratório, a casa representa um aspecto paradoxal, pois, para além do presumível regresso à terra natal, possui uma componente de apropriação cultural. A casa ocupa, portanto, um lugar simbólico do regresso, da ostentação do “sucesso” e da presumível mudança de estatuto social, pois, o emigrante poderá abandonar a vida camponesa e ingressar na “vida burguesa”. (P. Monteiro, 1985; Pina-Cabral, 1984), o que, em simultâneo, opera mudanças na paisagem, mas também na organização social subjacente à apropriação do espaço.
A apetência dos emigrantes pela construção de uma moradia, a aquisição de um apartamento na Vila de Melgaço ou em Vila Praia de Âncora (local de veraneio do concelho de Caminha) não é exclusiva dos emigrantes. Não podendo, pois, ser-lhes apontada como uma característica comportamental peculiar”: “For the portuguese, the house is the ideal means of situating himself in space.” (Alpalhão & Rosa, 1980, p. 100). Para os residentes a aquisição de casa própria é também considerada como um bem essencial170. Por seu turno, segundo Neto (1985), em França, o alojamento era tido como algo de vital, uma vez que a sua aquisição implicaria um progresso na qualidade de vida e na própria integração social. A melhoria das condições de alojamento efectivou-se através do reagrupamento familiar, até porque, no início, a emigração era efectuada por homens que viviam em condições de insalubridade171. Após os bidonvilles, os portugueses tendiam a comprar moradias antigas, reconstruindo-as172. Assim sendo, a aquisição de uma habitação é comum a emigrantes e a residentes. Aquilo que parece distinguir os emigrantes é a ostentação de traços arquitectónicos distintos, os quais são fruto da aculturação. Ou seja, em termos relacionais, será o comportamento de desagrado dos residentes perante a mobilidade social ascendente, a aculturação e a consequente mudança nas “qualidades tradicionais” arquitectónicas que fazem eclodir o conflito agonístico. No âmbito da economia simbólica (Bourdieu, 1992), na qual os indivíduos se posicionam face aos demais, segundo as respectivas disposições sociais, tanto pelo capital económico, como pelo cultural, resultando em escolhas e práticas sociais que os reposicionam socialmente, o interesse pelas casas rústicas de granito, em meados dos anos 90, por parte daqueles que detinham “bom gosto” poderá ser afigurada no registo do conflito agonístico, pois esta casa apela ao passado, opondo-se, pois, à casa “afrancesada” “típica” do emigrante.
A diferenciação entre residentes e emigrantes torna-se ainda mais complexa quando se constata que os residentes abastados também edificam casas opulentas173 – com traços arquitectónicos distintos dos ditos tradicionais – e não são “discriminados” por tal. Os residentes abastados possuem o estatuto social necessário à peculiaridade. Como Wateau (2000) refere, os “herdeiros”, os “instalados” não são alvo das atenções agonísticas, pelo contrário, os emigrantes mostravam, através da ostentação da casa, que lograram subir na vida, que eram capazes de se baterem e de ganharam o desafio, constituindo-se, pois, como um dos alvos preferenciais das relações agonísticas. Deste forma, para além do conflito social resultante da acumulação de capital económico, da sua ostentação através da edificação das casas “afrancesadas”, do aparente consumo excessivo, da reacção comportamental negativa por parte dos residentes mediante a inveja, o maldizer e do não reconhecimento do novo estatuto social dos emigrantes, o que está em jogo é a própria definição de cultura, da “tradição”174, ou seja, o sentido social atribuído à comunidade de pertença. Os residentes, ao evocarem a “tradição”, estarão a recolocar-se no tabuleiro das relações sociais de poder, não se assistindo, neste trabalho, contudo, à procura de qualidades intrínsecas ou universais, uma vez que a noção de “tradição” tenderá evitar a mudança social. Assim dispondo, optou-se por conferir um carácter descritivo à problemática.
Para além da reacção adversa perante a presumível ascensão económica dos melgacenses com experiências emigratórias e da luta simbólica assente nas qualidades “tradicionais”, a problemática da casa emerge através da mera actividade social, isto é, através da aculturação de traços arquitectónicos distintivos, os quais, para os residentes, cuja actividade social se manteve coesa, tal como sucedia no estudo de Elias e de Scotson (1994), constituía um desafio. No âmbito do conflito agonístico, em finais dos anos 80, tal como descreve A. Gonçalves (1996), de facto, a casa “afrancesada” estava no centro das percepções discriminantes dos residentes e, inclusivamente, dos próprios emigrantes175. A casa “afrancesada” era diabolizada em todas as discussões que envolvessem os emigrantes e a cultura portuguesa, ou seja, os “maus” emigrantes eram os culpados da deturpação cultural. No registo cultural português, a reacção adversa perante a casa “afrancesada” ainda não terminou176.
Figura 18: Motivos atribuídos para a construção da casa “afrancesada”

Neste estudo, pretendeu-se compreender qual a percepção dos sujeitos ao facto da casa “afrancesada” se encontrar no centro da diferenciação entre emigrantes e residentes. Das categorias de resposta presentes no questionário, a categoria porque gostam colheu a maior percentagem de respostas, na medida em que 49% dos regressados e 45% dos emigrantes a consideraram muito importante177. Este motivo era o mais afastado da problematização e o mais ingénuo, ao ponto de se constituir como uma fuga à problematização acerca da diferença sociocultural, até porque a opção de resposta com percentagem menos elevada é a que faz referência ao bom gosto, ou seja, às qualidades estéticas da casa “afrancesada”, sendo que apenas 18% de regressados a consideram muito importante178. Nos emigrantes 35% dizem ser muito importante o bom gosto, destes 58% são homens e 14% são mulheres: X2(3, N = 52) = 12,862, p = .005. Nos regressados os valores são menos elevados e a amostra não é significativa (p > .050)179, sendo de 18% de homens e igual valor de mulheres. São, portanto, os homens que apreciam o bom gosto das suas casas180. O predomínio dos homens é também notável na questão porque gostam, uma vez que de 50% de mulheres e 48% de homens regressados (p > .050) se passa para 33% de mulheres e 58% de homens emigrantes: X2(3, N = 51) = 15,966, p = .001181. É curioso verificar que, nesta categoria, o predomínio recai sobre os homens, até porque eles eram os promotores das casas. No entanto, são os emigrantes quem mais valorizam a questão, quiçá, porque comparam a casa “afrancesada” com as precárias construções anteriores, revelando que a questão estará a perder o seu carácter problemático, uma vez que o “bom gosto” se constituía como porta-estandarte dos residentes.


A opção para mostrarem que têm dinheiro, obteve 33% de respostas consideradas muito importantes, sendo que foi a segunda categoria mais tida em conta pelos regressados. Esta questão remete, simultaneamente, para os comportamentos agonísticos dos emigrantes para com os residentes e para a ascensão social dos primeiros. Nos emigrantes, o resultado não é tão expressivo, pois a percentagem é de 27%.
A seguinte opção remete também para os comportamentos agonísticos dos emigrantes face aos residentes, isto é, para dar nas vista, obteve nos regressados 30% e nos emigrantes 33%, revelando que estes últimos são mais críticos face a si mesmos, sendo, de resto, o terceiro motivo mais considerado nesta amostra.
Nos regressados, a opção que remete para a aquisição de conhecimentos através da socialização operada pelo trabalho, isto é, porque aprenderam a fazê-las, obteve 28% e é considerada mais relevante do que a opção para imitarem as casas do estrangeiro, a qual obteve 21% e remete, simultaneamente, para a aculturação, mas também para o comportamento agonístico, uma vez que este é apontado pelos residentes. Nos emigrantes, o motivo imitação obteve apenas 17% de sujeitos182. Nos emigrantes a questão que remete para a aprendizagem obteve 19%, ou seja, é menos elevada do que nos regressados. Em ambas as amostras são os homens que atribuem maior importância à aprendizagem: 32% dos regressados e 29% dos emigrantes face a 23% das regressadas e 11% das emigrantes183. Tendo em consideração que as percentagens são mais elevadas nos regressados, os quais antes de emigrarem eram agricultores e, durante o período emigratório, operários, afigura-se que a mudança de ocupações laborais e a diferente socialização secundária se reflectem na construção das casas “afrancesadas”. Porém, esta questão será reforçada com as seguintes questões, uma vez que eram os operários com menos escolaridade quem mais construíam por si próprios, até porque, como os informantes privilegiados dizem não existiam regras urbanísticas.
No âmbito do conflito agonístico que tem como base a casa “afrancesada”, tratou-se de questionar os informantes privilegiados, no sentido de recentrar a problemática, para além das potencialidades inerentes ao questionário. Para os três informantes privilegiados, os quais têm, no concelho de Melgaço, uma longa experiência profissional no âmbito da engenharia civil, as respostas divergem. O primeiro informante e o segundo dizem que os residentes desprezavam as casas “afrancesadas: ”. . . por, de certo modo, se sentiram agredidos com a introdução de algo desenquadrado do ambiente local.” (Informante número dois). O informante número três afirma que essa crítica era dirigida apenas pelos “intelectuais”, coincidindo com a tese de A. Gonçalves (1996): “O desprezo será mais dos pretensos intelectuais que não queriam aceitar a realidade histórica e as dificuldades económicas do país. Porque as pessoas simples, não emigrantes, por vezes, tentavam imitá-las”.
Em termos temporais, as diferenças de opinião acerca da problemática são constatadas mediante a mera comparação histórica. Ao longo dos derradeiros dois séculos, a questão das casas pertencentes aos emigrantes têm sido alvo de problemáticas, sendo que a mudança das características arquitectónicas parece relacionar-se com o sentido social atribuído à comunidade de pertença.
Na emigração “brasileira”, aqueles que detinham uma fortuna considerável, construíam também a sua casa “abrasileirada”. A melgacense San-Payo (2000) descreve as casas “brasileiras” de Melgaço, antecipando, o facto de, por vezes, os traços arquitectónicos se sobreporem: “Estavam ali duas épocas de construção: a parte antiga de granito e janelas pequenas, a parte nova em taipa caiada de branco e com janelas amplas . . . Copia-se o que se viu lá fora.” (San-Payo, 2000, p. 21). Na mesma obra, a escritora remete para a interfuncionalidade dos espaços, para o aspecto positivo da inovação e da melhoria das condições de vida. San-Payo (2000) interroga-se ainda acerca da nostalgia que as casas “afrancesadas” irão causar no futuro próximo. Em Melgaço, ainda existem alguns exemplos de casas “abrasileiradas”184, no entanto, a diferença, no impacto da paisagem arquitectónica entre as casas “abrasileiradas” e as “afrancesadas”, encontra-se no número de casas, pois as casas “abrasileiradas” são escassas (Villanova et al., 1995). Esta distinção não será alheia também à diferença numérica dos respectivos fluxos e à capacidade de mobilidade espacial do emigrante continental. Segundo Pina-Cabral (1989) e Villanova et al., (1995), a alteração dos traços “tradicionais” das casas rurais realizou-se nos anos 60, ou seja, é fruto da emigração para França. Em Melgaço, na freguesia montanhosa de Castro Laboreiro, de acordo com Domingues (2005), as características da emigração continental do pós-guerra e a aculturação laboral terão propiciado a presumível alteração do padrão arquitectónico “tradicional”, uma vez que o fluxo já não era sazonal, o que permitiu a aquisição de conhecimentos técnicos.
A actividade laboral dos emigrantes, os quais trabalharam na construção civil e que, portanto, terão aprendido a forma de construir “típica” da sociedade de acolhimento, terá favorecido a alteração dos traços arquitectónicos. No estudo de Villanova et al., (1995), na freguesia de Parada do Monte, em Melgaço, dos vinte indivíduos contactados, dezassete, antes de emigrarem, eram agricultores, passando dezanove a serem operários. Para além da aculturação operada no âmbito laboral, a construção das casas “afrancesadas” foi influenciada pela ausência de controlo camarário. A maioria dos inquiridos com experiências emigratórias afirma que a sua habitação foi construída por si próprio.
Figura 19: Construção das casas nos emigrantes e nos regressados

A maior expressão é junto dos regressados, pois 61% construíram a casa por si próprios face a 39% que recorram à mediação de especialistas. Uma vez que a amostra de emigrantes é mais jovem será, pois, natural que o número de sujeitos que recorrem a especialistas aumente: 49%. No entanto, o valor mais expressivo é ainda a construção de si próprio: 51%. Mas, qual será a ligação entre a construção e as profissões dos melgacenses com percursos emigratórios?


Quadro 2: Regressados na construção da casa



Intelectual



Serviços


Agricultor



Operário



Próprio

0%

47%

0%

71%

Engenheiro

100%

53%

100%

29%

Nos regressados, os operários destacam-se, de forma manifesta, na construção por si próprios mediante 71% destes indivíduos, sendo que dos sujeitos não qualificados são 72%. O recurso a especialista é apenas um pouco superior nos sujeitos que se dedicam aos serviços, pois 53% destes sujeitos recorreram a especialistas face a 47% que a construíram por si próprios. Se o cruzamento com as profissões não diferencia estatisticamente os sujeitos, o cruzamento com os graus de escolaridade diferencia-os e os maiores valores encontram-se entre aqueles que não estudaram com 81% e 66% com o ensino primário. E nos inquiridos com o ensino complementar – 71% – e licenciatura – 64% – acham-se as percentagens mais expressivas daqueles que recorrem a especialistas: X2(7, N = 142) = 14,802, p = .039. Ora, cruzando os graus de escolaridade com as profissões dos regressados, a distribuição é significativa: X2(56, N = 132) = 176,156, p = .000185. Assim dispondo, 75% dos indivíduos com o ensino primário são operários, assim como 52% dos que não estudaram. O que estabelece uma relação, ainda que indirecta, entre a construção da casa “afrancesada” e a aprendizagem facultada pela actividade laboral.


Quadro 3: Emigrantes na construção da casa



Intelectual



Serviços


Operário


Não qualificado




Próprio

67%

29%

67%

50%

Engenheiro

33%

71%

22%

50%

Nos emigrantes, o único grupo profissional onde a casa foi feita por especialistas é nos serviços, pois 71% destes sujeitos recorreram a especialistas, em detrimento de 29% que não recorreram à mediação de especialistas. No entanto, ainda predominam os operários: 67% destes indivíduos construíram por si próprios e apenas 22% através de especialistas. Inclusivamente, os “intelectuais” não recorrem a especialistas. Será que a habitação destes últimos foi feita pelos pais? Questionando os informantes privilegiados acerca desta questão, a socialização secundária parece ter influenciado a opção dos emigrantes, assim como a ausência de regras por parte do município. Para o primeiro informante, as casas dos emigrantes eram auto-projectos: “. . . que os emigrantes construíam e variavam consoante a região, onde trabalhavam. A maioria procurava o técnico para, simplesmente, dar cumprimento ao exigido pelos serviços camarários.” (Informante número um). O mesmo objectou o segundo informante: “. . . os emigrantes traziam uma ideia preconcebida da casa que queriam e não aceitavam opiniões diferentes”.


Questionados sobre a questão de quando terá sido regulada a construção das casas “afrancesadas”, é consensual que: “A partir da década de oitenta, as câmaras mais do interior passaram a contar com técnicos que foram dando pareceres, no sentido de exigirem um melhor enquadramento na arquitectura tradicional de cada região.” (Informante número um). Ainda segundo o informante número dois, o auge da construção das casas “afrancesadas” terá sido entre 1975-1985: “. . . parece-me ser o período de 1975-1985 que teve maior crescimento das referidas construções.” (Informante número dois), sendo que, a partir da década de 90, ter-se-á assistido a um incremento da regularização186. Assim sendo, a forma de apropriação do espaço de pertença pelos emigrantes não se terá operado apenas pela aculturação, tendo também a construção sido facilitada pelas condições político-administrativas encontradas no espaço de partida.
Um outro factor, pertencente ao espaço de partida, será o “espírito” de ajuda entre familiares e vizinhos (Domingues, 2005; Villanova et al., 1995). É curioso aferir que o mesmo sucedia no espaço de acolhimento, pois os emigrantes ajudavam-se na construção e na reconstrução das casas. Porém, no país de acolhimento, recorrem ao crédito, quando no espaço de partida “a casa” se constitui como o objectivo fundamental das poupanças do investimento laboral. Assim sendo, acabou-se de conferir resposta à terceira hipótese, isto é, será que a socialização secundária, nomeadamente, a operada através da mudança de ocupação laboral, conduziu à diferenciação sociocultural entre emigrantes e residentes? Apesar do número de emigrantes que responderam à categoria que fazia referência à aprendizagem não ter sido relevante face a outras categorias de resposta contidas na questão que remete para os motivos atribuídos para a construção da casa “afrancesada”, se nos detivermos, na forma como foram construídas, no grau de escolaridade dos seus promotores e nas ocupações laborais mantidas em França, nas respostas dos informantes privilegiados, na condição de carência de regulação do espaço de partida, assim como o “espírito” de entreajuda dos emigrantes, a questão ganha novos contornos.
A alteração de um espaço de vida rural para um industrial opera uma mudança na socialização. Mas, será que a aculturação operada na socialização secundária terá alterado os padrões “tradicionais”? A maioria dos regressados pensam que as casas dos emigrantes são distintas das “antigas”, isto é, 78%, em detrimento de 22% que infirmam a questão. Nos emigrantes, a percentagem de respostas afirmativas é de 66%, em detrimento de 34% que dizem não serem diferentes. Ainda nos emigrantes, nos sujeitos até aos 25 anos de idade, as respostas que infirmam a questão destacam-se com 62%, em detrimento de apenas 38% que dizem serem diferentes, perante 71% de sujeitos entre os 26 e os 50 anos que afirmam a questão: X2(2, N = 50) = 7,825, p = .020187. Assim sendo, a diminuição da percepção da diferença poderá dizer que a problemática poderá estar a esmorecer dos regressados para os emigrantes e destes para os mais jovens. Porém, para os informantes privilegiados, é consensual que a norma arquitectónica, actual, não é constituída pelos traços introduzidos pela casa dita “afrancesada”: “Os mirantes e as fortes inclinações da cobertura foram abandonadas pouco a pouco” (Informante número dois). “Está a passar de “moda”” (Informante número um), sobretudo, devido à intervenção de técnicos habilitados. Ainda para o informante número três a casa “afrancesada” permitiu a introdução de alguns métodos na construção, o que reforça a ideia da aculturação através da actividade laboral. A opinião acerca da não alteração dos traços ditos tradicionais é também partilhada por Pina-Cabral (1989) e Rocha-Trindade (Citado por A. Gonçalves, 1996).
De um ponto de vista descritivo, assim sendo, em primeiro lugar, cabe esboçar algumas das características da casa dita tradicional188. F. Castro (1985, [1934]) descreve da seguinte forma as casas rurais da zona do Barroso, a qual não difere em demasia da zona de montanha melgacense. As casas da aldeia do Barroso contrastavam com a casa de um emigrante “americano” de dois pisos, de telha vermelha e toda ela pintada de branco:
As casuchas possuíam dois pisos: em baixo, para vacas, suínos, cabras e ovelhas, em cima, para os homens, as mulheres e a filharada. Não se sabia onde acabava o curral e onde começava a habitação da gente . . . Só a lareira possuía vida; o resto dir-se-ia morto. Era em derredor dela que estavam a prateleira com as tigelas, os assentos, a mesa – e até a cama fora armada pertinho, para que, nas noites frígidas, os corpos amornassem mais. Além, fechava-se a salgadeira, ao canto, a sachola, a foice, o machado, da outra banda, o caixote onde proliferavam coelhos. Nas paredes, a ferramenta doméstica e os croços e as croças de palha, para quando fosse preciso sair e estivesse a chover. Tudo se mostrava negro, desde as tábuas em que se pisava às que serviam de forras e acamação ao colmado abrigador . . . traspassando o soalho, vinha o cheiro quente do curral, suas exalações amoniacais – tudo dominando, dia e noite, inverno e verão. (pp. 13 e 15).
Segundo os informantes privilegiados, a casa dita tradicional tem as seguintes características, as quais não se afastam da descrição do romancista, sendo que elas são descritas em contraposição com algumas das características da casa dita “afrancesada”, evidenciando, quiçá, que os traços arquitectónicos se sobrepõem. Para o informante número três, a casa “tradicional” é constituída por: rés-do-chão, no qual poderia existir adega, cortes ou alfaias. O primeiro andar era reservado à habitação. O acesso ao primeiro andar é feito pelo exterior, com escadas de granito (Informante número um), alpendres abertos virados para poente, sendo a cozinha a divisão dominante (Informante número três). A forma da casa é rectangular, com cobertura pouco inclinada de 10 a 20 graus (Informante número dois), cuja telha é de cerâmica (Informante número um), com caixilhos em madeira. Os materiais empregues são o granito e a madeira.
Por seu turno, quais serão as características da casa “afrancesada”? Os três informantes privilegiados concordam no facto dos telhados disporem de uma vertente demasiado inclinada189. Para o informante número dois, o que se alterou, de forma geral, foi a volumetria, pois as “tradicionais” eram: “. . . modestas e de reduzidas dimensões”. Para além dos volumes, o número de pisos também terá aumentado (Informante número três). Alteraram-se também os materiais usados, a madeira e a pedra dão lugar ao alumínio, aos estores em plástico, aos azulejos nas paredes, os quais mostram “cores e decoração pouco adequadas.” (Informante número um) e a estrutura é realizada através do tijolo e do cimento. No que diz respeito aos sujeitos com experiências emigratórias, foi possível agrupar as respostas em duas categorias: qualidade de construção e estética190.
Uma outra questão interessante é a de verificar o impacto da emigração na sociedade da partida, em termos socioeconómicos. Segundo Pina-Cabral (1989), a introdução da casa “afrancesada” não introduziu uma mudança radical, uma vez que a funcionalidade familiar e agrícola se mantém. O centro continua a ser a cozinha, quando nas casas “burguesas” é a sala-de-estar. A casa “afrancesada” continua, muitas vezes, ligada à economia rural. Constata-se, pois, que ambas as funcionalidades existem, não se podendo atribuir um predomínio a uma das funcionalidades. Como se teve oportunidade de constatar, a maioria dos emigrantes regressados é, hoje, reformada, conquanto que também se assiste a uma melhoria do nível académico e um aumento das pessoas afectadas aos serviços. No entanto, o recurso à agricultura de subsistência se mantém. Para os informantes privilegiados, ambas as posturas coexistem. Para o informante número três, a funcionalidade agrícola mantem-se, pois, o rés-do-chão é utilizado para actividades agrícolas: “. . . com o tempo e a adaptação acaba quase sempre por se aproximar daquela em que nasceram e cresceram.” (Informante número três). No pólo oposto, para o segundo informante, estabeleceu-se uma alteração, pois “Esta mudança deveu-se a alterações socioeconómicas na vida dos emigrantes.” (Informante número dois), “. . . o rés-do-chão passou a ser integrado na habitação propriamente dita e, às vezes, à mistura com dependências para actividades de pequeno comércio.” (Informante número dois). No que diz respeito ao estudo de terreno, esta derradeira questão ganha importância, pois, para o espaço de partida, o percurso emigratório poderá não ter resultado numa melhoria efectiva das condições sociais. Ter-se-á oportunidade de aferir que, apesar da melhoria do estatuto socioeconómico, em termos comunitários, tal melhoria detém menor visibilidade191. No entanto, cabe colocar uma limitação conceptual à presumível mudança de vida rural para a dita vida “aburguesada”, uma vez que o próprio espaço rural se alterou, tendo-se enriquecido, nomeadamente, devido à exploração e venda do vinho alvarinho, ou seja, poderão ser as classificações de vida rural e “burguesa” que não se encaixam na realidade social.
Concluindo, as respostas permitem estabelecer que o núcleo comportamental “casa” não se constitui como fonte de diferenciação sociocultural. Ter-se-á oportunidade de verificar que este núcleo de diferenciação cultural entre emigrantes e residentes apareceu considerada como a menos importante como fonte de picanço, sendo considerada somente como muito importante para 6% dos sujeitos regressados. Nos emigrantes, nos quais se verifica uma maior percepção agonística face aos residentes e a si próprios, a percentagem anterior eleva-se apenas para 9%. As questões que remetiam para comportamentos agonísticos são pouco valorizadas, nomeadamente, o dar nas vistas, a qual ganha relevância nos emigrantes e a imitação, ao contrário daquelas que remetem para o bom gosto ou porque são boas e, simplesmente, porque gostam. Os traços arquitectónicos “afrancesados” não são os predominantes, senão que, pelo contrário, se sobrepõem e a introdução de novas formas de construção e os novos materiais empregues tornaram-se predominantes, as quais se devem, de qualquer modo, também à evolução histórica portuguesa, embora, em Melgaço, os emigrantes se constituíam como os grandes impulsionadores da mudança, uma vez que graças à aprendizagem laboral e à relativa acumulação de capital modernizaram-se as habitações e o próprio espaço de partida.

9. O núcleo comportamental dos gastos ostensivos


Para as duas áreas comportamentais anteriores, procedeu-se de forma a diferenciar os comportamentos entre emigrantes e residentes, uma vez que estes poderão fundamentar as diferenças culturais, este será, pois, mais uma vez o procedimento. Em Portugal, até meados da década de oitenta, a poupança era intrínseca ao comportamento dos portugueses, ao ponto de se manifestar nas classes economicamente mais favorecidas (Gil, 2004; Pina-Cabral, 1989). Do ponto de vista das políticas económicas, a poupança era incentivada pelo Estado, nas décadas de 60 e 70 (Lopes, 1996).
A valorização da poupança, em detrimento do consumo, poderá ainda ser enquadrada no âmbito da cultura judaico-cristã, na qual o dinheiro aparece representado como algo vil. No âmbito judaico-cristão, o trabalho é afigurado como um sacrifício, sendo que a ostentação das posses é contrária à mesura do sacrifício. A sua acumulação e o consequente esbanjamento serão, portanto, ignóbeis192. No concelho de Melgaço, a contenção nos comportamentos económicos era própria dos residentes, sendo que um dos objectivos desta mesura seria o desafio agonístico para com os emigrantes (Wateau, 2000). O comportamento de poupança era, pois, característico da sociedade do Alto-Minho, assim como o comportamento dos gastos ostensivos, embora estivesse condicionado espacio/temporalmente, ou seja, ele confina-se aos meses de veraneio e a determinados espaços públicos. Quem não respeitasse estas regras sociais seria alvo da inveja e do maldizer, podendo os laços sociais serem suspensos ou mesmo anulados.
No registo relacional, os emigrantes rompem com a obrigatoriedade da reciprocidade simétrica, introduzindo o desafio nos residentes, uma vez que eles lograram destacar-se da vida camponesa (P. Monteiro, 1985). No âmbito da mobilidade económica ascendente, em termos de estatuto social, a imagem do emigrante esbanjador é socioeconomicamente distinta da imagem do residente abastado do Portugal rural, o qual não se tornara rico através da actividade laboral, mas que já teria nascido rico. Não será, portanto, o comportamento em si que determina o desvio, mas a relação estabelecida entre os diversos actores sociais, tal como sucede na problemática da casa. No conflito agonístico descrito por Wateau (2000), é feita a distinção entre os “herdeiros” (os quais representavam a autenticidade e a veracidade das tradições locais), isto é, aqueles que herdaram um estatuto social elevado e os “inovadores” (os quais eram considerados como os usurpadores das tradições locais), ou seja, aqueles que introduzem elementos agonísticos através do desafio comportamental, os quais, usualmente, eram emigrantes. Ora, uma vez que a origem social dos emigrantes era, usualmente, baixa, estes somente poderiam afanar-se do comportamento de poupança193. O emigrante, ao ostentar o capital económico, estaria a fazer gala do seu novo estatuto social, sendo que a recriminação dos residentes é vista como o não reconhecimento desse mesmo estatuto.
No registo da luta pelas disposições simbólicas, a ostentação do emigrante é semelhante à descrita por Sanchis (1983), a qual decorre nas romarias e nos arraiais. O mesmo ocorria em Melgaço, nos anos noventa. Segundo A. Gonçalves (1996), as romarias eram evitadas pelos diplomados. De acordo com Pina-Cabral (1989), nos casamentos encontrava-se a única excepção ao comportamento de mesura económica. Nos casamentos, as “casas ricas” deveriam ostentar a sua riqueza, caso contrário, o seu estatuto social estaria em causa.
Voltando à diferenciação entre residentes e emigrantes, para além da luta pelas posições e disposições sociais, o comportamento de ostentação poderá ser visto como uma ruptura cultural, uma vez que os emigrantes procediam de países onde a cultura dos gastos e do consumismo eram a norma. Mas, qual será a percepção para a associação entre os gastos ostensivos e a ascensão social?

Figura 20: Gastos excessivos e percepção da ascensão social


Os regressados consideram que os melgacenses com percursos emigratórios, quando regressavam de férias e gastavam muito dinheiro, eram percebidos pelos residentes como tendo subido na vida: 59% respondem que sim e somente 12% que não, sendo ainda que 28% dizem não saber. Nos emigrantes a resposta afirmativa eleva-se, pois, 74% respondem afirmativamente, em detrimento de 10% que infirmam a questão e 16% que dizem não saber. Em termos globais, poder-se-ia dizer que a percepção se tem dilatado junto dos emigrantes. Efectivamente, 80% das mulheres emigrantes e 67% dos homens relacionam os gastos ostensivos com a ascensão social (p > .050). Nos regressados também se encontram mais mulheres: 67% face a 53% de homens: X2(2, N = 155) = 8,421, p = .015. Ainda nos regressados, os sujeitos com menor escolaridade infirmam a questão: 19% daquelas que não estudaram e 17% dos sujeitos que têm o ensino primário X2(14, N = 155) = 24,050, p = .045. Na amostra de emigrantes sucede o mesmo: 13% com o ensino primário e 14% com o preparatório infirmam a questão e 100% dos que não estudaram, não se colhendo qualquer valor nos graus académicos posteriores: X2(12, N = 49) = 27,599, p = .006194. Aqueles que têm mais escolaridade, isto é, licenciatura percebem também os gastos ostensivos como uma forma de ascensão social: 65% nos regressados e 50% nos emigrantes, ou seja, emigrar é também sinónimo de ascensão social entre os licenciados. Mas, será que os melgacenses com percursos emigratórios ascenderam socialmente?
Figura 21: O nível económico nos regressados antes e no presente

Efectivamente, comparando o período anterior ao percurso emigratório e a sua situação económica actual, a percepção dos regressados dirige-se no sentido de uma melhoria no seu estatuto económico. Em termos dos géneros, nos regressados, antes de emigrarem195, havia um homem que se considerava muito rico, o qual tem entre os 26 e os 50 anos de idade e o terceiro ciclo de escolaridade. E uma mulher que se achava rica, a qual tem também entre os 26 e os 50 anos e é licenciada. Hoje, 3% acham-se ricos. Antes de emigrar, 10% consideravam-se muito pobres, sendo a distribuição de 9% de mulheres e 10% homens e são indivíduos com mais de 76 anos de idade e são 29% daqueles que não estudaram e 9% daqueles que têm o ensino primário. Os pobres eram, por seu turno, 37%, dos quais 47% eram homens e 25% mulheres, tendo 48% entre 51 e 75 anos e 50% o ensino primário. No entanto, actualmente, a percentagem diminui para 9%. Aqueles sujeitos que se percebiam como muito pobres também diminuíram para 1%. Mas, qual será a percepção dos actuais emigrantes, tendo em conta que estes são mais jovens?


Figura 22: O nível económico nos emigrantes antes e no presente


Nos emigrantes, quando inquiridos acerca do seu estatuto socioeconómico, os resultados são mais diversificados, uma vez que aqueles que responderam “remediados196 diminuem de 87% nos regressados para 76% nos emigrantes. Nos emigrantes, não se encontram indivíduos que se achassem muito pobres, antes de emigrarem. Aqueles que se consideravam pobres diminuíram de forma substancial: de 44% para 12%. Pelo contrário, a categoria daqueles que se consideram ricos aumenta de 2% para 10%, ou seja, a perspectiva da possibilidade de enriquecer poderá estar a aumentar. Concluindo, para regressados e para os emigrantes, os percursos emigratórios saldam-se pela percepção de uma melhoria das respectivas situações económicas, a qual se amplia nos emigrantes, ou seja, a perspectiva de emigrar e de enriquecer parece não ter esmorecido, o que poderá fomentar a reprodução do fluxo197. No entanto, esta questão ganhará novos contornos, comparando as ocupações mantidas antes, depois e quando eram – no caso dos regressados – emigrantes198.
Para os dois informantes privilegiados199 (ex-funcionários bancários), o percurso emigratório também terá propiciado uma mobilidade social ascendente e melhorado a qualidade de vida dos emigrantes, sobretudo graças às diferenças salariais, cambiais e às reformas auferidas. Para P. Monteiro (1985), a alteração da ocupação laboral dos emigrantes e a consequente acumulação de capital terá propiciado a alteração do estatuto social dos emigrantes – por exemplo, enviando os filhos para a escola – e, simultaneamente, a alteração dos padrões culturais na terra de partida. Em Portugal, recorrendo à história contemporânea, a partir de meados dos anos oitenta, a cultura da poupança dá lugar à do consumo: florescem os centros comerciais e os cartões de crédito estendem-se a uma parcela considerável da população. Uma vez que a mesura económica era a norma comportamental, até meados dos anos oitenta, o comportamento de ostentação dos emigrantes era afigurado não apenas como um jogo de redefinição das posições sociais, mas também como um comportamento desviante, uma vez que este contrariava a norma comportamental dos residentes e dos emigrantes. De acordo com A. Gonçalves (1996), a imagem pejorativa do emigrante esbanjador é comum a todos os grupos sociais estudados. O consumo ostensivo era percepcionado pelos residentes como incómodo, “barulhento”200, hostil ou meramente despropositado. E quais serão, então, as razões atribuídas pelos melgacenses com percursos emigratórios para o comportamento “barulhento”?
Figura 23: Razões atribuídas para os emigrantes fazerem “barulho”

Curiosamente, a maioria dos regressados considerou como muito importante as categorias de resposta alheias ao conflito, nomeadamente, o facto de estarem de férias com 56% e de reencontrarem a família com 61%. Ambos os motivos encontram diferenciações estatisticamente significativas no grau de escolaridade201, sendo que os valores mais elevados remetem para os sujeitos com menor frequência escolar, os licenciados são 25% no motivo férias e 35% no reencontro familiar, constituindo-se como os valores menos expressivos da distribuição. Nos emigrantes, as percentagens são muito semelhantes 49% para férias e 64% para o reencontro familiar, sendo que esta última percentagem é o valor mais elevado das duas amostras.


Os motivos comportamentais agonísticos apontados pelos residentes aos emigrantes: acham-se pessoas importantes e eram mal-educadas, obtiveram resultados pouco expressivos, em ambas as amostras, evidenciando que os melgacenses com experiências emigratórias não se atribuíam os comportamentos agonísticos imputados pelos residentes. A questão acham-se pessoas importantes detém 24% dos regressados e 22% dos emigrantes. A questão porque eram mal-educados obteve apenas 8% dos regressados e 6% dos emigrantes. Na razão que remete para a má educação, os valores elevam-se junto daqueles que têm maior escolaridade, em ambas as amostras, pois de 15% de licenciados regressados (p = .055) se passa para 29% dos licenciados emigrantes, embora 50% sejam não escolarizados: X2(18, N = 49) = 29,784, p = .040202. No motivo acham-se pessoas importantes, nos regressados o predomínio recai sobre os sujeitos com mais idade: 44% dos inquiridos com mais de 76 anos, (p = .058); pelo contrário, nos emigrantes, o domínio pertence aos sujeitos até aos 25 anos com 36%, em detrimento dos mais idosos, ou seja, daqueles sujeitos entre os 55 e os 75 anos, os quais obtêm 14%: X2(6, N = 49) = 13,915, p = .031203.
O motivo porque tinham mais dinheiro constitui-se como o terceiro elemento impulsionador do conflito agonístico, em ambos os grupos, obtendo 33% dos regressados e 30% dos emigrantes. Nos regressados os valores mais elevados encontram-se nos sujeitos com mais idade, pois daqueles que têm mais de 76 anos, 78% escolheram esta categoria, pelos contrário, daqueles que têm até aos 25 anos a distribuição é menos expressiva, colhendo apenas 19% de jovens: X2(9, N = 145) = 35,434, p = .003204.
A questão que se verte para uma presumível diferença cultural entre emigrantes e residentes, a qual estará na origem do “barulho”, nos regressados a percentagem é de 10%. Porém, nos emigrantes, a diferença cultural incrementa-se para 26%. São as mulheres quem mais consideram a cultura distinta como fonte de “barulho”, em ambos os grupos, aumentando o seu peso relativo nas emigrantes, pois de 13% das regressadas passa-se para 33% das emigrantes, embora nos emigrantes a distribuição não tenha significado estatístico (p > .050)205. No que diz respeito aos homens ocorre também um incremento de importância atribuída, pois de 7% dos regressados passa-se para 17% de emigrantes.
Por último, a opção de resposta que se prende com o aumento populacional, isto é, porque são a maioria, não é tida como importante para os regressados, obtendo apenas 13%, quando nos emigrantes a percentagem é de 33%, sendo a terceira mais valorizada nesta amostra. No registo das competências académicas, nos regressados, 29% dos sujeitos com o ensino preparatório e 23% que não estudaram, consideram esta categoria como muito importante, em detrimento de somente 5% dos licenciados: X2(21, N = 143) = 33,887, p = .037. Nos emigrantes, os licenciados ganham peso relativo, pois, passam a ser 43%, sendo o segundo valor mais destacado, após aqueles que não estudaram (p = .050)206.
Figura 24: Razões para o picanço

Quando questionados acerca das razões para o facto dos melgacenses “picaram” ou “cortavam na casaca” dos emigrantes, isto é, os motivos pelos quais os melgacenses com percursos emigratórios justificavam o conflito, as categorias de resposta porque tinham inveja e porque tinham menos dinheiro foram consideradas como muito importantes pela maioria dos sujeitos.


O factor inveja obtém 47% dos regressados, constituindo-se como o valor mais elevado das amostras. Nos emigrantes é de 29%207. Os sujeitos com menos escolaridade sobressaem, em ambas as amostras, sendo que a distribuição é significativa nos regressados: X2(21, N = 152) = 54,910, p = .000. Assim dispondo, dos sujeitos que não estudaram temos 61% e dos que têm o ensino primário são 57%; pelo contrário, dos licenciados somente 27% atribuíram muita importância a este motivo, constituindo-se como o menos elevado. São os sujeitos com mais idade que atribuem importância a esta categoria, embora os resultados não sejam significativos, mormente nos emigrantes (p = .056), pois a percentagem alcançada nos jovens até aos 25 anos é a menor: 14%. Nos regressados esse valor eleva-se para 35%: (p = .065)208. Ora, sendo a inveja uma das formas dos melgacenses atribuírem fundamento para os seus conflitos, é pois natural que os mais jovens emigrantes estejam afastados dessa percepção, uma vez que o seu espaço de vida e de socialização não é Melgaço.
O motivo porque tinham menos dinheiro colhe igual percentagem entre regressados e emigrantes: 35%. Nos regressados o valor mais elevado encontra-se nos sujeitos com ensino primário (47%) e naqueles que não estudaram (39%) –, cabe relembrar que, na categoria não estudaram, predominam as mulheres –, por seu turno, 23% dos licenciados consideram esta razão muito importante: X2(21, N = 152) = 44,166, p = .002209. Tendo em atenção as distribuições obtidas nos graus de escolaridade dos regressados serão, pois, os mais velhos a conferir importância a esta questão. É de realçar que os resultados globais são os segundos mais destacados, sendo que nos emigrantes ele é considerado o mais importante.
As razões relacionadas com as formas de ser dos residentes, as quais remetem para os comportamentos agonísticos hetero-atribuídos, isto é, não sabiam gozar as férias210 e eram ignorantes, obtiveram valores mais elevados nos emigrantes. Na questão porque são ignorantes, passa-se de 12% nos regressados para 16% nos emigrantes. No motivo não sabiam gozar as férias os resultados elevam-se de 11% obtidos nos regressados para 18% nos emigrantes.
O motivo porque eram barulhentos é um motivo auto-atribuido para o picanço, constituindo-se como a quarta resposta facultada pelos emigrantes com maior importância, após a diferenciação cultural, pois de 17% nos regressados passa-se para 22% nos emigrantes. Nos mais jovens emigrantes, esta categoria é a mais destacada com 43% dos inquiridos (p > .050)211.
A razão que remete para a problemática da língua, isto é, falam estrangeiro, obteve 17% nos regressados e 20% nos emigrantes. Nos regressados licenciados, a percentagem destaca-se, elevando-se até 41% desses sujeitos, ou seja, a problemática da língua não é apenas importante para os emigrantes, mas também para os regressados: X2(21, N = 151) = 37,442, p = . 015. Na amostra de emigrantes, a percentagem de licenciados que consideravam a questão muito importante é de 29%: (p > .050)212, ou seja, para estes a questão estará a perder importância agonística. Aquilo que se revela de inclusivo face a A. Gonçalves (1996) é que os licenciados com experiências emigratórias são também os mais críticos à problemática das diferenças comportamentais entre emigrantes e melgacenses.
No que diz respeito aos emigrantes, é curioso verificar que a terceira resposta com valores mais elevados é a percepção de uma diferenciação cultural: 15% nos regressados e 26% nos emigrantes, revelando a importância das diferenças culturais como motivo do conflito agonístico. Contudo, esta percepção já estava presente junto dos regressados mais jovens com 41%, constituindo-se como a distribuição mais expressiva na distribuição da idade: X2(9, N = 151) = 21,044, p = .012213.
A problemática da casa foi desvalorizada como fonte de picanço, pois apenas obteve 9% dos emigrantes e 6% dos regressados. Nos regressados, os resultados são estatisticamente significativos, isto é, X2(21, N = 145) = 38,893, p = .010, e é muito importante junto daqueles que têm menor escolaridade, ou seja, 10% dos sujeitos que não estudaram e 6% daqueles que têm o ensino primário e o terceiro ciclo, pois dos licenciados 50% consideram a questão nada importante, constituindo-se com a segunda maior expressão nesta opção de resposta, após 54% dos inquiridos com o ensino preparatório, sendo que nenhum dos licenciados considerou a questão como muito importante, ou seja, a problemática parece estar a esmorecer. Efectivamente, cruzando a questão com as profissões dos emigrantes, a problemática é importante para 33% dos não qualificados, 29% de operários, 30% dos serviços e 33% dos intelectuais, contudo são as opções de resposta que remetem para a pouca ou nenhuma importância que predominam, inclusivamente nos operários com 40%: X2(24, N = 42) = 37,517, p = .039214.
Remetendo para a hipótese correspondente, nas razões para o conflito agonístico, isto é, para o picanço, destacam-se a inveja nos regressados, até porque para estes o espaço de vida é, agora, Melgaço. O factor monetário é, por sua vez, relevante nos emigrantes, reafirmando que este é um factor de conflito. No entanto, é mais relevante para os regressados e para os sujeitos com mais idade e menos escolaridade. Os comportamentos agonísticos dirigidos aos residentes são percepcionados com maior intensidade junto dos emigrantes, no que diz respeito a não sabiam gozar as férias e eram ignorantes. Contudo, os valores dos comportamentos agonísticos auto-atribuídos são ainda mais intensos junto dos emigrantes, até porque são eles próprios que mais se consideram “barulhentos”. Os emigrantes têm ainda em maior consideração as diferenças culturais entre ambos os grupos. A problemática língua é também mais destacada junto dos emigrantes, tal como também já se teve ensejo de verificar, sendo ainda que esta problemática, no seio dos melgacenses com percursos emigratórios, aparece mais destacada do que a problemática casa. No entanto, esta obtém também maior valor junto dos emigrantes. Em jeito de conclusão, os comportamentos agonísticos hetero e auto-atribuídos tendem a incrementar-se junto dos emigrantes, das mulheres, dos mais jovens e daqueles que têm maior escolaridade. Contudo, em ambas as amostras, as razões são alheias ao conflito, uma vez que serão a inveja e o maldizer os impulsionadores e não o comportamento de ambos os grupos.
Como se teve oportunidade de verificar, a hipótese de se constatar a existência ou não de uma ascensão socioeconómica mantem-se, até porque ela é percebida como propulsora das tensões agonísticas. No registo das mudanças operadas pela introdução da cultura do consumo, foi analisada a mudança ocupacional e a possível ascensão em termos escolares e académicos, sendo que aquilo que se altera profundamente são os hábitos de consumo (Cepeda, 1991; M. Silva et al., 1984; Ramalho, 2003). Conquanto, a inegável melhoria das condições de vida, a percepção de uma mobilidade social ascendente por parte dos emigrantes é contraditória com as ocupações profissionais mantidas no espaço de acolhimento, a mobilidade social parece remeter-se para a horizontal e para a intergeracional, sendo, no entanto, esta última ainda insuficiente215, uma vez que, como se verá, as percepções se ajustam às expectativas de ostentação e à percepção do que será considerado uma mobilidade social ascendente num meio economicamente desfavorecido216.
Assim dispondo, no campo da psicologia comunitária, qual será o resultado da presumível ascensão económica dos melgacenses com percursos emigratórios? A emigração relaciona-se com as expectativas de enriquecimento célere. No regresso todos os emigrantes deveriam ostentar a riqueza, ao fim e ao cabo, eles emigraram para enriquecer (C. Ribeiro 1986a; Wateau, 2000). Em “Emigrantes” (F. Castro, 1982, [1928]), o herói Manuel das Bouças, regressa a Portugal muito pobre, porém, nos primeiros dias, tenta ostentar a sua riqueza enganadora. Para Rocha-Trindade (1986), a ostentação, desde a emigração dos “brasileiros”, era um comportamento voluntário dos emigrantes. Um regresso empobrecido seria sinónimo de fracasso e de vergonha. Do artigo de Rocha-Trindade (1986), aquilo que se realça é o aspecto voluntário, ou seja, intencional da ostentação, assim como a expectativa do gasto desmesurado. Ora, Rocha-Trindade (1986) refere-se à emigração “brasileira”, na qual a capacidade de mobilidade espacial era muito menor – como também a alteração do espaço de vida –, assim como o número de emigrantes, pois os emigrantes “franceses” ocupam literalmente a vila. A ostentação económica favorece também a ostentação de traços culturais distintivos217, os quais, evidentemente, eram cobiçados pelos residentes. A ostentação seria, pois, a realização das expectativas de riqueza. Em certos discursos, a ostentação aparece também como um comportamento de demonstração de mobilidade económica ascendente218. De qualquer modo, a expectativa do gasto desmesurado mais não faz do que fomentar a reprodução do fluxo emigratório, uma vez que emigrar, no imaginário comunitário, implica a melhoria das condições de vida e a ascensão social. Um dos informantes privilegiados ex-funcionário bancário classificou os emigrantes em dois grupos distintos. Em primeiro lugar, aquele emigrante que, tendo ganho dinheiro, logrou atingir os seus objectivos mínimos. E um segundo emigrante que tinha necessidade de esbanjar, uma vez que não tinha logrado atingir esses objectivos mínimos e que: “. . . acabava as férias mais cedo, com a desculpa que tinha de regressar para renovar os papéis.” Posição semelhante é tida por Rocha-Trindade, no que diz respeito aos emigrantes retornados do Brasil219. Mas, como se manifesta a fraca mobilidade social dos emigrantes, no espaço de partida?
A poupança efectuada nos países de acolhimento enquadra-se nos ganhos marginais que o trabalho assalariado permitia (P. Monteiro, 1985), quando comparados com os ganhos realizados na agricultura local. A expectativa de brevidade da emigração portuguesa, a qual foi contextualizada a partir de ambos os espaços de vida220, terá fomentado a poupança dos melgacenses com percursos emigratórios.

Figura 25: Percentagem poupada nos regressados e nos emigrantes


Dos regressados 43% poupavam metade do salário auferido, 21% menos de metade, 15% dos sujeitos poupavam mais de metade e 20% um quarto. No entanto, nos emigrantes, 38% dos sujeitos poupam um quarto, 24% menos de metade e metade e 13% mais de metade. As rupturas na poupança, comparando as amostras, verificam-se na opção metade, a qual desce, e na um quarto, sendo que esta se eleva, ou seja, o comportamento de poupança tende a diminuir entre os emigrantes, o que afectará a relação mantida entre ambos os espaços, favorecendo o espaço de acolhimento, em detrimento de Melgaço. Nos regressados, em termos dos graus de escolaridade, verifica-se que aqueles que menos poupavam, na opções mais de metade, eram os licenciados com 9%, sendo que aqueles que menos gastavam eram os sujeitos com o ensino primário com 22% e aqueles que não estudaram com 16%: X2(18, N = 136) = 41,141, p = .001. Porém, inclusivamente constata-se uma diminuição da poupança entre os já regressados. Efectivamente, os indivíduos até aos 25 anos poupavam apenas 8%, ao contrário dos indivíduos entre os 51 e os 75, nos quais 19% poupavam mais de metade, ou os indivíduos com mais de 76 anos, dos quais 22% poupavam mais de metade: X2(9, N = 135) = 32,002, p = .000. Actualmente, nos emigrantes, são as mulheres quem menos poupam: de entre elas 50% poupam um quarto face a 26% de homens: X2(3, N = 45) = 9,089, p = .028. No registo das profissões, verifica-se que são os operários que poupam mais de metade –, 33% destes –, sendo que 11% poupam um quarto; por seu turno, os intelectuais, na sua totalidade, poupam apenas um quarto, assim como 33% dos indivíduos que trabalham nos serviços: X2(24, N = 42) = 40,848, p = .017221.
Estes resultados são semelhantes aos percepcionados pelos informantes privilegiados, o que representa uma mudança estrutural na relação estabelecida entre ambos os espaços. Um dos informantes privilegiados, quando questionado acerca desta questão, divide-a em três períodos distintos. O primeiro decorre do final da II Guerra Mundial até 1969, na qual afirma que a poupança terá atingido mais de metade do salário auferido. O segundo período decorre entre 1970 e 1990 e a poupança seria de metade a um quarto. A diminuição ficará a dever-se à melhoria das condições de vida e ao reagrupamento familiar. Por fim, após 1990, a poupança diminui ainda mais. Uma questão inerente à poupança é o investimento no país de acolhimento.
Figura 26: “Investimento” das poupanças no país de acolhimento

No âmbito da relação mantida entre ambos os espaços, a maioria dos regressados não aplicava as suas poupanças no país de acolhimento – cerca de 80%, revelando uma vinculação face ao espaço de partida. Porém, tal como se verificou através dos informantes privilegiados, a partir de finais de 1990, os emigrantes acabam por aplicar as suas poupanças nos países de acolhimento. Os resultados obtidos nos emigrantes, confirmam este facto, pois, 52% dos emigrantes responderam afirmativamente, quando nos regressados a percentagem era somente de 20%. Nos regressados assiste-se a um aumento do investimento à medida que as qualificações aumentam, sendo muito baixa nos indivíduos que não estudaram (7%) e com o ensino primário (11%), aumentando para 44% dos sujeitos com o terceiro ciclo, 22% com o ensino complementar e 20% dos licenciados: X2(7, N = 149) = 23,180, p = .002. Na distribuição de géneros predominam as mulheres emigrantes a investir: elas são 67% face a 38% de homens: X2(1, N = 48) = 4,090, p = .043222.


Nas escassas respostas obtidas, quando se pretendia saber onde o capital era “investido”, a maioria dos emigrantes responde na habitação. Em conversas informais com os solicitadores, os quais servem de mediadores dos interesses dos emigrantes, verifica-se que o interesse, actual, destes é desinvestir na terra natal. O cuidado dos terrenos, montes e habitações realiza-se no intuito de “investir” na terra de acolhimento223.
No espaço de partida, os melgacenses com percursos emigratórios “investiam” as suas poupanças na habitação: 71% para os regressados e 78% para os emigrantes. A aquisição de um automóvel surge em segundo grau de importância atribuída nos emigrantes, nos regressados o automóvel é a terceira escolha. A segunda é a educação, no entanto, a percentagem alcançada, isto é, 36% é menor do que nos emigrantes, pois esta é de 44%. A opção férias e lazer obtém 38% dos sujeitos, sendo, pois, maior nos emigrantes do que nos regressados, nos quais é de 24%. Nos regressados e nos emigrantes apenas 14% das respostas incidem sobre a constituição de um negócio224. No registo da relação estabelecida entre ambos os espaços estes últimos valores são deveras preocupantes.
Concluindo, no que diz respeito ao núcleo comportamental configurado pelos gastos ostensivos, tendo em atenção a introdução de Portugal na sociedade de consumo, nas derradeiras décadas do século XX, a melhoria do poder de compra dos melgacenses, a diferença sociocultural entre ambos os grupos sociais tem diminuído, o que não significa que o comportamento de ostentação não se mantenha, mas antes que, hoje, ele não parece ser exclusivo dos emigrantes, senão que é transversal a todas os grupos sociais225. Assim sendo, a ostentação não constituirá uma diferença sociocultural entre ambos os grupos. No entanto, as diferenças económicas entre ambos os países, a expectativa generalizada do emigrante dever ostentar, poderá fazer com que o emigrante ainda mostre comportamentos de ostentação. Colocando de parte o passado e tentando analisar a presente situação, a ostentação favoreceu e favorece a reprodução do fluxo emigratório. A ostentação também parece inversa ao investimento necessário na educação226 e nos sectores produtivos, o que iria propiciar uma mobilidade social ascendente em ambos os espaços. A mobilidade social do emigrante parece repousar ainda, predominantemente, na vertente económica, sendo a mobilidade intergeracional ainda escassa. Os efeitos da emigração parecem começar a ser assimétricos para a comunidade de pertença, uma vez que os vínculos tendem a enfraquecer-se, resultando na não poupança e no desinvestimento na terra natal.

10. Discussão


No estudo empírico, feita a observação e a análise dos resultados, a questão da diferenciação cultural entre os melgacenses com percursos emigratórios e os residentes perdeu interesse prospectivo, em detrimento dos efeitos da emigração continental no espaço de partida. Aquilo que se revelou importante foi a transversabilidade do conflito agonístico, na medida em que o conflito atravessa todos os grupos sociais, isto é, o conflito agonístico é partilhado por melgacenses com experiências emigratórias e por aqueles que a não detêm, até porque a maioria dos melgacenses possuem emigrantes no seio das suas famílias. Na diferenciação cultural entre os grupos considerados, a relação cultural estabelecida entre os espaços de partida e de acolhimento é a transculturalidade, na medida em que a contacto intercultural produz modificações em duas ou mais culturas, diferenciando-se o resultado, ou seja, a relação estabelecida com o espaço de acolhimento é assimétrica.
A ambiguidade dos emigrantes portugueses decorre da ligação entre as condições facultadas nas sociedades de acolhimento, de partida e da relação entre ambas. O reagrupamento familiar forjou o “mito do retorno”, sem que, no espaço de acolhimento, se tivesse realizado a assimilação dos imigrantes e sem que, no espaço de partida, se efectuasse o regresso227definitivo. Se o “mito do retorno” poderia explicar-se pelo apego à terra natal, também este dependeu de condições objectivas, como, por exemplo, da necessidade das remessas228 enviadas pelos emigrantes, sendo que, de qualquer modo, a permanência no espaço de acolhimento propicia o aumento dos traços culturais ambivalentes.
A adesão de Portugal à outrora designada Comunidade Económica Europeia retirou uma parte do dramatismo da emigração portuguesa, a qual abandona o contorno de problema nacional. Opera-se uma mudança de discurso, conferindo-lhe uma imagem positiva229. Os emigrantes foram, então, designados de portugueses não residentes, passando a designar-se de comunidades espalhadas pelo mundo, ao que se designava de “diáspora”. Actualmente, ressalta-se a vertente intercultural e multicultural, no seio da União Europeia, olvidando que também existem contendas culturais, tal como a cultura é entendida neste estudo. As diferenças socioculturais, entre a dicotomia da “saudade”, o receio de assimilação ou o ideal multicultural, fazem emergir, no espaço de partida, tensões agonísticas. E, efectivamente, os melgacenses com percursos emigratórios percepcionam a existência de uma separação cultural face aos residentes, sendo que são as mulheres, os mais jovens, os licenciados e os actuais emigrantes quem mais percepcionam esta separação cultural. São também estes sujeitos que se percepcionam como fonte de conflito auto e hetero-atribuído. No entanto, os factores detonadores da tensão agonística serão a inveja, o maldizer e as diferenças económicas subjacentes.
O núcleo comportamental onde a diferenciação cultural se revelou com menor intensidade foi a problemática da casa “afrancesada”, sendo que a separação ou a segregação espacial entre ambos os grupos foi colocada de lado, uma vez que não existem espaços naturais que dividam os emigrantes dos residentes. Em Melgaço, não se assiste a uma separação física das comunidades. Nas conversas informais, o comportamento agonístico dos emigrantes aflora de forma recorrente, mesmo quando alguns dos indivíduos são emigrantes. Os emigrantes, nestas conversas, dividem-se em “bons” e “maus” emigrantes, tendo em conta as diferenças comportamentais, a língua e os abusos da ostentação, o que revela o carácter estruturante, paradoxal e transversal das tensões agonísticas. De qualquer modo, a separação sociocultural coloca em destaque a crescente desvinculação dos emigrantes face a Melgaço. Por fim, do ponto de vista temporal, os emigrantes regressados, sobretudo os homens remetem essas questões para o passado e não para o presente. A aculturação dos emigrantes foi, de início, profissional e material, o que se revela na construção das casas “afrancesadas”, mas também na ostentação económica. Assim sendo, na “questão da casa” foi a actividade laboral que propiciou a construção das casas ditas “afrancesadas”. No registo das condições do espaço de partida, a falta de regras camarárias facilitou a mudança dos traços arquitectónicos. Outro factor, ainda pertencente ao espaço de partida, será a entreajuda dos emigrantes, até porque as suas casas foram construídas por si próprios. A problemática da casa “afrancesada” tende, actualmente, a esmorecer, não se constituindo como fonte de diferenciação cultural e, em consequência, de conflito agonístico.
No que diz respeito ao núcleo comportamental composto pela ostentação económica, actualmente, a questão não passa tanto pela exibição económica, até porque Portugal é, hoje, também uma sociedade consumista, diminuindo, pois, as diferenças socioculturais que conferem conteúdo à diferenciação cultural. Porém, ela persiste, por exemplo, mediante a ostentação do automóvel. Porém, nos modos de estar, de ser, de vestir, as diferenças não são tão notáveis230. Contudo, as diferenças económicas – e não a ostentação – entre emigrantes e residentes são apontadas ainda como fomentadoras das tensões agonísticas, até porque elas fomentam a inveja. No âmbito socioeconómico, os emigrantes percepcionam-se como tendo ascendido socialmente. Contudo, no que diz respeito aos comportamentos agonísticos dos emigrantes face aos residentes, os valores mais elevados foram encontrados em questões eminentemente relacionais, pois, as respostas maioritariamente incidem sobre os factos de estarem de férias e de reencontrarem a família. Pelo contrário, a percepção da melhoria das condições económicas são atribuídas como constituindo a causa para o picanço e não o “barulho” feito pelos emigrantes.
Ao comparar a questão da percepção de mobilidade social ascendente com as ocupações laborais, a percepção de mobilidade social ascendente dos emigrantes perde força. A mobilidade social dos emigrantes, na sociedade de acolhimento, é, usualmente, horizontal e não vertical. Na sociedade de partida, a maioria dos emigrantes regressados são reformados e a mobilidade intergeracional, apesar de existir, é ainda escassa. Nos emigrantes, os operários e os não qualificados ainda predominam. Até que ponto esta realidade revelará a segmentação do mercado de trabalho? A segmentação do mercado de trabalho é verbalizada pelos próprios emigrantes, quando afirmam, por exemplo: “Nunca vi um judeu a trabalhar na construção civil.” “Os italianos quando a Itália entrou na CEE, foram todos embora, os que estavam eram velhos, já casados, com a família e tal; ficaram. “Eu, nunca vi um chinês a trabalhar, lá, no prédio, na França231. “Os árabes só sabem fazer filhos, trabalhar não é com eles”. A resposta a esta questão viria da necessária análise da sociedade de acolhimento, contudo, tal desígnio, aqui, não é objecto.
Ora, a percepção de mobilidade social ascendente dos emigrantes regressados alicerça-se em dados objectivos, mas também em dados subjectivos. Uma vez que Melgaço é um meio económico desfavorecido, é natural que apenas baste uma pequena acumulação de capital económico para que essa percepção comparativa aflore. A pretensão de emigrar, como se teve oportunidade de constatar, era apenas de acumular algum capital económico que permitisse construir uma casa e garantir uma relativa melhoria na qualidade de vida. No registo da relação entre ambos os espaços, mais do que a aculturação, aqui, revela-se a transculturação. Até porque o espaço de acolhimento começa a ser percepcionado como espaço de pertença, o que se releva nas questões da quantidade da poupança realizada e de onde ela é aplicada.
Em Melgaço, a problemática da transculturação adensa-se: os ganhos económicos da emigração foram diminutos, feitos à escala rural de uma localidade desertificada, em termos humanos e físicos. Apesar dos recentes investimentos resultantes da integração na União Europeia, a reprodução do fluxo emigratório parece permanecer, ainda que, evidentemente, atenuada, até porque a diminuta população melgacense, fruto dos fenómenos migratórios e da diminuição da natalidade, não o permite. Emigrar, como já atempadamente se afirmou, é considerado, em Melgaço, algo de não problematizado e, até, de inevitável, dadas as diferenças económicas entre os países. A actividade de emigrar ainda é percepcionada como uma forma de ascender socialmente, o que em termos das expectativas fomenta a reprodução do fluxo emigratório.
No âmbito internacional, a partir de meados da década de 70, era consensual que os fluxos emigratórios se revelaram desvantajosos para os países de partida. Usualmente, os ganhos obtidos pelos países emissores são medidos através das remessas e da melhoria do capital humano. No que diz respeito a este último, será inegável que a emigração facilitou a elevação do nível académico na segunda geração de emigrantes. Contudo, não se assistiu a um ganho técnico/profissional dos emigrantes, o qual poderia propiciar a alteração e a melhoria das actividades produtivas no concelho, dado que os emigrantes regressam em idade activa, ou seja, a relativa melhoria das habilitações académicas não alterou o tecido produtivo.
No âmbito dos ganhos obtidos através das remessas, aqueles que possuem maior capital económico dirigem-se, aquando do regresso, para as capitais dos distritos vizinhos, como sucedeu em Melgaço, com os “famosos” empreiteiros castrejos de Braga. Em Melgaço, os investimentos realizados pelos emigrantes são diminutos (o regresso efectua-se quando o emigrante alcança a reforma e o investimento num negócio não é considerado prioritário), traduzindo-se em pequenos empreendimentos na hotelaria ou no pequeno comércio. O desenvolvimento vinícola, em Melgaço, foi impulsionado pelos fundos da União Europeia, sendo que, no entanto, alguns emigrantes investiram os seus recursos económicos no sector vinícola. Neste mesmo ramo, um emigrante brasileiro acabou mesmo por construir a primeira adega no concelho, constituindo-se como a excepção.
No núcleo comportamental composto pela língua, de novo, mais do que a aculturação, aquilo que se realça de importância, em Melgaço, é a transculturação. Os melgacenses com percursos emigratórios percepcionam-se como portadores de uma ambivalência cultural, sobretudo os emigrantes, os mais jovens, as mulheres e aqueles com maiores habitações académicas, sendo que, no entanto, esta ambivalência não é percepcionado como sendo a fonte da tensão agonística entre os dois grupos. De acordo com os melgacenses com experiências emigratórias, o recurso à língua estrangeira acontece porque estão habituados e não para se exibirem ou “mostrarem” uma diferenciação cultural. Portanto, no que diz respeito às tensões agonísticas, os emigrantes têm consciência dessas tensões. No entanto, elas devem-se, de acordo com as suas respostas, à inveja dos residentes ou ao comportamento agonístico preconizados por estes, uma vez que os emigrantes “são gozados” ao falarem português. Dos três núcleos que pretendiam abordar a tensão agonística, a língua não obteve resultados expressivos, sendo, no entanto, considerada mais relevante do que a questão da casa. Na percepção dos melgacenses com experiências emigratórias, serão as diferenças económicas a fomentar o conflito e sobretudo uma sua consequência, ou seja, a inveja. É a inveja dos residentes e não o comportamento dos dois grupos que estará na origem do conflito. No núcleo linguístico, também se mostra a transculturação, nomeadamente, através da introdução de estrangeirismos e de expressões linguísticas, mas também porque, nos emigrantes, a percentagem de portugueses que falam a língua de acolhimento em casa e no estrangeiro eleva-se, revelando um crescente afastamento da sociedade de partida. Porém, o que poderia parecer paradoxal, assiste-se a uma revalorização da língua materna pelos mais jovens e por aqueles que dispõe de maior escolaridade, fazendo com que a ambiguidade cultural se incremente. Em Melgaço, em 2007, o conflito descrito por A. Gonçalves não é tão acutilante. Ele tem-se tornado algo de “normal”. E o que ainda é mais penoso, apesar da desatenção cultural que os emigrantes demonstram pela língua portuguesa. Actualmente, os novos fenómenos emigratórios fomentam as trocas linguísticas, o aumento das competências linguísticas e a interpenetração cultural. Contudo, o que se encontra em causa, no concelho de Melgaço, é o uso excessivo de uma língua estrangeira, uma vez que o recurso à língua francesa revela uma crescente desvinculação face a Melgaço.
Em Melgaço, a actividade de emigrar é considerada como algo de “normal” e ainda uma forma de mobilidade social ascendente. Resta, no entanto, sem cair em profecias, colocar uma questão que abre caminho para futuras investigações. Será que a diminuição dos comportamentos agonísticos se deve à crescente desvinculação dos mengacenses emigrantes, a qual parece, paradoxalmente, provir do esbatimento das diferenças comportamentais, mas que ganha ímpeto no uso da língua estrangeira, ou seja, na ambiguidade cultural? Cabe evidenciar algumas limitações metodológicas: na formulação das questões do questionário, pois ou não se encontravam no lugar mais correcto ou provocaram o efeito de desejabilidade social232, as restrições amostrais, as restrições temporais atribuídas a cada uma das técnicas empregues, ao não desenvolvimento de teorias alternativas, as quais são necessárias para optimizar o desempenho dos estudos de caso (Yin, 1994), ao escasso envolvimento dos melgacenses e ao carácter controverso e paradoxal da problemática, ao próprio resultado final, pois a dissertação não se verteu para a psicologia da saúde, mas mais para o registo comunitário. Segundo Yin (1994), a validade do constructo nos estudos caso é atribuída pelos resultados convergentes nas diversas técnicas usadas, necessitando ainda da leitura crítica dos pares e dos melgacenses, caberá, pois, a estes últimos a avaliação deste trabalho.

11. Referências bibliográficas


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Joaquim Filipe Peres de Castro

Os efeitos do vaivém da emigração continental:

Um estudo de caso em Melgaço

Vol. II

Universidade Fernando Pessoa



Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

Porto, 2008


Índice de anexos


1. Trabalho e saúde mental……………………………………………………… 1

1.1 Referências bibliográficas……………................................................ 6

2. Guião de entrevista semi-estruturada…………………………………………. 8

2.1 Pedido de confidencialidade…………………………………. 10

3. Entrevistas exploratórias de guião de entrevista semi-estruturada……………. 11

Entrevista número 1………………………………………………………….. 11

Entrevista número 2…………………………………………………………. 13

Entrevista número 3…………………………………………………………. 15

Entrevista número 4………………………………………………………….. 17

Entrevista número 5………………………………………………………….. 19

Entrevista número 6…………………………………………………………. 21

Entrevista número 7………………………………………………………….. 23

Entrevista número 8………………………………………………………….. 25

Entrevista número 9………………………………………………………….. 27

Entrevista número 10………………………………………………………… 30

Entrevista número 11………………………………………………………… 32

Entrevista número 12………………………………………………………… 34

Entrevista número 13………………………………………………………… 38

Entrevista número 14………………………………………………………… 40

Entrevista número 15………………………………………………………… 43

Entrevista número 16………………………………………………………… 44

Entrevista número 17………………………………………………………… 45

Entrevista número 18………………………………………………………… 47

4. Pedido de autorização para investigação……………………………….. ……. 49

5. Questionário…………………………………………………………………… 50

6. Questionários dirigidos aos informantes privilegiados……………………….. 57

6. 1 Questionário dirigido às agências de viagens…………………………… 57

6. 2 Questionário dirigido às escolas…………………………………………. 58

6. 3 Questionário dirigido aos correios…………………………………….... . 60

6. 4 Questionário dirigido aos fotógrafos…………………………………...... 61

6. 5 Questionário dirigido ao conservador……………………………………. 62

6. 6 Questionário dirigido às farmácias………………………………………. 64

6. 7 Questionário dirigido aos médicos………………………………………. 65

6. 8 Questionário dirigido aos professores…………….................................... 66

6. 9 Questionário dirigido aos engenheiros civis……………………………... 67

6. 10 Questionário dirigido aos ex-funcionários bancários………………….. 69

6. 11 Questionário dirigido aos advogados…………………………………… 70

6. 12 Questionário dirigido às agências funerárias…………………………… 72

6.13 Questionário dirigido ao comércio………………………………. …….. 73

7. Ilustrações

7.1 Casa dita tradicional, perspectiva frontal.……………………………….. 74

7.2 Casa dita tradicional, perspectiva lateral……………………….. ………. 74

7.3 Casa “afrancesada” com telhado de forte inclinação……………………...75

7.4 Casa “afrancesada” com telhado de forte inclinação………………. …… 75

7.5 Casa “afrancesada” com fortes inclinações e grande volumetria………… 75

7.6 Casa “abrasileirada”, no Largo da Calçada, em perspectiva lateral……… 76

7.7 Casa “abrasileirada”, no Largo da Calçada, em perspectiva frontal…….. 76

7.8 Casa “abrasileirada”, no Largo da Calçada, em perspectiva lateral…….. 76

7.9 Casa “abrasileirada”, em Galvão, freguesia da Vila, perspectiva lateral… 77

7.10 Casa “abrasileirada”, em Galvão, freguesia da Vila, perspectiva frontal..77

7.11 Casa “abrasileirada”, em Galvão, freguesia da Vila, perspectiva lateral..77

7.12 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 78

7.13 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 78

7.14 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 78

7.15 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 79

7.16 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 79

7.17 Casa “opulenta” com traços arquitectónicos distintivos………………… 79

7.18 Sexta-feira, dia de mercado, em meados do mês de Julho……………… 80





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