Joaquim Filipe Peres de Castro



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X2(21, N = 152) = 54,910, p ,000

Quadro 99: Idades dos regressados para “inveja”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

0-25

14

21

21

43

26-50

33

20

30

17

51-75

43

57

0

0

(p = ,065)

Quadro 100: Idades dos emigrantes para “inveja”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

0-25

35

29

24

12

26-50

33

31

24

12

51-75

54

27

13

6

76-100

72

28

0

0

(p > .050)

Quadro 101: Escolaridade dos emigrantes para “menos dinheiro”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

Não estudou

39

42

16

3

Primário

47

28

17

8

Preparatório

33

60

7

0

Terceiro ciclo

17

50

28

6

Complementar

22

56

11

11

Licenciatura

23

14

41

23

X2(21, N = 152) = 44,166, p = ,002

Quadro 102: Idades dos emigrantes para “barulho”







Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

0-25

43

29

14

14

26-50

17

37

27

20

51-75

0

43

29

29

(p > .050)

Quadro 103: Escolaridade dos regressados na “língua”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

Não estudou

0

55

29

16

Primário

13

58

19

9

Preparatório

21

36

29

14

Terceiro ciclo

28

56

6

11

Complementar

11

33

56

0

Licenciatura

41

23

27

9

X2(21, N = 151) = 37,442, p =, 015

Quadro 104: Escolaridade dos emigrantes na “língua”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

Não estudou

50

50

0

0

Primário

25

50

25

0

Preparatório

14

36

43

7

Terceiro ciclo

8

42

25

25

Ensino complementar

29

57

0

14

Licenciatura

29

57

14

0

(p > .050)

Quadro 105: Idades dos regressados “porque são diferentes”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

0-25

41

18

29

12

26-50

14

34

22

30

51-75

5

29

39

27

76-100

22

17

28

33

X2(9, N = 151) = 21,044, p = ,012

Quadro 106: Escolaridade dos regressados na “casa”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

Não estudou

10

17

43

30

Primário

6

37

37

21

Preparatório

0

23

23

54

Terceiro ciclo

6

17

33

44

Complementar

0

50

38

13

Licenciatura

0

35

15

50

X 2(21, N = 145) = 38,893, p = .010

Quadro 107: Profissões dos emigrantes na “casa”






Muito importante

Importante

Pouco Importante

Nada importante

Intelectuais

0

33

33

33

Serviços

0

30

30

40

Operários

0

29

29

41

Oper. e máquinas

100

0

0

0

Não qualificados

0

33

67

0

Donas de casas

0

100

0

0

Desempregado

0

0

0

100

Reformados

0

0

50

50

X2(24, N = 42) = 37,517, p = ,039

Quadro 108: Escolaridade dos regressados na “poupança”






Um quarto

Menos de metade

Metade

Mais de metade

Não estudou

3

16

65

16

Primário

15

17

46

22

Preparatório

20

47

27

7

Terceiro ciclo

38

13

38

13

Complementar

75

25

0

0

Licenciatura

27

36

27

9

X2(18, N = 136) = 41,141, p = ,001

Quadro 109: Idades dos regressados na “poupança”






Um quarto

Menos de metade

Metade

Mais de metade

0-25

17

17

58

8

26-50

41

35

16

8

51-75

13

21

47

19

76-100

6

0

72

22

X2(9, N = 135) = 32,002, p = ,000

Quadro 110: Géneros dos emigrantes na “poupança”






Um quarto

Menos de metade

Metade

Mais de metade

Feminino

50

32

18

0

Masculino

26

17

30

26

X2(3, N = 45) = 9,089, p = ,028

Quadro 111: Profissões dos emigrantes na “poupança”






Um quarto

Menos de metade

Metade

Mais de metade

Intelectuais

100

0

0

0

Serviços

33

44

22

0

Operários

11

28

28

33

Oper.máquinas

0

0

100

0

Não qualificados

0

0

100

0

Donas de casas

0

100

0

0

Reformados

0

50

50

0

X2(24, N = 42) = 40,848, p = ,017
Quadro 112: Escolaridade dos regressados e “investimento” em “França”




Sim

Não

Não estudou

7

94

Primário

11

89

Preparatório

44

56

Terceiro ciclo

44

56

Complementar

22

78

Licenciatura

20

80

X2(7, N =149) = 23,180, p = ,002

Quadro 113: Géneros dos emigrantes e “investimento” em “França”






Sim

Não

Feminino

67

33

Masculino

38

63

X2(1, N = 48) = 4,090, p = ,043

1


 Designa-se de filogénese ao: “Conjunto dos processos de evolução dos seres vivos, desde os mais elementares aos mais complexos.” (Campau, 2001, p. 339).


2


 A este propósito, Amaral (2004) faculta uma perspectiva interessante das migrações na antiguidade pré-clássica e a sua influência em Portugal.


3


 Para Jackson (1991), as migrações têm um carácter eminentemente social, uma vez que implicam a alteração dos relacionamentos sociais, facultando uma luta de status social.


4


 Os residentes constituem-se como os habitantes de Melgaço que não emigraram, em contraposição com os melgacenses que tiveram experiência emigratória.


5


 S. Silva (2002) define conflito social quando dois: “. . . actores (indivíduos ou colectivos) têm um objectivo e interesses mutuamente desejáveis, mas impossíveis de alcançar para ambos.” (p. 75).


6


 A aculturação significa: “. . . o convívio de um indivíduo ou de um grupo com um sistema cultural diverso do seu sistema de origem, o que vai implicar a modificação do seu modelo cultural de base.” (A. Cabral, 2002a, pp. 12-13).


7


 O comportamento agonístico engloba: “. . . todas as condutas que intervêm em situações de rivalidade entre os indivíduos ou grupos de uma mesma espécie que abrange os comportamentos de ameaça e de ataque, mas também os comportamentos de evitamento e de fuga . . ., distinto da agressividade para abranger o conjunto de situações de rivalidade.” (Ruwet, 2001, p. 38).


8


 Segundo Noison e Thummuelle (Citados por Maia, 2003), a emigração implica uma mudança no relacionamento com o meio envolvente a nível físico e social. O termo espaço de vida foi introduzido na psicologia, em 1951, por Kurt Lewin, sendo fruto da teoria do campo (Askevis-Leherpeux, 2001).


9


 Picar significa molestar, irritar, perseguir (Almeida & Sampaio e Melo, 1989).


10


 Segundo A. Gonçalves (2004), de 866 melgacenses com mais de 60 anos, 38% foram emigrantes, sendo que 84% dos emigrantes eram homens.


11


 A identidade social é, aqui, entendida como uma atribuição de sentido social à comunidade de pertença. (Berger & Luckmann, 2004).


12


 O termo diáspora designa o êxodo judeu, portanto remete para povos sem pátria (M. Rodrigues, 1963-1995), o que parece desusado para o caso da emigração portuguesa.


13


 “A reflexibilidade social significa que temos de pensar, constantemente, sobre as circunstâncias em que vivemos as nossas vidas.” (Giddens, 2004, p. 34). Segundo Dortier (2006b), implica uma constante interacção entre pensamento e acção.


14


 Historicidade é: “. . . o conjunto dos meios pelos quais uma sociedade, em vez de simplesmente se reproduzir, produzir a sua própria existência e o seu sentido.” (Touraine, 1996, p. 98).


15


 Segundo Habermas (1984), na sociedade moderna, a esfera da opinião pública tem-se reduzido de modo gradual através da introdução dos meios de comunicação de massa que transmitem interesses privados. De Habermas ainda nos interessa a importância da actividade laboral na socialização.


16


 O fenómeno esclavagista persistiu na Europa através do direito romano. Com a abertura portuguesa da rota da África Ocidental, o fluxo para a Europa acentuou-se. Posteriormente, o fluxo fez-se para o continente americano (Klein, 2002). O fenómeno ainda persiste.


17


 No período de tempo abarcado por H. Rodrigues (1991), a emigração melgacense para o Brasil é pouco expressiva, quando comparada com outros concelhos do Alto-Minho. Os melgacenses tinham a peculiaridade de, para além de emigraram para o Rio do Janeiro, também emigrarem para o Pará, ao contrário dos habitantes dos concelhos vizinhos, os quais emigravam para o Rio do Janeiro.


18


 Diz F. Castro acerca da imagem do Brasil no Norte do distrito de Aveiro, em princípios do século XX: “Palavra mágica, o Brasil exercia ali um perene sortilégio e só a sua evocação era motivo de visões esplendorosas, de opulências deslumbradas e vidas liberadas. Sujeitos ao ganha-pão diário, sofrendo existência mesquinha, os lugarejos sonhavam redimir-se, desde as veigas em flor ao dorso das serranias, pelo oiro conquistado no país distante. Aquela ideia residia dentro do peito de cada homem e era gorgulho implacável até nos sentimentos dos mais agarrados ao terrulho. Vinha já dos bisavôs, de mais longe ainda; coisa que se herdava e legava, arrastando-se pela vida fora como peso inquietante.” (1982, [1928], p. 32).


19


 “. . . Não há dúvida que uma pessoa que viesse, portanto, sem ter sucesso . . . Mas, não era bem vista. Diziam: “ah, este tipo emigrou e ainda vem pior do que foi”. Era quase posto de parte . . .” (Ver, em anexo, entrevista número 9, na página 27).


20


 A fragmentação dos terrenos (A. Gonçalves, 1996) e o sistema de heranças (Pina-Cabral, 1989) também influenciaram o fluxo. P. Monteiro (1985), referindo-se à serra da Louçã, afirma que a florestação também terá fomentando a emigração, pois impediu a exploração agro-pecuária. Este factor é também apontado por Domingues (2005), para a zona montanhosa de Melgaço.


21


 As mulheres acumulavam os encargos do trabalho agrícola e o cuidado da família (Wall, 1982).


22


 Na emigração intercontinental não nos devemos olvidar da importância da América do Norte.


23


 O estudo das redes sociais inicia-se, em meados dos anos 50, pelo antropólogo britânico John Barnes, numa aldeia de pescadores da Noruega (Llovera, 2003). A este propósito, em Melgaço, a emigração continental iniciou-se nas primeiras décadas do século XX (Domingues, 2005; A. Gonçalves, 1996). Para C. Ribeiro (1986a), os melgacenses terão sido, inclusivamente, os primeiros a emigrar.


24


 Melgaço é uma terra raiana e, assim sendo, o fluxo também se dirige para os concelhos fronteiriços da vizinha Galiza, dadas as actuais diferenças socioeconómicas entre ambos os espaços.


25


 O que nos afasta das migrações compulsivas, por exemplo, da expulsão dos judeus portugueses ou das migrações causadas pelos conflitos bélicos e pelas catástrofes naturais. O estudo das situações de exílio é abordado pelo casal de psicanalistas Grinberg e Grinberg (1998, 2004).


26


 O relato de Jenkins (1979), acerca de uma aldeia remota na serra do Monchique, é o exemplo da modernização efectuada em meados do século XX. A construção de uma simples estrada propiciou a abertura da aldeia algarvia ao mundo exterior, alterando por completo a organização social, nomeadamente, através dos processos migratórios. Pina-Cabral (1989) inclui ainda outros factores, para além da emigração: “. . . a penetração crescente na sociedade local das estruturas do Estado, do sector capitalista na economia e dos meios de comunicação de massa . . .” (p. 186).


27


 “. . . Longe de ser um jogo de soma nula, a migração pode torna-se algo que traz benefícios para todos.” (Annan, 2006, p. 7).


28


 Segundo Ramos (1997), os intelectuais portugueses do século XIX já consideravam a emigração e os próprios descobrimentos marítimos negativos para os desígnios da Nação. Martins (1956, [1887]), relacionava a questão da emigração com o fomento agrário do Alentejo, ou seja, o fomento deste último, dependeria e era prejudicado pelo primeiro. De acordo com Brettell (1991), a relação entre emigração e desenvolvimento económico aparece em Duarte de Macedo nos seus “Discursos sobre a Introdução das Artes no Reino”. Duarte de Macedo viveu entre 1618 e 1680: “. . . deixou-nos escritos de índole variada: genealogias, poéticos, políticos, económicos . . .” (Montemor, 1998, p. 651).


29


 Desde a realização das entrevistas, constatou-se que para os melgacenses com experiência emigratória, existiam “bons” e “maus” emigrantes, revelando que a problemática atravessa toda a sociedade melgacense, isto é, que é transversal, e, simultaneamente, paradoxal, uma vez que os melgacenses com experiências emigratórias têm também uma visão crítica sobre eles próprios. A mesma percepção teve A. Gonçalves (1996).


30


 Até porque alguns “fugiram” à defesa do império colonial.


31


 No registo teórico este trabalho situa-se no âmbito da psicologia sociocultural de Bruner, a qual no leste europeu é designada de psicologia sociohistórica, tendo ambas, no entanto, a sua origem na obra de Vigotski.


32


 Freitas (1990) alertava para o escasso contacto das associações e das comunidades portuguesas nos Estados Unidos da América, quer entre elas, quer com o Estado português.


33


 Ver, em anexo, entrevista número 14, na página 40.


34


 Castelão (1810-1877) foi um dos mais proeminentes nacionalistas galegos (X. Fernandes, 1991).


35


 De acordo com Portes (2006), o termo transnacionalização foi introduzido, em 1916, por R. S. Bourne.


36


 “E aquelas que tentam passar despercebidas, os que tentam mergulhar e nadar na cultura portuguesa. Eu, por exemplo . . . mesmo, se, às vezes, me custe um pouco, porque não falo bem o português. E não gosto que uma pessoa me trate de francesa, quando estou em Portugal. Sou francesa, na França, e portuguesa em Portugal. Mas, enfim, entendo muito bem que possa haver inveja, ciúmes, por, eu, ter duas culturas. O mínimo, é tentar falar a língua do país onde se encontra, saber respeitar a cultura dos outros é uma grande qualidade”. (Ver, em anexo, entrevista número 17, na página 45).


37


 “A nomeada que nós tínhamos, que éramos: os avec´s, era avec p’ra cá, avec p’ra lá. Avec a casa, avec a roupa, avec a música. . .”. (Ver, em anexo, entrevista número 11, na página 32).


38


 O termo pós-modernidade advém do trabalho de Daniel Bell, o qual em 1973 publica “Vers la soiété postindustrielle” (Dortier, 2006a). Mais tarde, o termo foi adoptado por Lyotard, ganhando relevo nos Estados Unidos da América, a partir dos anos 80. Para Lyotard, em termos de postura cultural: “. . . Já não se trata de valorizar uma cultura . . . em relação a uma outra, mas de elogiar os méritos da mestiçagem, do multiculturalismo e da diferença.” (Lyotard, 2006, p. 560).


39


 O termo é usado por Durkheim, em 1893: “. . . para designar a ausência de normas sociais susceptíveis de gerar reacções patológicas (suícidio) ou sociopátas.” (Selosse, 2001b, p. 66). A anomia, resulta da divisão do trabalho, na qual a solidariedade mecânica dá lugar à orgânica. De forma genérica, designa o enfraquecimento dos mecanismos de integração social (Rabot, 2002).


40


 Em Eça de Queirós (1972, [1901]), na obra “As cidades e as serras”, o ambiente urbano é descrito como fútil e: “. . . todas as faces reproduzem a mesma indiferença ou inquietação, as ideias têm todas o mesmo valor.” (p. 160). Em inícios do século vinte, para Ortega y Gasset (1989), também seriam as massas a propiciarem uma mudança perigosa para a humanidade. Segundo Mela (1999), a cidade é utilizada, como pano de fundo, para abordar a sociedade emergente. Mais próximo de nós, para Giddens (Citado por Maia, 2003), pelo contrário, o ambiente urbano é afigurado como o pólo relacional por excelência.


41


 O mesmo fenómeno sucedeu nas aldeias do Barroso, na década de 60 (M. Ribeiro, 1997).


42


 O multiculturalismo pressupõe o mútuo reconhecimento das características pelas quais os grupos ou os indivíduos se definem (Castles, 2005; Taylor, et al., 1998).


43


 A assimilação é, aqui, entendida como: “Integração de uma pessoa num etnogrupo diferente do seu ou/e integração de um colectivo minoritário noutro grupo social maioritário em relação ao seu grupo de origem.” (A. Cabral, 2002b, p. 30).


44


 Segundo Rocha-Trindade (1998b), a interculturalidade: “. . . Tende a assumir um carácter utópico, despojando-se de todos os aspectos conflituais.” (p. 12). A interculturalidade pressupõe a partilha de um território, o respeito pelas minorias e a interacção ou o convívio entre as diferentes comunidades.


45


 Pinela é uma povoação próxima de Bragança.


46


 Por vezes, não se pode encaixar a complexidade da realidade social na exiguidade dos conceitos (Bourdieu et al., 2004).


47


 O fenómeno poderá e, na verdade, deverá ocorrer em outros concelhos portugueses.


48


 Torna-se importante assinalar que a ambiguidade apontada pela autora ocorre em França e não em Melgaço.


49


 Por seu turno, o pano de fundo da obra de Wateau (2000) é o conflito que emerge na partilha da água de rega.


50


 De acordo com M. C. Silva (2002): “. . . os teóricos fundadores do interaccionismo simbólico consideram a (auto) consciência reflexiva (self) como um processo resultante das interacções entre o “I” (o eu individual, idiossincrático e expressivo) e o Me (o eu social, ou melhor, a informação dos outros ou do Generalized Other de mim). E é neste processo de interacção que estas atribuem significados às suas acções e criam ou, como referem Berger e Luckmann (1976), (re) constroem a própria sociedade.” (pp. 380-381). O presente estudo, aproxima-se, pois, de Weber, em detrimento de Durkheim, na medida em que para este os actos sociais são externos à actividade e à compreensão da mesma pelos indivíduos (Campbell, 1981).


51


 “Nenhuma conduta é desviante em si mesma, é o significado que lhe atribuímos, em função de critérios normativos individuais e sociais, que lhe confere este carácter.” (Selosse, 2001a, p. 233).


52


 Caso a norma fosse somente definida pela sua vertente imperativa e não pela mera actividade social, não se assistiria à mudança, mas antes a uma cristalização perene do sociocultural.


53


 “Entende-se por reprodução social o processo mediante o qual uma sociedade, através de diversos mecanismos, reproduz a sua própria estrutura.” (Brandão, 2002, pp. 323-324). Para Fowler (1997), a reprodução social é uma reprodução de classe social.


54


 E o seu cruzamento com o capital económico não seria tarefa fácil, pois, os sujeitos, quando se classificam em termos económicos, tendem para a categoria “remediados.”


55


 Para o antropólogo Pina-Cabral (1989), o comportamento agonístico é “típico” do Alto-Minho.


56


 A questão da partilha da água de rega, por vezes, era um pretexto para que os emigrantes cuidassem dos seus interesses, nomeadamente, da posse das terras. Os “herdeiros” presumivelmente detinham um livro, no qual a repartição da água era garantida há várias gerações. Por vezes, a “tradição” legítima as diferenças sociais (Ferrarotti, 1986).


57


 Nas relações intergrupais, Sherif (Citado por M. Monteiro, 1993; Neto, 2003) mostrou que os grupos têm tendência para a categorização, de tal modo que se cria uma diferenciação entre um “nós” e um “eles”.


58


 Segundo Rapport (1998), em antropologia o maldizer é utilizado como chave para estudar os fenómenos sociais, desde a ênfase atribuída por Malinowski.


59


 Torna-se necessário, neste ponto, estabelecer a ressalva que os emigrantes não são alheios ao concelho de Melgaço, senão que, pelo contrário, a ele pertencem, em oposição “aos de fora” da obra citada.


60


 Em Melgaço, os emigrantes serão agentes de inovação, mas também de preservação das tradições culturais, por exemplo, no que diz respeito às festividades religiosas.


61


 A imagem negativa da figura do emigrante encontrava-se, pois, espalhada pela sociedade melgacense, sendo que o conflito é partilhado por residentes e melgacenses com experiência emigratória. No que se refere a este último grupo, a imagem negativa assume uma forma paradoxal, uma vez que a imagem pejorativa recai sobre eles mesmos, mas revela que o conflito é transversal à sociedade melgacense.


62


 Na análise antropológica de Wateau (2000), somente o núcleo familiar permanece fixo, em termos relacionais. As amizades são rotativas, ou seja, hoje um indivíduo poderá ser “amigo”, mas amanhã poderá ser alvo do desafio agonístico, passando a ser um antagonista potencial.


63


 No âmbito da psicologia, para Jouvent (2001), a inveja é: “ . . . uma necessidade de apropriação do objecto ideal ou das suas qualidades, ao mesmo tempo que uma intenção de o destruir, para suprimir a pressão que ele exerce . . . (p. 442). No Alto-Minho, a inveja aparece ainda associada ao sobrenatural.


64


 A este respeito torna-se necessário ler os relatórios e balanços de contas do Grémio da Lavoura de Melgaço (1960) e os números sequentes, nos quais a carência de mecanização, a falta de assistência técnica, o clima e a emigração são as causas atribuídas para um cenário desolador da agricultura.


65


 A este propósito veja-se a colectânea de A. M. Cabral e Pires (1985).


66


 É curioso notar que as pessoas consideram a cultura como algo de externo à actividade quotidiana (Bock, 2003; Rogoff, 2005).


67


 Segundo Bourdieu et al. (2004), por vezes, existe a tentação de “adivinhar” o futuro.


68


 No registo da psicologia social, Lewin (1975) explicitou a complexidade dos fenómenos psicossociais.


69


 Mais do que um método, o estudo de caso é uma estratégia que utiliza múltiplas fontes, para abordar fenómenos contemporâneos, no contexto da “vida real”, sendo que o seu principal objectivo é o de explicar as ligações causais em contexto real, ou seja, focaliza-se na explicação da problemática (Robson, 2002; Yin, 1994).


70


 “. . . themes and hypotheses may be important, but they remain subordinate to the understanding of the case . . . Its best use appears to me to be for adding to existing experience and humanistic understanding. . .” (Stake, 2000, p. 24).


71


 Ver, em anexo, na página 8. A entrevista revelou-se excessivamente vertida para a componente político-administrativa da problemática da emigração, quiçá, porque terá sido influenciada pela obra “Emigração e contrabando” (Castro & Marques, 2003). Este facto constitui-se como uma limitação do estudo, uma vez que se deveria ter abordado com maior intensidade a diferenciação cultural.


72


 A qualidade do Dvd é dúbia, uma vez que foi efectuada, em espaços e tempos distintos, sem que os intervenientes se apercebessem. Posteriormente, foi levada a cabo a respectiva “colagem” do material; Das três horas de gravação restaram somente 30 minutos. O uso do vídeo em ciências sociais iniciou-se com a escola de Palo-Alto, na década de 50 (Heath, 1993). O vídeo permite visualizar a interacção, os discursos e ainda o comportamento corporal dos intervenientes.


73


 A idade, o sexo do entrevistador, assim como o facto do investigador pertencer ao concelho onde o trabalho de campo decorreu têm, tal como aponta Foddy (1996), um papel importantíssimo, o que, em alguns casos, se revela positivo e em outros, pelo contrário, negativo.


74


 Ver, em anexo, na página 10.


75


 Excepto a entrevista número 16, na página 44, a qual foi transcrita à medida que o sujeito falava.


76


 O inquérito por questionário estrutura-se da mesma forma.


77


 A comparação efectuada com os resultados de A. Gonçalves é indirecta, até porque na análise estatística é utilizada a análise de contingência e não a prova de qui-quadrado: prova de independência. O coeficiente de contingência é uma medida de associação calculada a partir do qui-quadrado (Gilles, 1994). É utilizado na análise de variáveis nominais. O valor máximo do coeficiente de contingência depende do número de linhas e de colunas do quadrado.


78


 As entrevistas não são apenas úteis para construir o questionário, senão que também para corroborar os resultados daquele e para atribuir sentido ao estudo de caso (Yin, 1994).


79


 Ver, em anexo, na página 50.


80


 Neste primeiro mês, levaram-se a cabo as aplicações exploratórias.


81


 Este capítulo foi colocado em anexo, na página número 1, dadas as restrições no número de páginas.


82


 Ver questionário, em anexo, na página 67.


83


 Se porventura lhe fosse atribuído um determinado conteúdo, abandonaria o seu carácter interdependente e em permanente mudança, passando a descrever-se de uma forma substancialista e determinista. Aquilo que prima é a própria actividade e a atribuição de sentido é arbitrária.


84


 No tratamento dos dados através de Statistical Package for the Social Sciences, versão 12.0 for Windows (SPSS), foi realizada um primeiro output, quando a amostra de regressados se encontrava com 105 sujeitos. E uma outra composta por 134 sujeitos. A comparação entre os dois não demonstrou variações relativas com significado, sucedendo o mesmo com a amostra final de 163 sujeitos.


85


 O tipo de indivíduos que frequentam estes espaços poderá explicitar a percentagem alcançada nos licenciados emigrantes, isto é, 14 por cento.


86


 “Um teste estatístico não-paramétrico é baseado em um modelo que especifica somente condições muito gerais e nenhuma a respeito da forma específica da distribuição da qual a amostra foi extraída.” (Siegel & Castellan, 2006, p. 53).


87


 O Qui-quadrado permite averiguar se duas variáveis qualitativas, isto é, escalas nominais e ordinais, estão relacionadas, comparando as categorias das variáveis (Hill & Hill, 2002).


88


 Ver questionário, em anexo, na página 62.


89


 No estudo de Rocha-Trindade, Baptista, Mendes e Teodoro (1988), o distrito de Viana do Castelo tinha uma percentagem de 20,2% de população escolar relacionada com a emigração, sendo esta a maior percentagem do país. Melgaço, neste estudo, aparece com valor indeterminado.


90


 Nos estudos de M. Silva et al. (1984), de Cepeda (1991) e na emigração oitocentista, de acordo com Alves (1994), o regresso faz-se também em plena idade activa.


91


 Nos emigrantes as diferenças na distribuição dos géneros não são estatisticamente significativas (p > .050). As distribuições correspondem aos quadros 1 e 2, os quais estão, em anexo, na página 85.


92


 Segundo o INE (2001), a percentagem de licenciados, em 2001, em Portugal era de cerca de 12%, ou seja, as percentagens encontradas são superiores, no entanto, este valor parece dever-se à constituição das amostras, uma vez que estas são intencionais ou por conveniência. O grau de bacharel e o ensino técnico profissional não foram incluídos na figura, pois os seus resultados são demasiado escassos; o mesmo procedimento foi aplicado para os quadros de distribuição em anexo.


93


 Somente três sujeitos em cada uma das amostras revelaram terem qualificações técnico-profissionais.


94


 Ver, em anexo, as entrevistas 6 e 8, respectivamente, nas páginas 21 e 25.


95


 “I dominate a sense of basic trust, which I think is an attitude toward oneself and world deriving from the experiences of first year of life” (Erikson, 1994, p. 57).


96


 “A aldeia era terra sem futuro e os exemplos dos que enriqueceram no Brasil mostravam-se mais numerosos do que barbas sem pego onde se deita dinamite.” (F. Castro, 1982, [1928], p. 31).


97


 As distribuições dos géneros e das idades dos regressados correspondem aos quadros 3, 4 e 5 e estão, em anexo, na página 85.


98


 Os quadros das distribuições dos graus de escolaridade 6, das profissões 7 e das idades 8, 9, 10, referentes aos emigrantes estão, em anexo, na página 86.


99


 Em Melgaço, o romance de Ricardo (1981) e a crónica romanceada de Rocha (1965) constituem-se como bons exemplos da ênfase atribuída à vertente político-administrativa.


100


 A este propósito: “Quanto à emigração por chamamento familiar permitiu-se admitir que ela poderá contribuir para transformar uma emigração, que eventualmente poderia ter um carácter provisório, em emigração definitiva, se assim se lhe pode chamar, pois, anulará os laços sentimentais que assegurem o português residente em qualquer parte do mundo à mãe-pátria.” (Notícias de Melgaço, 21 de Abril de 1963, ano XXXV, nº 1463).


101


 Segundo Rocha-Trindade et al. (1995), a Convenção Internacional de Protecção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e Membros das suas Famílias realizou-se, em 18 Dezembro de 1990, no seio da Organização das Nações Unidas. Este terá sido, pois, o precedente da referida conferência, resultando na legislação sobre os trabalhadores migrantes.


102


 A dificuldade em determinar o número de clandestinos decorre, evidentemente, do seu carácter ilegal.


103


 De acordo com C. Ribeiro (1986b), entre 1960 e 1984, a emigração legal atinge os 62,9% e a clandestina 37,1%. No entanto, estes valores, apesar da sua credibilidade, são apenas aproximados.


104


 Os quadros de distribuições dos géneros 11, das idades 12, dos graus de escolaridade 13 e das profissões 14, referentes à clandestinidade dos regressados, encontram-se, em anexo, na página 87.


105


 A responsável pelo estabelecimento de ensino afirma que: “Sim, dos nossos alunos que emigraram alguns tinham familiares em França e na Suiça.” (Ver questionário, em anexo, na página 58).


106


 A família também se poderá constituir como um factor repulsivo, tal como sucedeu ao entrevistado número nove, adquirindo uma conotação negativa.


107


 Os respectivos quadros de distribuição dos géneros, ou seja, o quadro 15 dos regressados e quadro 16 dos emigrantes, encontram-se, em anexo, respectivamente, nas páginas 87 e 88.


108


 No estudo de Medeiros e Madeira (2003), elaborado nos Açores, os apoios no país de acolhimento também eram facultados mediante as redes de suporte familiar.


109


 As distribuições são estatisticamente significativas nas duas amostras, respectivamente, X2(36, N = 127) = 59,151, p = .009 nos regressados e X2(30, N = 38) = 65,754, p = .000 nos emigrantes. Os quadros de distribuição dos géneros correspondem aos quadros 17 dos regressados e 18 dos emigrantes. O 19 corresponde à distribuição dos graus de escolaridade dos regressados e o quadro 20 ao dos emigrantes. (Ver, em anexo, na página 88).


110


 A actividade de exploração do volfrâmio permitiu a introdução de novas tecnologias, as quais impulsionaram o desenvolvimento (Lage, 2002). Por seu turno, a venda de volfrâmio é paralela ao contrabando, pois este minério também era contrabandeado, tornando as fronteiras mais permeáveis e comunicáveis (Lage, 2002).


111


 A. Ribeiro (1944) compôs uma minuciosa descrição desta realidade. Diz o melgacense Domingues (2005), acerca do próprio pai: “Terminada a guerra, o volfrâmio deixou de ter interesse e pensou em emigrar. Foi dos primeiros a tentar por ainda dispor de dinheiro amealhado . . .” (p. 35). A exploração mineira deixou de ter interesse económico a partir de 1958 (Lage, 2002), coincidindo com o aumento da emigração continental.


112


 Quadros superiores da administração pública, dirigentes e quadros superiores; especialistas das profissões intelectuais e científicas; técnicos e profissionais de nível intermédio; pessoal administrativo e similares; pessoal dos serviços e vendedores; agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas; operários, artífices e trabalhadores similares; operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem e, por último, trabalhadores não qualificados. Apesar de não se constituírem como actividades laborais, foram incluídas outras classificações, pois, elas apareceram nas respostas. Essas categorias são: desempregados, reformados, estudantes e donas de casa.


113


 Em Bragança, no estudo de Cepeda (1991), 53% dos 68,7% sujeitos que se dedicavam à agricultura retornaram à mesma ocupação. No entanto, apesar do regresso à agricultura, a inovação na produção agrícola foi escassa: 19%. No estudo de M. Silva et al. (1984), para além do regresso à agricultura, sucedeu também o retorno para o sector da construção civil.


114


 As distribuições dos géneros correspondem aos quadros 21 e 22, nos quais se encontram as profissões dos regressados antes de emigraram e as actuais. O quadro 23, o qual remete para as profissões mantidas enquanto emigrantes, encontram-se, em anexo, na página 89.


115


 O quadro correspondente à figura, isto é, o 24 encontra-se, em anexo, na página 89. Na representação gráfica foram retirados os reformados e os agricultores.


116


 A distribuição dos géneros nas profissões dos emigrantes, corresponde ao quadro 25 e está, em anexo, na página 90.


117


 De acordo com Figueiredo (2005), actualmente, é consensual que apenas a curto prazo a emigração é benéfica para o país de partida. A. Nunes (2000), referindo-se aos fenómenos migratórios, dizia existirem três argumentos optimistas. O primeiro era o presumível regresso. O segundo era constituído pelas remessas. E o terceiro era o aperfeiçoamento profissional. Ora, tais argumentos ganham, neste estudo, contornos dúbios. Como diria A. Nunes (2000): “O êxodo que de rural se faz nacional – é sintoma e prenúncio de situações que podem ter, para toda a comunidade, aspectos muito difíceis.” (p. 83).


118


 Para M. Silva et al. (1984), Cepeda (1991) e Medeiros e Madeira (2003), o “saber fazer” adquire-se no interior da própria actividade profissional.


119


 Segundo M. Silva et al. (1984), na República Federal Alemã a percentagem de sindicalização elevava-se para 30% dos portugueses.


120


 As distribuições de género e dos graus de escolaridade da filiação sindical dos emigrantes correspondem, respectivamente, aos quadros 26 e 27. As distribuições das profissões na inscrição da segurança social dos regressados corresponde ao quadro 28 e, todas eles, estão, em anexo, na página 90.


121


 “O próprio facto de se regressar (ou não) à terra de origem será, ao mesmo tempo, um sintoma do grau de adaptação que se experimenta fora e uma consequência do processo de transformação que a origem conheça.” (P. Monteiro, 1985, p. 223).


122


 Arroteia (1992, 1998) fala em problemas de adaptação, linguísticos, deficiente acompanhamento nos estudos, impossibilidade de mobilidade social, separação familiar e ambivalência cultural, pois não depositam confiança no novo país, ou seja, em Portugal.


123


 Segundo Freitas (1990), o receio de não reconhecer o meio de pertença e de um novo choque de aculturação é motivo de não regresso. Neto (1986) acrescenta a dificuldade em arranjar trabalho.


124


 No estudo de Cepeda (1991), este foi o motivo mais apontado para o regresso.


125


 Os quadros de distribuição referentes ao regresso, isto é, do 29 ao 34, encontram-se, em anexo, nas páginas 90 e 91.


126


 “Não, eu, peguei-me à peleja com um, porque me disse de caras que eu fora para a França para lhe tirar o pão dele . . .”. (Ver entrevista número 12, na página 34). “Sabe que as palavras também ferem e, eu, senti mais, foi nas palavras que eles diziam, quando eles diziam, a expressão, mesmo que tivéssemos a beber um copo com os franceses ou espanhóis e italianos, a gente ‘tava a beber um copo e a expressão deles, eles diziam assim: “quando é que vais para a tua terra”. E no metropolitano lia-se: “La France pour les français”. (Ver entrevista número 8, na página 25).


127


 “The physical sign serves as a tangible symbol of the assumed anomie of the other group, of it lower worth in human terms, of its intrinsec badness”. (Elias & Scotson, 1994, p. XXXV). Segundo Raveau (1998) e Hannoun (1985), em França, as questões étnicas são fulcrais no processo de integração social. A religião, por seu turno, é referida, em diferentes tempos e contextos, por Rosa e Trigo (1996) ou Campelo (2003).


128


 Os quadros de distribuição das profissões dos regressados e das idades dos emigrantes e dos regressados, referentes à discriminação, ou seja, respectivamente, o 35, o 36 e o 37 encontram-se, em anexo, na páginas 92.


129


 Quando questionados acerca de como e quando terão sido discriminados, somente 9% dos regressados e 14% dos emigrantes responderam. Agrupando as respostas, estas remetem para a xenofobia e para o racismo: 12% das respostas dos emigrantes e 9% dos regressados.


130


 Os quadros 38 e 39 das distribuições dos géneros dos regressados e dos emigrantes encontram-se, respectivamente, em anexo, na página 93.


131


 Em A. Gonçalves (1996), este motivo é o mais expressivo entre as categorias profissionais consideradas, isto é, os diplomados, os independentes e os operários. E também nos níveis de ensino considerados, ou seja, ensino médio e superior, secundário e básico.


132


 As distribuições referentes à exibição estão, em anexo, do quadro 40 até ao 45, nas páginas 93 e 94.


133


 O quadro 46 remete para a distribuição dos géneros dos emigrantes referente à questão e está, em anexo, na página 94.


134


 Ver os quadros 47 e 48, em anexo, na página 94.


135


 “É, eu, por acaso, custa-me, muitas vezes, falar o português. 42 anos a falar o francês, enquanto trabalhei com portugueses, aquilo, era muito fácil. Mas, depois quando trabalhava só com franceses, era difícil, ‘tava rodeado por franceses, de manhã à noite, só falava francês. Só em casa é que falava português. Mas, nunca perdi a minha língua. Há certas coisas que eu não sei explicar, não sei pedir.” (Ver, em anexo, entrevista número 7, na página 23).


136


 No estudo de A. Gonçalves (1996), este foi o segundo motivo mais expressivo, após a exibição.


137


 As distribuições dos quadros 49 e 50 correspondem a esta categoria e estão, em anexo, na página 95.


138


 A Câmara Municipal de Melgaço e municípios galegos tentaram, embora sem sucesso, em 2005, elevar a língua falava em ambos os lados do rio Minho a Património Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.


139


 E. Dias (1998), refere que, nos Açores, o uso da língua inglesa é uma forma de promover uma vantagem social. Para A. Gonçalves (1996), o mesmo ocorre, em Melgaço.


140


 Ver a distribuição das idades dos regressados no quadro 51, em anexo, na página 95.


141


 O que terá propiciado a ostentação económica, relata-nos a melgacense San-Payo, descrevendo uma manifestação de consumo ostensivo, em meados do século vinte: “Meu home está na França, vai para três meses, e já me ourou – ouvi dizer uma jovem castreja, em conversa com outra, mostrando-lhe um belo cordão de ouro que trazia ao pescoço.” (2000, p. 147). Para C. Ribeiro (1986a), a ostentação mais notável, em pleno verão, terá sido a dos casacos de pele de leopardo.


142


 Ver, em anexo, o quadro 52 ao 55, referentes a esta questão, nas páginas 95 e 96.


143


 Ver, em anexo B2 – Dvd, do minuto 6 e 24 segundos até ao final, no qual se poderá visualizar a “vida” do mercado semanal, local onde se cruzam a língua francesa, a portuguesa e o luso-galaico. Posteriormente, visualiza-se, na torre de menagem de Melgaço, o uso do inglês por uma criança, acompanhada pelos pais de origem portuguesa. Após este pequeno fragmento, é possível observar o uso da língua francesa e, inclusivamente, do “luso-francês”, ou seja, da transculturação realizada. As imagens decorrem em estabelecimentos comerciais, nos quais o uso do francês é predominante e atravessa todas as gerações.


144


 Ver as respectivas distribuições nos quadros 56 e 57, em anexo, na página 96.


145


 Ver, em anexo B1 – Dvd, até ao minuto 6, pois é possível observar adolescentes francófonos, jogando bilhar. A interacção destes jovens aproxima-se do picanço, mostrando que também os melgacenses com experiências emigratórias detêm essa característica comportamental, para além do uso quase que exclusivo da língua francesa.


146


 Ver as respectivas distribuições nos quadros 58 e 59, em anexo, nas páginas 96.


147


 A palavra estrangeirados possui ainda outro significado: “Portugueses eruditos, diplomatas . . . que, durante os séculos XVII, XVIII e XIX, permaneceram no estrangeiro e foram amplamente influenciados . . . servindo de veículo ao iluminismo e às ideias liberais europeias.” (Casteleiro, 2001, p. 1491).


148


 Ver as respectivas distribuições dos quadros 60 e 61, em anexo, na página 97.


149


 Ver a distribuição do quadro 62, em anexo, na página 97.


150


 No entanto, é necessário ressalvar que os mais novos ainda se encontram em idade de contrair matrimónio.


151


 Nos regressados X2(21, N = 155) = 33,553, p = .040 e nos emigrantes X2(18, N = 51) = 40,040, p = .002, os quais correspondem aos quadros 65 e 66 e encontram-se em anexo na página 97 e 98. As distribuições das idades correspondem aos quadros 44 e 45, encontrando-se, em anexo, na páginas 94.


152


 Segundo um fotógrafo, a percentagem de casamento entre emigrantes e estrangeiros, em Melgaço, é mínima, sendo que o número de casamentos entre os emigrantes tem vindo a diminuir. (Ver questionário, em anexo, na página 61).


153


 O que é corroborado pelos informantes professores. (Ver, em anexo, o respectivo questionário, na página 66).


154


 Em Melgaço, a aprendizagem simultânea do português, do galego e do castelhano é algo de usual.


155


 Ver a ilustração, em anexo, na página 84.


156


 Ver questionário, em anexo, na página 57. O questionário referente às agências funerárias encontra-se na página 72, em anexo.


157


 Ver questionário, em anexo, na página 60.


158


 No âmbito antropológico, a apropriação do espaço, no norte do país, realiza-se através da herança, aquando da morte de um dos pais (O’Neil, 1984). No Alto-Minho a divisão da herança, por vezes, realiza-se dividindo os terrenos e os campos em parcelas mais pequenas, propiciando uma urbanização dispersa, ou seja, a actividade e a cultura de um região determina o modo de apropriação do espaço. Segundo Wateau (2000), o uso e o usufruto da água de rega determina qual dos herdeiros se tornará o proprietário da “melhor” parcela, resultando a partilha num possível conflito agonístico entre os herdeiros, pois as “trocas” são assimétricas.


159


 As estratégias de afastamento eram notáveis nos diplomados, pois, estes visavam a exclusão social. Nos independentes e nos operários a estratégia era de inclusão, trata-se de “. . . rebaixar para aproximar . . .” (A. Gonçalves, 1996, p. 142), pois não pretendiam cortar com os laços relacionais, ou seja, teriam algo a ganhar na relação com os emigrantes.


160


 Ver questionário, em anexo, na página 70.


161


 Ver, em anexo, entrevista número 11, na página 32.


162


 Ver em anexo entrevista número 17, na página 45.


163


 No entanto, um melgacense que tenha sido emigrante nunca deixará de o ser. Se alguém o quiser maldizer dirá: “ah, esse era emigrante” ou “esse tem dinheiro, era emigrante.” Diz-nos uma regressada: “Não, eu, sempre afirmei que era portuguesa, no entanto, ainda, hoje, dizem que eu sou francesa, ainda fazem . . . E, na verdade, vendo bem as coisas, a minha maneira de pensar é mais francesa do que portuguesa. Noto uma diferença muito grande na maneira de pensar, de estar com as colegas da minha idade”. (Ver, em anexo, entrevista número 11, na página 32).


164


 As distribuições dos quadros 67, 68 e 69, referentes ao comportamento que pretende evitar os emigrantes, estão, em anexo, na página 98.


165


 Esta distribuição corresponde ao quadro 70, em anexo, na página 99.


166


 Ver as respectivas distribuições nos quadros 97 e 98, em anexo, na página 105.


167


 As ilustrações 18 e 19 correspondem às sextas-feiras – dia de mercado em Melgaço – de meados e finais do mês de Julho. As ilustrações 20, 21 e 22 correspondem às sextas-feiras do mês de Agosto, nestas é possível observar um aumento populacional. A ilustração 23 corresponde à derradeira sexta-feira de Agosto, notando-se um decréscimo da população. Por fim, a ilustração número 24 corresponde à primeira sexta-feira do mês de Setembro, sendo que a diminuição da população é notável. As ilustrações encontram-se, em anexo, da página 80 à 82 e foram realizadas entre o meio-dia e as duas da tarde.


168


 Para retratar o aumento da população, que se reflecte no aumento do número de viaturas, foram feitas fotografias. As ilustrações número 25, 26 e 27 correspondem ao mês de Agosto e as 28, 29 e 30 ao mês de Setembro. As ilustrações encontram-se, em anexo, nas páginas 82 e 84, correspondem à rua da Oliveira e foram realizadas durante a hora do almoço. Diz-nos a este propósito um entrevistado regressado: “Eu, acho que eles se sentem invadidos, talvez, não sei. Como, eu, sinto, agora, quando não tenho lugar para estacionar, também me chateia”. (Ver, em anexo, entrevista número 11, na página 32).


169


 Estas festividades religiosas realizam-se, respectivamente, no início e nos derradeiros dias do mês de Setembro.


170


 “A habitação própria é o regime de ocupação dominante em todas as regiões do continente . . .” (INE, 1999, p. 2).


171


 Diz-nos um entrevistado: “Eu, vinha de férias (Bruxelas) a Paris e íamos visitar os amigos de cá, e aquilo era . . . barracas e contentores, alguns eram mesmo no chantier, em condições infra-humanas mesmo”. (Ver, em anexo, entrevista número 1, na página 11).


172


 O que implica um maior apego ao espaço de acolhimento.


173


 Ver ilustrações da 12 à 17, entre as páginas 78 e 79 do anexo, as quais se constituem como exemplos deste tipo de construções.


174


 De acordo com Hobsbawm e Ranger (1996), a construção social das tradições implica a formalização do social, tendo como referência um passado real ou imaginário. Assim dispondo, a “tradição” visa a repetição, no sentido de evitar a mudança.


175


 O que manifesta o carácter difuso e partilhado da ruptura entre emigrantes e residentes.


176


 No Jornal de Notícias de 27 de Abril de 2006 é relatado a reacção a um filme de Daniel Blaufuks. Daniel Blaufuks é um artista plástico que colocou uma câmara de filmar no “lugar do morto” e filma o país: “. . . abomina as vivendas de emigrantes, merece crédito por ter encontrado as mais inacreditáveis maisons.” (p. 58).


177


 Em A. Gonçalves (1996), esta categoria obteve o resultado mais expressivo junto dos operários com 38%, a imitação foi o segundo valor mais expressivo com 34% junto dos diplomados.


178


 Em qualquer caso, a opção de resposta porque gostam não está bem formulada.


179


 Os quadros de distribuição 71 e 72 fazem referência à categoria do bom gosto e encontram-se na página 99, em anexo.


180


 Dos residentes de A. Gonçalves (1996), apenas 3% de independentes e 2% de operários escolheram esta categoria.


181


 Os quadros de distribuição 73 e 74 remetem para a categoria porque gostam e encontram-se na página 99.


182


 Na amostra de A. Gonçalves (1996), a imitação foi tida como muito importante pelos residentes: 34% de diplomados, 35% de independentes e 11% de operários.


183


 As distribuições dos géneros não são significativas, respectivamente, p = .081 para os regressados e p > .050 para os emigrantes, correspondendo aos quadros 75 e 76, as quais se encontram, em anexo, nas páginas 99 e 100.


184


 Em anexo, entre as páginas 76 e 77, as ilustrações 6, 7, 8, 9, 10 e 11 mostram duas casas “abrasileiradas”, em várias perspectivas.


185


 As duas últimas distribuições dos graus de escolaridade referentes à construção das casas correspondem aos quadros 77 e 78 e encontram-se, em anexo, na página 100.


186


 Esta mudança não será alheia à implementação dos Planos Directores Municipais.


187


 O respectivo quadro de distribuição número 79 encontra-se, em anexo, na página 100.


188


 As ilustrações número um e dois constituem um bom exemplo da casa “tradicional”, até porque correspondem ao posto de turismo de Melgaço, construído, propositadamente, para representar a casa “tradicional”. (Ver, em anexo, na página número 74).


189


 Ver, em anexo, na página 75, as ilustrações número três, quatro e cinco.


190


 45% dos regressados e 27% dos emigrantes facultaram uma resposta, quando questionados acerca da diferenciação entre as casas. Agrupando as respostas facultadas, 34% dos regressados remetem para a qualidade, 5% para a estética e 6% para a aculturação. Nos emigrantes 25% remetem para a qualidade e 2% para a estética.


191


 As habitações construídas pelos emigrantes tornaram-se, em muitos casos, em meros locais de lazer e de férias (M. Gonçalves, 2002), sendo ainda que muitas delas se encontram à venda, revelando a desvinculação face a Melgaço e, como se verá, o crescente investimento no espaço de acolhimento.


192


 Diz Pina-Cabral, acerca da sociedade do concelho vizinho de Arcos de Valdevez: “. . . os vizinhos exercem uma vigilância mútua sobre os hábitos alimentares. Alguns membros das famílias mais ricas confidenciaram-me que . . . instruíam os seus filhos a manter segredo sobre o que comiam em casa . . .” (1989, p. 177).


193


 “. . . mas os bens adquiridos . . . são mal recebidos, porque a todos recordam a aptidão daquele indivíduo para ganhar dinheiro e porque podem levar este, precisamente, a demarcar-se dos outros . . . a desorganizar as relações vigentes . . .” (Wateau, 2000, p. 225).


194


 As distribuições de géneros e dos graus de escolaridade correspondem os quadros 80, 81, 82, 83 e encontram-se, em anexo, na página 101.


195


 Na distribuição de géneros dos regressados, os resultados anteriores ao projecto emigratório são estatisticamente significativos, isto é, X2(4, N = 145) = 20,047, p = .040, ao contrário, da distribuição que faz referência ao presente. A distribuição é ainda significativa nas idades e nos graus de escolaridade, respectivamente, X2(12, N = 144) = 34,245, p = .001 e X2(28, N = 145) = 54,564, p = .002. As distribuições correspondem aos quadros 84, 85, 86 e encontram-se, em anexo, na página 102.


196


 Os valores obtidos na opção remediado são acentuados, trata-se de uma limitação na construção do questionário, no entanto, esta tendência para a média também poderá ter uma leitura sociológica, uma vez que os sujeitos tenderão a nivelar as percepções, no registo do conflito agonístico, pois os sujeitos tenderão a não destacar-se entre eles.


197


 Nos residentes de A. Gonçalves (1996), 85% dizem que os emigrantes são endinheirados: 85% dos operários, 68% dos independentes e 55% dos diplomados.


198


 Ver, em anexo, os respectivos quadros 21, 22, 23, 25 e, sobretudo, o 24, nas páginas 89 e 90.


199


 Ver questionário, em anexo, na página 69.


200


 Diz um regressado: “É o mesmo, ‘tavam habituados aos emigrantes, eles falam francês uns com os outros, até em família, os daqui não os compreendem e têm dinheiro para gastar, bebem muito, riem alto, não deixam dormir ninguém. Ainda, neste mês de Agosto, aconteceu. Fazem muito barulho e os mais novos são os piores.” (Ver, em anexo, entrevista número 13, na página 38).


201


 Ver, em anexo, os quadros 87 e 88, nas páginas 102 e 103.


202


 As distribuições correspondem, respectivamente, aos quadros 89 e 90 e encontram-se, em anexo, na página 103.


203


 Os respectivos quadros de distribuição são o 91 e o 92, encontrando-se, em anexo, nas páginas 103 e 104.


204


 O quadro de distribuição é o 93 e consta, em anexo, na página 104.


205


 Ao contrário do que se constata na amostra de regressados: X2(3, N = 143) = 9,954, p = .019. Os quadros são o 94 e o 95 e estão na página 104, em anexo.


206


 Os quadros 96 e 97 das distribuições estão, em anexo, nas páginas 104 e 105.


207


 No estudo de A. Gonçalves (1996), 71% dos residentes manifestavam inveja dos emigrantes.


208


 Os quadros de distribuição referentes à categoria inveja remetem para o 98, o 99 e o 100 e estão na página 105, em anexo.


209


 O quadro correspondente é o número 102 e está na página 106, em anexo.


210


 Cabe explicitar que os residentes “faziam o seu mês de Agosto” com a vinda dos emigrantes, sendo, pois, “obrigados” a trabalhar. Os emigrantes justificavam, deste modo, o conflito agonístico, diferenciando-se em termos socioeconómicos.


211


 Ver quadro 101, em anexo, na página 105.


212


 Os quadros das distribuições remetem para o 103 e o 104, na página 106, em anexo.


213


 Trata-se do quadro 105, em anexo, na página 106.


214


 Os respectivos quadros referentes à categoria casa são o 106 e o 107 e estão na página 107, em anexo.


215


 Ver os quadros 21 até ao 25, em anexo, nas páginas 89 e 90.


216


 No estudo acerca do poder de compra concelhio do Instituto Nacional de Estatística (2007), Melgaço tem um indicador de 57,92%, sendo de assinalar que o indicador médio se faz com Portugal e não com a média da União Europeia.


217


 Tal como afirma uma entrevistada: “Era assim: eu, quando cheguei, em 82, vinha de França, dos arredores de Paris, e tinha uma forma de me vestir, de me pentear que, prontos, custou às pessoas aceitarem. Era estranho e achavam que eu era drogada . . .”. (Ver, em anexo, entrevista número 11, na página 32).


218


 “. . . A ostentação dos seus dinheiros, quando regressavam ao berço que os viu pelintras, é apenas local e epidérmica. A necessidade de uma desforra social. Lá fora, continuam com a alma hipotecada.” (Namora, 1997, p. 418).


219


 “Os portugueses do Brasil . . . não são repatriados em miséria, nem donos de colossais fortunas . . ., mas sim aqueles que estão mais próximos de um sucesso médio que lhe satisfaz a moderação dos projectos.” (Rocha-Trindade, 1986, p. 154).


220


 De acordo com Veldhoven e Groenland (Citados por Barracho, 2001), a poupança depende do contexto socioeconómico, cujas variáveis são: o clima económico (crescimento, inflação), a informação económica, o contexto pessoal (património, lucros) e o contexto institucional (sistema bancário e fiscal).


221


 Os respectivos quadros de distribuição, ou seja, do 108 ao 111, estão, em anexo, nas páginas 107 e 108.


222


 Os quadros de distribuição correspondem ao 112 e ao 113 e encontram-se, em anexo, na página 108.


223


 Estes últimos dados são importantes para uma futura abordagem da componente económica das remessas, até porque alguns países de acolhimento, actualmente, estão a desenvolver esforços no sentido de captarem uma parte substancial das remessas enviadas pelos emigrantes para os países natais.


224


 Neste ponto, parece assistir-se a uma limitação na elaboração do questionário, pois a palavra negócio em Melgaço não parece remeter para a agricultura, sendo que alguns emigrantes, apesar de reformados, se têm dedicado à exploração do vinho Alvarinho.


225


 Nos questionários entregues aos comércios, os resultados são contraditórios, uma que vez que alguns questionados respondem que os emigrantes consumem mais e produtos distintos dos residentes, mas, pelo contrário, outros dizem não existir diferença. (Ver questionário, em anexo, na página 73)


226


 Entre emigração e o sistema educativo existe uma relação directa, pois, quem emigra é jovem, implicando a desertificação humana e, em consequência, as qualificações dos concelhos com forte emigração carecem de pessoas altamente escolarizadas (Arroteia, 1999).


227


 As altíssimas taxas de juros facultadas aos emigrantes pelos bancos portugueses, na década de oitenta, atestam essa realidade, quando a França também “oferecia” dinheiro para o retorno. Esta questão foi abordada nas entrevistas sendo, então, motivo de permanência. Já em meados da década de 70, por exemplo, um banco português “oferecia” 20% de juros ao ano (Banco Português do Atlântico, 1976).


228


 Segundo Lopes (1996), já nos anos 60, as remessas enviadas pelos emigrantes ultrapassam as trocas comerciais com as ex-colónias.


229


 Segundo Leite (2004), a emigração é, hoje, afigurada de modo não depreciativo.


230


 “Mas, agora, já não se vê isso. Este ano, mesmo os jovens vêm pior vestidos do que os daqui, com peças dos chineses e tudo. Os daqui preferem roupas de marca”. (Ver entrevista número 10, na página 30, em anexo).


231


 Ver, em anexo, entrevista número 12, na página 34.


232


 A desejabilidade social: “. . . corresponde à escolha sistemática das respostas favoráveis, no momento de uma autodescrição”. (Bruchon-Shweitzer, 2001, p. 220).



233


O que adquire primazia é a própria actividade, sendo que os conteúdos socioculturais conferem forma à actividade humana são diversos. É nesse sentido que ele é, aqui, apreendido e apropriado. Para Foucault (1994a, 1994b), o controlo dos impulsos sexuais é, antes de mais, algo forjado no social.


234


 As primeiras, todavia, terão surgido no Califado de Córdoba.


235


 Contudo, nas primeiras décadas do século XX, tal concepção já tinha sido formulada. Assim sendo, um sexto modelo remontará a 1922: ao primeiro congresso internacional de psicólogos de Moscovo. Vigotski e Luria (Cole & Scribner, 2002) tinham, então, integrado as correntes existentes. Vigotski parte da noção de actividade mediada. Ou seja, para além das vertentes bio e psico, expressas pelas correntes anteriores, junta-se a social. E neste o pressuposto de que toda a realidade é construída através da mediação interpessoal e sociocultural. A saúde metal dependeria, então, de todos estes elementos integrados. É curioso verificar que a psicologia soviética, na década de vinte, encarava a doença como produto da uma construção social de sentido (Rey, 2004), à semelhança de Foucault, em finais do século XX: “A unidade discursiva sobre a loucura não está fundamentada na existência do objecto “loucura” . . . é o conjunto de regras . . . o aparecimento de um conjunto de práticas codificadas . . .” (Foucault, 2005, p. 99). Nos seus estudos acerca da defectologia, ou seja, da psicopatologia, Vigotski coloca a ênfase na forma como a doença é vivida, ou seja, no seu sentido individual e social, não se restringindo ao aspecto biomédico e à consequente naturalização da doença e rotulação do doente.


236


 Gameiro (1984) é um bom exemplo da análise da saúde mental dos emigrantes a partir das condições sociais.


237


 Diz-nos um dos entrevistados: “Sabia que ia encontrar um trabalho que os franceses não queriam fazer! Eu, comecei a trabalhar em aprendiz e queriam-me mandar para a escola. Mas, eu, que queria ganhar algum e vir-me embora. (Ver entrevista número 8, p. 43).


238


 “Sim. Dado que desempenham tarefas nos trabalhos mais pesados e de maior risco, com frequentes sobrecargas laborais, repercutindo-se particularmente no aparecimento de doença profissionais.” (Ver questionário dirigido aos médicos, p 113).


239


 “Sim. Ao trabalhar horas excessivas, por vezes, quase sem descanso semanal, com fracas condições habitacionais, associando-se ainda a uma alimentação pouco cuidada e desequilibrada.” (Ver questionários dirigidos aos médicos, p. 65).


240


 Não se nega, no entanto, a facilidade de integração do emigrante português como o atestam as homenagens a eles dedicadas pelas autoridades canadiana, no Quebeque (Alpalhão e Rosa, 1980, 1983). Trata-se, aqui, de lhe retirar qualquer sentido inatista ou substancialista (Bourdieu, 1997).


241


 Na questão “alguma vez se sentiu discriminado no país de acolhimento”, os entrevistados dizem-nos: “Não, eu, peguei-me à peleja com um, porque me disse de caras que eu fora para a França para lhe tirar o pão dele . . .” (Ver entrevista número 12, p. 69). “Sabe, que as palavras também ferem e, eu, senti mais, foi nas palavras que eles diziam, quando eles diziam, a expressão, mesmo que tivéssemos a beber um copo com os franceses ou espanhóis e italianos, a gente ‘tava a beber um copo e a expressão deles, eles diziam assim: “quando é que vais para a tua terra. E no metropolitano lia-se: “La France pour les français”. (Ver entrevista número 8, p. 46).


242


 É curioso relembrar que o processo de industrialização britânico obrigou à participação das mulheres e das crianças, resultando na destruturação dos núcleos familiares.


243


 “. . . pois, os emigrantes fazem com que as vendas subam”. (Ver questionário dirigido às farmácias, na página 64 deste anexo).




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