Introdução ao estudo das conseqüências da proibição da gnose pela igreja católica


Características Gerais da Antiga Gnose



Baixar 60.5 Kb.
Página3/6
Encontro06.04.2018
Tamanho60.5 Kb.
1   2   3   4   5   6
Características Gerais da Antiga Gnose

Quando o cristianismo chegou, foi aceito sem reservas, com fé total. Mas, ao acolher a nova doutrina as pessoas não abandonaram suas antigas crenças e mesclaram a doutrina que chegava aos antigos rituais. Desta maneira, ao invés das pessoas se converterem à nova religião, o que ocorreu na prática foi o cristianismo converter-se à antiga religião. As palavras do Evangelho misturaram-se aos antigos rituais.

Nos séculos I e II d.C., as novas idéias, surgidas desta fusão do cristianismo com antigas religiões, expandiram-se por todo o Oriente Médio, pela Grécia até a Gália. E em cada região que se fixavam iam se amalgamando aos costumes locais, fazendo surgir novas correntes marcadas pelos principais mestres e pelos locais onde chegavam.

Das diversas ramificações destacam-se:

  a.. os docetas, que tinham como representantes principais Dociteu e Saturnino. Negavam a realidade carnal de Jesus Cristo e por isso não aceitavam seu Nascimento, Paixão e Ressurreição. Consideravam -no um "corpo sutil";
  b.. os ebionitas, liderados por Ebion, acreditavam que Jesus havia nascido de forma natural de José e Maria e só depois, na hora do batismo, fora adotado por Deus;
  c.. os ofitas, para eles a serpente representava o princípio espiritual e acreditavam ter sido a serpente a primeira a se rebelar contra o demiurgo e a propor a liberação do homem através da gnose, a serpente era considerada boa, era o princípio da gnose;
  d.. os barbelognósticos, (palavra que significa barba-eló, "o Deus em quatro") afirmavam que o pensamento da divindade contém em si a própria explicação: pensamento, pré-conhecimento, incorruptibilidade e vida eternas;
  e.. os marcionistas, que precederam o maniqueísmo, liderados pelo padre cristão Marcião, contrapôs o Antigo Testamento ao novo Testamento, como o faria também Lutero, mais tarde;
  f.. o maniqueísmo, fundado por Manes, no século III, baseava-se no dualismo, e o Supremo era rodeado por inúmeros Eões. Satanás era o agente da disputa que ocorria tanto nos planos superiores quanto nos planos inferiores. Dessa disputa surge o mundo visível. A redenção se daria na volta dos elementos luminosos presos no Cosmos à sua origem;
  g.. os sethianos;
  h.. os sethianos ofitas.
As idéias principais são:

A Divindade Suprema - Todos os sistemas gnósticos partem do pressuposto da existência de Deus. Deus está no "princípio e na origem de tudo. Ele não necessita de nada, mas isto não impede que ele esteja acompanhado de um "ser que é como que a outra cara de si mesmo", o seu cônjuge, sua Consciência, seu Pensamento, sua Paz, seu Silêncio, etc.

Em alguns sistemas aparece como o Eão Sabedoria ou Pneuma (vocábulo feminino, em hebraico), também chamada Ruah, (palavra hebraica feminina), que significa Espírito, e desempenha um papel importante na geração do Cosmos. Sofia, ou Sabedoria, criou o visível com a ajuda dos quatro elementos.

Assim aparece uma Trindade nos sistemas gnósticos.

  a.. Pleroma - O Deus Uno, em determinado momento, através de emanação, projeção ou geração, projeta-se no exterior, desdobrando-se, "gerando" uma série de entidades divinas, os Eões.
  b.. Os Eões são, portanto, entidades divinas procedentes do Uno, e são o inteligível ou o perceptível do Uno. Essas emanações, ou gerações intradivinas, originadas do Uno-Transcendente, constituem o Pleroma* , ou Plenitude da Divindade.
Na formação do Pleroma há que se distinguir dois momentos: em um primeiro estágio é formada a substância ou ser dos Eões, em um segundo momento é formada a gnose ou conhecimento.

O Transcendente dá a esses Eões, formados substancialmente, o conhecimento de si mesmos só num momento posterior. É quando passam a ser divinos. Esta duplicidade de momentos mostra que a gnose é pura graça, e que só a gnose, outorga a um ser, por mais divino que seja, a sua plenitude substancial.

A queda pleromática - Dentro do Pleroma acontece uma falha. Esta "falha" irá explicar o nascimento do cosmos e a origem do mal.

Entre os dois momentos do Pleroma, quando ocorre a formação dos Eões, segundo a substância e segundo o conhecimento, ocorre esta falha. Um dos entes divinos, a Sabedoria (ou Logos), quer chegar ao conhecimento do Uno antes do tempo. Isto seria um desejo correto, justo se acontecesse no momento certo, de acordo com a vontade do Transcendente, mas, como acontece antes da hora, passa a ser uma paixão.

Porém esta paixão, este desejo prematuro pelo conhecimento pleno do Uno, continua sendo efetivo, apesar de imperfeito, pois é o desejo de uma entidade divina. Ainda assim esta paixão provoca a queda do Eão e por isto este Eão será expulso do Pleroma.

Este lapso de tempo em que o Eão Sabedoria fica fora do Pleroma tem uma dupla dimensão conceitual: teológica e cosmológica.

Teologicamente representa o nascimento do pecado, da deficiência, do Mal, que exigirá a necessidade de um Salvador. Com o Salvador se inicia, dentro do Pleroma, um processo de salvação, que mais tarde se repetirá neste mundo. Cosmologicamente, este "pecado" do Eão Sabedoria significará o princípio da matéria, do universo todo. É da paixão deste Eão que surgirá a substância informe e espessa da qual irá brotar todo o universo material.

O Eão caído se arrepende de seu pecado e para que o Pleroma não fique incompleto, para que a Totalidade divina não seja abalada por isto, o Uno, através do Eão Salvador, resgata o Eão Sabedoria. Separa-o da substância informe e espessa que resultou da sua paixão e que deu origem ao universo e o faz retornar ao Pleroma.

Desta forma, tem origem um duplo Eão pecador: a) um superior que se arrependeu e que volta ao Pleroma e passa a ser denominado Sabedoria Superior; b) outro que permanece fora do Pleroma, filho da Sabedoria Superior e passa a ser denominado Achamot ou Echamot.

A Sabedoria também ficará dividida em duas partes: a superior, redimida, reintegrada ao Pleroma; e a inferior, que ficará fora do Pleroma e impedida pelo Limite de retornar. Será o agente divino no exterior e posteriormente, vai dar origem a matéria.

O Transcendente então gera mais um Eão, denominado "Limite", que tem a função de separar. Separa os Eões do nível superior e do nível inferior, o universo material. O "Limite" entre o Pleroma e o universo, que será o modelo da cruz redentora no gnosticismo cristão, que redimirá o homem e separará os não gnósticos, que serão condenados.


Baixar 60.5 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual