Integração nos atendimentos da Psicologia e Pedagogia realizados no Unisalesiano lins



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Encontro04.03.2018
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Inquérito

Foi questionado aos profissionais e estagiários da área de Psicologia e Pedagogia a seguinte pergunta: O que você pensa sobre a atuação conjunta de psicólogos e pedagogos?

Os dados obtidos serão demonstrados abaixo:


Vejo como um parceiro no processo de ensino aprendizagem, pois com essa parceria, muitas coisas que podem passar despercebidas, se tornam visíveis e de fácil detalhamento, podendo assim, o pedagogo, atingir seu objetivo mais rapidamente, é uma união, sem dúvida nenhuma, importante! Relato de uma professora estadual.
Eu acho que é de importantíssima valia a integração da psicologia com a pedagogia, pois podem nos auxiliar no contato com o aluno, na comunicação ajudando-nos a intervir quanto ao problema psicológico que esse aluno contém. Com a colaboração de psicólogos é possível compreender melhor alunos com deficiências múltiplas ou não que precisam de acompanhamentos psicológicos principalmente para conviver em sociedade e adquirir a sua autonomia como cidadão enquanto indivíduo que é. Relato de uma professora aposentada.
Eu acho que esse trabalho multidisciplinar colabora muito para o desenvolvimento da criança ou do adulto, porque cada profissional tem sua área de conhecimento e pode ajudar de maneiras diferentes, olhando o seu como um todo. Acho que deve sim ser desenvolvido todas as áreas, o emocional, psicológico, físico e intelectual. Por exemplo, em escolas o aluno não aprende se estiver com problemas em casa ou com o emocional abatido, então ter um psicólogo ajudaria muito! Relato de aluna do 8° semestre do curso de Pedagogia.
A meu ver são duas áreas do conhecimento humano riquíssimas e que deveriam se afinar muito mais. As professoras deveriam ter formações, orientações constantes a respeito do desenvolvimento psíquico com implicações na vida prática cotidiana. Nós psicólogos também deveríamos conhecer os processos específicos cada vez mais. Enfim... Creio que temos muito a avançar. O ser humano é múltiplo e atravessado pelos diversos setores de sua vida, nos dividimos, ‘’fatiamos’’ os saberes para compreender melhor o seu humano, mas na vida real não temos como fazer esse ‘’recorte’’ por isso precisamos afinar sempre, cada vez mais a interação entre as diversas áreas do conhecimento. Relato de uma psicóloga.

Considerando o ser humano multi-determinado, sempre que existe uma dificuldade é extremamente importante o trabalho interdisciplinar. A troca de experiências entre os profissionais vai proporcionar um atendimento com melhor qualidade, podendo dar ênfase às diferentes necessidades apresentadas pelo sujeito e contribuir na sua melhora global. As escolas inclusive deveriam contemplar a presença dos profissionais para atuarem de forma conjunta com objetivo de sanar as dificuldades ou variáveis que interferem no bom andamento e no desenvolvimento global dos alunos. A atuação de forma preventiva e interdisciplinar favoreceria a sociedade como um todo, devolvendo sujeitos mais preparados para o convívio social e oferecendo maior qualidade em seus desempenhos profissionais. Relato de uma psicóloga.

Em relação às crianças com transtornos, deficiência intelectual e patologias, é muito importante o trabalho em conjunto entre psicólogos e pedagogas, pois pôde-se perceber que a criança obtém melhor compreensão das regras e limites dentro do ambiente, tais como noção de horário e espaço, compreensão das relações sociais, diminuição da ansiedade, melhor percepção e conhecimento da sua autoimagem, diferenciação eu/outro. O trabalho pode ser de forma lúdica, pois a criança pode aprender a reconhecer cores e números de forma mais fácil de compreender respeitando seus limites. O trabalho integrado pode proporcionar para que os alunos aprendam os conteúdos escolares, podendo ser utilizado bonecos de fantoches, brinquedos estruturados e não estruturados, livros personalizados, músicas, audiovisual, dentre outros. O psicólogo tem seu papel de acompanhar e orientar professores e pais quanto a deficiência. Relato de aluna do 10° semestre do curso de Psicologia.


  1. CASO 1

O primeiro paciente foi H.E de sete anos, cujo encaminhamento da pedagogia levantou dificuldade em socializar-se com crianças de sua faixa etária. Na entrevista com a mãe cujo objetivo foi ouvir a queixa e aplicar a anamnese infantil, a mesma relatou que seu filho é muito inteligente, porém, não brincava com crianças de sua idade, tendo preferência em conversar com adultos e jogar jogos no vídeo game e celular.

Seguindo a anamnese no tópico ‘’historia da gravidez e do nascimento’’ a mãe relatou que sua gravidez não foi desejada, devido sua idade avançada e que sentiu muita dor durante a gestação, entrou em trabalho de parto falso e durante sua cesariana o bebê passou da hora do nascimento. Relatou que quando bebê o pai passou a maior parte do tempo com o filho, pois a mãe trabalhava, mas logo se divorciaram. A mãe se preocupa em questão da separação ter influenciado em aspectos sociais do filho.

No tópico ‘’história do desenvolvimento’’ a mãe relatou comportamentos esperados para a idade em que seu filho engatinhou, andou e balbuciou, porém queixou-se da gagueira do filho. A criança não executa higiene pessoal, tem muito ciúmes da mãe e dorme com objeto transicional. O sistema educacional utilizado pela mãe é sempre manter um diálogo com o filho e retirar celular, tablet como forma de castigo. Segundo a mãe o filho não é desobediente e tem facilidade para se relacionar com adultos. A partir das informações colhidas com a mãe pode-se notar que a criança não teria nenhum comprometimento cognitivo. Mas para confirmação foram realizados dois atendimentos com a criança.

Para favorecer a avaliação com a criança, utilizou-se o recurso de ludoterapia, com jogos e brinquedos. A criança reagiu bem às atividades oferecidas e rapidamente foi formado o vínculo terapêutico.

A criança interagiu logo e expressou aspectos apropriados para a sua idade como compreensão do que é dito, compreensão das atividades, boa pronúncia, boa leitura e afetividade.

Para concluir a avaliação, foi feito uma observação na clínica de pedagogia. As crianças e os estagiários estavam jogando jogos educativos e quando venciam ganhavam prêmios. Notou-se alegria ao ganhar os prêmios e observou-se o comportamento interativo de H.E com a outra criança e com os estagiários de pedagogia.

Foi realizada a devolutiva para a mãe, informando que seu filho apresentava comportamentos apropriados para a sua idade sendo necessário apenas um fonoaudiólogo para questões relacionadas à fala.

A devolutiva foi encaminhada para a coordenadora de pedagogia e arquivada no arquivo da clínica de psicologia.



  1. CASO 2

O segundo paciente foi H.A de cinco anos, foi encaminhado pela clínica de pedagogia, pois apresentava suspeitas de características do transtorno do espectro autista.

Na entrevista com a mãe foi utilizado o procedimento de anamnese infantil, a mãe relatou que em sua gestação não houve nenhuma preocupação e ao nascimento do filho houve problemas com a sucção do peito. A mãe observou que a criança estava se desenvolvendo, começando a engatinhar e andar, mas não emitia nenhum som relacionado à fala. Relatou que a criança começou a balbuciar aos dois anos e meio de idade e que só formulou frases curtas com quatro anos. Ao ingressar a escola, as professoras orientaram a mãe a procurar um psicólogo, pois em sala de aula a criança só fazia desenhos e se isolava de alunos e professores, sem nenhum tipo de interação. A mãe relatou que divorciou de seu marido quando seu filho completou quatro anos, a partir da separação a mãe observou aspectos da personalidade e distúrbios no comportamento social da criança, que passou a ter comportamentos inadequados, não respeitava regras e limites, tinha crises de raiva e choro, irritabilidade frequente, apresentava hiperatividade, inconveniente em diversas situações e não aceitava ser contrariado. A mãe notou que a criança apresenta balanceio, fita o horizonte, brinca sozinho organizando os carrinhos enfileirados e que quando está sentado, balança braços e pernas. Consegue executar higiene pessoal sozinho, se alimentar, porém fala sozinho por muito tempo dificultando a interação da mãe. A mesma tenta interagir com o filho utilizando tinta, quebra-cabeça, massinhas de modelar, mas nem sempre consegue bons resultados e fica muito angustiada, sem saber o que fazer. A única pessoa que H.A consegue interagir é com sua irmã de um ano e quatro meses, segundo a mãe seu filho sente muito ciúmes da irmã e em alguns momentos acabam brincando juntos.

Após entrevista com a mãe, foram realizadas duas avaliações com a criança, foram utilizados recursos lúdicos para formar o vínculo terapêutico. Utilizou-se: Massinha de modelar, lego, folhas e lápis para desenhos. A criança se interessou pela massinha de modelar, porém, sua primeira iniciativa foi tentar grudar a massinha no cabelo e roupa da estagiária, o comportamento repetiu-se diversas vezes, a criança se escondeu atrás do sofá e ao se aproximar a criança gritava muito alto, percebendo que aquilo causava incomodo, aumentou a frequência gritando cada vez mais alto.

H.A teve perfil desafiador, em vários momentos mostrou a língua, pulou em todos os sofás que haviam na sala e direcionou as nádegas próximo ao rosto da estagiária realizando esforço para soltar gazes, não respeitou regras e limites impostos.

Em nenhum momento a criança teve interação com a fala, respondia algumas perguntas com a cabeça (sim ou não) e emitia sons (gritos e som de chacota).

A criança se interessou pelos legos e utilizando peças do mesmo tamanho montou uma torre grande, ao final empurrou a torre sobre a estagiária.

Pode-se notar sinais de hiperatividade e desrespeito, a criança ria de tudo o que planejava para a estagiária.

A criança teve suspeita de características do transtorno de oposição desafiante. Pois apresentou alguns dos critérios abaixo, segundo diagnósticos do DSM V.





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