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A depressão na visão psicanalitica



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2.2.1 A depressão na visão psicanalitica
A depressão envolve um grupo heterogêneo de situações, sendo que algumas se apresentam como de difícil tratamento. A psicoterapia psicanalítica e suas formulações teóricas têm sido muito úteis na compreensão e no tratamento desta patologia (FIGUEIREDO, 2004).

Devemos salientar aqui, então, que quando falamos em depressão, para psicanálise, estamos falando em melancolia.

A melancolia é um estado de tristeza que está ligada à depressão profunda. Diferentemente do luto, a melancolia está intimamente ligada com o sentimento de impotência, de inutilidade. O mesmo ocorre na depressão. As pessoas deprimidas sentem um sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (SIQUEIRA, 2006).

Algumas pessoas têm mais dificuldades em lidar com as perdas do que outras. O luto é um processo natural e necessário. Quando ele não ocorre, a pessoa entra em um processo de melancolia. Se no luto a pessoa tem como motivo para a tristeza a perda de um objeto, na melancolia o objeto é a própria pessoa. Ela não consegue superar alguma perda e, em algum momento, acaba se perdendo também (SIQUEIRA, 2006).



A depressão, que remonta a traumas infantis ligados a perda e ao abandono. Uma experiência atual de luto, por exemplo, pode servir de “chave” para o acesso ao inconsciente, onde estão as grandes perdas não elaboradas de uma pessoa. E estas perdas não foram elaboradas, entendidas, explicadas, por que são de uma época onde era impossível a elaboração por parte da pessoa que as sofreu e, ao mesmo tempo, não houve um adulto que ajudasse para que ocorresse a compreensão do que estava acontecendo. É como se a “chave” atual trancasse esta pessoa em um porão onde estão todas as suas frustações e fracassos. O psicanalista e o psicólogo, quando bem preparados, estão aptos para ajudar o depressivo, a elaborar estes traumas ou perdas da infância (FREUD, 2006).

Não é possível pensar numa única causa para as depressões, ainda que apresentem um predomínio do sentimento deficitário de si mesmo em função da história pessoal, das vivências atuais e dos projetos de vida que não se realizaram. Nas depressões, a perda do objeto afeta e modifica a subjetividade; provoca um estranhamento no olhar de si mesmo e dos outros; um retraimento e um empobrecimento do ego, que denotam as intensidades da angústia. Não há recusa da realidade, mas uma ferida narcísica. O depressivo é atacado por muitos lados: pelo objetal, pelo narcísico e pela ambivalência. Trava uma batalha pulsional.

No deprimido, ilusão e desilusão coexistem. Acredita na viabilidade de ser amado por alguém ou fica à mercê de nova frustração, nova desilusão. A desilusão exibe um lamento, uma incerteza, a vulnerabilidade e o vazio de um ego assombrado por objetos internos escassos e falhos em termos de provisão narcísica (FREUD, 2006).



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