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Imperialismo em tempos de globalização


DEBATE
IMPERIALISMO E
GLOBALIZAÇAO


GLOBALIZAÇÃO 
E IMPERIALISMO
 
OCTAVIO IANNI* 
 
Desde que se fala em globalização, logo se põe em causa o 
imperialismo. Um e outro se contrapõem, se complementam, dinamizam-se 
ou se atritam, conforme a dinâmica das relações, processos e estruturas que 
constituem o capitalismo como modo de produção mundial. Não se trata de 
imaginar que um nega ou anula o outro, mas de reconhecer que ambos se 
determinam reciprocamente. Entretanto, o globalismo subsume histórica e 
teoricamente o imperialismo. Trata-se de duas configurações históricas e 
teóricas distintas. Podem ser vistas como duas totalidades diferentes, sendo 
que uma é mais abrangente que a outra. O globalismo pode conter vários 
imperialismos, assim como diferentes regionalismos, muitos nacionalismos e 
uma infinidade de localismos. Trata-se de uma totalidade mais ampla e 
abrangente, tanto histórica como logicamente.
Note-se que cada imperialismo diz respeito a um todo histórico e lógico 
compreendido pela metrópole e as nações dependentes ou colônias. Tanto é 
assim que o imperialismo tem sido norte-americano, japonês, inglês, 
alemão, russo, holandês, belga, italiano ou outro. Trata-se de um conjunto 
articulado de nações, nacionalidades e tribos, sob o mando da nação que 
exerce um poder de tipo metropolitano. Sem esquecer que os imperialismos 
se conjugam e se opõem, além de que convivem e se sucedem. Podem estar 
mais ou menos ativos e agressivos ou decadentes e desativados.
Na medida em que se desenvolvem as forças produtivas e as relações de 
produção, acelerando a concentração e a centralização do capital em escala 
mundial, logo se forma uma configuração mais abrangente. As empresas
corporações e conglomerados transnacionais extrapolam as fronteiras 
preestabelecidas e movimentam-se pelos continentes, ilhas e arquipélagos. 
Aos poucos, as relações, os processos e as estruturas características do 
* Professor titular do IFCH, Unicamp. 
130 . GLOBALIZAÇÃO E IMPERIALISMO 


globalismo recobrem, impregnam, modificam ou recriam os nexos de cunho 
imperialista; mas em outros níveis, com outra dinâmica. Acontece que a 
reprodução ampliada do capital adquire novos dinamismos no âmbito do 
capitalismo global. Neste ambiente, as forças produtivas e as relações de 
produção adquirem outras possibilidades de desenvolvimento intensivo e 
extensivo. A nova divisão transnacional do trabalho e da produção provoca 
todo um rearranjo das fronteiras, recobrindo ou atravessando as mais 
diversas formas de organização social do trabalho e produção tribais, locais, 
nacionais e regionais.
O globalismo pode ser visto como uma configuração histórica, uma 
totalidade complexa, contraditória, problemática e aberta. Trata-se de uma 
totalidade heterogênea, simultaneamente integrada e fragmentária. Parece 
uma nebulosa, ou uma constelação, mas revela-se uma formação histórica 
de amplas proporções, atravessada por movimentos surpreendentes; de tal 
modo que desafia as categorias e as interpretações que pareciam 
consolidadas.
É no âmbito do globalismo que se desenvolvem não só o 
imperialismo, mas o nacionalismo e o regionalismo. Mais que isso, é no 
âmbito do globalismo que se movem os indivíduos e as coletividades, as 
nações e as nacionalidades, os grupos sociais e as classes sociais, da 
mesma forma que aí se movem as organizações multilaterais e as 
corporações transnacionais.
Não se trata de negar a vigência do Estado-nação, assim como do grupo 
social, classe social, partido político, movimento social. Tanto o indivíduo 
como a coletividade, assim como a nação e a nacionalidade continuam 
ativos, presentes e decisivos. Mas todos estão inseridos no âmbito do 
globalismo, adquirindo significados e possibilidades no âmbito das 
configurações e dos movimentos da sociedade global. Nesse sentido é que a 
sociedade global é o novo palco da história, das realizações e lutas sociais, 
das articulações e contradições que movimentam uns e outros: indivíduos e 
coletividades, nações e nacionalidades.
Sim, o globalismo é uma totalidade histórica e teórica, no âmbito da 
qual se movem tanto o nacionalismo como o imperialismo. Desde que se 
forma a sociedade global, com base na globalização do capitalismo, o 
globalismo se revela uma surpreendente nebulosa, ou constelação, no 
âmbito da qual tanto se desenvolvem as lutas sociais como se revelam 
alguns perfis e algumas possibilidades da humanidade. Esse é o momento 
em que se pode começar a falar em história universal, não mais apenas 
como metáfora. Desde os horizontes abertos pelo globalismo, são outras e 
novas as possibilidades e as impossibilidades de integração e fragmentação, 
de soberania e hegemonia ou de alienação e emancipação.
CRÍTICA MARXISTA . 131 



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