Golpes no narcisismo humano e a ciência pós-moderna



Baixar 58.16 Kb.
Encontro06.04.2018
Tamanho58.16 Kb.


Golpes no narcisismo humano e a ciência pós-moderna.

Sigmund Freud, pai da psicanálise, afirmou que a ciência reconfigurou o modo como a humanidade se entendia e concebia o mundo. E, tal reconfiguração se deu devido a três drásticos golpes, mais há quem aponte quatro ou cinco golpes promovidos pelas pesquisas científicas sofridos no narcisismo universal dos homens.

Restou inexoravelmente abalada a concepção que conferia à humanidade um estatuto privilegiado frente às outras espécies e a seu lugar no universo.

O primeiro golpe foi de cunho cosmológico e é correspondente a descoberta de que a Terra gira em torno do Sol e, não o contrário. A centralidade do universo não residia mais no mundo dos homens.

O primeiro golpe deve-se a Copérnico1 e a Galileu2. A expressão "ferida narcísica" fora usada por Freud3 para indicar as perdas que o ego ou eu humano sofrera em face de alguns adventos científicos que quebraram algumas convicções tidas como absolutas.

Copérnico que retirou o homem do planeta que era considerado o centro do universo, retirando ipso facto o homem do centro do universo, mostrando que o sistema astrofísico era heliocêntrico.

O segundo golpe foi de cunho biológico pois Charles Darwin4 retira do homem o caráter divino, apontando que este descende dos primatas, pela evolução biológica das espécies.

Assim, ao afirmar que os humanos possuem uma ascendência em comum com os macacos, sugere, segundo Freud que estes não diferem dos animais e que guardam algum tipo de parentesco.

Karl Marx proferiu o outro golpe quando retirou um único homem do centro da história, mostrando que esta não possui centro, posto que exista na boca de quem a conta e não apenas pela boca de uma elite, uma monarquia, um império ou burguesia.

O quarto golpe fora desferido pela psicanálise, e com a descoberta de que os processos mentais inconscientes, e só atingem o ego e se submetem ao seu controle por meio de percepções incompletas e de pouca confiança.

Freud afirmou que o homem não é dono nem da própria consciência, "da própria casa". Os golpes narcísicos aplicados metaforicamente à ciência, apontam o enfrentamento do saber científico contra outros dois tipos de saberes: o senso comum e o saber religioso. Assim, tem-se a primeira ruptura epistemológica.

As referidas feridas romperam com a ideia cartesiana de homem, onde se faz apologia apenas do eu, para se quedar ao chão da realidade. Portanto, o eu era uma categoria filosófica fajuta e falsa, já o homem não se faz sozinho, se faz através de relações sociais, de relações de poder, de tomada de consciência que só são possíveis caso sejam adquiridas do processo da vida, das interações, e da aquisição de signos ideológicos que tanto alimentam a consciência humana, dando à esta, corpo encarnado de material significante.

É bom esclarecer que os signos só emergem, decididamente, do processo de interação entre as consciências individuais. E está repleta de signos. Daí a sua impregnação de conteúdo ideológico (semiótico) e, consequentemente, somente no processo de interação social.

Porém, tal ciência crítica aos dogmas religiosos termina por se dogmatizar ao se posicionar como lugar privilegiado de acesso à verdade e, desautorizar outras formas de conhecimento.

A ciência pós-moderna ainda antevê outro golpe narcísico dirigido aos seus próprios métodos. É a partir deste e da crise que lhe segue que refletimos sobre as vicissitudes e desafios enfrentados pela ciência e pela comunicação, como campo mais interessante na atualidade.

É verdade que o positivismo embora tenha sido importante para a constituição da ciência, acabou por se transformar, no decorrer dos tempos, em um limite para o crescimento do pensamento científico. À medida que os pressupostos deste paradigma começaram a ser contestados dentro dele mesmo.


A constituição da noção moderna de ciência ocorre com o que se chama de “primeira ruptura epistemológica”, promovida em face aos saberes tradicionais então hegemônicos: a religião e o senso comum.

Relembrando que esta forma de conhecimento a ciência moderna imputava as seguintes características, a saber:


  1. Alienação: o senso comum fornece um conhecimento falso, acrítico, que torna os homens submissos aos interesses escusos, os quais refletem uma vontade de dominação de uns sobre outros. Utilizando-se de metáfora platônica, se a ciência é um receptáculo do esclarecimento, o sensu comum é o lugar das trevas e da irracionalidade;



  1. Conformismo: a extrema conformação de uma dada condição de consciência social coletiva com a consciência individual.

  2. Fixismo: as formas de saber que oferece tão fixas e imutáveis modos de saber, que se perpetuaram na sociedade, passando de geração a geração sem nenhum elemento crítico.

Além de criticar, a ciência moderna propõe romper com o senso comum, condição vista como necessária a fim de que se atinja a um conhecimento qualificado de caráter racional.

As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que prestigia o modo de funcionamento das coisas em detrimento de qual o agente ou qual o fim das coisas. É por meio do conhecimento científico que se rompe com o conhecimento do senso comum. Enquanto que no senso comum a causa e a intenção convivem sem problemas, na ciência a determinação da causa formal obtém-se com a expulsão da intenção.

Identifica-se que a ciência se constitui tendo por premissa três atos epistemológicos fundamentais: a ruptura (com o senso comum e também com a religião), a construção (de modelo explicativo para o problema em questão), e a constatação (voltada ao objeto e teste das hipóteses).

Tais procedimentos são comuns às ciências humanas e também as ciências naturais. É verdade que as ciências sociais enfrentam uma maior dificuldade no emprego de tais métodos porque possuem por objeto real um objeto que fala e que usa a mesma linguagem de base de que se socorre a ciência e que tem uma opinião e julga conhecer o que a ciência se propõe conhecer (...).

Também porque o cientista social sucumbe facilmente à sociologia espontânea, confundindo os resultados de investigação com opiniões resultantes de sua familiaridade com o universo social.

Por tantas dificuldades enfrentadas pelas ciências sociais fazem que sejam as primeiras a perceberem as limitações deste método.

Os quatro elementos que compõe a ciência moderna:


  1. Universalismo: caráter impessoal da ciência, a aceitação ou rejeição de uma teoria nada tem a ver com as qualidades pessoais ou sociais do pesquisador, mas sim, com a qualidade intrínseca à própria teoria;



  1. Comunismo: as descobertas científicas são resultadas de colaboração social e são de propriedade de todos, ainda que existam disputas entre os profissionais em relação à primazia pelas mesmas. No entanto, mesmo tais disputas são sadias, uma vez que estimulam uma cooperação competitiva entre os cientistas;



  1. Desinteresse: independentemente das motivações pessoais dos pesquisadores, as instituições científicas não estão ligadas a interesses particulares. Pois o resultado da investigação científica de cada um estar sujeito ao escrutínio de todos;



  1. Ceticismo Organizado: “leva o cientista a submeter à discussão e pôr em questão princípios ou ideias seguidos por rotina ou pela força de uma autoridade qualquer, o cientista suspende o seu juízo antes de observar detalhada e rigorosamente.

Conforme Edgar Morin5 propõe uma crítica a este paradigma, que ele denomina de “simplificador”. Para o autor, o principal problema desta ciência é certo fracionamento da realidade a partir do isolamento de suas partes e sem uma preocupação em reintegrá-las ao todo que as constituem e que por estas é constituído.

Enfim, o paradigma simplificador pode ser resumido em quatro elementos essenciais:



  1. Operação pelos princípios de disjunção, redução e abstração: Disjunção que significa a separação de elementos que estão intimamente ligados para submetê-los a uma análise específica das partes. É o caso do isolamento dos campos científicos da física, biologia e das ciências humanas;

A redução que opera uma simplificação do complexo ao simples. Como reduzir o biológico ao físico e do humano ao biológico;

Abstração que leva o cientista a descobrir uma “ordem perfeita” que organiza a disposição e ação dos elementos analisados;



  1. Corte no real que significa o reflexo do real: crença de que as determinações descobertas na fração do real selecionada correspondem à própria realidade como um todo;



  1. Apagamento do sujeito: entendimento de que o sujeito pesquisador e o objeto de suas investigações são realidades distintas. Assim, o conhecimento produzido não se relacionado com as motivações pessoais, de modo que qualquer um que fizesse essa pesquisa chegaria às mesmas conclusões;



  1. Unidimensionalidade e Hiperespecialização: a disjunção divide e isola os campos dos saberes de modo que estes se especializam em demasia. Isso provoca uma visão unidimensional da realidade que, critica Morin6, não seria capaz de perceber como as distintas dimensões se relacionam.

Como por exemplo perceber que uma crise econômica envolve desde os elementos clássicos econômicos como também as questões de ordem psicológica e até mesmo demográfica e cultural.

Todos autores concordam que este tipo de ciência limita o próprio desenvolvimento da pesquisa científica e que muitos de seus pressupostos e ideais não se sustentam na realidade.

Tanto Morin como Louis Quéré7 adotam uma postura crítica em relação à ciência moderna. Assim se entende que a comunicação é processo de transmissão de informações e o praxiológico, cuja concepção do fenômeno comunicacional está relacionada à construção de um mundo comum pela ação,

No primeiro modelo se destacam as fortes influências dos princípios da ciência moderna, especialmente, a postura epistemológica voltada para a constituição de métodos, mas com um limite nítido, à medida que não seja mais capaz de vislumbrar suas próprias deficiências e incapacidades de dar conta dos novos desafios impostos ao fazer científico.

Segundo Quéré no modelo epistemológico a comunicação pode ser compreendida como processo de produção de signos por meio dos quais os sujeitos tornam mútuos os seus pensamentos; consiste em suscitar no destinatário ideias semelhantes às de quem enuncia; seu sucesso se dá quando representações similares às do enunciador são produzidas nos destinatários.

O ruído não é considerado um elemento de sentido, mas um problema a ser eliminado a fim de que as informações sejam transmitidas com sucesso. Morin cogita do princípio da disjunção pelo qual se “corta o real”, isolando-se alguns elementos, e até ignorando-se alguns outros elementos, a fim de que se chegue naquilo que os constituem (os sentidos).

A verdade que a comunicação é desafio cognitivo e comporta três outros: a) mundo é pré-definido e suas propriedades são independentes dos sujeitos, os quais apenas tentam reconstituí-lo; b) há uma separação entre as ideias e representações de um lado e o “mundo real” de outro; a cognição é nada mais do que uma atividade de leitura e validação de representações adequadas ao mundo real pré-determinado.

Há o monólogo do sujeito (aquele que produz representações sobre o mundo) e se relaciona com o mesmo por meio da observação e objetivação (entendimento a que o modelo praxiológico se opõe, pensando o sujeito num diálogo por natureza).

A concepção factual da subjetividade. Afinal, o sujeito é dotado de estados intencionais que são representados como fatos. O sujeito é pensado enquanto alguém que age estrategicamente.

O dualismo da língua e da linguagem pensada enquanto código que representa a realidade. Cria-se uma distinção, de um lado um mundo pré-definido e de outro, as ideias ou representações desse mundo, constituindo assim dimensões paralelas.

Acredita-se que vivenciamos a crise de degenerescência, algo que afeta a ciência como um todo e não apenas os elementos isolados de algum modelo, indicando a necessidade de se pensar em proposições que viabilizem um novo paradigma.

A primeira crise fora percebida em primeiro campo das ciências sociais devido às suas dificuldades em adequar os procedimentos das ciências naturais às suas pesquisas.

As ciências sociais não possuem teorias explicativas que lhe permitam abstrair do real para depois nele buscar de forma metodológica a prova adequada, não podem estabelecer leis universais posto que os fenômenos sociais são historicamente condicionados e culturalmente determinados e, não se pode obter previsões confiáveis pois os seres humanos modificam seu comportamento em função do conhecimento que sobre ele se adquire.

Assim, os fenômenos sociais são de natureza subjetiva e assim não se deixam captar pela objetividade do comportamento, então o cientista social não pode libertar-se, no ato de observação porque o cientista não consegue libertar-se dos valores que informa a sua prática em geral e, portanto, também a sua prática de cientista.

Não se pode observar ou medir um objeto sem interferir nele, sem o alterar, de tal modo que o objeto que sai da medição não é o mesmo que lá entrou.

Em “A Condição Pós-Moderna” de Lyotard8 estuda a situação dos saberes no contexto contemporâneo e constata que existe uma crise no modelo vigente de ciência que até agora guiou a humanidade.

O principal indício da crise identificado consiste na descrença nos metarrelatos. Por não serem meramente instrumentais e se basearem em valores abstratos como justiça e racionalidade universal, pois conferiam certa legitimidade à ciência.

Na obra “A ordem do discurso” de Foucault9 apresenta um exemplo que ilustra que com as descobertas de Mendel, questiona-se porque os biólogos do século XIX não reconheceram a veracidade das contribuições do pesquisador. A explicação é que Mendel traz novo objeto que requer novos instrumentos conceituais e novos fundamentos teóricos.

Indica Foucault que existem modos corretos de comunicar, pela linguagem, a cientificidade de determinada proposição antes de investirmos em uma nova ciência para o campo da comunicação, é preciso avaliar outros modos que tanto têm marcado as concepções científicas contemporâneas, ou pós-modernas.

O quinto golpe é dirigido ao cogito cartesiano pois o homem não é dono da primeira palavra do mundo, não é um ser adâmico hipotético a cada vez que fala. Assim sua fala traduz um emaranhado ideológico que trama sobre as consciências, o homem fala por palavras alheias e as torna próprias por uma interação bem real, materializada e sutil e que vive e morre heroicamente em um anonimato fatal da condição humano em si.

Foi Bakhtin1011 o autor da quinta ferida narcísica, confirma não apenas o egocentrismo romântico e nem apenas o outro (determinismo naturalista), mas é a relação com a alteridade que encarna os signos e que constrói finalmente a consciência dos homens.

As dimensões de pós-modernidade da ciência não possuem relação com certas polêmicas travadas em torno do que seria a definição do pós-moderno. E a proposição de Anthony Giddens12 de que não teríamos ainda superado certos estágios da modernidade, o que não nos permite então afirmar o que seja a era do pós-moderno.

Enfim tem-se de submeter a epistemologia a uma reflexão hermenêutica que avaliaria não em seu aspecto semântico, mas sim, tendo em vista a pragmática social. Assim significa que deixou de ter sentido de criar um conhecimento novo autônomo em confronto com o senso comum (primeira ruptura) se esse conhecimento não se destinar a transformar o senso e a transformar-se nele (segunda ruptura).

Em verdade, a reflexão hermenêutica apresenta-se tal como uma pedagogia epistemológica e pragmática. Longe de representar uma ponte entre a ciência e o senso comum, ambos sairiam transformados.

Mas o positivismo erigiu-se como movimento revalorização do senso comum se dá concomitantemente ao processo de estagnação da ciência moderna. Afinal, considerar o senso comum da forma negativa como a ciência o fez abala a esta mesma, visto que muitas de suas descobertas acabam por se integrar ao senso comum com decorrer do tempo.

A tal revalorização do senso comum e a proposta de dupla ruptura para que possamos ter uma ciência e um senso comum, transformados consistem em uma das quatro características, ao delinear a ciência pós-moderna.

Tal ciência sabe que nenhuma forma de conhecimento é, em si mesma, racional e só a configuração de todas é racional. Dialogar com outras formas de conhecimento deixando-se penetrar por elas. A mais importante de todas é o conhecimento do senso comum, o conhecimento vulgar e prática com que no cotidiano orientamos as nossas ações e damos sentido à nossa vida.

Ao reabilitar o senso comum por reconhecer nesta forma de conhecimento algumas virtualidades para enriquecer a nossa relação com o mundo.

Outra superação relevante é da dicotomia de sujeito e objeto. Se antes acreditava-se na total separação do sujeito em relação ao seu objeto, a ciência emergente tende a salientar que o distanciamento total é impossível, uma vez que o sujeito afeta o objeto estudado.

O objeto não é algo dado, mas construído, pelo sujeito pesquisador, e se dá por uma seleção de instrumentos teóricos-metodológicos, que vão desde as teorias mobilizadas, ao recorte e coleta de dados. Tal processo nos revela que existe grande afinidade do objeto como sujeito pesquisador. Assim, todo conhecimento é também autoconhecimento.

Outra característica corresponde a um dos princípios do paradigma complexidade de Edgar Morin que levaria a mutilação do real. Pois o conhecimento real reconstitui os projetos cognitivos locais, salientando-lhes a sua exemplaridade, e transforma-os em pensamento total ilustrado.

O conhecimento é simplificador por natureza, mas não se deve renunciar a complexidade inerente ao real. Eis uma das premissas do paradigma da complexidade.

A complexidade é delineada por três princípios. O primeiro deles é dialógico que tende a assumir que dois termos que costumam se excluir na verdade se integram um mesmo fenômeno. Cogita-se numa tensão dialógica de ordem, desordem e organização, validade tanto para o mundo físico, quanto para o natural e o mundo humano.

O segundo princípio é o da recursão organizacional que consiste numa ruptura com a ideia da linearidade bipolar de causa e efeito.

O processo recursivo é onde os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e produtores do que os produz. Exemplificando, temos a própria sociedade13 que produz os indivíduos que ao mesmo tempo é por eles produzida.

Retornando a metáfora de Freud que se refere ao quarto golpe, tão poderoso quanto os outros. Sendo narcísico positivamente em relação à humanidade e à própria ciência que se elegeu como lugar privilegiado de acesso à verdade. Maculou-se a confiança nos saberes dogmáticos, o novo golpe reabre as feridas já deixadas pelos golpes anteriores e sua possível sutura a conciliar o que antes parecia inconciliável.



1 Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a explicação de que a Terra era o centro do universo. Contrário a teoria, Copérnico não se convenceu da ideia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol (Heliocentrismo).

2 Grande físico, matemático e astrônomo, Galileu Galilei nasceu na Itália no ano de 1564. Durante sua juventude ele escreveu obras sobre Dante e Tasso. Ainda nesta fase, fez a descoberta da lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Foi um dos principais representantes do Renascimento Científico dos séculos XVI e XVII.

3 O que se pode dizer da aplicação da psicanálise à pedagogia? Freud diz que, pessoalmente, não contribuiu em nada, deixando para Melanie Klein e Anna Freud, sua filha, o cuidado de uma aplicação do modelo metapsicológico ao campo da educação. Assim, a influência de Freud sobre a reflexão educativa do século XX é decisiva, e são raros os autores contemporâneos que tenham abordado a pedagogia sem fazer referência direta ou indireta a Freud. Alguns se apoiam explicitamente em sua doutrina para justificar uma concepção, outros se limitam a tomar emprestados certos conceitos.

4 O biologista e naturalista Charles Darwin nasceu na Inglaterra e viveu de 1809 a 1882. Durante um período de cinco anos, ele colaborou com pesquisas realizadas nas costas e em ilhas da América do Sul, Austrália e Nova Zelândia. No ano de1859, na certeza de ter a encontrado a resposta aos seus questionamentos, ele escreveu o livro: A Origem das Espécies. Posteriormente, Darwin escreveu outra obra: “A Descendência do Homem”, nesta ele manifestou suas ideias sobre o surgimento da raça humana no planeta Terra. Seus dois livros geraram debates e muitas controvérsias na época, contudo, hoje em dia, muitas de suas ideias são aceitas pela ciência. Ele acreditou que a razão de existir pequenas diferenças na descendência, tanto das plantas como dos animais, fazem com que certas espécies vivam mais tempo do que outras. No caso das que possuem vida mais longa, estas gerarão mais descendentes, e este fato permitirá o aparecimento gradual de novos tipos de variações.

5 Sociólogo francês propõe a religação dos saberes com novas concepções sobre o conhecimento e a educação. Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século XX, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais.

6 O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas.

7 Louis Quéré (nascido em 1947) é sociólogo francês e diretor de pesquisa no CNRS e diretor do Instituto Marcel Mauss. Sua pesquisa se contra sobre a sociologia da ação, questão regional e da epistemologia das ciências sociais. A referida abordagem segue as linhas gerais de Habermas, e a hermenêutica de Hans Georg Gadamer e ainda, o pragmatismo de John Dewey e George Herbert Mead. Também coordenou com Michel Barthélémy as pesquisas etnometodologia de Harold Garfinkel.

8 Jean-François Lyotard (Versalhes, 10 de agosto de 1924 — Paris, 21 de abril de 1998) foi um filósofo francês, foi um dos mais importantes pensadores na discussão sobre a pós-modernidade. Autor dos livros A Fenomenologia, A Condição Pós-Moderna e O Inumano. Em seu livro A Condição Pós-Moderna (1979), utiliza o conceito de "jogos de linguagem" , originalmente desenvolvido por Ludwig Wittgenstein, e refere-se a uma agonística entre esses jogos - característica da experiência da pós-modernidade, assim como a fragmentação e multiplicação de centros e a complexidade das relações sociais dos sujeitos. A primeira tradução para o português optou pelo título O pós-moderno, tendo recentemente retomado a tradução direta do original La Condition Postmoderne, a qual expressa devidamente uma condição de vivência, e não um estado dado. O Pós-moderno seria "o estado da cultura, depois de transformações súbitas nas regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes, a partir do século XIX. [...] Simplificando ao máximo, 'pós-moderno' é a incredulidade em relação às metanarrativas." Segundo Lyotard "não podemos mais recorrer à grande narrativa - não podemos nos apoiar na dialética do espírito nem mesmo na emancipação da humanidade para validar o discurso científico pós-moderno".

9 Foucault concluiu, no entanto, que a concepção do homem como objeto foi necessária na emergência e manutenção da Idade Moderna, porque dá às instituições a possibilidade de modificar o corpo e a mente. Entre essas instituições se inclui a educação. O conceito definidor da modernidade, segundo o francês, é a disciplina - um instrumento de dominação e controle destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes.

10 Mikhail Mikhailovich Bakhtin oi um filósofo e pensador russo, teórico da cultura europeia e as artes. Bakhtin foi um verdadeiro pesquisador da linguagem humana, seus escritos, em uma variedade de assuntos, inspiraram trabalhos de estudiosos em um número de diferentes tradições (o marxismo, a semiótica, estruturalismo, a crítica religiosa) e em disciplinas tão diversas como a crítica literária, história, filosofia, antropologia e psicologia. Embora Bakhtin fosse ativo nos debates sobre estética e literatura que tiveram lugar na União Soviética na década de 1920, sua posição de destaque não se tornou bem conhecida até que ele foi redescoberto por estudiosos russos na década de 1960. É criador de uma nova teoria sobre o romance europeu, incluindo o conceito de polifonia em uma obra literária. Explorando os princípios artísticos do romance, François Rabelais, Bakhtin desenvolveu a teoria de uma cultura universal de humor popular. Ele é dono de conceitos literários como polifonia e cultura cômica, cronotopo, carnavalização, menippea (um eufemismo em relação à linha principal e levando o desenvolvimento do romance europeu no "grande momento"). Bakhtin é autor de diversas obras sobre questões teóricas gerais, o estilo e a teoria de gêneros do discurso.

11 Bakhtin enunciou uma sentença em sua obra Marxismo e Filosofia da Linguagem em 1929 onde apontou a fissura do Humanismo da Identidade para dar espaço a um Humanismo da Alteridade. Invertendo a conta cartesiana e derrubando o cogito ergo suum que colocava a consciência como pressuposto da existência. Mas, segundo Bakhtin pensar é consequência de existir e do interagir, pois assim se materializam os signos na consciência humana.

12 Anthony Giddens (18 de janeiro de 1938, Londres) é um sociólogo britânico, renomado por sua Teoria da estruturação . Considerado por muitos como o mais importante filósofo social inglês contemporâneo, figura de proa do novo trabalhismo britânico e teórico pioneiro da Terceira via, tem mais de vinte livros publicados ao longo de duas décadas. Do ponto de vista acadêmico, o seu interesse centra-se em reformular a teoria social e reexaminar a compreensão do desenvolvimento e da modernidade.

13 Não há palavra sem consciência, como não há neutralidade quando se nasce socialmente. A palavra está embalsamada na consciência e no tecido social, assim, não há neutralidade quando se nasce socialmente. Está impregnada de signo ideológico, cultura e alteridade.


Baixar 58.16 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual