Gabriel Delanne G. Bourniquel Escutemos os Mortos


I A Conversão de um cético



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I

A Conversão de um cético



Quando três espíritas se sentam em torno de uma mesa,

apenas a mesa tem espírito.

Vassallo
Antes de expor nossas pesquisas experimentais, detenhamo-nos, a princípio, sobre uma curiosa manifestação da qual foi objeto, há uns vinte anos, o cético diretor do jornal Il Secolo XIX, M. Vassallo.

Ele tinha começado zombando o espiritismo e não deixava passar nenhuma oportunidade de lançar flechas afiadas sobre ele. Foi ele que lançou a reflexão humorística que prefacia esse capítulo.

Gozação pouco elaborada e, diga-se a nosso turno, gozação sem espírito. Não demorou a reconhecer seu erro e a reformar seu primeiro julgamento; depois de ter estudado a questão, coisa que nossos opositores quase nunca fazem, ele concluiu o seguinte: « Não há maior interesse que o de poder dizer à alma humana, pela voz da Ciência: você existe e existirá depois da dissolução da matéria. Tenho a firme convicção de que os estudos mediúnicos podem, por si só, levar a esse resultado e que é preciso impor aos intelectuais o desvelamento desse grande problema: a descoberta absoluta da Verdade».

De onde vem essa mudança radical? Das provas de identidade que lhe foram dadas por Eusapia, nas seguintes circunstâncias:

Depois de ter se familiarizado com os fatos pelos estudos seguintes, na sessão de 18 de dezembro de 1901, no Circolo Minerva, Vassallo se sentiu agarrado por trás por dois braços que o enlaçavam afetuosamente, enquanto duas mãos de dedos longos e afilados de uma pessoa jovem lhe tomavam a cabeça, acariciando-a. Durante esse tempo, uma jovem cabeça o beijava repetidamente; todos ouviam o barulho dos beijos. Vassallo pergunta o nome da entidade que lhe manifestava sentimentos tão ternos e, pelos movimentos da mesa, obtem-se o nome Romano; era um dos nomes de seu filho falecido, ignorado até por seus parentes mais próximos, pois sempre o chamaram Naldino.

Tendo solicitado uma prova de identidade, um dedo atravessa a abertura do paletó e vai se colocar contra o bolso interior no qual, diz Vassallo, se encontrava um porta retrato contendo a foto de seu filho.

O cuidado tomado pela entidade em escolher o nome que era ignorado por todos indica sua vontade de ser reconhecido sem que se possa invocar a transmissão de pensamento, pois Vassallo declarou em seguida que não esperava por esse nome, que jamais era empregado. Vamos constatar que o fantasma deu outras provas, ainda mais convincentes.

Vassallo pediu uma prova mais completa e a mesa lhe respondeu afirmativamente, solicitando menos luz. Obedece-se a ela colocando uma vela acesa sobre o assoalho de uma outra sala. Dessa maneira, a luz estava fraca, porém suficiente para que se pudesse distinguir a visão de Eusapia e a dos outros observadores.

De repente, o doutor Venzano vê subir entre a senhora Ramorino e Eusapia uma massa vaporosa de forma longa, que se condensa gradualmente no alto e que toma o aspecto de uma cabeça humana sobre a qual sucessivamente aparecem em relevo uma cabeleira muito abundante, olhos, um nariz e uma boca. Nesse momento, o professor Porro e o cavaleiro1 Erba exclamam ao mesmo tempo: “Uma silhueta! Uma silhueta!” Vassalo, que observa de fora, volta-se a tempo de ver a cabeça que avança repetidamente acima da mesa em sua direção, depois se dissolvendo.

Observemos agora o episodio que segue; ele prova que Vassallo não foi o joguete de uma ilusão ao reconhecer seu filho. Quanto a alucinação, ela não teve como ter sido invocada, a forma tendo sido vista por quatro assistentes, como se fosse uma figura comum.

O doutor Venzano traça a lápis sobre uma folha de papel um croqui representando a forma percebida e, ao mesmo tempo, Vassalo, muito hábil desenhista, reproduz com bastante cuidado o perfil de seu filho. Constata-se, então, as feições de semelhança entre a figura aparente, os croquis desenhados e o retrato que Vassallo possuía. De fato, as linhas de contorno da cabeça e o aspecto piriforme desta última se correspondem maravilhosamente.

Se se quisesse explicar a aparição por uma transfiguração do médium, como se explicaria que este, não sabendo nem desenhar nem modelar, fosse capaz de dar à aparição uma semelhança tão forte de modo que o pai, que é artista, e o doutor Venzano fizessem um croqui maravilhosamente fidedigno? Poder-se-ia bem dizer, sem outras provas, que ela toma a imagem no subconsciente de Vassallo. Isso não é suficiente pois mesmo que se tratasse de um pintor ou um escultor muito hábil, não seria possível reproduzir instantaneamente qualquer figura. Se se quer imaginar que o perispírito toma automaticamente a forma de uma imagem mental muito intensa, por que não se obteriam sempre semelhanças ao invés de fantasmas que, no mais das vezes, não representam ninguém conhecido? E, depois, se a alma humana possuísse poderes tão prodigiosos, não é evidente que ela seria independente do corpo? Ela teria uma autonomia própria, uma existência suis generis que o organismo corpóreo não poderia engendrar, ele que muda perpetuamente, de modo que o desaparecimento total desse corpo não entravaria mais as manifestações anímicas, que ela não as dificulta durante as sessões. Desejando escapar da prova direta da vida após a morte pelas aparições de defuntos, os adversários do espiritismo lhe fornecem outros argumentos que conduzem às mesmas conclusões.

Na sessão de 26 de dezembro, na penumbra, uma mão, a de Naldino, acaricia Vassallo; este solicita que seu filho encontre sobre sua pessoa um objeto que, quando estava em vida, lhe foi caro. Logo ele sente destacar de sua gravata um alfinete que tinha sido dado a seu filho e que ele tinha colocado lá justamente naquela noite, para constatar se ele lhe seria retirado pela aparição.

Tendo pedido ainda mais uma prova, Vassallo se sente logo em seguida preso sob as axilas por duas mãos que o suspendem, obrigando-o a se levantar e o puxam por dois passos mais ou menos, para trás de sua própria cadeira, ou seja, a uma distância de mais de um metro do médium.

Ele sente, então, um corpo humano se apoiar sobre seu ombro e um rosto que, a seu ver, tem as características do falecido Naldino, fica algum tempo junto a ele. Ele recebe em seguida muitos beijos dos quais todos ouvem o barulho e, nesse tempo, percebem-se frases interrompidas, pronunciadas por uma voz fraca que responde às questões reiteradas por Vassallo. Doutor Venzano, sem perder o controle, avança e consegue dizer muitas palavras em dialeto genovês, entre os quais se encontram as palavras caro papa. O diálogo entre a entidade e Vassallo continua por algum tempo, até o momento em que, depois do som de um beijo, doutor Venzano consegue captar essa frase inteira: questo è per la mamma (isso é para mamãe).

Quase de repente a forma se esvai e a mesa pede tiptologicamente que se acenda a luz. Quando a luz elétrica é acesa, vê-se avançar em direção a Vassallo, que está de pé, uma forma humana envolvida nas cortinas da sala, que o abraça enquanto uma mão, sempre coberta da cortina, toma a de Vassallo e a retém por algum tempo. O médium está em sua cadeira, as mãos em contato com as dos controladores.

Venzano enfatiza que as palavras pronunciadas, mesmo por ventriloquismo, não poderiam vir do médium, a princípio por conta da direção da voz e depois porque era o puro dialeto genovês que tinha sido empregado, sem nenhum traço desse sotaque napolitano do qual Eusapia jamais poderia se desfazer.

Isso se passou há 20 anos.

Se aproximarmos a essas experiências já antigas, porém não ultrapassadas, outras experiências mais recentes feitas no Instituto Metafísico, veremos que o médium polonês Franek Kluski pôde reproduzir em Paris fenômenos idênticos àqueles produzidos em Gênova pelo médium italiano Eusapia e isso nas condições de controle mais severas que somente as pessoas de má fé ainda sonhariam contestar.

Eis o relato de uma cena impressionante, publicado pelo principal interessado, o conde Potocki, na Revista Metafísica de julho-agosto 1921, página 297:

Sessão de 20 de novembro de 1920

“O médium está sentado diante da mesa, fora da cabine escura. Dr. Geley segura a mão esquerda do médium. Potocki segura a mão direita. Os assistentes formam a cadeia. O médium logo cai em transe, o que se percebe por sua respiração característica. Aparição de luzes fosforescentes acima e ao lado do médium. Eu sinto carícias e sinto que há alguém entre mim e Franek. À minha esquerda, os véus da cabine escura começam a se movimentar e a inflar, como se um vento os empurrasse. Eu sinto que alguém se cobre com um véu, se inclina sobre mim e muito discretamente me diz ao ouvido o nome “Thomasch” (Tomas, em polonês). Ele soletra em seguida o nome tiptologicamente. Eu pergunto: É Thomas Potocki? (um primo com o qual eu era muito ligado, falecido há oito anos). Eu recebo pancadas bastante fortes e muito repetidas sobre o ombro para confirmar a resposta à minha pergunta. (Meu primo era entusiasta e exuberante. Tratava-se de pancadas que ressoavam estrondosamente sobre meu ombro e que todos os assistentes ouviam.)

“Eu agradeço a ele por ter vindo e pergunto se ele vê, no astral, minha irmã morta há três anos. Resposta: sim. E ao mesmo tempo, eu sinto uma mão de mulher pousar docemente sobre minha testa fazendo o símbolo da cruz dentro de um círculo, como o fazia sempre minha irmã quando viva, quando se despedia de mim. Eu reconheci sua mão, ligeiramente clara pela borda da tela iluminada colocada sobre a mesa que estava a minha frente. A mão passa várias vezes diante de meus olhos e cada vez mais eu tenho a impressão de reconhecê-la. Ela aperta minha mão, bate ligeiramente em meu rosto, acariciando. Eu não tenho mais como duvidar, é certamente de sua mão que eu reconheço o contato. Pouco tempo depois forma-se uma bola luminosa diante de meu rosto. Essa bola se afasta, depois se aproxima bastante de minha face e eu percebo, para minha grande surpresa e alegria, os traços perfeitamente reconhecíveis de minha irmã que me sorri como quando era viva. Ela me parece muito mais jovem, tal como era quando tinha vinte e cinco anos. (Ela morreu com cinquenta e quatro anos!). O topo da cabeça está rodeado por véus de nuvens. A aparição do rosto dura apenas alguns segundos. Eu tive tempo de exclamar: “É ela!”, depois tudo desaparece. A mão traça ainda várias vezes o sinal da cruz sobre minha testa; um beijo sonoro, ainda algumas batidinhas no rosto e toda manifestação cessa.

J. Potocki.”

Essas duas citações selecionadas de uma quantidade hoje bastante importante de manifestações metafísicas suspende todas as dúvidas que se poderia conservar a princípio sobre a realidade dos próprios fatos e depois sobre sua interpretação.

Nos dois casos, uma cabeça aparece, é reconhecida, dá beijos que são ouvidos por todos que assistem, assim como uma voz que não provinha de nenhuma das pessoas presentes. O controle do médium era feito por experimentadores qualificados, habituados a esse tipo de pesquisas. Nada permite supor que eles pudessem ser vítimas de uma fraude vindo de fora, ou que eles mesmos tivessem se dado o estúpido prazer de elaborar uma boa farsa.

Além disso, em outras sessões do Instituto Metafísico as formas materializadas eram tão pouco alucinatórias que elas deixaram modelagens de seus membros temporariamente objetivadas; todas precauções foram tomadas secretamente para que se pudesse reconhecer, por um processo químico especial, se houve substituição da parafina empregada. No mais, essas modelagens, submetidas a experts, foram declaradas inimitáveis por quaisquer procedimentos técnicos atualmente conhecidos.

Eis aqui fatos contra os quais todas as negações vêm se dissipar, pois, enfim, essas modelagens são testemunhas irrecusáveis; são os próprios negadores a estabelecerem prova contrária ao fazerem coisas semelhantes nas mesmas condições.

Essas novas experiências não fazem mais que confirmar aquelas numerosas então obtidas há mais de 30 anos pelo professor Denton, na América, e pelo Sr. M Reymers e Oxley, na Inglaterra.

Quanto aos insucessos constatados, seja na ocasião de pesquisas da Sorbonne seja aquelas para as quais o Matin organizou um concurso, eles não provam nada contra os resultados dos quais falamos. É um princípio elementar o de que cem experiências negativas não revertem um fato positivo quanto este é bem controlado; é até bastante lógico para alguns.

Também nós assistimos a uma formidável campanha jornalística onde tudo que é considerado nulo, inaceitável, pôde trazer seu ponto de vista. E isso naturalmente produziu ponderações diplomadas. Felizmente o bom senso público se encarregou de colocar as coisas no lugar.

Os dois exemplos que demos são suficientes para o estabelecimento da realidade dos fatos, sem que nós sejamos obrigados a colocar sob os olhos dos leitores os inúmeros atestados e minutas publicadas no mesmo sentido, sobre todos os pontos do globo, desde o começo desse tipo de manifestação.

Eis, então, um ponto conquistado: a vida após a morte é provada pelos fenômenos da mediunidade objetiva. Poderia ela ser assim também para os fenômenos subjetivos?

É precisamente esta a questão que nós nos propomos a resolver nessa obra.

II

Os Médiuns e os Grupos

Os fatos são mais úteis, mesmo quando contestados,

do que as teorias dadas, mesmo quando defendidas.

Homphry Davy.


O público, mais inclinado à crítica do que ao estudo, é composto da imensa massa de ignorantes que forma em todos os países uma maioria considerável. Tal pontífice, que condena sem remissão os fatos que lhe são completamente estranhos, não poderia ter uma opinião pessoal e se, numa manhã, ele não tiver tido tempo de ler o jornal, ei-lo totalmente desamparado, incapaz de saber o que deve pensar sobre os acontecimentos do dia. Ora, como a maioria dos jornais não mostra mais que ignorância e incompetência, tem-se que a opinião pública é completamente distorcida a respeito de questões das mais importantes.

Então, critica-se o espiritismo; e criticar-se-à por muito tempo ainda, sem que se procure compreendê-lo; folheam-se alguns livros, algumas revistas, enche-se o cérebro de teorias mal assimiláveis; fica-se, assim, livre da reflexão, mas conserva-se o direito de discutir, de negar, de censurar e com base em conclusões dadas por elucubrações de algumas pessoas que não são lá muito sérias; ao passo que seus fundamentos verdadeiros se encontram em trabalhos de pensadores eminentes: Allan Kardec, W. Crookes, Wallace, Lodge, Myers, Hodgson, Hyslop, Zôllner etc...

Esses homens estavam bem longe de ter a fé – aquela que cega. Ao contrário, todos eles foram, a princípio, energicamente desfavoráveis e foi somente depois de 20 ou 25 anos de pesquisas pessoais (exemplo: Lodge) que eles formularam sua opinião, despojaram suas armas, se deram por vencidos em termos definitivos. Os fenômenos mais importantes, os mais indiscutíveis, foram obtidos por esses intelectuais no início estranhos ou hostis e finalmente convertidos ao espiritismo. Esses homens, classificados de apóstolos, dados por dogmáticos, o foram muito menos na afirmação que seus adversários na negação. Eles tinham o direito de afirmar, porque eles sabiam, enquanto que os outros não tinham o direito de negar, porque ignoravam.

Qual poderia ser, então, o valor de argumentos de um Maeternlinck entendendo que não se encontra na revelação dos espíritos nada que permita que se creia em sua realidade? De que peso pode ser a opinião de outros personagens também incompetentes, porém de menor envergadura, os quais “veem nos ditos espíritos apenas dejetos, tipos de cascas astrais que, depois da morte, realizam inversa e paralelamente o processo de formação embrionária que se desenvolve desde nosso nascimento e que é agora um fenômeno de decomposição. O grande erro da hipótese espírita ortodoxa, diz-se ainda, é o de querer prolongar no além a ilusão de nossa individualidade, de nosso pequeno eu que é em si uma deficiência e uma limitação”.

Vá se situar em tal padecimento!

Nós não vemos com bons olhos a recusa em crer nos espíritos, mas admitimos sem esforço as cascas astrais; esse “processo inverso e paralelo” aparece tão límpido quanto a famosa luta de negros num túnel e o debate não consegue vencer na claridade. Que um cético “prefira se sentir à vontade em um grande Todo do que desconfortável no grande erro espírita”, isso é por conta dele. Mas, a princípio, não é certo que tenhamos escolha.

Quanto a dizer que os espíritas “querem prolongar no além a ilusão de sua individualidade”, o fazem a fundo perdido; é o que eles mais querem. Eles constatam simplesmente uma verdade que se torna a cada dia mais evidente à medida que o campo de seu conhecimento aumenta pela experimentação.

É, de fato, pela experimentação que se deve estudar o espiritismo.

Não é necessário o uso de aparelhos complicados, mas um instrumento humano, o MÉDIUM, que é um ser difícil de encontrar, mais difícil ainda de manejar, geralmente suscetível e sensível. É preciso perdoar quaisquer pequenos defeitos, lembrando da espécie falha da qual ele faz parte e à qual todos pertencemos.

O médium é dotado de uma faculdade particular que lhe permite, pela exteriorização de sua energia psíquica, conhecer alguns fatos passados, presentes ou futuros; entretanto, não todos, pois no que se relata a ele há particularidades que, evidentemente, não puderam vir a sua consciência pela via dos sentidos, mesmo hiperestesiados.

E, como em inúmeros casos nem a hipótese telepática, nem a da clarividência ou do subconsciente podem ser invocadas, chega-se à obrigação – absurda, se assim se quiser dizer, mas inevitável – de admitir a intervenção de uma inteligência estranha a sua e à humanidade viva.

Sim, está fora de questionamento o fato de que os médiuns, especialmente predispostos por natureza e constituição, possam servir de intermediários entre os vivos e as entidades invisíveis que afirmam sempre, e que frequentemente provam, que elas já viveram na Terra.

Certamente os médiuns podem errar. Acontece a eles, por vezes, de dar informações incompletas, incoerentes, contraditórias; repetir histórias conhecidas ou de inventá-las em várias peças, e isso de muito boa fé.

Teremos a oportunidade de constatar o importante papel do subconsciente em algumas manifestações. Encontraremo-nos também diante de outros casos onde o subconsciente não intervém e veremos, à medida que avançarmos em nosso estudo, parte considerável de mistérios desconhecidos que ainda nos falta decifrar.

Entretanto, não se deve esquecer que, em matéria de experimentação, os resultados valem o que vale o instrumento. Cem fracassos com um médium de vigésima categoria, admitindo-se que não se trata de um sonâmbulo, não provam que o espiritismo seja uma ilusão; eles não poderiam contrabalancear os resultados obtidos por Crookes, Wallace, Lombroso e Cie; entre dez ditos médiuns há nove a serem descartados; e porque não se esteve com o décimo pode-se dizer que ele não existe? Para as pessoas que não acreditam senão nos intelectuais, torna-se uma alegria se for aquele décimo, sejam precisamente intelectuais notórios, oficiais, como aqueles que nomeamos, experimentado e consagrado por estes.

Quanto a querer opor às experiências feitas com médiuns reconhecidos experiências feitas com médiuns que não o são, é um controle ilusório porque não se podem comparar fenômenos que não sejam da mesma ordem. Personagens fictícios, criados por autossugestão, não têm nada de comum com as verdadeiras manifestações póstumas, como demonstraremos.

Ao lado dessas dificuldades quase inevitáveis, entram em jogo outros fatores que retardam consideravelmente a marcha do espiritismo; são eles: o misticismo, a falta de senso crítico, os excessos da mediunidade mal compreendida, a rivalidade dos grupos, o abuso de experiências fúteis, as sessões obscuras, a puerilidade das manifestações, a credulidade encantada de alguns adeptos.

Todas essas pessoas são bem intencionadas, mas elas ignoram muito frequentemente os mais simples elementos da nova ciência ou os compreende mal e sua personalidade moral não absorve deles nenhum benefício. Assim que se tenta pôr um freio em seu ardor desordenado, elas se lançam às tolices e à vaidade. Elas aceitam o verdadeiro e o falso com o mesmo entusiasmo; elas se curvam diante da autoridade de ditos espíritos que se pretendem superiores e oniscientes, se erigem como guias infalíveis e fazem com que se cometam os piores disparates.

Outros, melhor instruídos se deixam dominar, também eles, por esses maus elementos do invisível, esquecendo os erros e as mistificações às quais se expõem aqueles que são bastante imprudentes para perder o controle de si mesmos. Sua boa fé incontestável não é suficiente para desculpá-los.

Nos grupos, encontramos pessoas de todas as condições sociais, de todos os níveis intelectuais, de todos os mundos. Na sua pressa em se comunicar com o além, eles se precipitam impulsivamente em direção a toda luz que brilha.

“Pedir ao homem, disse Renan, para adiar alguns problemas e deixar para os séculos futuros saber o que ele é, que lugar ele ocupa no mundo, qual é a causa do mundo e de si mesmo, é pedir-lhe o impossível”.

Os principais motores dessa cruzada crescente são nobres e legítimos: necessidade de conhecer o destino – necessidade de crer em uma vida futura e reparadora – necessidade de consolação.

É importante, pois, que os espíritas esclarecidos dêem a sua filosofia um caráter consolador e moral e as garantias de controle sem as quais ela não teria razão de ser.

Essa missão é mais particularmente reservada aos médiuns, “esses mensageiros que, segundo Carlyle, vêm do Infinito com novidades para nós”; sua faculdade surpreendente sempre superexcitando a curiosidade do público. Gaston Méry, tendo feito um artigo sobre a senhorita Couesdon, em 14 de março de 1896, recebeu mais de mil cartas nos três dias que seguiram a publicação; segundo artigo em 20 de março: as cartas jorravam ainda mais, perguntando o nome e o endereço da vidente. Depois, foi a vez dos jornais que, todos, publicaram entrevistas do Sr., Srª e Senhorita Couesdon. Lord Kitchener e os negócios do Egito, Galliéni e Madagascar passaram a segundo plano e foram esquecidos por alguns dias.

Tal curiosidade constituía somente a ela um dos fenômenos psicológicos mais estranhos do século.

III

A criptestesia

Sapiens nihil affirmat quod non probet

(O sábio não afirma nada que ele não possa provar)

Diante desses fatos que parecem anormais à ciência oficial, qual é a atitude dela?

Digamos francamente: a atitude não é um elogio, ao menos na França. Até os últimos tempos, ela toma partido por ignorá-los e negá-los sistematicamente.

O professor RICHET, o primeiro, o único, teve a coragem de afirmar os fatos deixando no escritório da Academia de Ciência seu extenso TRATADO DE METAFÍSICA.

Eis um ato. Um ato tão importante que se deve a uma das personalidades científicas mais justamente reputadas de nossa época. Os metafísicos só podem se alegrar e reconhecer o valor de tal testemunho; é então com a maior deferência que iremos analisar, muito rapidamente, a obra desse grande homem, considerado como um Mestre no mundo inteiro.

Mas deferência não quer dizer abdicação e nós reclamamos o direito de expor todo nosso pensamento sobre as questões que, no Tratado, tocam à metafísica subjetiva, deixando de lado os fenômenos objetivos aos quais o prof. Richet deu uma explicação materialista, em contradição com a nossa; entretanto, ele se ateve em demonstrar sua realidade.

Esses fenômenos chamam a atenção sobretudo porque eles se prestam bem às experiências de laboratório e porque podem ser pesados, medidos, fotografados ou modelados.

Quanto aos outros, aqueles que não têm nenhuma ação sobre a matéria e que escapam ao controle de nossos órgãos sensoriais (leitura e transmissão do pensamento, visão e audição à distância, intuição, encarnação, glossolalia etc...) esses constituem a Metafísica subjetiva e que o ilustre sábio explica com o seguinte nome: CRIPTESTESIA; é a ela que são creditados os fenômenos subjetivos.

Então, o que é a criptestesia?

O nome não é novo; Flournoy fez uso dele em sua obra “Espíritos e Médiuns” (páginas 314 e 316).

Não é outra coisa senão a curiosa faculdade à qual os antigos magnetizadores davam o nome de lucidez ou de clarividência e que Myers chamou telestesia. O professor Richet, que se compraz no papel de padrinho, simplesmente desenterrou esse outro vocábulo.

Graças a essa criptestesia, os sensitivos podem conhecer os fatos que seus sentidos não puderam revelar “por quais meios nós ignoramos; quanto mais tentamos compreender essa faculdade inacessível, menos compreendemos; sua modalidade e seu mecanismo nos escapam absolutamente” (página 779). E o autor acrescenta: “Dizer que houve criptestesia não significa de forma nenhuma resolver as questões confusas as quais não podemos responder” (p. 780).

Ninguém pode negar a existência dessa faculdade; o que contestamos é que ela seja aplicada indiferentemente a todas as ordens de fenômenos.

Entre outras experiências que lhe deram essa certeza débil, ele cita a seguinte: “Stella, na presença de G, que ela não conhece e que não pode conhecer a família, diz os nomes do filho de G, de sua mulher, de um irmão já falecido, de um irmão vivo, de um cunhado e do lugar onde G morava”.

Nessa experiência, a presença de G permite, de fato, revogar a hipótese espírita; a criptestesia é suficiente, aqui, para explicar tudo, ao menos no estado atual da ciência. Ninguém sustentará o contrário: isso seria lutar contra um exército de moinhos ao vento. Mas isso se torna totalmente diferente quando, dizendo-se ser o espírito de um morto, uma personalidade desconhecida a todos vem relatar eventos que ninguém conhece e que uma investigação ulterior verifica.

A criptestesia não é suficiente para explicar a perfeita reprodução da escrita e da assinatura de defuntos, nem os fenômenos de xenoglossia, quer dizer, as línguas estrangeiras, os idiomas raros escritos ou falados pelos médiuns que os ignoram completamente.

Um sujeito magnetizado poderá ter os gestos de um padre, mas será incapaz de rezar uma missa ou fazer orações em latim. Ele imitará a eminência de um médico à cabeceira de um doente, mas lhe será impossível redigir corretamente uma receita.

Maxwell cita Srª Agullana que, “incorporando um médico que viveu no século passado, emprega a linguagem médica arcaica, dá às plantas seus nomes medicinais antigos; seu diagnóstico acompanhado de explicações extraordinárias e geralmente correto, mas a descrição dos sintomas internos que ele percebe é bem feita para surpresa mesmo de um médico do século XX; os humores, o fluido, as moléculas do sangue dançam uma estranha mistura. No entanto, meu confrade do além-túmulo, pouco loquaz em outro tempo, reconhece que há muitas coisas que ele ignora. Há dez anos que eu o observo; ele não variou e apresenta uma continuidade lógica assustadora” (J. Maxwell – Os fenômenos físicos, p. 210). Maxuell, de resto, contesta o caráter espiritual dessa manifestação verdadeiramente típica que, de seu próprio relato, jamais variou. Ele prefere ver ali dentro nada além de uma segunda personalidade.

Nós não concordamos com ele. Um sujeito hipnotizado não poderia reproduzir por autossugestão personalidades tão fieis, tão lógicas, tão permanentes. Ele não poderá também falar línguas estranhas: Aksakof cita Laura, a filha do juiz Edmunds, que incorporava o espírito de Evangélidès; este engaja uma conversa em grego moderno com seu irmão, que estava presente, e chega a revelar a morte do patriota Botzaris, ignorado por todos.

É aqui que intervém a hipótese espírita com uma força que singularmente domina qualquer outra explicação. Mas Richet não quer ouvi-la. Seu Tratado é um ataque contra tal concepção que, em sua pretensão, conduz à uma religião; para ele o estado mediúnico não passa de um fato de autossugestão cujas raízes são desconhecidas.

No nosso entendimento, é um erro. Que um médium, pelo jogo do subconsciente, possa evocar a lembrança de um morto na presença de um parente ou de um amigo, isso não é impossível, ainda que isso não esteja provado. Mas, então, se ele possui a faculdade de poder falar assim em nome de um desencarnado com o qual a família deseja se comunicar, ele deveria sempre satisfazer esse desejo. Na prática é tudo diferente e as pessoas experientes na questão conhecem bem os múltiplos insucessos que não podem evitar. Entretanto, admitamos a intervenção do subconsciente ou mesmo da autossugestão nesse tipo de comunicações, mas o que nem a autossugestão nem o subconsciente poderão fazer é criar, forjar peças da personalidade real de um morto que nem ele nem nenhum dos assistentes jamais conheceu.

Esse caso, como aqueles de premonição, como aqueles das identidades de escrita, como aqueles da xenoglossia, Richet pretende explicá-los pela criptestesia; e, então, ele vai se afundar nessa areia movediça com elegância e obstinação.

Mas, que restrições em seu cérebro obstinado:

“Nós não reconhecemos na criptestesia nada além de uma potência humana, uma faculdade superior e desconhecida de inteligência; nós devemos nos deter aí, ao menos provisoriamente (p. 256). – E depois de tudo, quem sabe? Sejamos quase tão reservados em nossas negações que em nossas afirmações (p. 225). – E depois há uma confusão de eventos que tudo é possível (p. 226).”

Comparemos, passando essas tergiversações com a clara afirmação de William Crookes: EU NÃO DIGO QUE AQUILO É POSSÍVEL, EU DIGO QUE AQUILO É; e sem outro comentário, continuemos o exame.

Saboreemos isso aqui:

“Tais fatos são muito importantes; eles se explicam melhor pelas teorias espíritas do que pela simples hipótese de uma criptestesia... contudo, apesar de sua aparência espiritoide, os fatos são impotentes para me fazerem concluir que as consciências dos defuntos assistem, na forma de fantasmas, a morte de seus próximos (p. 453).”

E por que, Mestre? Porque seu postulado materialista lhe impede de concluir seguindo a lógica. O senhor também é sugestionado por ideias preconceituosas; é a criptestesia na contramão, mas tão vacilante que ela o leva a dizer que “a existência de seres independentes dos seres humanos, se ela não pode ser provada, não pode, tampouco, ser negada (p. 627).”

De vez em quando, temos saudado de passagem alguns hinos que não são novos, frutos dessa filosofia alemã de Wirchow, de Büchner, de Moleschott, de Marck, de Ostwald que decididamente lançou uma semente ruim; reencontramos o clichê antiquado que reprova os espíritas porque evocam apenas personagens célebres; isso dá um contrapeso a um outro clichê que afirma que não nos comunicamos senão com espíritos de estágio inferior.

Eis aqui outras contradições:

Em vários casos, a hipótese espírita é manifestamente absurda (p. 757). – Não se deve desejá-la nem temê-la (769). – Entretanto, é timidamente que a combato pois eu não posso lhe opor uma teoria antagônica satisfatória (770). – A prova da vida após a morte não está dada, mas me apresso em acrescentar que se tem aproximado bastante dela (778). – Todas as palavras de grandes médiuns são impregnadas, por assim dizer, da teoria de uma vida após a morte; aparências, talvez, mas por que essas aparências (773)?

E tudo isso para chegar a dizer:

Eu não condeno a teoria espírita; seguramente, ela é prematura; provavelmente, ela é errônea (781).

Richet admitiria mais como hipótese cômoda “que existem no universo seres misteriosos, dotados de inteligência, anjos ou demônios, que tomam o espírito material e psicológico de personalidades humanas desaparecidas; é uma maneira simplista de compreender a maioria dos fenômenos metafísicos (788)”.

Mas esses sistema que se aproximam singularmente daquele das religiões não o detém por muito tempo:

“Se, então, (isso que de outro modo eu não posso crer), existem espíritos dotados de poderes misteriosos (que não compreendo absolutamente) e de intenções misteriosas (que compreendo menos ainda), em todo caso, os espíritos não são as consciências de defuntos. Eles pertencem a outros mundos, diferentes do nosso mundo material assim como do moral, e se eles se mostram na aparência humana é para se fazerem compreender fragmentariamente para nós (789)”.

Como esses seres fora da humanidade encontram meios de se exprimir com palavras humanas? É mais improvável como hipótese que a hipótese espírita, e a lógica nos apresentando uma lei de não multiplicar as causas sem necessidade, estimamos ser mais fácil admitir a imortalidade da alma humana nessas manifestações que a intervenção de entidades sobrenaturais cuja existência jamais foi estabelecida.

Tudo isso é muito vago e obscuro. Tata indecisão, tanta hesitação nos mostra que o autor ainda procura seu caminho e o fim desse longo debate nos leva a essa conclusão desconcertante:

“Nós ainda não temos nenhuma hipótese séria a apresentar. Em definitivo, creio na hipótese desconhecida que será a do amanhã, hipótese que não me lanço a formular porque não a conheço.”

Há nessa exposição de Metafísica subjetiva erros de fato chocantes, contradições que mal seriam desculpáveis para um simples teórico. O professor Richet, que particularmente experimentou os fenômenos de ectoplasmia, não parece ter tido a mesma curiosidade no que se refere a manifestações puramente psíquicas, seja porque o tema não o tenha cativado o suficiente, seja porque ele não tenha encontrado um médium suficientemente forte. Sua documentação pessoal é, nesse aspecto, quase nula. Sua educação se faz por leituras, o que é insuficiente, pois a prova pessoal não pode se adquirir senão por uma experiência pessoal. Daí, essa abundante compilação de fatos obtidos há 50 anos por outros que não ele e que relemos ainda com resignação.

Pobre Helena Smith! Pobre Srª Piper! Pobre Esperança! Sobretudo, se injustamente desdenhada por ele! Os senhores podiam imaginar que seriam um dia tão fortemente chacoalhados pelo carro da Ciência, lançados ora aqui ora ali por tantas interpretações divergentes? A tarefa dos médiuns é verdadeiramente ingrata!

O tratado de Metafísica é uma obra considerável por suas dimensões; toda a parte subjetiva está cheia de documentos já antigos, quase todos exóticos. Isso não leva nada a seu valor; mas porque se obstinar em ir tomar exemplos cansados (sempre os mesmos) no exterior, quando se pode encontrá-los na França e em data recente? Nossas revistas espíritas, nos últimos anos, fizeram inúmeras e marcantes citações que o autor do Tratado teve a infelicidade de ignorar ou de negligenciar sistematicamente.

É um trabalho a retomar. Se ele se decidir por retomá-lo, deverá colocar em prática o conselho que ele próprio dá aos outros, na página 603: fazer, seguindo o princípio cartesiano, uma tábua rasa sobre tudo que foi dito e escrito até aqui e, para começar, se desfazer de seu apriorismo e de sua parcialidade; se colocar pessoalmente na experiência e julgar não mais conforme outros, conforme outros relatórios, conclusões, processos verbais, mas conforme suas próprias obras.

Se ele tiver a sorte de encontrar verdadeiros médiuns, se ele se der o trabalho de procurar por si próprio, sem cessar, e não em períodos distanciados correspondendo a seus caprichos, ele constatará que esses médiuns não são seres privilegiados que, por seu conhecimento universal de todos os fatos passados, presentes ou futuros, terão aqui na Terra o papel de vice-Deus. Ele verá que a vida após a morte pode ser controlada, verificada e provada, submetida ao nosso senso crítico e mesmo ao nosso bom senso, seguindo a justa expressão do Dr. Geley.

Quanto a nós, nos recusamos a admitir que a chave da criptestesia possa abrir indiferentemente todas as fechaduras metafísicas; não poderíamos aceitá-la na explicação de todos os fenômenos subjetivos, pois ela atribui esses fenômenos a causas indeterminadas, cuja existência ainda está para ser demonstrada, o que é contrário ao método científico.

As experiências que acompanhamos há muito tempo nos provaram a insuficiência da criptestesia: é isso que vamos demonstrar pela exposição de nossas pesquisas.


IV

A Incorporação e a Vidência

São meio-sábios aqueles que condenam

pesquisas como as vossas.

Henri Bergson

Depois de muitos anos de inanição devido a essa infeliz guerra que não terminava nunca, retomamos nosso trabalho em um meio totalmente novo para Albertine (Ver nos Testemunhos Póstumos os princípios de sua mediunidade); sua faculdade, por tanto tempo em repouso, retornou intacta e não tardou em se desenvolver; ela se completou com duas novas faculdades: a reprodução fiel da agonia do desencarnado e a simulação perfeita do estado de morte.

Eis o processo da experiência.

Albertine se ausenta depois de uma breve invocação ao espírito guia. Ela é tomada de movimentos convulsivos, agitação, tremores nervosos; sua respiração se torna irregular, palpitante; ela solta gemidos, suspiros; suas mãos fazem o gesto habitual aos moribundos, de puxar os lençóis; soluços violentos, borborigmos barulhentos se produzindo algumas vezes. De acordo com a natureza da enfermidade que levou o paciente, ora o médium é tomado de uma tosse persistente de tuberculose, ora seu ventre incha desmesuradamente sob o efeito de uma falsa hidropisia, ora sua figura se deforma, normal de um lado, contraída do outro, dando assim a aparência de um rosto hemiplégico. Se ela incorpora um soldado morto na guerra, ela protege sua cabeça da metralhadora com os braços, ou ela apóia seu fuzil, ou todo seu corpo se curva por instantes como se evitasse os fragmentos de bombas. Cada agonia varia e se apresenta com suas características específicas.

Os pais, os amigos, as pessoas que assistiram o falecido em seus últimos momentos reconhecem esses gestos, essas deformações do rosto ou do corpo. Sr. B... professor-adjunto na escola de Bordeaux, reconheceu perfeitamente a agonia de seu filho, que aconteceu em dois momentos: ele tinha dado o último suspiro; acreditavam-no completamente morto, fecharam seus olhos e colocaram uma faixa para manter sua boca fechada. Ao cabo de um instante, ele fez alguns movimentos leves, reabriu os olhos, soltou pequenos suspiros e finalmente recaiu no último sono. Albertine, incorporando esse espírito, que ela jamais conheceu, reproduziu essas duas fases em todos os detalhes.

Temos de acrescentar que a médium jamais assistiu nenhuma agonia, nem a morte de quem quer que seja. Na infância, devido a sua sensibilidade extrema, sempre a afastaram do leito dos que estavam morrendo. Então, não é pela lembrança consciente ou inconsciente que ela pode, tão fielmente, reproduzir gestos, movimentos ou deformações especiais a cada moribundo.

A duração dessa parte do transe é mais ou menos longa (em torno de 5 a 10 minutos) e termina bruscamente por um sobressalto que normalmente projeta a médium para fora da poltrona.

É a segunda parte do transe que representa o estado de morte, o estado tanatoide, para empregar a expressão perfeitamente apropriada do doutor Gibier. Nesse estado, o corpo inteiro adquire a rigidez cadavérica; sem movimentos, quase sem respiração. O uso dos sentidos é completamente abolido. Para que Albertine saia desse estado de contração, deve-se fazer nela insuflações sobre todo o corpo e no interior das mãos tensas; depois, passes transversais que produzem ao seu redor uma grande agitação de ar e, enfim, passes fortificantes ao longo dos membros e de todo o corpo. Todos esses meios agem lentamente, de modo que um dia perguntamos a Camillo, nosso guia, se não existirá um procedimento mais rápido para que a médium perdesse a rigidez cadavérica.

Camillo indicou, então, que o experimentador deveria dirigir a extremidade dos dez dedos à cavidade do estômago dela, encostando levemente. Fizemos isso na primeira oportunidade. O resultado foi imediato. Assim que os dedos do experimentador tocaram o plexo solar da médium, o corpo se descontraiu e retomou sua agilidade; a respiração se reanimou, as funções vitais se restabeleceram rapidamente.

Desde então, continuamos a praticar esse método que não aparece, ao que temos conhecimento, em nenhum manual e que nos foi indicado por nosso guia, dando sempre o mesmo resultado.

Essas duas fases da agonia são geralmente penosas para aqueles que as presenciam pela primeira vez. São apenas representações, simulacros da morte. Os sofrimentos apresentados pela médium são representações. Na verdade, ele não sofre mais que um sujeito em estado de hipnose ao qual se sugere estar cortado em pedaços. Assim que ele acorda e bem desperto, pelo tanto que ele foi sacudido, seu organismo não guarda nenhuma sensação. Ele logo retoma a vida normal; sua alegria reaparece; ele come e dorme como todo mundo e até melhor.

Quando a médium sai da catalepsia, começam a fazer-lhe perguntas para conhecer a identidade do espírito com o qual se relacionou. É preciso, na maior parte do tempo, multiplicar essas questões, pois, a princípio, a entidade se mostra como alguém que sai de um longo sono. O espírito não sabe muito sobre onde ele está; ele se esforça muito, diz ele, para entrar lá dentro. Lá dentro é o corpo do médium e vê-se, de fato, que ele faz esforços como se tivesse dificuldade para se colocar numa roupa muito apertada.

Os espíritos que jamais se comunicaram – e é a maioria dos casos – se crêem ainda vivos, seja em seus leitos, expostos ao mal, febril, reclamando de sede, do barulho; seja em suas ocupações habituais, serrando madeira, regando flores, regrando contas. É preciso compreender sua situação atual, na qual eles não querem crer; eles protestam energicamente quando lhe dizem que estão mortos. Eles sempre acreditam estar na data de sua morte e quando lhe informam a data real em que eles se encontram, ficam muito espantados.

Por meio de perguntas e respostas obtem-se informações sobre sua vida terrena. Essas informações, por vezes de grande precisão, por vezes completamente falsas, são acompanhadas de gestos adaptados que constituem um tema de estudos psicológicos muito interessante. Quando o desencarnado não tem mais nada a dizer, agradecem a ele e deixam-no partir. O médium acorda, então, sozinho, uma vez que ele estava ausente, sem que seja necessário que se ocupem dele.

Nos primeiros tempos, ele experimenta algum cansaço, algum peso na cabeça, após algumas incorporações que o tenham maltratado. Nesse caso, é preciso desprendê-lo por meio de passes transversais, fazer insuflações no rosto, reanimar a circulação, reaquecer os membros resfriados com fricções enérgicas, descongestionar o cérebro com a imposição das mãos sobre as extremidades inferiores.

Tudo isso não se passa sem um bocado de cansaço. Procuramos então um meio mais prático para desprender o médium. Há muito tempo temos observado a ação benfazeja exercida sobre ele por alguns espíritos familiares. Logo que são manifestados por Albertine, que de algum modo atravessaram seu organismo, eles levam embora toda a influência deprimente que tenha podido deixar aqueles que os precederam.

Estimamos, então, o hábito de, antes de encerrar as sessões, chamar um de nossos guias e deixá-lo alguns minutos incorporado à médium; assim que ele se retira, Albertine desperta sem nenhum mal estar ou pesar, completamente liberta, não tendo conservado qualquer lembrança do que se passou durante a incorporação.

Enfim, depois de alguns anos, ela adquiriu uma nova faculdade: a vidência.

Quando ela desperta, imagens mais ou menos nítidas se formam diante dela e desfilam como projeções cinematográficas.

Essas imagens, esses quadros se reportam quase sempre a cenas da incorporação. Ela revê as figuras que estavam com ela no instante anterior, os fatos dos quais ela acabou de falar. Nomes de família ou de país, datas que ela deu sem perfeição lhe aparecem e às vezes escritas ao inverso; ela deve, então, soletrá-las letra por letra ou decifrá-las para que se possa compreender seu sentido. Outras vezes, ao invés de ver esses nomes ou essas datas, ela os escuta; é como uma voz interior, tendo uma ressonância objetiva.

Se alguém se interpõe entre ela e as imagens, estas se deslocam e vêm se colocar diante da pessoa interposta, de modo que a visão não é interrompida. Nesse estado particular, a médium já retomou sua consciência; ela comenta suas visões que, por vezes, lhe agradam bastante; ela fala, brinca, discute muito livremente com seus vizinhos.

Para resumir, Albertina se ausenta sozinha, passa pelos três estados clássicos: letargia – catalepsia – sonambulismo; durante o transe, vê-se por vezes sua mão se elevar e fazer passes em sua face; é o guia que emprega esse meio eficaz para descongestiona-la quando ele a nota com o cérebro muito cansado. Em seguida, ela desperta sozinha.

É pela experiência que nós fomos conduzidos a admitir essa possibilidade para a médium adormecer e despertar, graças à intervenção de Camillo, que há muito tempo se encarregou desse cuidado.

Parece, de fato, que os espíritos têm um poder muito superior ao nosso para agir sobre os sujeitos. A caixa do sr. Greliez, proprietário do hotel da Inglaterra, em Havre, era médium. Um dia que Donato estava nesse hotel, o sr. Greliez, que era espírita, disse-lhe que os espíritos tinham o poder de impedir um magnetizador de agir sobre um sujeito. Donato, naquele tempo ainda incrédulo, não acreditou em nada. O sr. Greliez lhe propôs agir sobre sua caixa e ao cabo de alguns instantes ela estava sob o domínio do magnetizador. No dia seguinte, Donato, tendo sido solicitado a refazer sua experiência, não conseguiu nem provocar o sono nem realizar a menor sugestão ao sujeito; este via duas mãos fluídicas que o libertavam ao mesmo tempo em que o magnetizador fazia seus passes. Esse foi um dos primeiros fenômenos que chamaram a atenção de Donato sobre o espiritismo e o levaram mais tarde a admiti-lo como realidade.

Todas essas fases pelas quais passa Albertine são extremamente interessantes para estudo. Elas já foram observadas sobre Helena Smith e minuciosamente descritas por Flournoy (Flournoy. – Das Índias ao planeta Marte, páginas 266 e 331). É importante notar a rigorosa analogia das manifestações nos dois médiuns e observar que Albertine jamais leu o livro sobre do célebre psicólogo.

Para ela, como para Helena Smith, a vidência não é exclusivamente limitada às sessões espíritas.

Quando, fora das incorporações, Albertine está em uma reunião de amigos, se alguém lhe pede, ela visualiza em estado de vigília. Ela só precisa se recolher um momento para ver, nas mesmas condições dispostas acima, as imagens de interesse da existência, as preocupações de pessoas que a interrogam e isso sem que alguém lhe forneça o menor objeto.

Essas imagens chegam a ela muito lentamente e são geralmente de grande exatidão; elas se remetem quase que exclusivamente a fatos passados ou presentes, raramente futuros, e, nesse último caso, os eventos que ela anuncia nem sempre se realizam. Como a maioria dos videntes, ela tem visões notáveis para os outros, mas jamais para o que lhe diz respeito pessoalmente.

Nossas experiências provam que essa faculdade é um fenômeno constante, que se pode reproduzir, por assim dizer, à vontade e simplesmente variável na intensidade e na clareza.

A saúde de Albertina é perfeita; ela está muito bem equilibrada, nos dois pontos de vista: fisiológico e psicológico. Contrariando as tendências histéricas que sempre se desejam encontrar à todo custo nos médiuns, ela é absolutamente normal e no máximo um pouco viva de caráter. Ela jamais teve em sua vida uma só crise de nervos, mas somente no momento de sua formação teve algumas falhas inerentes a essa idade, provocadas pelo cansaço. Ela raramente sofre de dor de cabeça e dorme regularmente um sono de criança, sem agitações; seria impossível encontrar, ali, o menor traço de psicopatia. Nela, a mediunidade é um fato natural, desenvolvido pelo exercício e não um acidente mórbido.

Seu filho de 4 anos é uma maravilha de beleza plástica e de vigor; ao vê-lo, tem-se a impressão de uma natureza que transborda saúde e vida; ele é de uma precocidade extraordinária como força e inteligência.

Os pais de Albertine são robustos camponeses sem nenhuma questão fisiológica que não seja uma surdez em sua mãe, proveniente de um endurecimento precoce do tímpano. Seus avós, seus familiares mais antigos tinham a fama de viver muitos anos, em seu país.

Albertine sem dúvida era predisposta a se tornar médium por sua sensibilidade, sua fineza de percepção; poder-se-ia dizer o mesmo de tantas outras pessoas que conservam o receio de se deixar levar por seu temperamento. Em todo caso, durante sua infância, longe de ser visionária ou sonhadora, ela, ao contrário, revelou um caráter prático e ativo. Não se encontra em seu passado nem amor ao sobrenatural, nem alucinações nem tendência ao automatismo. Quando se percebeu que ela tinha algumas faculdades mediúnicas, muito rudimentares, foi necessário desenvolvê-las, durante longos meses, por um treinamento contínuo.

Estado fisiológico do sujeito. – As constatações seguintes foram feitas em diferentes tomadas pelos doutores Viguier, Maurice Dircksen, Georges Dircksen e Pigot, durante nossas sessões.





Pulsações

Respirações




Sujeito normal acordado...................……….

84

21




Incorporado por Camillo......…..

92

40




mais velho com maior amplitude










de Arthur Moser (42 anos).………..

84 à 96

26




de Yéyé (2 anos e meio)…............

84

24 à 26




de Duhêtre (84 anos)..……………..

94

42

muito fortes

É possível observar as diferenças notáveis de batimentos do coração e da respiração, tendo em conta que o sujeito está em seu estado normal ou que incorpora seja um senhor, seja uma criança.

Entretanto, seria prematuro tirar conclusões definitivas dessas constatações; o quadro seguinte nos mostra, ao menos no que se refere a criança Yéyé, que o número de suas pulsações não correspondia às de uma criança de sua idade.



Pulso à

1 ano

134

de 25 à 50 anos

72



3 anos

108

à 60 anos

75




6 anos

90

à 80 anos

80




10 anos

80

à 85 anos

93

Há aí um tema de estudo muito interessante que recomendamos aos biólogos e que retomaremos, incessantemente, por nossa própria conta.

Nas últimas sessões, para cercar a realidade mais de perto, adotamos o hábito de fazer não somente constatações fisiológicas sobre o sujeito, mas igualmente perguntar aos espíritos incorporados algumas linhas escritas e sua assinatura. Continuaremos essas pesquisas e tentaremos, quando for possível, comparar a escrita e a assinatura dos falecidos com aquelas que tivermos obtido. Esses documentos psicológicos são de primeira importância e constituirão novas provas do mais alto valor. Os intelectuais não conservarão sempre a intransigência do professor Flournoy, que jamais reconheceu nas assinaturas do cura Burnier e do síndico Chaumontet uma semelhança que o mais incapaz dos experts não poderia recusar.

Digamos, enfim, que para estabelecer os fatos de uma maneira irrefutável, tivemos o cuidado de juntar aos relatórios, todas as vezes que foi possível, as referências correspondentes, quer dizer, os nomes e endereços de testemunhas e de investigadores. É possível ter informações junto a essas pessoas, todas dignas e que estão prontas a atestar a veracidade de nossas citações.

V

Visões em estado de vigília

Duvidar de tudo ou crer em tudo,

essas são duas soluções igualmente cômodas,

que, tanto uma quanto a outra, nos eximem de refletir.

Henry Poincaré

A primeira visão de Albertine remonta ao ano de 1919. Ela se encontrava na casa do comandante Darget onde os amigos habitualmente reuniam-se todas as semanas. Para sua grande surpresa, ela viu formas humanas se apresentarem ao lado de uma das assistentes.

“Madame, disse ela a essa última, há crianças ao seu lado. Eu vejo um jovem homem atrás da senhora. Ele se chama Pierre. É seu filho mais velho.

- Sim, é verdade; pergunte a ele se ele pode me dizer onde está Georges?

- Pierre responde: mamãe, é uma prova; a senhora terá uma visão em sonho e verá onde está Georges.”

Ainda que impressionada pelo imprevisto dessa manifestação, Albertine não sentiu nenhum pavor; há muitos anos seu guia Camillo lhe disse que ela iria adquirir essa faculdade e ela estava algo preparada. Mesmo que as informações dadas nessa primeira sessão tenham sido pouco numerosas, sua exatidão foi para ela um encorajamento precioso.

Desde esse momento, as visões se repetiram a cada reunião. Nós não levantamos todas, é claro; nos contentamos em recolher as mais características evitando, assim, cair em fastidiosas repetições.

Importante circunstância a observar: naquela época, Albertine aleitava seu filho. Durante a gravidez e o aleitamento, ela não teve uma incorporação sequer; não teve nada além de visões, como se uma força superior tivesse tido a previdência de não sobrecarregar a mamãe. Ela só começou a incorporar quando parou a amamentação do filho. No começo dessas experiências, seu peso normal era de 47 Quilos; depois de três anos de trabalho mediúnico ela pesa 57. Prova da inocuidade da mediunidade, quando é bem dirigida.


Outra visão na casa do comandante Darget

“Eu vejo junto a senhora, disse ela a Sra. Capéra, um jovem homem com uma jaqueta, polainas, moreno, cabelos grisalhos e abundantes; ele me disse que se chama Marcel. É um parente seu.

- Sim.


- Cometeu suicídio. Ele tem na têmpora uma mancha negra produzida por uma bala de revólver. Ele sofria de neurastenia. Matou-se longe; eu vejo um bosque. Ele tem na mão um plano de horários de trem. Seus pais eram muito religiosos e ele deixou a casa acreditando assim causar menos tristeza”.

Albertine dá a data do falecimento, que se reconhece ser exata, assim como as informações acima, depois ela continua:

“Foi uma pessoa sem ocupação. Ele caçava. Vejo um basset branco com manchas alaranjadas e um outro cachorro maior. Ele deve ter cometido suicídio indo à caça”.

Esses detalhes eram igualmente exatos. Na véspera do suicídio, Marcel tinha pego um plano, como que para se informar do horário dos trens e fazer crer a seus pais que ele ia viajar.

(Na casa do comandante, Darget).

Visões do general Fix e de Papus:

(Na casa do comandante Darget).

“Eu vejo um senhor alto, magro, por volta de 80 anos, atrás dessa dama”.

A dama assim designada é muito forte e Albertine não a conhece.

O comandante Darget insiste:

“Quem é?

- Escuto...Fix.

- Ah! É o general Fix; muito bem, mas ele não deve estar só. Repare bem.

- Sim, vejo agora uma outra forma: um homem com uma barba negra mesclada de pelos brancos; altura mediana, corpulento, olhos grandes e salientes, uma boca volumosa; eu vejo uma bola luminosa sobre a cabeça. De seus dedos saem raios. Ele devia ser médium.

- Insista; talvez ele diga seu nome.

- Eu vejo escrito: Papus”.

Sra. Darget, que é uma excelente vidente, confirma essa visão. Albertine retraça, então, a vida íntima de Papus, que ela não conheceu, com grande abundância de detalhes íntimos; esses detalhes são declarados exatos pela dama forte que é a própria Sra. Encausse, igualmente desconhecida pela médium.

Eis agora alguns extratos de processos verbais, relatando visões que Albertine teve no salão da Sra. Capéra.



Reunião de 13 de outubro de 1919

A médium vê ao lado da Sra. B... um militar graduado, jovem, muito grande e muito forte, bem afeiçoado, olhos claros, cabelos penteados para trás, fronte alta e desembaraçada; ela diz que ele deve ter sido morto instantaneamente, sem ter tido tempo de sofrer. Sinto que esse militar insiste, pois ele quer trazer-lhes esse pensamento doloroso. – Eu vejo agora uma outra pessoa ao lado desse militar: homem de idade, cabelos brancos; deve ter morrido por volta de 55 anos, mas parecia mais velho. Foi casado e creio que era da mesma família do militar. Esse deve ser seu pai”. A sra. B reconhece como perfeitamente exato tudo isso que foi dito.

“A médium vê em seguida diante da sra. D... um senhor idoso parecendo ter 75 anos, segurando uma bengala que lhe servia para tentar andar, como um cego ou um enfermo; é um militar aposentado; ele é calvo, magro, algo baixo; não morreu em Paris. Eu o vejo numa propriedade do Sul, onde morreu. Eu o vejo numa poltrona de vime, na qual ele costumava ficar. Ele esfrega as mãos e espera que uma de suas filhas leia o jornal para ele. É a mais nova que era encarregada de seu cuidado; a senhora, a senhora era a mais velha.

“A médium indica a data da morte e vê, em seguida, uma jovem mulher colocando sua mão sobre o ombro do senhor com um ar protetor. Essa jovem mulher deve ter morrido de uma doença no ventre ou no pós-parto. – A sra. D. reconhece sua mãe, morta no parto, mas ela se espanta que ela apareça assim tão jovem, ao lado de seu pai morto já idoso. A médium responde que sua mãe não envelheceu no mesmo tempo que seu pai, uma vez que o espírito se mostra tal qual era no momento da morte.

Nesse momento, como para dar uma explicação, o senhor idoso se reapresenta como fora aos 30 anos, oficial com o patente de capitão que ele tinha quando se casou e que estabeleceu uma base militar no Sul. Todos os detalhes acima são reconhecidos exatos pela sra. D”.

Observemos que o pai da sra. D., a princípio se apresenta como era quando tinha 75 anos, depois quando tinha 30 anos. Eis a explicação desta estranha faculdade: o períspirito possui o poder de retomar um instante, sob a influência de sua própria vontade, uma das formas que o constituíram durante sua vida terrestre. Ele pode reconstituir seja como criança, seja como adulto, seja como idoso, todas as etapas de sua existência passada. Esse é um fenômeno de ideoplastia que é completamente geral e que todos os bons médiuns videntes constataram. Existem casos onde o espírito materializado pôde retomar sob os olhos dos assistentes a forma que ele tinha não no momento da morte, mas quando estava na flor da idade (caso Brackett).

Continuemos a folhear o registro dos processos verbais obtidos na casa da sra. Capéra.



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