Fr ancisco Cândido Xavier livro da esperançA



Baixar 0.95 Mb.
Pdf preview
Página1/3
Encontro20.01.2023
Tamanho0.95 Mb.
#63064
  1   2   3
Livro da Esperanca (psicografia Chico Xavier - espirito Emmanuel)



2 –
Fr ancisco Cândido Xavier
LIVRO DA ESPERANÇA 
Ditada pelo Espírito: 
Emmanuel 
Psicografada por: 
Francisco Cândido Xavier
Publicado em 1964 pela CEC

Comunidade Espírita Cristã 
Uberaba ­ MG 
Digitalizada por: 
L. Neilmoris 
© 2OO8 ­ Brasil 
www.luzespirita.org


3 –
LIVRO DA ESPERANÇA (pelo Espírito
Emmanuel

Livro 
da 
Esperança 
Ditada pelo Espírito: 
EMMANUEL 
Psicografada por: 
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


4 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Índice 
Livro da Esperança 
Obrigado, Senhor! 
1 – Culto Espírita 
2 – Na presença do Cristo 
3 – Na construção do futuro 
4 – Perante o Mundo 
5 – No Reino em construção 
6 – Evolução e aprimoramento 
7 – Ante o livre arbítrio 
8 – Instituto de tratamento 
9 – O remédio justo 
10 – Perante o corpo 
11 – Em louvor da alegria 
12 – Nós e o Mundo 
13 – Na hora da tristeza 
14 – Cristãos sem Cristo 
15 – Espíritas, instrui­vos! 
16 – Ninguém é inútil 
17 – Supercultura 
18 – Pequeninos 
19 – Companheiros mudos 
20 – No domínio das provas 
21 – Pacificação 
22 – Amenidade 
23 – Nos domínios da paciência 
24 – Verbo nosso 
25 – Donativo da alma


5 –
LIVRO DA ESPERANÇA (pelo Espírito
Emmanuel

26 – Falar 
27 – Na luz da indulgência 
28 – Psicologia da Caridade 
29 – Meio­bem 
30 – Beneficência e justiça 
31 – Em favor da alegria 
32 – Compaixão e socorro 
33 – Compaixão sempre 
34 – Deveres humildes 
35 – Eles antes 
36 – Na hora da assistência 
37 – Exercício do Bem 
38 – Credores no Lar 
39 – Familiares 
40 – Na intimidade doméstica 
41 – Concessões 
42 – Nas Sendas do Mundo 
43 – Emprego das riquezas 
44 – Dinheiro, o servidor 
45 – Propriedades 
46 – Moeda e trabalho 
47 – Amigo e servo 
48 – Bênção de Deus 
49 – Dinheiro e serviço 
50 – Conceito do Bem 
51 – Na construção da virtude 
52 – Auxiliar 
53 – Bênção maior 
54 – Engenho Divino 
55 – Na forja da vida 
56 – Cada servidor em sua tarefa 
57 – Pára e pensa


6 –
Fr ancisco Cândido Xavier
58 – Ter e manter 
59 – Na exaltação do trabalho 
60 – Tais quais somos 
61 – Com o auxílio de Deus 
62 – Auxilio e nós 
63 – Ante os incrédulos 
64 – Médiuns de toda parte 
65 – Máximo e mínimo 
66 – O espírita 
67 – Tempo de hoje 
68 – Idéia Espírita 
69 – Conjunto 
70 – Ser espírita 
71 – Diante da vida social 
72 – Exterior e conteúdo 
73 – Seara Espírita 
74 – Ler e estudar 
75 – No caminho da elevação 
76 – Uniões de prova 
77 – Espiritismo e nós 
78 – Ante o Divino Médico 
79 – Estudo íntimo 
80 – Nossas cruzes 
81 – Campeonatos 
82 – Auxílio do Alto 
83 – Setor pessoal 
84 – Palavras de Jesus 
85 – Comunidade 
86 – Pensamento Espírita 
87 – Ante a Mediunidade 
88 – Em louvor da prece 
89 – Lembra­te auxiliando 
90 – Ora e segue


7 –
LIVRO DA ESPERANÇA (pelo Espírito
Emmanuel

Livro da Esperança 
Leitor amigo: este livro, gravitando em torno de “O EVANGELHO 
SEGUNDO O ESPIRITISMO”, cujas consolações e raciocínios pretende 
palidamente refletir, não tem, outro objetivo senão convidar­nos ao estudo das 
sempre novas palavras de Cristo. Muitos homens doutos falaram, delas, através do 
tempo e alguns deles, decerto com a melhor intenção, alteraram­lhes, de algum 
modo, o sentido, para acomodá­las aos climas sociais e políticos em que vivem.
“ Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes do Céu”, entretanto, voltaram 
a interpretá­las, em sua expressão pura e simples, reafirmando­nos que, hoje quanto 
ontem, é possível a cada um de nós ouvir Jesus, no âmago da alma, a repetir­nos 
com. segurança: “
aquele que me segue não anda em trevas” . 
Das esferas superiores, tornaram, os mensageiros da Providência Divina, 
asseverando que Ele vive para sempre, junto de nós, sem. desesperar de nossas 
fraquezas... Mestre abnegado, repete, indefinidamente, a mesma lição milhares de 
vezes; orientador, dá­nos serviço e aponta­nos o rumo certo na estrada a palmilhar; 
amigo, compreende­nos as faltas e incorreções, sem privar­nos de auxilio; 
companheiro caminha conosco, alentando­nos os sonhos, multiplicando­nos, as 
alegrias das horas sem nuvens e enxugando­nos as lágrimas, nos dias de provação e 
desalento, sem humilhar­nos a pequenez. 
Peregrinos da evolução, que todos ainda somos — os que lutamos por 
regenerar­nos, melhorar­nos e aprimorar­nos na Terra,, na condição de encarnados e 
desencarnados —, ouçamos, com Allan Kardec,, a explicação clara dos princípios 
evangélicos, que nos certificam de que ninguém está desamparado, que todos os 
homens são filhos de Deus e que nenhum é órfão de consolação e ensinamento, 
desde que, se apresente nas fontes vivas da Boa Nova, de espírito renovado e 
coração sincero!... 
É por isso, leitor amigo, que em nos associando aos teus anseios de 
sublimação, que se nos irmanam na mesma trilha de necessidade e confiança, diante 
do Primeiro Centenário do “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, nós 
te rogamos permissão para nomear este livro despretensioso de servidor 
reconhecido, como sendo Livro da Esperança.
Emmanuel 
Uberaba, 18 de Abril de 1964


8 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Obrigado, Senhor! 
Há um século, convidaste Allan Kardec, o apóstolo de teus princípios, à 
revisão dos ensinamentos e das promessas que dirigiste ao povo, no Sermão da 
Montanha, e deste­nos “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”. 
Desejavas que o teu verbo, como outrora, se convertesse em pão de alegria 
para os filhos da Terra e chamaste­nos à caridade e à fé, para que se nos 
purificassem as esperanças nas fontes vivas do sentimento. 
Mensagens de paz e renovação clarearam o mundo! Diante das tuas 
verdades que se desentranharam da letra, abandonamos os redutos de sombra a que 
nos recolhíamos, magnetizados por nossas próprias ilusões, e ouvimos­te, de novo, a 
palavra solar da vida eterna! Agradecemos­te esse livro, em que nos induzes à 
fraternidade e ao trabalho, à compreensão e à tolerância, arrebatando­nos à 
infligência das trevas, pela certeza de tuas perenes consolações. 
Obrigado, Senhor, não somente por nós, que devemos a essas páginas as 
mais belas aspirações, nas tarefas do Cristianismo Redivivo, mas também por 
aqueles que as transfigurariam em bússola salvadora, nos labirintos da obsessão e da 
delinqüência; pelos que as abraçaram, quais âncoras de apoio, em caliginosas noites 
de tentação e desespero; por aqueles que, as consultaram, nos dias de aflição e 
desalento aceitando­lhes as diretrizes seguras nas veredas da provação regenerativa; 
pelos que as transformaram, em bálsamo de conforto e paciência, nos momentos de 
angústia; pelos que ouviram, junto delas, o teu pedido de oração e de amor a bem 
dos inimigos, esquecendo as afrontas que lhes retalharam os corações; pelos que as 
apertaram de encontro ao peito, para não tombarem asfixiados pelo pranto da 
saudade e da desolação à frente da morte; e por todos aqueles outros que aprenderam 
com elas a viver e confiar servir e desencarnar, bendizendo­te o nome! 
Oh! Jesus! No luminoso centenário de “O EVANGELHO SEGUNDO O 
ESPIRITISMO”, em vão tentamos articular, diante de ti, a nossa gratidão jubilosa!... 
Permite, pois, agradeçamos em prece a tua abnegação tutelar e, enlevados ante o 
Livro Sublime, que te revive a presença entre nós, deixa que te possamos repetir, 
humildes e reverentes: Obrigado, Senhor!...


9 –
LIVRO DA ESPERANÇA (pelo Espírito
Emmanuel


Culto Espírita
“Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os 
profetas: não os vim destruir, mas cumpri­los.” 
J esus
(Mateus, 5:11) 
Assim como o Cr isto disse: “Não vim destr uir a lei, 
por ém cumpr i­la”, também o Espir itismo diz: “Não venho 
destr uir a lei cr istã, mas dar ­lhe execução.” 
(Cap. 1, item: 7) 

O Culto Espírita, expressando veneração aos princípios evangélicos que ele 
mesmo restaura, apela para o íntimo de cada um, a fim de patentear­se. 
Ninguém precisa inquirir o modo de nobilitá­lo com mais grandeza, porque 
reverenciá­lo é conferir­lhe força e substância na própria vida. 
Mãe, aceitarás os encargos e os sacrifícios do lar amando e auxiliando a 
Humanidade, no esposo e nos filhos que a Sabedoria Divina te confiou. 
Dirigente, honrarás os dirigidos. Legislador, não farás da autoridade 
instrumento de opressão. Administrador, respeitarás a posse e o dinheiro, 
empregando­lhes os recursos no bem de todos, com o devido discernimento. Mestre, 
ensinarás construindo. Pensador, não torcerás as convicções que te enobrecem. 
Cientista, descortinarás caminhos novos, sem degradar a inteligência. Médico, 
viverás na dignidade da profissão sem negociar com as dores dos semelhantes. 
Magistrado, sustentarás a justiça. Advogado, preservarás o direito. Escritor, não 
molharás a pena no lodo da viciado, nem no veneno da injúria. Poeta, converterás a 
inspiração em fonte de luz. Orador, cultivarás a verdade. Artista, exaltarás o gênio e 
a sensibilidade sem corrompê­los. Chefe, serás humano e generoso, sem fugir à 
imparcialidade e à razão. Operário, não furtarás o tempo, envilecendo a tarefa. 
Lavrador, protegerás a terra. Comerciante, não incentivarás a fome ou o desconforto, 
a pretexto de lucro. Cobrador de impostos, aplicarás os regulamentos com eqüidade. 
Médium, serás sincero e leal aos compromissos que abraças, evitando perverter os 
talentos do plano espiritual no profissionalismo religioso. 

A presente citação e todas as demais colocadas neste livro, em seguida aos textos evangélicos, forem 
extraídas de “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, de Allan Kardec. —
Nota do Autor 
espiritual
.


10 –
Fr ancisco Cândido Xavier
O culto espírita possui um templo vivo em cada consciência na esfera de 
todos aqueles que lhe esposam as instruções, de conformidade com o ensino de 
Jesus:
“ O reino de Deus está dentro de vós” e toda a sua teologia se resume na 
definição do Evangelho:
“ a cada um por suas obras” . 
A vista disso, prescindindo de convenção pragmática, temos nele o 
caminho libertador alma, educando­nos raciocínio e sentimento, para que possamos 
servir na construção do mundo melhor.


11 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Na presença do Cristo
“Em verdade vos digo que o Cia e a Terra não passarão 
sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, 
enquanto reste um único iota e um único ponto.”
J esus
(Mateus, 5:18) 
“O Cr isto foi o Iniciador da mais pur a, da mais 
sublime mor al, da mor al evangélico­Cr istã, que há de r enovar
o mundo, apr oximar os homens e tor ná­los ir mãos; que há de 
fazer br otar de todos os cor ações a car idade e o amor do 
pr óximo e estabelecer entr e os humanos uma solidar iedade 
comum; de uma per feita mor al, enfim, que há de tr ansfor mar
a Ter r a, tor nando­a mor ada de Espír itos super ior es aos que 
hoje a habitam.” 
(Cap. 1, item: 9) 
A ciência dos homens vem liquidando todos os problemas, alusivos ao 
reconforto da Humanidade. Observou a escravidão do homem pelo próprio homem e 
dignificou o trabalho, através de leis compassivas e justas. 
Reconheceu o martírio social da mulher que as civilizações mantinham em 
multimilenário regime de cativeiro e conferiu­lhe acesso às universidades e 
profissões. Inventariou os desastres morais do analfabetismo e criou a grande 
imprensa. 
Viu que a criatura humana tombava prematuramente na morte, esmagada 
em atividade excessiva pela própria sustentação e deu­lhe a força motriz. 
Examinou o insulamento dos cegos e administrou­lhes instrução adequada. 
Catalogou os delinqüentes por enfermos transformou prisões em penitenciárias­ 
escolas. 
Comoveu­se, diante das moléstias contagiosas, e fabricou a vacina. 
Emocionou­se, perante os feridos e doentes desesperados, e inventou a anestesia. 
Anotou os prejuízos da solidão e construiu máquinas poderosas que 
interligassem os continentes. 
Analisou o desentendimento sistemático que oprimia as nações e ofereceu­ 
lhes o livro e o telegrafo, o rádio e a televisão que as aproxima na direção de um 
mundo só.


12 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Entretanto, os vencidos da, angústia aglomeram­se na Terra de hoje como 
enxameavam na Terra de ontem... 
Articulam­se todas as formas e despontam de todas as direções. 
Perderam o emprego, que lhes garantia a estabilidade familiar e 
desorientam­se abatidos, À procura de pão, foram despejados de teto, hipotecado a 
solução de constringentes necessidades e vagueiam sem rumo. 
Encontram­se despojados de esperança pela deserção dos afetos mais caros 
e abeiram­se do suicídio. 
Caíram em perigosos conflitos da consciência e aguardam leve sorriso que 
os reconforte. Envelheceram sacrificados pelas exigências de filhos queridos que 
lhes renegaram a convivência nos dias da provação e amargam doloroso abandono. 
Adoeceram gravemente e viram­se transferidos da equipe domestica para os azares 
da mendicância. Transviaram­se no pretérito e renasceram, trazendo no próprio 
corpo os sinais aflitivos das culpas que resgatam, pedindo cooperação. Despediram­ 
se dos que mais amavam no frio portal do túmulo e carregam os últimos sonhos da 
existência cadaverizados agora no esquife do próprio peito. 
Abraçaram tarefas de bondade e ternura e são mulheres supliciadas de 
fadiga e de pranto, conduzindo os filhinhos que alimentam à custa das próprias 
lágrimas. Gemem, discretos, e surgem na forma de crianças, desprezadas, à maneira 
de flores que a ventania quebrou, desapiedada, no instante do amanhecer. 
Para eles, os que tombaram no sofrimento moral, a ciência dos homens não 
dispõe de recursos. É por isso que Jesus, ao reuni­los em multidão, no tope do 
monte, desfraldou a bandeira da caridade e, proclamando as bem­aventuranças 
eternas, no­los entregou por filhos do coração... 
Companheiro da Terra quando estendes uma palavra consoladora ou um 
abraço fraterno, uma gota de bálsamo ou uma concha de sopa, aliviando os que 
choram, estás diante deles, na presença do Cristo, com quem aprendemos que o 
único remédio capaz de curar as angústias da vida nasce do amor, que derrama, 
sublime, da ciência de Deus.


13 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Na construção do futuro
“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo...” 
J esus
(João, 18: 36) 
“Todo cr istão, pois, fir memente cr ê na vida futur a, 
mas a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e 
por Isso mesmo, falsa em diver sos pontos. Par a gr ande 
númer o, de pessoas, não, há, a tal r espeito, mais de que uma 
cr ença, balda de cer teza absoluta, donde as dúvidas e mesma a 
incr edulidade, O Espir itismo veio completar , nesse ponto, 
coma em vár ios outr os, o ensino do Cr isto, fazendo­o, quando 
os homens já se mostr am madur os bastante par a apr eender em 
a ver dade.” 
(Cap. 11, Item 3) 
Esperavas pelos irmãos do caminho a fim de te entregares A construção da 
Terra melhor e quedas­te, muita vez, em amargoso desalento porque tardem a vir. 
Observa, porém, a estrada longa da evolução, para que o entendimento te 
pacifique. 
Milhares deles são corações de pensamento verde que te rogam apoio e 
outros muitos seguem trilha adiante, inibidos por névoas interiores que 
desconhecem. 
Repara os que se renderam às lágrimas excessivas. 
Choraram tanto que turvaram os olhos não mais divisando os companheiros 
infinitamente mais desditosos a lhes suplicarem auxilio nas vascas da aflição. 
Contempla os que passam vaidosos sem saberem utilizar, construtivamente, 
os favores da fortuna. Habituaram­se tanto às enganosas vantagens da moeda 
abundante que perderam o senso íntimo. 
Enumera os que se embriagam de poder transitório. 
Abusaram tanto da autoridade que caíram na exaltação da paranóia sem 
darem conta disso. 
Relaciona os que asseveram amar, transformando a afetividade no egoísmo 
envolvente. 
Apaixonaram­se tanto por criaturas e coisas, cultivando exigências que 
deliram positivamente sem perceber.


14 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Anota os que avançam, hipnotizados pelas dignidades que receberam do 
mundo. 
Fascinaram­se tanto pelas honras exteriores que olvidaram os semelhantes a 
quem lhes compete o dever de servir. 
Nenhum deles atrasou por maldade. Foram vítimas da ilusão que 
freqüentemente, se agiganta qual imenso nevoeiro na periferia da vida, mas 
regressarão depois à verdade triunfante para atenderem is tarefas que realizas. 
Para todos eles que ainda não conseguiram chegar à grande renovação é 
compreensível o adiamento do trabalho a fazer. 
Entretanto, nada nos justificaria desânimo ou deserção na Obra do Cristo, 
porque embora estejamos consideravelmente distantes da sublimação necessária, 
transportamos conosco o raciocínio lúcido e libertado no sustento da fé.


15 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Perante o Mundo
“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede 
também em mim.” 
J esus
(João, 14:1) 
“A casa do Pai é o Univer so. As difer entes mor adas 
São os Mundos que cir culam no espaço infinito e ofer ecem aos 
Espír itos que neles encar nam, mor adas cor r espondentes ao 
adiantamento dos mesmos Espír itos.” 
(Cap. 111, Item 2) 
Clamas que não encontraste a felicidade no mundo, quando o mundo — 
bendita universidade do espírito —, dilapidado por inúmeras gerações, te inclui 
entre aqueles de quem espera cooperação para construir a própria felicidade. 
Quando atingiste o diminuto porto do berço, com a fadiga da ave que tomba 
inerme, depois de haver planado longo tempo sobre mares enormes, conquanto 
chorasses, argamassavas com teus vagidos, a alegria e a esperança dos pais que te 
acolhiam, entusiasmados e jubilosos, para seres em casa o esteio da segurança. 
Alcançaste o verde refúgio da meninice embora mostrasses a inconsciência 
afável da infância, foste para os mestres que te afagaram na escola a promessa viva 
de luz e realização que lhes emblemava o porvir. Chegaste ao róseo distrito da 
juventude e apesar da inexperiência em que se te esfloravam todos os sonhos, os 
dirigentes de serviço, na profissão que abraçaste, contavam contigo para dignificar o 
trabalho e clarear os caminhos. 
Constituíste o lar próprio e, não obstante tateasses os domínios da 
responsabilidade, em meio de flores e aspirações, espíritos, afeiçoados e amigos te 
aguardavam generoso concurso para se corporificarem na condição de teus filhos 
através da reencarnação. 
Penetraste os círculos da fé renovadora que te honra os anseios de perfeição 
espiritual e se bem que externasses imediata necessidade de esclarecimento e 
socorro, companheiros de ideal saudaram­te a presença, na certeza de teu apoio ao 
levantamento das iniciativas mais nobres. 
Casa que habitas, campo que lavras, plano que arquitetas e obras que 
edificas, solicitam­te paz e trabalho. Amigos que te ouvem rogam­te bom amimo. 
Doentes que te buscam suspiram por melhoras. Criaturas que te rodeiam pedem­te 
amparo e compreensão para que lhes acrescentes a coragem.


16 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Cousas que te cercam requisitam­te proteção e entendimento para que se 
lhes aprimore o dom de servir. Tudo é ansiosa expectativa, ao redor de teus passos. 
Não maldigais a Terra que te abençoa. 
Afirmas que esperas, em vão, pelo auxílio do mundo... Entretanto é o 
mundo que espera confiantemente por ti.


17 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


No Reino em construção
“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não 
fosse, já eu vo­lo feria dito, pois me vou para vos preparar o 
lugar.” 
J esus
(João, 14: 2) 
“Entr etanto, nem todos os Espír itos que encar nam na 
Ter r a vão par a ai em expiação”. 
(Cap. 111, Item 14) 
Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da 
Humanidade, como quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do 
mármore de obra­prima inacabada e costumas dizer que a Terra está perdida. 
Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela 
santificação do porvir. 
Compulsaste as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio 
lamentável e sob a extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias 
a tua própria versão do acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do 
crime. 
Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e 
heroísmo, que abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinqüência 
desapareça. 
Conheceis jovens que se transviaram na leviandade, desvairando­se em 
golpes de selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que 
devem estar catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se 
encontra em adiantado processo de desagregação do caráter. 
Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre 
livros e máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando 
o próprio corpo à fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso. 
Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê­los 
comprando o próprio desgaste a prego de ouro, acreditas que toda a comunidade 
humana jaz entregue à demência e ao desperdício. 
Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a 
noite, no recinto das fábricas e junto dos linotipos, em hospitais e escritórios, nas 
atividades da limpeza e da vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde 
e a tranqüilidade do povo sejam asseguradas.


18 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e 
esposas a convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos; de 
avareza e crueldade. 
Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da 
beneficência, que diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os 
homens conheçam a honra de trabalhar e a alegria de viver. 
Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de a1guns. 
Medita, em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e 
amando, no levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor 
do Reino de Deus no mundo está esperando também por ti.


19 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Evolução e aprimoramento
“Respondeu­lhe J esus: Em verdade, em verdade, digo­ 
te: Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” 
J esus
(João, 3: 3) 
“A r eencar nação é a volta da alma ou Espír ito à vida 
cor pór ea, mas em outr o cor po especialmente for mado par a ele 
e que nada tem de comum com o antigo.” 
(Cap. IV, Item 4) 
Decididamente, em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o senhor da 
evolução na Terra. 
Todos os elementos se lhe sujeitam à discrição. 
Todos os reinos do planeta rendem­lhe vassalagem. 
Montanhas ciclópicas sofrem­lhe a carga de explosivos, transfigurando­se 
em matéria­prima destinada à edificação de cidades prestigiosas. 
Minérios por ele arrancados às entranhas do globo, suportam­lhe os fornos 
incandescentes, a fim de lhe garantirem utilidade e conforto. 
Rios e fontes obedecem­lhe as determinações, transferindo­se de leito, com 
vistas à fertilização da gleba sedenta. 
Florestas atendem­lhe a derrubada, favorecendo o progresso. 
Animais, ainda mesmo aqueles de mais pujança e volume, obedecem­lhe as 
ordens, quedando­se integralmente domesticados. 
A eletricidade e o magnetismo plasma­lhe os desejos. 
E o próprio átomo, síntese de força cósmica, descerra­lhe os segredos, 
aceitando­lhe as rédeas. 
Mas não é só no domínio dos recursos materiais que o homem governa, 
soberano. Ele pesquisa as reações populares e comanda a política; investiga os 
fenômenos da natureza e levanta a ciência; estuda as manifestações do pensamento e 
cria a instrução; especializa o trabalho e faz a indústria; relaciona as imposições do 
comércio e controla a economia. 
Claramente, nós, os espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento 
terrestre, conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a 
que transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os 
impróprios da luz infinita, estuantes no Universo.


20 –
Fr ancisco Cândido Xavier
À face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides 
educativas que nos são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta. 
O professor ensina, mas o aluno deve realizar­se. 
Os espíritos superiores nos amparam. e esclarecem, no entanto, é disposição 
da Lei que cada consciência responda pelo próprio destino. 
Meditemos nisso, valorizando as oportunidades em nossas mãos. 
Por muito alta que seja a quota de trabalho corretivo que tragas dos 
compromissos assumidos em outras reencarnações, possuis determinadas sobras de 
tempo — do tempo que é patrimônio igual para todos —, e com o tempo de que 
dispões, basta usares sabiamente a vontade, que tanta vez manejamos para agravar 
nossas dores, a fim de te consagrares ao serviço do bem e ao estudo iluminativo, 
quando quiseres, como quiseres, onde quiseres e quanto quiseres, melhorando­te 
sempre.


21 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Ante o livre arbítrio
“Nada te admires de que eu te haja dito ser preciso que 
nasças de novo.” 
J esus
(João, 3:7) 
“Não há, pois, duvidar de que sob o nome de 
r essur r eição o pr incipio do r eencar nação er a ponto de uma dos 
cr enças fundamentais dos judeus, ponto que J esus e as 
pr ofetas confir mar am de modo for mal; donde se segue que 
negar a r eencar nação é negar as palavr as do Cr isto.” 
(Cap. IV, Item 16) 
Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre arbítrio, alegando que a 
pessoa no mundo é tão independente quanto o pássaro no alçapão. 
E, justificando a assertiva, mencionam a junção compulsória do espírito ao 
veiculo carnal, os constrangimentos da parentela, as convenções sociais, as 
preocupações incessantes na preservação da energia corpórea, as imposições do 
trabalho e a obediência natural aos regulamentos constituídos para a garantia da 
ordem terrestre, esquecendo­se de que não há escola sem disciplina. 
Certamente, todos os patrimônios da civilização foram erigidos pelas 
criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do bem, no entanto, para fixar 
as realidades do livre arbítrio examinemos o reverso do quadro. 
Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos irmãos menos felizes, 
para recolher­lhes a dolorosa lição. Pensemos no desencanto daqueles que 
amontoaram moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em 
louvor da própria avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz 
que lhes mitigue as aflições nas trevas... 
Imaginemos o suplicio dos que trocaram veneráveis encargos por 
fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência, qual se fossem 
arremessados, sem perceber a secura asfixiante de escabroso deserto. 
Ponderemos a tortura dos que abusaram da inteligência, reconhecendo, à 
margem da sepultura, os deprimentes resultados do desprezo com que espezinharam, 
a dignidade humana... 
Consideremos o martírio dos que desvirtuaram a fé religiosa, anulando­se 
no isolamento improdutivo, ao repararem, no término da estância terrestre, que 
apenas disputaram a esterilidade do coração.


22 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Meditemos no remorso dos que se renderam à delinquência, hipnotizados 
pela falsa adoração a si mesmos, acordando abatidos e segregados no fundo das 
penitenciárias de sofrimento. 
Ninguém pode negar que todos eles, imanizados ao cativeiro da angústia, 
eram livres... Conquanto os empeços do aprendizado na experiência física eram 
livres para construir e educar, entender e servir. 
Eis porque a Doutrina Espírita fulge, da atualidade, diante da mente 
humana, auxiliando­nos a descobrir os Estatutos Divinos, funcionando em nós 
próprios, no foro da consciência, a fim de aprendermos que a liberdade de fazer o 
que se quer está condicionada à liberdade de fazer o que se deve. 
Estudemos os princípios da reencarnação, na lei de causa e efeito, à luz da 
justiça e da misericórdia de Deus e perceberemos que mesmo encarcerados agora em 
constringentes obrigações, estamos intimamente livres para aceitar com respeito e 
humildade as determinações da vida, edificando o espírito de trabalho e 
compreensão naqueles que nos observam e nos rodeiam, marchando, 
gradativamente, para a nossa emancipação integral, desde hoje.


23 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


Instituto de tratamento
“O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do 
Espírito é espírito.” 
Jesus (João, 3: 6) 
“Os laços de família não sofr em destr uição alguma 
com a r eencar nação, como o pensam cer tas pessoas. Ao 
contr ár io, tor nam­se mais for talecidos e aper tados. O pr incípio 
oposto, sim, os destr ói.?” 
(Cap. IV, Item 18) 
Atingindo o Plano Espiritual, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos 
senhoreiam o coração. 
Nos recessos do espírito, rebentam mágoas e júbilos, poemas de ventura e 
gritos de aflição, cânticos de louvor pontilhados de fel e brados de esperanças que se 
calam, de súbito, no gelo do sofrimento. 
Rimos e choramos, livres e presos, triunfantes e derrotados, felizes e 
desditosos... 
Bênçãos de alegria, que nos clareiam. pequeninas vitórias alcançadas, 
desaparecem, de pronto, no fundo tenebroso das quedas que nos marcaram a vida. 
Suspiramos pela ascensão sublime, sedentos de comunhão com as entidades 
heróicas que nos induzem aos galardões fulgentes dos cimos, todavia, trazemos o 
desencanto das aves cativas e mutiladas. 
Ao invés de asas, carregamos grilhões, na penosa condição de almas 
doentes... 
Na concha da saudade, ouvimos as melodias que irrompem das vanguardas 
de luz, entretecidas na glória dos bem­aventurados, no entanto, austeras 
admoestações nos chegam da Terra pelo sem­fio da consciência... 
Nas faixas do mundo somos requisitados pelas obrigações não cumpridas. 
Erros e deserções clamam dentro de nós, pedindo reparos justos... 
Longe das esferas superiores que ainda não merecemos e distanciados das 
regiões positivamente inferiores em que nossas modestas aquisições evolutivas 
encontraram inicio, concede­nos, então, a Providência Divina, o refúgio do lar, entre 
as sombras da Terra e as rutilâncias do Céu, por instituto de tratamento, em que se 
nos efetive a necessária restauração.


24 –
Fr ancisco Cândido Xavier
É assim que reencarnados em nova armadura física, reencontramos 
perseguidores e adversários, credores e cúmplices do pretérito, na forma de parentes 
e companheiros para o resgate de velhas contas. 
Nesse cadinho esfervilhante de responsabilidades e inquietações, afetos 
renovados nos chamam ao reconforto, enquanto que aversões redivivas nos pedem 
esquecimentos... 
A vista disso, no mundo, por mais atormentado nos seja o ninho familiar 
abracemos nele a escola bendita do reajuste onde temporariamente exercemos o 
oficio da redenção. 
Conquanto crucificados em suplícios anônimos atados a postes de sacrifício 
ou semi­asfixiado no pranto desconhecido das grandes humilhações, saibamos 
sustentar­lhe a estrutura moral, entendendo e servindo, mesmo à custa de lágrimas, 
porque é no lar, esteja ele dependurado na crista de arranha­céus, ou na choça tosca 
de zinco, que as leis da vida nos oferecem as ferramentas de amor e da dor para a 
construção e reconstrução do próprio destino entregando­nos, de berço em berço, ao 
carinho de Deus que verte inefável pelo colo das mães.


25 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel


O remédio justo
“Bem­aventurados os que choram porque serão consolados.” 
J esus
(Mateus, 5:4) 
“Por estas palavr as: ‘Bem­aventur ados os aflitos, pois 
que ser ão consolados’, J esus aponta a compensação que hão de 
ter os que sofr em e a r esignação que leva o padecente a 
bendizer do sofr imento, come pr elúdio da cur a.” 
(Cap. V, Item 12) 
Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiões, quando tudo 
indica, que forças contrárias às tuas noções de segurança e conforto, comparecem, 
terríveis, nos caminhos terrestres. 
Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam­te 
indagações aflitivas. 
Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas? 
Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras 
calamidades? 
Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores, 
diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que amam 
verdadeiramente na Terra. 
Ausculta o sentimento das mães devotadas que bendizem com lágrimas as 
grades do manicômio para os filhos que se desvairaram no vicio, de modo a que não 
se transfiram da loucura à criminalidade confessa. 
Ouve os gemidos de amargura suprema dos pais amorosos que entregam os 
rebentos, do próprio sangue no hospital, para que lhes seja amputado esse ou aquele 
membro do corpo, a fim de que a moléstia corruptora, a que fizeram jus pelos erros 
do passado, não lhes abrevie a existência. 
Escuta as esposas abnegadas, quando compelidas a concordarem chorando 
com os suplícios do cárcere para os companheiros queridos, evitando­se­lhes a 
queda, em fossas mais profundas de delinqüência. 
Perquire o pensamento dos filhos afetuosos, ao carregarem, esmagados de 
dor, os pais endividados em doenças infecto­contagiosas na direção das casas de 
isolamento, a fim de que não se convertam em perigo para a comunidade. 
Todos eles trocam as frases de carinho e os dedos veludosos pelas palavras 
e pelas mãos de guardas e enfermeiros, algumas vezes desapiedados e frios, embora


26 –
Fr ancisco Cândido Xavier
continuem mentalmente jungidos aos seres que mais amam, orando e trabalhando 
para que lhes retornem ao seio. 
Quando vejas alguém submetido aos mais duros entraves, não suponhas que 
esse alguém permaneça no olvido por parte dos benfeitores espirituais que lhe 
seguem a marcha. 
O amor brilha e paira sobre todas as dificuldades, à maneira do sol que 
paira e brilha sobre todas as nuvens. 
Ao invés de revolta e desalento, oferece paz e esperança ao companheiro 
que chora, para que, à frente de todo mal, todo o bem prevaleça. 
Isso porque onde existem almas sinceras, à procura do bem, o sofrimento é 
sempre o remédio justo da vida para que, junto delas, não suceda o pior.


27 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

1O 
Perante o corpo
“Vós sois a sal da Terra; e se a sal for insípido, com que 
se há de salgar?” 
J esus
(Mateus, 5: 13) 
“Tor tur ar e mar tir izar , voluntar iamente, o vaso cor po 
é contr ar iar a lei de Deus que vos dá meios de sustentá­lo e 
for talecer . Enfr aquecê­lo sem necessidade é um ver dadeir o 
suicídio. Usai, mas não abuseis, tal a lei.” 
(Cap. 5, Item 26) 
Freqüentemente atribuís ao corpo as atitudes menos felizes que te induzem 
à queda moral e, por vezes, diligencias enfraquecê­lo ou flagelá­lo, a pretexto de 
evitar tentações. 
Isso, porém, seria o mesmo que espancar o automóvel porque o motorista 
dementado se dispusesse a utilizá­lo num crime, culpando­se a máquina pelos 
desvios do condutor. 
Muitos relacionam as doenças que infelicitam o corpo, quase todas por 
desídia do próprio homem, olvidando, contudo, que todos os patrimônios visíveis da 
Humanidade na Terra, foram levantados através dele. 
Sócrates legou­nos ensinamentos filosóficos de absoluta originalidade, mas 
não conseguiria articulá­los sem o auxilio da boca. 
Miguel Angel (Michelangelo) plasmou obras­primas, imortalizando o 
próprio nome, entretanto, não lograria concretizá­las sem o uso dos braços. 
Desde Colombo, arriscando­se ao grande oceano para descortinar terras 
novas, aos astronautas dos tempos modernos, que se lançam arrojadamente no 
espaço cósmico, é com os implementos físicos que se dirigem os engenhos de 
condução. 
Da prensa de Gutenberg às rotativas de hoje, ninguém compõe uma página 
sem que as mãos funcionem ativas. 
Do alfinete ao transatlântico e do alfabeto a universidade, no planeta 
terrestre, tudo, efetivamente, é levado a efeito pelo espírito mas por intermédio do 
corpo. E, sem dúvida que pensamentos e planos sublimes, ainda agora, fulguram em 
torno dos homens com respeito à grandeza das civilizações do porvir, contudo, essas 
idéias gloriosas estão para a realidade humana, assim como a sinfonia na pauta está


28 –
Fr ancisco Cândido Xavier
para a música no instrumento. Do ponto de vista físico, é necessário que a 
inteligência lhes dá o curso necessário e a devida interpretação. 
És um espírito eterno, em serviço temporário no mundo. O corpo é teu 
refúgio e teu bastão, teu vaso e tua veste, tua pena e teu buril, tua harpa e tua enxada. 
Abençoa, pois, o teu corpo e ampara­lhe as energias para que ele te abençoe 
e te ampare, no desempenho de tua própria missão.


29 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

11 
Em louvor da alegria
“Bem­aventurados, vós, que agora chorais, porque rireis.” 
J esus
(Lucas, 6: 21) 
“Lembr ai­vos de que, dur ante a vosso degr edo na 
Ter r a, tendes que desempenhar uma missão de que não 
suspeitas, quer dedicando­vos à vossa família, quer cumpr indo 
as diver sas obr igações que Deus vos confiou.” 
(Cap. V, Item 25) 
Nos dias em que a experiência terrestre se faça amargosa e difícil, não 
convertas a depressão em veneno. 
Quando a aflição te ronda o caminho, anuncias trazer o espírito carregado 
de sombra como quem se encontra ausente do lar, ansiando, regresso, entretanto, 
isso não é motivo para que te precipites no desânimo arrasador. 
Acusas­te em trevas e podes mentalizar com a própria cabeça luminosos 
pensamentos de otimismo e fraternidade ou retratar nas pupilas o fulgor do sol e a 
beleza das flores. 
Entregas­te à mudez, proclamando não suportar os conflitos que te rodeiam 
e nada te impede abrir a boca, a fim de pronunciar a frase de reconforto e 
apaziguamento. 
Asseveras que o mundo é imenso vale de lágrimas, cruzando os braços para 
chorar os infortúnios da Terra e possuis duas mãos por antenas de amor capazes de 
improvisar canções de felicidade e esperança no trabalho pessoal em favor dos que 
sofrem. 
Trancas­te em aposento solitário para a cultura da irritação alegando que os 
melhores amigos te não entendem e perdes horas inteiras de pranto inútil e senhorias 
dois pés, à maneira de alavancas preciosas prontas a te transportarem na direção dos 
que atravessam provações muito mais dolorosas que as tuas, junto dos quais um 
minuto de tua conversação ou leve migalha do que te sobra te granjeariam a 
compreensão e a simpatia de enorme família espiritual. 
Em verdade, existe a melancolia edificante, expressando saudade da Vida 
Superior, contudo aqueles que a registram no âmago do próprio ser, consagram­se 
com redobrado fervor ao serviço do bem, preparando no próprio coração a nesga de 
céu, suscetível de identificá­los ao plano celestial que esperam, ansiosos, suspirando


30 –
Fr ancisco Cândido Xavier
pelo reencontro com os entes que mais amam. Ainda assim, é imperioso arredar de 
nós o hábito da tristeza destrutiva, como quem guerreia o culto do entorpecente. 
Espíritos vinculados às diretrizes do Cristo não podemos olvidar que o 
Evangelho, considerado em todos os tempos como sendo um livro de dor, por 
descrever obstáculos e perseguições, dificuldades e martírios sem conta, começa 
exalçando a grandeza de Deus e a boa vontade entre os homens, através de cânticos 
jubilosos e termina com a sublime visão da Humanidade futura, na Jerusalém 
assentando­se, gloriosa, na alegria sem fim.


31 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

12 
Nós e o Mundo
“Dai e ser­vos­á dado” 
J esus
(Lucas, 6: 38) 
“Vós, por ém, que vos r etir ais do mundo, par a Me 
evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes 
na Ter r a? Onde a vossa cor agem nas pr ovações, uma vez que 
fugis à luta e deser tais a combate?” 
(Cap.O5, Item 26) 
Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas, 
procurando o deserto para acobertar a pureza, entretanto, mesmo ai, no silencioso 
retiro em que se entregam a perigoso ócio da alma, por mais humildes se façam, 
comem, os frutos e vestem a estamenha que o mundo lhes oferece. 
Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e 
discórdia, viciação e delinqüência, Como quem se vê diante de um serpentário, 
contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as próprias 
idéias e encontram os leitores que lhes compram os livros. 
Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malicia e perversidade, 
qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo, todavia, é 
no mundo que adquirem os conhecimentos com que ornam o próprio verbo e acham 
os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra. 
Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em que as trevas do 
mal senhoreiam a vida, no entanto, é no mundo que receberam o regaço materno 
para tomarem o arado da e experiência é no mundo que se nutrem confortavelmente 
a fim de demandarem mais altos planos evolutivos. 
O mundo, porém, obra­prima da Criação, indiferentes às acusações 
gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o 
progresso e sustentando as esperanças da Humanidade. 
Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a virtude, é 
abraçar o egoísmo mascarado de santidade. 
O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a bisonhice das 
mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da escola. 
Os bons são realmente bons se amparam os menos bons. 
Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria se buscam dissipar a névoa da 
ignorância.


32 –
Fr ancisco Cândido Xavier
O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar. 
Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do máximo que 
recebemos dele, compreendendo e servindo aos outros, sem atribuir ao mundo os 
erros e desajustes que estão em nós.


33 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

13 
Na hora da tristeza
“Vós sois a luz do mundo” 
J esus
(Mateus, 5: 14) 
“Não digais, pois, quando vir des atingido um de vossos 
ir mãos: ‘É a justiça de Deus, Impor ta que siga o seu cur so’. 
Dizei antes: ‘Vejamos que meios o Pai miser icor dioso me pôs 
ao alcance par a suavizar a sofr imento do meu ir mão’.” 
(Cap. V, Item 27) 
Entraste na hora do desalento, como se te avizinhasses de um pesadelo. 
Indefinível suplicio moral te impele ao abatimento, magoas antigas surgem 
à tona. 
Sentes­te à feição do viajor, para cuja sede se esgotaram as derradeiras 
fontes do caminho. 
Experimentas o coração no peito, qual pássaro fatigado, ao sacudir, em vão, 
as grades do cárcere. 
Ainda assim, não permitas que a ansiedade te lance à tristeza inútil. 
Se a incompreensão alheia te azedou o pensamento, recorda os 
companheiros enfermos ou mutilados, quando não conhecem a própria situação, 
qual seria de desejar e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que lhes dará 
reajuste. 
Se amigos te abandonaram em árduas tarefas, à caça de considerações que 
lhes incensem a personalidade, medita nas crianças afoitas, empenhadas a jogos e 
distrações nos momentos do estudo, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que 
a todos renovará na escola da experiência. 
Se deixaste entes queridos ante a cinza do túmulo, convence­te de que todos 
eles continuam redivivos, no plano espiritual, dependendo, quase sempre, de tua 
conformação para que se refaçam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que 
te propiciará, mais além, o intraduzível consolo do reencontro. 
Se o fardo das próprias aflições te parece excessivamente pesado, reflete 
nos irmãos desfalecentes da retaguarda, para quem uma simples frase reconfortante 
de tua boca é comparável a facho estelar, nas trevas em que jornadeiam, e prossegue 
servindo, a esperar pelo tempo, que, no instante oportuno, a cada problema 
descortinará solução.


34 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Lembra­te de que podes ser, ainda hoje, o raciocínio para os que se 
dementaram na invigilância, o apoio dos que tropeçam na sombra, o socorro aos 
peregrinos da estrada que a penúria recolhe nas pedreiras do sofrimento, o amparo 
dos que choram em desespero e a voz que se levante para a defesa de injustiçados e 
desvalidos.
Não te detenhas para relacionar dissabores. 
Segue adiante e se lágrimas te encharcam a ponto de sentires a noite dentro 
dos olhos, entrega as próprias mãos nas mãos de Jesus e prossegue servindo, na 
certeza de que a vida faz ressurgir o pão da terra lavrada e de que o sol de Deus, 
amanhã, nos trará novo dia.


35 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

14 
Cristãos sem Cristo
“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e 
sobrecarregados que eu vos aliviarei.” 
J esus
(Mateus, 11: 28) 
“Assim, o Espir itismo r ealiza o que J esus disse do 
Consolador pr ometido: conhecimento das cousas, fazendo que 
o homem saiba donde vem par a onde vai e por que está na 
Ter r a; atr ai par a os ver dadeir os pr incípios da lei de Deus, 
consola pela fé e pela esper ança”. 
(Cap. VI, Item 4) 
Reverencia o Divino Mestre, com todas as forças da alma, entretanto, não 
menosprezes honrá­lo na pessoa dos semelhantes. 
Guarda­lhe as memórias entre flores de carinho, mas estende os braços aos 
que clamam por ele, entre os espinhos da aflição. 
Esculpe­lhe as reminiscências nas obras­primas da estatutária, sem qualquer 
intuito de idolatria, satisfazendo aos ideais de perfeição que a beleza te arranca aos 
sonhos de arte, no entanto, socorre, pensando nele, aos que passam diante de ti, 
retalhados pelo cinzel oculto do sofrimento. 
Imagina­1he o semblante aureolado de amor, ao fixá­lo nas telas em que se 
te corporifiquem os anseios de luz, mas suaviza o infortúnio dos que esperam por 
ele, nos quadros vivos da angústia humana. 
Proclama­lhe a glória invencível no verbo eloqüente, mas deixa que a 
sinceridade e a brandura te brilhem na boca, serenando, em seu nome, os corações 
atormentados que duvidam e se perturbam entre as sombras da Terra. 
Grava­lhe os ensinamentos inesquecíveis, movimentando a pena que te 
configura as luminosas inspirações, no entanto, assinala as diretrizes dele com, a 
energia renovadora dos teus próprios exemplos. 
Dedica­lhe os cânticos de fidelidade e louvor que te nascem da gratidão, 
mas ouve os apelos dos que jazem detidos nas trevas, suplicando­lhe liberdade e 
esperança. 
Busca­lhe a presença, no culto da prece, rogando­lhe apoio e consolação, 
no entanto, oferece­lhe mãos operosas no auxílio aos que varam o escuro labirinto 
da agonia moral, para os quais essa ou aquela ninharia de tuas facilidades constitui 
novo estímulo à paciência.


36 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Através de numerosas reencarnações, temos sido cristãos sem Cristo. 
Conquistadores, não nos pejávamos de implorar­lhe patrocínio aos excessos 
do furto. 
Latifundiários cruéis, não nos envergonhávamos de solicitar­lhe maior 
numero de escravos que nos atendessem ao despotismo, em clamorosos sistemas de 
servidão. 
Piratas, dobrávamos insensatamente os joelhos para agradecer­lhe a presa 
fácil. 
Guerreiros, impetrávamos dele, em absoluta insanidade, nos inspirasse o 
melhor modo de oprimir. 
Agora que a Doutrina Espírita no­lo revela, por mentor claro e direto da 
alma, ensinando­nos a responsabilidade de viver, é imperioso saibamos dignificá­lo 
na própria consciência, acima de demonstrações exteriores, procurando refleti­lo em 
nós mesmos. 
Entretanto, para, que isso aconteça, é preciso, antes de tudo, matricular o 
raciocínio na escola da caridade, que será sempre a mestra sublime do coração.


37 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

15 
Espíritas, instrui­vos!
“Mas aquele Consolador, o Santo Espírito que o Pai 
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos 
fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” 
J esus
(João, 14:26) 
“Espír itas, amai­vos! Este o pr imeir o ensino! Instr ui­ 
vos, este o segundo.” 
(Cap. V1, Item 5) 
Prevenir e recuperar são atitudes que se ampliam entre os homens, à medida 
que se acentua o progresso da Humanidade. 
Aparecem noções de civilização e responsabilidade e levantam­se idéias de 
burilamento e defesa. 
Quanto pudermos, porém, não os restrinjamos ao amparo de superfície. 
Imperioso tratar as águas da fonte, no entanto, cansar­nos­emos debalde, se 
não lhe resguardarmos a limpeza no nascedouro. 
Educação e reeducação constituem a síntese de toda obra consagrada ao 
aprimoramento do mundo. 
Gastam­se verbas fabulosas em apetrechos bélicos e raro surge alguém com 
bastante abnegação para despender a1gum dinheiro na assistência gratuita aos 
semelhantes, para que se lhes pacifique o raciocínio conflagrado. 
Espantamo­nos, diante do desajustamento juvenil, a desbordar­se em 
tragédias de todos os tipos, e pouco realizamos, a fim de que a criança encontre no 
lar o necessário desenvolvimento com segurança de espírito. 
Monumentalizamos instituições destinadas à cura dos desequilíbrios 
mentais e quase nada fazemos por afastar de nós mesmos os vícios do pensamento, 
com que nos candidatamos ao controle da obsessão. 
Clamamos contra os desregramentos de muitos, afirmando que a Terra está 
em vias de desintegração pela ausência de valores morais e, na maioria das 
circunstâncias, somos dos primeiros a exigir lugar na carruagem do excesso, 
reclamando direitos e privilégios, com absoluto esquecimento de comezinhos 
deveres que a vida nos preceitua. 
Combatamos, sim, o câncer e a poliomielite, a ulceração e a verminose, 
mas busquemos igualmente extinguir o aborto e a toxicomania, a preguiça e a


38 –
Fr ancisco Cândido Xavier
intemperança que, muitas vezes, preparam a delinqüência e a enfermidade por crises 
agudas de ignorância. 
Para isso e para que nos disponhamos à conquista da vida vitoriosa é que o 
Espírito de Verdade, nos primórdios da Codificação Kardequiana, nos advertiu 
claramente: “Espíritas, instruí­vos”.


39 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

16 
Ninguém é inútil
“...e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” 
J esus
(Lucas, 14:11) 
“Ser á o maior no r eino dos Céus aquele que se 
humilhar e se fizer pequeno como uma cr iança, isto é, que 
nenhuma pr etensão alimentar à super ior idade ou à 
infalibilidade.” 
(cap. 7, Item 6) 
Não aguardes aparente grandeza para ser útil. Missão quer dizer 
incumbência. E ninguém existe aos ventos do acaso. 
Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, estudemos, 
de leve, algumas lições de cousas da natureza. 
A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para 
isso, não age por si só. Usa transformadores de um circuito a outro, alterando em 
geral a tensão, e a intensidade da corrente. Os transformadores requisitam fios de 
condução. Os fios recorrem à tomada de força.Isso, porém, ainda não resolve. Para 
que a luz se faça, é indispensável a presença da lâmpada, que se forma de 
componentes diversos. 
O rio, de muito longe, fornece água limpa à atividade caseira, mas não se 
projeta, desordenado, a serviço das criaturas. Cede os próprios recursos à rede de 
encanamento. A rede pede tubos de formação variada. Os tubos exigem a torneira de 
controle. Isso, porém, ainda não é tudo. Para que o liquido se mostre purificado, 
requer o concurso do filtro. 
O avião transporta o homem, de um lado para o outro da Terra, mas não é 
um gigante auto suficiente. A fim de elevar­se precisa combustível. O combustível 
solicita motores que o aproveitem. Os motores reclamam os elementos de que se 
constituem. Isso, porém, ainda não chega. Para que a máquina voadora satisfaça aos 
próprios fins, é indispensável se lhe construa adequado campo de pouso. 
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o sinônimo do dever. 
Atendamos à obrigação para que fomos chamados no clima do bem. 
Não te digas inútil, nem te asseveres incompetente. 
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo, 
uma tribuna brilhante, um nome preclaro ou uma fortuna de milhões. Basta 
estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, com o prazer de servir.


40 –
Fr ancisco Cândido Xavier
17 
Supercultura
“Graças te rendo, ó Pai, senhor dos Céus e da Terra, 
que por haveres ocultado estas cousas aos doutos e aos prudentes 
e por as teres revelado aos simples e pequeninos!” 
J esus
(Mateus, 11: 25) 
“Homens, por que vos queixais dos calamidades que 
vós 
mesmos 
amontoastes 
sobr e 
as 
vossas 
cabeças? 
Despr ezastes a santa e divina mor al do Cr isto; não vos 
espanteis, pois, de que a taça da iniqüidade haja tr ansbor dado 
de todos os lados.” 
(Cap. VII, Item 12) 
Alfabetizar e instruir sempre. 
Sem escola, a Humanidade se embaraçaria na selva, no entanto, é imperioso 
lembrar que as maiores calamidades da guerra procedem dos louros da inteligência 
sem educação espiritual. 
A intelectualidade requintada entretece lauréis à civilização, mas, por si só, 
não conseguiu, até hoje, frear o poder das trevas. 
A supercultura, monumentalizou cidades imponentes e estabeleceu os 
engenhos que as arrasam. Levantou embarcações que se alteiam como sendo 
palácios flutuantes e criou o torpedo que as põe a pique. Estruturou asas metálicas 
poderosas que, em tempo breve, transportam o homem, através de todos os 
continentes e aprumou o bombardeiro que lhe destrói a casa. 
Articulou máquinas que patrocinam o bem­estar no reduto doméstico e não 
impede a obsessão que, comumente, decorre do ócio demasiado. 
Organizou hospitais eficientes e, de quando a quando, lhes superlota, as 
mínimas dependências com os mutilados e feridos, enfileirados por ela própria, nas 
lutas de extermínio. 
Alçou a cirurgia às inesperadas culminâncias e aprimorou as técnicas do 
aborto. E, ainda agora, realiza incursões a pleno espaço, nos alvores da Astronáutica, 
e examina do alto os processos mais seguros de efetuar aniquilamentos em massa 
pelo foguete balístico. 
Iluminemos o raciocínio sem descurar o sentimento. 
Burilemos o sentimento sem desprezar o raciocínio.


41 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

O Espiritismo, restaurando o Cristianismo, é universidade da alma. Nesse 
sentido, vale recordar que Jesus, o Mestre por excelência, nos ensinou, acima de 
tudo, a viver construindo para o bem e para a verdade, como a dizer­nos que a 
chama da cabeça não derrama, a luz da felicidade sem o óleo do coração.


42 –
Fr ancisco Cândido Xavier
18 
Pequeninos
“Em verdade vos digo que aquele que não receber o 
reino de Deus coma uma criança nele não entrará.” 
J esus
(Marcos, 1O: 15) 
“A pur eza do cor ação é insepar ável da simplicidade e 
da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de or gulho. Por
isso é que J esus toma a infância como emblema dessa pur eza, 
do mesmo modo que a tomou como humildade.” 
(Cap.8, Item 3) 
No mundo, resguardamos zelosamente livros e pergaminhos, empilhando 
compêndios e documentações em largas bibliotecas, que são cofres fortes do 
pensamento. 
Preservamos tesouros artísticos de outras eras, em museus que se fazem 
riquezas de avaliação inapreciável. 
Perfeitamente compreensível que assim seja. 
A educação não prescinde da consulta ao passado. 
Acautelamos a existência de rebanhos e plantações contra flagelos 
despendendo milhões para sustar ou diminuir a força destrutiva das inundações e das 
secas. 
Mobilizamos verbas astronômicas, no erguimento de recursos patrimoniais, 
devidos ao conforto da coletividade, tanto no sustento e defesa, das instituições, 
quanto no equilíbrio e aprimoramento das relações humanas. 
Claramente normal que isso aconteça. 
Indispensável prover às exigências do presente com todos os elementos 
necessários à respeitabilidade da vida. 
Urge, entretanto, assegurar o porvir, a esboçar­se impreciso, no mundo 
ingênuo da infância. 
Abandonar pequeninos ao léu, na civilização magnificente da atualidade, é 
o mesmo que levantar soberbo palácio, farto de viandas, abarrotado de excessos e 
faiscante de luzes, relegando o futuro dono ao relaxamento e ao desespero, fora das 
portas. 
A criança de agora erigir­se­nos­á fatalmente em biografia e retrato depois. 
Além de tudo, é preciso observar que, segundo os princípios da reencarnação, os


43 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

mesmos de hoje desempenharão, amanhã, junto de nós, a função de pais e 
conselheiros, orientadores e chefes. 
Não nos cansemos, pois, de repetir que todos os bens e todos os males que 
depositarmos no espírito da criança ser­nos­ão devolvidos.


44 –
Fr ancisco Cândido Xavier
19 
Companheiros mudos
“Deixai vir a mim os pequeninos” 
J esus
(Marcos, 1O: 14) 
“O Espír ito, pois, enver ga, tempor ar iamente, a túnica 
da inocência e, assim, J esus está com a ver dade, quando, sem 
embar go da anter ior idade da alma, toma a cr iança por
símbolo da pur eza e da simplicidade.” 
(Cap. VIII, Item 4) 
Com excelentes razões, mobilizas os talentos da palavra, a cada instante, 
permutando impressões com os outros. 
Selecionas os melhores conceitos para os ouvidos de assembléias atentas. 
Aconselhas o bem, plasmando terminologia adequada para a exaltação da 
virtude. 
Estudas filologia e gramática, no culto à linguagem nobre. 
Encontras a frase exata, no momento certo, em que externas determinado 
ponto de vista. 
Sabes manejar o apontamento edificante, em família. 
Lecionas disciplinas diversas. 
Debates problemas sociais. 
Analisas os sucessos diários. 
Questionas serviços públicos. 
Indiscutivelmente, o verbo é luz da vida, de que o próprio Jesus se valeu 
para legar­nos o Evangelho Renovador. 
Entretanto, nesta, nota simples, vimos rogar­te apoio e consolação para 
aqueles companheiros a quem a nossa destreza vocabular consegue servir em 
sentido direto. 
Comparecem, às centenas; aqui e ali... 
Jazem famintos e não comentam a carência de pão. 
Amargam dolorosa nudez e não reclamam contra o frio. 
Experimentam agoniadas depressões morais, sem pedirem qualquer 
reconforto à idéia religiosa. 
Sofrem prolongados suplícios orgânicos, incapazes de recorrer 
voluntariamente ao amparo da medicina.


45 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Pensa, neles e, de coração enternecido, quanto puderes, oferece­lhes algo de 
teu amor, através da peça de roupa ou da xícara de leite, do poço medicamentosa ou 
do minuto de atenção e carinho, porque esses companheiros mudos e expectantes e 
padecentes que não podem falar.


46 –
Fr ancisco Cândido Xavier
2O 
No domínio das provas
“Ai do mundo par causa dos escândalos, porque é 
necessário que venham escândalos, mas ai daquele por quem o 
escândalo vier.” 
J esus
(Mateus, 18: 7) 
“É pr eciso que haja escândalo no mundo, disse J esus, 
por que imper feitos como são na Ter r a, os homens se mostr am 
pr opensos a pr aticar o mal, e por que, ár vor es más só maus 
fr utos dão. Deve­se, pois, entender por essas palavr as que o 
mal é uma conseqüência da imper feição dos homens e não que 
haja, par a estes, a obr igação de pr aticá­lo”. 
(Cap.8, Item 13) 
Imaginemos um pai que, a pretexto de amor, decidisse furtar um filho 
querido de toda relação com os revezes do mundo. 
Semelhante rebento de tal devoção afetiva seria mantido em sistema de 
exceção. 
Para evitar acidentes climáticos inevitáveis, descansaria exclusivamente na 
estufa durante a fase de berço e, posto a cavaleiro, de perigos e vicissitudes, mal 
terminada a infância, encerrar­se ia numa cidadela inexpugnável, onde somente 
prevalecesse a ternura paterna, a empolgá­lo de mimos. 
Não freqüentaria qualquer educandário, a fim de não aturar professores 
austeros ou sofrer a influência de colegas que não lhe respirassem o mesmo nível; 
alfabetizado, assim, no reduto doméstico, apreciaria unicamente os assuntos e heróis 
de ficção que o genitor lhe escolhesse. 
Isolar­se­ia de todo o contacto humano para não arrostar problemas e 
desconheceria todo o noticiário ambiente para não recolher informações que lhe 
desfigurassem a suavidade interior. 
Candura inviolável e ignorância completa. 
Santa inocência e inaptidão absoluta. 
Chega, porém, o dia em que o genitor, naturalmente vinculado a interesses 
outros, se ausenta compulsoriamente do lar e, tangido pela necessidade, o moço é 
obrigado a entrar na corrente da vida comum.


47 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Homem feito, sofre o conflito da readaptação, que lhe rasga a carne e a 
alma, para que se lhe recupere o tempo perdido, e o filho acaba, enxergando insânia 
e crueldade onde o pai supunha cultivar preservação e carinho. 
A imagem ilustra claramente a necessidade da encarnação e da 
reencarnação do espírito nos mundos; inumeráveis da imensidade cósmica, de 
maneira a que se lhe apurem as qualidades e se lhe institua a responsabilidade na 
consciência. 
Dificuldades e lutas semelham materiais didáticos na escola ou andaimes na 
construção; amealhada a cultura, ou levantado o edifício, desaparecem uns e outros. 
Abençoemos, pois, as disciplinas e as provas com que a Infinita Sabedoria 
nos acrisolam as forças, enrijando­nos o caráter. 
Ingenuidade é predicado encantador na personalidade, mas se o trabalho 
não a transfigura em tesouro de experiência, laboriosamente adquirido, não passará 
de flor preciosa a confundir­se no pó da terra, ao primeiro golpe de vento.


48 –
Fr ancisco Cândido Xavier
21 
Pacificação
“Bem­aventurados os pacificadores, porque serão 
chamados filhos de Deus.” 
J esus
(Mateus, 5: 9) 
“Mas que quer ia J esus dizer por estas palavr as: ‘Bem­ 
aventur ados os que são br andos por que possuir ão a Ter r a’, 
tendo r ecomendado aos homens que r enunciassem aos bens 
deste mundo e havendo­lhes pr ometido os do Céu? Enquanto 
aguar da os bens do Céu, tem o homem necessidade dos da 
Ter r a par a viver . Apenas, o que ele lhe r ecomenda é que não 
ligue a estes últimos mais impor tância que aos pr imeir os.” 
(Cap. 9, Item 5) 
Escutaste interrogações condenatórias, em torno do amigo ausente. 
Informaste algo, com discrição e bondade, salientando a parte boa que o 
distingue, e, sem colocar o assunto no prato da intriga, edificaste em silêncio, a 
harmonia possível. 
Surpreendeste pequeninos deveres a cumprir, na esfera de obrigações que te 
não competem. 
Sem qualquer impulso de reprimenda, atendeste a semelhantes tarefas, por 
ti mesmo, na certeza de que todos temos distrações lamentáveis. 
Anotaste a falta do companheiro. 
Esqueceste toda preocupação de censura, diligenciando substitui­o em 
serviço, sem alardear, superioridade. 
Assinalaste o erro do vizinho. 
Foges de divulgar­lhe a infelicidade e dispões­te a auxiliá­lo no momento 
preciso, sem exibição de virtude. 
Recebeste queixas amargas a te ferirem injustamente. 
Sabes ouvi­las com paciência, abstendo­te de impelir os irmãos do caminho 
às teias da sombra, trabalhando sinceramente por desfazê­las. 
Caluniaram­te abertamente, incendiando­te a vida. 
Toleras serenamente todos os golpes, sem animosidade ou revide e, 
respondendo com mais ampla abnegação, no exercício das boas obras, dissipas a 
conceituação infeliz dos teus detratores.


49 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Descobriste a existência de companheiros iludidos ou obsedados que se 
fazem motivos de perturbação ou de escândalo, no plantio do bem ou na seara da 
luz. 
Decerto, não lhes aplaudes a inconsciência, mas não lhes agravas o 
desequilíbrio, através do sarcasmo, e oras por eles, amparando­lhes o reajuste, pelo 
pensamento renovador. 
Se assim procedes, classificas­te, em verdade, entre os pacificadores 
abençoados pelo Divino Mestre, compreendendo, afinal, que a criatura humana, 
isoladamente, não consegue garantir a paz do mundo, no entanto, cada um de nós 
pode e deve manter a paz dentro de si.


50 –
Fr ancisco Cândido Xavier
22 
Amenidade
“Bem­aventurados os mansos porque eles herdarão a Terra.” 
J esus
(Mateus, 5: 5) 
“A benevolência par a com as seus semelhantes, fr uto 
do amor ao pr óximo, pr oduz a afabilidade e a doçur a, que lhe 
são as for mas de manifestar ­se.” 
(Cap. 9, Item 6) 
Surgem, sim, as ocasiões em que todas as forças da alma se fazem tensas, 
semelhando cargas de explosivos, prestes a serem detonadas pelo gatilho da boca... 
Momentos de reação, diante do mal, em que a fagulha da mágoa, assoma do 
intimo, aviventada pelo sopro do desespero. Entretanto, mesmo que a indignação se 
te afigure justificada, reflete para falar. 
A palavra não foi criada para converter­se em raio da morte. 
Imagina­te no lugar do interlocutor. Se houve deficiência no concurso de 
outrem, recorda os acontecimentos em que o erro impensado te marcou a presença; 
se algum companheiro falhou involuntariamente na obrigação, pensa nas horas 
difíceis em que não pudeste guardar felicidade ao dever. 
Em qualquer obstáculo, pondera que a cólera é bomba de rastilho curto, 
comprometendo a estabilidade e a elevação da vida onde estoura. 
Indiscutivelmente, o verbo foi estabelecido para que nos utilizemos dele. O 
silêncio é o guardião da serenidade, todavia, nem sempre consegue tomar­lhe as 
funções. 
Isso, porém, não nos induz a transfigurar a cabeça num vulcão em 
movimento, arremessando lavas de azedume e inquietação. 
Conquanto se nos imponha dias de franqueza e esclarecimento, é possível 
equacionar, harmoniosamente, os mais intrincados problemas sem adicionar o fogo 
da violência às parcelas da lógica. 
Dominemo­nos para que possamos controlar circunstâncias, chefiemos as 
nossas emoções, alinhando­as na estrada do equilíbrio e do discernimento, de modo 
a que nossa frase não resvale na intemperança. 
Guardar o silêncio, quando preciso, mas falar sempre que necessário a 
desfazer enganos e a limpar raciocínios, entendendo, porém, que Jesus não nos 
confiou a verdade para transformá­la numa pedra sobre o crânio alheio e sim num 
clarão que oriente aos outros e alumie a nós.


51 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

23 
Nos domínios da paciência
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para 
que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que 
está nos Céus.” 
J esus
(Mateus, 5:16) 
“Sede pacientes. A paciência também é uma car idade 
e deveis pr aticar a lei de car idade ensinada pelo Cr isto, 
enviado de Deus.” 
(Cap. 9, Item 7) 
Em muitos episódios constrangedores, admitimos que paciência é cruzar os 
braços e gemer passivamente em preguiçosa lamentação. Noutros lances da luta com 
que somos defrontados por manifestações de má fé, a raiarem por dilapidações 
morais inomináveis, supomos que paciência é tudo deixar como está para ver como 
fica. 
Isso, porém, constará das lições da vida ou da natureza? 
Células orgânicas, quando ocorrem acidentes ao veiculo físico, estabelecem 
processos de defesa, trabalhando mecanicamente na preservação da saúde corpórea, 
enquanto isso lhes é possível. 
Vegetais humildes devastados no tronco, não renunciam à capacidade de 
resistência e, enquanto dispõem das possibilidades necessárias, regeneram os 
próprios tecidos, preenchendo as finalidades a que se destinam. 
Paciência não é conformismo; é reconhecimento da dificuldade existente, 
com a disposição de afastá­la sem atitude extremista. Nem deserção da esfera de luta 
e nem choro improfícuo na hora do sofrimento. 
Sejam como sejam os entraves e as provações, a paciência descobre o 
sistema de removê­los. 
Em assim, nos externando não nos referimos à complacência culposa que 
deita um sorriso blandicioso para a leviandade fingindo ignorá­la. Reportamo­nos à 
compreensão que identifica a situação infeliz e articula meios de solucionar­lhe os 
problemas sem alardear superioridade. 
Paciência, no fundo, é resignação quando as injúrias sejam desferidas 
contra nós em particular, mas sempre que os ataques sejam dirigidos contra os 
interesses do bem de todos, paciência e perseverança tranqüila no esclarecimento 
geral, conquanto semelhante atitude, às vezes, nos custe sacrifícios imensos.


52 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Jesus foi a paciência sem lindes, no entanto, embora suportasse sereno 
todos os golpes que lhe foram endereçados, pessoalmente preferiu aceitar a morte na 
cruz a ter de aplaudir o erro ou acumpliciar­se com o mal.


53 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

24 
Verbo nosso
“Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se 
encolerizar contra seu Irmão será réu de juízo” 
J esus
(Mateus, 5:22) 
“O cor po não dá cóler a àquele que não na tem, do 
mesmo modo que não dá os outr os vícios. Todas as vir tudes e 
todos os vícios são iner entes ao Espír ito.” 
(Cap. 1O, Item 1O) 
Ainda as palavras. 
Velho tema, dirás. 
E sempre novo, repetiremos. 
A que existem palavras e palavras. 
Conhecemos aquelas que a filologia reúne, as que a gramática disciplina, as 
que a praxe entretece e as que a imprensa enfileira... 
Referir­nos­emos, contudo, ao verbo arroja de nós, temperado na boca com 
os ingredientes da emoção, junto ao paladar daqueles que nos rodeiam. Verbo que 
nos transporta o calor do sangue e a vibração dos nervos, o açúcar do entendimento 
e o sal do raciocínio. Indispensável articulá­lo, em moldes de firmeza e 
compreensão, a fim de não resvale fora do objetivo. 
No trabalho cotidiano, seja ele natural quanto o pão simples no serviço da 
mesa; no intercâmbio afetivo, usemo­lo à feição de água pura; nos instantes graves, 
façamo­lo igual ao bisturi do cirurgião que se limita, prudente, à incisão na zona 
enfermiça, sem golpes desnecessários; nos dias tristes, tomemo­lo por remédio 
eficiente sem fugir à dosagem. 
Palavras são agentes na construção de todos os edifícios da vida. 
Lancemo­las na direção dos outros, com o equilíbrio e a tolerância com que 
desejamos venham elas até nós. 
Sobretudo, evitemos a ironia. 
Todo sarcasmo é tiro a esmo. 
E sempre que irritação nos visite, guardemo­nos em silêncio, de vez que a 
cólera é tempestade magnética, no mundo da alma, e qualquer palavra que 
arremessamos no momento da cólera, é semelhante ao raio fulminatório que 
ninguém sabe onde vai cair.


54 –
Fr ancisco Cândido Xavier
25 
Donativo da alma
“Bem­aventurados os que são misericordiosos, porque 
alcançarão misericórdia.” 
J esus
(Mateus, 5:7) 
“A miser icór dia é o complemento da br andur a, 
por quanto aquele que não for miser icor dioso não poder á ser
br ando e pacifico.” 
(cap. 1O, Item 4) 
Reflete nas provações alheias e auxilia incessantemente. 
Louvado para sempre o trabalho honesto com que te dispões a minorar as 
dificuldades dos semelhantes, ensinando­lhes a encontrar a felicidade, através do 
esforço digno. 
Bendita a moeda que deixas escorregar nas mãos fatigadas que se 
constrangem a implorar o socorro publico. 
Inesquecível a operação da beneficência, com a qual te desfazes de recursos 
diversos para que não haja penúria na vizinhança. 
Abençoado o dia de serviço gratuito que prestas no amparo aos 
companheiros menos felizes. 
Enaltecido o devotamento que empregas na instrução aos viajores do 
mundo, que ainda se debatem nos labirintos da ignorância. 
Glorificado o conselho fraterno com que te decides a mostrar o melhor 
caminho. Santo o remédio com que alivias a dor. 
Inolvidáveis todos os investimentos que realizes no Instituto Universal da 
Providência Divina, quando entregas a beneficio dos outros o concurso financeiro, a 
página educativa, a peça de roupa, o litro de leite, o cobertor aconchegante, o 
momento de consolo, o gesto de solidariedade, o prato de pão... 
Não se pode esquecer que Jesus consignou por crédito sublime da alma, no 
Reino de Deus, o simples copo de água que se dê no mundo em seu nome. 
Entretanto, mil vezes bem­aventurada seja cada hora de tua paciência diante 
daqueles que não te compreendam ou te esqueçam, te firam ou te achincalhem, 
porque a paciência, invariavelmente feita de bondade e silêncio, abnegação e 
esquecimento do mal, é donativo essencialmente da alma, benção da fonte divina, do 
amor, que jorra das nascentes do sacrifício, seja formada no suor da humildade ou 
no pranto oculto do coração.


55 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

26 
Falar
“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Não, não...” 
J esus
(Mateus, 5:37) 
“Espír itos: quer emos falar ­vos hoje da indulgência, 
sentimento doce e fr ater nal, que todo homem deve alimentar
par a com seus ir mãos, mas do qual, bem poucos fazem uso.” 
(Cap. 1O, Item 16) 
Falando, construímos. 
Não admitas em tua palavra o corrosivo da malicia ou o azinhavre da 
queixa. 
Fala na bondade de Deus, na sabedoria do tempo, na beleza das estações, 
nas reminiscências alegres, nas induções ao reconforto. 
Nos lances difíceis, procura destacar os ângulos capazes de inspirar 
encorajamento e esperança. 
Não te refiras a sucessos calamitosos, senão quando estritamente necessário 
e ora em silêncio por todos aqueles que lhes sofreram o impacto doloroso. Tanta vez 
acompanhas com reverente apreço os que tombam em desastre natural!... 
Homenageia igualmente com. a tua compaixão respeitosa os que resvalam em queda 
moral, escabroso infortúnio do coração!... 
Se motivos surgem para admoestações, cumpre o dever que te assiste, mas 
lembra que o estopim é suscetível de ser apagado antes da explosão e reprime os 
ímpetos de fúria, antes que estourem na cólera. Em várias circunstâncias, a 
indignação justa é chamada à reposição do equilíbrio, mas deve ser dosada como o 
fogo, quando trazido ao refúgio doméstico para a execução da limpeza, sem que por 
isso, tenhamos necessidade de consumir a casa em labaredas de incêndio. 
Larga à sombra de ontem os calhaus que te feriram... A noite já passou na 
estrada que percorreste e o sol do novo dia nos chama à incessante transformação. 
Conversa em trabalho renovador e louva a amizade santificante. Não te 
detenhas em demasia sobre mágoas, doenças, pesadelos, profecias temerárias e 
impressões infelizes; dá­lhes apenas breve espaço mental ou verbal, semelhante 
àquele de que nos utilizamos para afastar um espinho ou remover uma pedra. 
Não comentes o mal, senão para exaltar o bem, quando seja possível extrair 
essa ou aquela lição que ampare a quem te ou a quem ouve, enobrecendo a vida.


56 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Junto do desespero, providencia o consolo sem a pretensão de ensinar e 
renteando com a penúria, menciona as riquezas que a Bondade Divina espalha a 
mancheias, em beneficio de todas as criaturas sem desconsiderar a dor dos que 
choram. 
Ilumina a palavra. Deixa que ela te mostre a compreensão e o amor onde 
passes, sem olvidar o esclarecimento e sem prejudicar a harmonia. O Cristo edificou 
o Evangelho por luz inapagável nas sombras do mundo não somente agindo, mas 
conversando também.


57 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

27 
Na luz da indulgência
“E se ao que quiser pleitear contigo tirar­te o vestido, 
larga­lhe também a capa” 
J esus
(Mateus, 5: 4O) 
“Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que 
elas sejam; não julgueis com sever idade senão as vossas 
pr ópr ias ações e o Senhor usar á da Indulgência convosco, 
como de indulgência houver des usado par a com os outr os.” 
(Cap.1O, Item 17) 
Anseias pela vitória do bem, contudo, acende a luz da indulgência para 
fazê­lo com segurança. 
Todos nós, espíritos imperfeitos, ainda arraigados à evolução da Terra, 
reclamamos concurso e compaixão, uns dos outros, mas nem sempre sabemos por 
nos mesmos quando surgimos necessitados de semelhantes recursos. 
Em muitas circunstâncias, estamos cegos da reflexão, surdos do 
entendimento, paralíticos da sensibilidade e anestesiados na memória sem perceber 
o irmão da luta de ontem. Mostra­se hoje em plena abastança material, delirando na 
ambição desenfreada. Certo, aspiras a vê­lo recambiado ao próprio equilíbrio, a fim 
de que o dinheiro lhe sirva de instrumento à felicidade, no entanto, para isso, não 
comeces por censurar­lhe o procedimento. Usa a indulgência e renova­lhe o modo 
de pensar e de ser. 
O amigo escalou a evidência pública, fazendo­se verdugo em nome da 
autoridade.
Queres garantir­lhe o reajuste para que o poder se lhe erija, em caminho de 
paz, entretanto, não te dês a isso, exibindo atitude condenatória. 
A jovem do teu convívio embriagou­se na ilusão, caindo em sucessivos 
abusos, a pretexto de mocidade. Justo suspires por reintegrá­la no harmonioso 
desenvolvimento das próprias faculdades situando­a no rumo das experiências de 
natureza superior, todavia, por ajudá­la, não lhe reproves os sonhos. Usa a 
indulgência e ampara­lhe a meninice. 
O companheiro em provas amargas escorregou no desânimo e tombou em 
desespero. Claro que anelas para ele o retorno à tranqüilidade, no entanto, não te 
entregues às criticas que lhe agravariam a irritação. Usa a indulgência e oferece­lhe 
apoio.


58 –
Fr ancisco Cândido Xavier
O Próprio Criador espera as criaturas no transcurso do tempo tolerando­lhes 
as faltas, e encorajando­lhes as esperanças, embora lhes corrija todos os erros, 
através de leis eficientes e claras. 
Indiscutivelmente, ninguém constrói nada de bom, sem responsabilidade e 
disciplina, advertência e firmeza, mas é imperioso considerar que toda boa obra roga 
auxílio a fim de aperfeiçoar­se. 
Pensa no bem e faze o bem, contudo, é preciso recordar que o bem exigido 
pela força da violência gera males inúmeros em torno e desaparece da área luminosa 
do bem para converter­se no mal maior.


59 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

28 
Psicologia da Caridade
“Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos 
foram, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.” 
J esus
(Mateus, 7: 12) 
“Amar ao pr óximo como a si mesmo, fazer pelos 
outr os o que quer er íamos que os outr os fizessem por nós” é a 
expr essão mais completa da car idade r esume todos os dever es 
do homem par a com o pr óximo. 
(Cap. X1, Item 4) 
Provavelmente, não existe em nenhum tópico da literatura mundial figura 
mais expressiva que a do samaritano generoso, apresentada por Jesus para definir a 
psicologia da caridade. 
Esbarrando com a vítima de malfeitores anônimos, semimorta na estrada, 
passaram dois religiosos, pessoas das mais indicadas para o trato da beneficência, 
mas seguiram de largo, receando complicações. 
Entretanto, o samaritano que viajava, vê o infeliz e sente­se tocado de 
compaixão. 
Não sabe quem é. Ignora­lhe a procedência. 
Não se restringe, porém, à emotividade. 
Pára e atende. 
Balsamiza­lhe as feridas que sangram, coloca­o sobre o cavalo e o conduz a 
uma hospedaria, sem os cálculos que o comodismo costuma tragar em nome da 
prudência. 
Não se limita, no entanto, a despejar o necessitado, em porta alheia. Entra 
com ele na vivenda e dispensa­lhe cuidados especiais. 
No dia imediato, ao partir, não se mostra indiferente. Paga­lhe as contas, 
abona­o qual se lhe fora um familiar e compromete­se a resgatar­lhe os 
compromissos posteriores, sem exigir­1he o menor sinal de identidade e sem fixar­ 
lhe tributos de gratidão. 
Ao despedir­se, não prende o beneficiado em nenhuma recomendação e, no 
abrigo de que se afasta, não estadeia demagogia de palavras ou atitudes, para atrair 
influência pessoal.


60 –
Fr ancisco Cândido Xavier
No exercício do bem, ofereceu o coração e as mãos, o tempo e o trabalho, o 
dinheiro e a responsabilidade. Deu de si o que podia por si, sem nada pedir ou 
perguntar. 
Sentiu e agiu, auxiliou e passou. 
Sempre que interessados em aprender a praticar a misericórdia e a caridade, 
rememoremos o ensinamento do Cristo e façamos nós o mesmo.


61 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

29 
Meio­bem
“E porque estreita é a porta e apertado o caminho que 
leva à vida, poucos há que a encontrem.” 
J esus
(Mateus, 7:14) 
“Amados ir mãos, apr oveitai dessas lições; é difícil o 
pr aticá­las, por ém, a alma colhe delas imenso bem. Cr ede­me, 
fazei o sublime esfor ço que vos peço: ‘Amai­vos’ e ver eis a 
Ter r a em br eve tr ansfor mada em par aíso, onde as almas dos 
justos vir ão r epousar .” 
(Cap. 11, Item 9) 
Freqüentemente, somos defrontados por aqueles que admiram o amor aos 
semelhantes e que, sem coragem para cortar as raízes do apego si próprios, se 
afeiçoam às atividades do meio­bem, continuando envolvidos no movimento do mal. 
Emprestam valioso concurso a quem administra, mas requisitam favores e 
privilégios, suscitando dificuldades. 
Financiam tarefas beneficentes, distendendo reais beneficentes, no entanto, 
cobram tributos de gratidão, multiplicando problemas. 
Entram em lares sofredores, fazendo­se necessários pelo carinho que 
demonstram, mas solicitam concessões que ferem, quais rijos golpes. 
Oferecem cooperação preciosa em socorrendo as aflições alheias, no 
entanto, exigem atenções especiais, criando constrangimentos. 
Alimentam necessitados e põem­lhes cargas nos ombros. 
Acolhem crianças menos felizes, reservando­lhes o jugo da servidão no 
abrigo familiar. 
Elogiam companheiros para que esses mesmos companheiros lhes erijam 
um trono. 
Protegem amigos diligenciando convertê­los em joguetes e escravos. 
Não desconhecemos que todo cultivador espera resultados da lavoura a que 
se dedica e nem ignoramos que semear e colher conforme a plantação, constituem 
operações matemáticas no mecanismo da Lei. 
Examinamos aqui tão­somente a estranha atitude daqueles que não negam a 
eficácia da abnegação, entregando­se, porém, ao desvairado egoísmo de quem 
costuma distribuir cinco moedas, no auxilio aos outros, com a intenção de obter 
cinco mil.


62 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Efetivamente, o mínimo bem vale por luz divina, mas se levado a efeito 
sem propósitos secundários, como no caso da humilde viúva do Evangelho que se 
destacou, nos ensinamentos do Cristo por haver cedido de si mesma a singela 
importância de dois vinténs sem qualquer condição. 
Precatemo­nos desse modo, contra o sistema do meio­bem, por onde o mal 
se insinua, envenenando a fonte das boas obras. 
Estrada construída pela metade patrocina acidentes. 
Víboras penetram em casa, varando brechas. 
O bem pede doação total para que se realize no mundo o bem de todos. 
É por isso que a Doutrina Espírita nos esclarece que o bem deve ser 
praticado com absoluto desinteresse e infatigável devotamento, sem que nos seja 
licito, em se tratando de nossa pessoa, reclamar bem algum.


63 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

30 
Beneficência e justiça
“E como vós quereis que os homens vos façam, da 
maneira lhes fazei vós também.” 
J esus
(Lucas, 6: 31) 
“Começai vós por dar o exemplo: sede car idosos par a 
com todos, indistintamente; esfor çai­vos por não atentar nos 
que vos olham com desdém e deixai a Deus a encar go de fazer
toda a justiça, a Deus que todos os dias, separ a, no r eino, o joio 
do tr igo.” 
(Cap. X1, Item 12) 
Examinando a beneficência, reflitamos na Justiça que a vida nos preceitua 
ao senso de relações. 
Sem ela, é possível que os melhores empreendimentos sofram a nódoa de 
velhas mentiras crônicas em nome da gentileza. 
Atravessas escabrosas necessidades materiais e, claro, te alegras ante o 
auxílio conveniente, mas se a cooperação chega marcada pelo manifesto desprezo 
dos que te ajudam com displicência, como se desfizessem de um peso morto, 
estarias mais contente se te deixassem a sós. 
Caíste moralmente ansiando levantar e rejubilas­te diante do apoio que te 
surge ao reerguimento, entretanto, se esse concurso aparece tisnado de violências, 
qual se representasses um fardo de vergonha para os que te supõem reabilitar, 
sentirias reconhecimento maior se te desconhecessem a luta. 
Choras, nas crises de provação que te fustigam a existência, e regozijas­te, 
quando os amigos se dispõe a ouvir­te o coração faminto de solidariedade, mas se 
pretendem consolar­te, repetindo apontamentos forçados, como se fosses para eles 
um problema que são constrangidos a suportar, por questões de etiqueta, mostrarias 
mais ampla gratidão se te entregassem ao silêncio da própria dor. 
A justiça faz­nos sentir que o supérfluo de nossa casa é o necessário que 
falta ao vizinho; que o irmão ignorante, tombado em erro, é alguém que nos pede os 
braços e que a aflição alheia amanhã poderá ser nossa. 
Beneficência, por isso, assume o caráter de dever puro e simples. 
Recomenda­nos a regra Áurea: “faze aos outros o que desejas te seja feito”. 
A sentença quer dizer que todos precisamos de apoio à luz da compreensão 
de remédio que se acompanhe de enfermagem e de conselho em bases de simpatia.


64 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Em suma, todos necessitamos de caridade uns para com os outros, nesse ou 
naquele ângulo do caminho, mas é forçoso observar que se a beneficência nos traga 
a obrigação de ajudar, ensina­nos a justiça como se deve fazer.


65 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

31 
Em favor da alegria
“Assim também não é vontade de Nosso Pai que está nos 
Céus, que um destes pequeninos se perca.” 
J esus
(Mateus, 18:14) 
“A ver dadeir a car idade não consiste apenas na esmola 
que dais, nem mesma nos palavr as de consolação que lhe 
aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A 
car idade sublime que J esus ensinou, também consiste na 
benevolência de que useis sempr e e em todas as coisas par a 
com o vosso pr óximo.” 
(Cap. 11, Item 14) 
Muito grande no mundo o cortejo das moléstias que infelicitam as criaturas, 
no entanto, maior é o fardo de inquietação que lhes pesa nos ombros. 
Onde haja sinal de presença humana, aí se amontoam os supliciados morais, 
lembrando legiões de sonâmbulos, fixados ao sofrimento. 
Não apenas os que passeiam na rua a herança de lágrimas que trouxeram ao 
renascer... Esmagadora percentagem dos aflitos carrega temerosos no refúgio 
doméstico que, levantado em louvor da alegria familiar, se transforma, não raro, em 
clausura flagelante. Daí procede o acervo dos desalentados que possuem tão­ 
somente a fria visão da névoa para o dia seguinte. São pessoas desacoroçoadas na 
luta pela aquisição de suprimento às exigências primárias; pais e mães trespassados 
de pesar, diante de filhos que lhes desdouram a existência; mulheres traumatizadas 
em esforço de sacrifício; crianças e jovens desarvorados nos primeiros passos da 
vida; companheiros encanecidos em rijas experiências, atrelados carga de labores 
quando não são acolhidos nos braços da caridade pública, de modo a não 
perturbarem o sono dos descendentes. 
Somemos semelhantes desgostos às tribulações dos que clamam por 
equilíbrio das grades dos manicômios nas grades dos manicômios;dos que sonham 
liberdade na estreiteza do cárcere; dos que choram manietados em leitos de expiação 
e dos milhares de espíritos desencarnados, ainda em pesadelos indescritíveis que 
comunicam à esfera física os rescaldos do próprio desespero e verificaremos que a 
tristeza destrutiva é comparável à praga fluídica, prejudicando todos os flancos da 
evolução na Terra.


66 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Ponderando tudo isso respeitemos a dor, mas plantemos a alegria e a 
esperança, onde nossa influência logre chegar. 
Falemos de otimismo, cultivemos serviço, ensinemos confiança e 
exercitemos serenidade. 
Ninguém espera sejamos remédio a toda angústia e rio a toda sede, 
entretanto, à frente da sombra e da secura que atormentam os homens, cada um de 
nós pode ser a consolação do raio de luz e a bênção do copo d’água.


67 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

32 
Compaixão e socorro
“Amai, pois, a vossos inimigos.” 
J esus
(Lucas, 6:35) 
“Se o amor do pr óximo constitui a pr incipio da 
car idade, amar aos inimigos é a mais sublime aplicação desse 
pr incipio, por quanto a posse de tal vir tude r epr esenta uma das 
maior es vitór ias alcançadas contr a o egoísmo e o or gulho.” 
(Cap. 12, Item 3) 
Não apenas os nossos adversários costumam cair. 
É preciso entender que as situações constrangedoras não aparecem 
unicamente diante daqueles que não nos comungam os ideais, cujas deficiências, por 
isso mesmo, estamos naturalmente inclinados a procurar e reconhecer. 
As criaturas que mais amamos também erram, como temos errado e 
adquirem compromissos indesejáveis, como tantas vezes, temos nós abraçado 
problemas difíceis de resolver. 
E todos eles, os irmãos que resvalam na estrada, decerto pedem palavras 
que os esclareçam e braços que os levantem. 
Tanto quanto nós, na travessia das trevas interiores, quando as trevas 
interiores nos tomam de assalto, reclamam compaixão e socorro, ao invés de 
espancamento e censura. 
Ainda assim, compaixão e socorro não significam aplauso e conivência 
para com as ilusões de que devemos desvencilhar­nos. 
Em verdade, exortou­nos Jesus a deixar conjugados, o trigo e o joio, na 
gleba da experiência, de vez que a Divina sabedoria separará um do outro, no dia da 
ceifa, mas não nos recomendou sustentar reunidos a planta útil e a praga que a 
destrói. A vista disso, a compaixão e o socorro expressam­se no cultivador, através 
da bondade vigilante, com que libertará o vegetal proveitoso larva que o carcome. 
O papel da compaixão é compreender. 
A função do socorro é restaurar. 
Mas se a compaixão acalenta o mal reconhecido, a título de ternura, 
converte­se em anestesia da consciência e se o socorro suprime o remédio necessário 
ao doente, a pretexto de resguardar­lhe o conforto, transforma­se na 
irresponsabilidade fantasiada de carinho, apressando­lhe a morte.


68 –
Fr ancisco Cândido Xavier
Reconhecendo, pois, que todos somos suscetíveis de queda, saibamos 
estender incessantemente compaixão e socorro, onde estivermos, sem escárnio para 
com as nossas feridas e sem louvor para com as nossas fraquezas, agindo por irmãos 
afetuosos e compassivos mas sinceros e leais uns dos outros, a fim de continuarmos, 
todos juntos, na construção do Bem Eterno, trabalhando e servindo, cada qual de 
nós, em seu próprio lugar.


69 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

33 
Compaixão sempre
“Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e 
não sereis condenados; soltai e soltar­vos­ão.” 
J esus
(Lucas, 6:37) 
“Não esqueçais, meus quer idos filhos, que o amor
apr oxima de Deus a cr iatur a e o ódio a distancia dele.” 
(Cap. 12, Item 10) 
Perante o companheiro que te parece malfeitor, silencia e ampara sempre. 
Assim como existem pessoas, aparentemente sadias, carregando 
enfermidades que apenas no futuro se fardo evidentes para a intervenção necessária, 
há criaturas supostamente normais, portadoras de estranhos desequilíbrios, aos quais 
se lhes debitam os gestos menos edificantes. 
Compadece­te, pois, e estende os braços; para a obra do auxilio. 
Muitos daqueles que tombaram na indisciplina e na violência, acabando 
segregados; nas casas de tratamento moral, guardam consigo os braseiros de 
angústia que lhes foram impostos, em dolorosos processos obsessivos, pelas mãos 
imponderáveis dos adversários desencarnados de outras existências... E quase todos 
os que esmoreceram, no caminho das próprias obrigações, rendendo­se ao assalto da 
crueldade e do desespero, sustentaram, por tempo enorme, na intimidade do próprio 
ser, a agoniada tensão da resistência às forcas do mal, sucumbindo, muitas vezes, à 
míngua de compreensão e de amor... 
Para todos eles, os nossos irmãos caídos em delinqüência, volvamos, assim, 
pensamento e ação tocados de simpatia, recordando Jesus, que não cogita de nossas 
imperfeições para sustentar­nos, e certos de que também nós, pela extensão das 
próprias fraquezas, não conseguimos, em verdade, saber em que obstáculos do 
caminho os nossos pés tropeçarão.


70 –
Fr ancisco Cândido Xavier
34 
Deveres humildes
“Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu muito 
mais dos que, antes, puseram suas dádivas no gazofilácio.” 
J esus
(Marcos, 12:43) 
“Aliás, ser á só com o dinheir o que se podem secar
lágr imas e dever ­se­á ficar inativo, desde que se não tenha 
dinheir o? Todo aquele que sincer amente deseja ser útil a seus 
ir mãos, mil ocasiões encontr ar ão de r ealizar o seu desejo.” 
(Cap. 13, Item 6) 
Abracemos, felizes, as atividades obscuras que a vida nos reserve. 
Grande é o sol que sustenta os mundos e grande é a semente que nutre os 
homens. 
Engenheiros planificam a estrada, consultando livros preciosos no gabinete 
e, a breve tempo, larga avenida pode surgir da selva. 
Entretanto, para que a realização apareça, tarefeiros abnegados removem 
estorvos do solo transpiram no calçamento. 
Urbanistas esboçam a planta de enorme edifício, alinhando tragos nobres, 
ante a mesa tranqüila e é possível que arranha céu se levante, pressuroso, acolhendo 
com segurança numerosas pessoas. 
Todavia, a fim de que a obra se erga, esfalfam­se lidadores suarentos, na 
garantia dos alicerces. 
Técnicos avançados estruturam as máquinas que exaltam a indústria e, com 
elas, é provável se eleve o índice da evolução de povos inteiros. 
No entanto, para que isso aconteça, é indispensável que operários valorosos 
exponham as próprias vidas, junto aos fornos candentes, de ferro e ago. 
Negociantes de prol arregimentam os produtos da terra e por eles, 
conseguem formar a economia e o sustento de grandes comunidades. 
Mas semelhante vitória comercial exige que anônimos semeadores 
chafurdem as mãos no limo da gleba. 
Não perguntes “quem sou eu?”, nem digas “nada valho”. Honremos o 
serviço que invariavelmente nos honra, guardando­lhe fidelidade e ofertando­lhe as 
nossas melhores forças, ainda mesmo quando se expresse, através de ocupação, 
supostamente esquecida na retaguarda.


71 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Nos princípios que regem o Universo, todo trabalho construtivo é 
respeitável.
Repara esse dispositivo da Lei Divina funcionando em ti próprio. 
Caminhas e pensas de cabeça içada à glória do firmamento, contudo, por ti 
mesmo, não avançarás para a frente, sem a humildade dos pés.


72 –
Fr ancisco Cândido Xavier
35 
Eles antes
“Quando deres um festim, não convides teus amigos, 
nem os teus irmãos, nem os teus vizinhos ricos, para que não 
suceda que também eles te tornem a convidar e te seja isso 
recompensado.” 
J esus
(Lucas, 14: 12) 
“Por festins deveis entender , não os r epastos 
pr opr iamente ditos, mas a par ticipação na abundância de que 
desfr utais.” 
(cap. 13, Item 8)
“ Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos 
amigos, mas os pobres e os estropiados”. 
Decerto que o Divino Orientador não estabelecia a desistência das relações 
fraternais, nem o abandono do culto às afinidades do coração. Considerando, porém, 
a Humanidade por família única, induzia­nos a observar os irmãos menos felizes na 
categoria de credores principais de nossa atenção, à maneira de enfermos queridos, 
que esperam no lar a prioridade de assistência por parte daqueles que lhes 
comungam o mesmo sangue. 
Nas celebrações da alegria, é inútil convocar os entes amados, de vez que 
todos eles se encontram automaticamente dentro delas. Recorda os que jornadeiam 
no mundo, sob as algemas de austeras privações e partilha com eles as vantagens 
que te felicitam a vida. 
Se exerces autoridade, é natural te disponhas à sustentação dos 
companheiros honestos que te apóiam a luta. Antes deles, no entanto, pensa no 
amparo que deves a todos os que padecem aflição e injustiça. 
Obtiveste merecimentos sociais elevados pelos títulos de competência que 
granjeaste a prego de trabalho e de estudo, e, com semelhantes valores, é razoável te 
empenhes no reconforto, a benefício dos que viajam no carro de tuas facilidades 
terrestres. Antes deles, contudo, atende à cooperação em favor dos que jazem 
cansados nas provas sem remédio. 
Desfrutas extensa possibilidade econômica, na qual é compreensível te 
devotes a obsequiar os amigos do teu nível doméstico. Antes deles, toda via, socorre 
os que esmorecem de fadiga e penúria, para quem, muitas vezes, a felicidade reside 
num sorriso amistoso ou num prato de pão.


73 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Amealhaste conhecimento e, nos tesouros culturais que adquiriste, é justo te 
aprazas nos torneios verbais de salão, enriquecendo o cérebro dos ouvintes que te 
respiram as normas superiores. Antes deles, porém, divide a luz que te clareia o 
mundo mental com os irmãos do caminho, que se debatem ainda, na noite da 
ignorância.
Jesus não te pede a deserção dos círculos afetivos. 
Ele próprio, certa feita, asseverou aos companheiros de apostolado:
“ Já não 
vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o meu senhor; chamo­vos 
amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu. Pai”. 
Com os amigos, entretanto, consagrou­se primeiramente a aliviar a carga de 
todos os sofredores, corno a dizer­nos que todos podemos cultivar afeições preciosas 
que nos alentem as energias, mas à frente dos que choram, nos transes de dolorosas 
necessidades, é preciso, adotar a legenda “eles antes”.


74 –
Fr ancisco Cândido Xavier
36 
Na hora da assistência
“Mas quando fizeres convite, chama os pobres, 
aleijados, coxos e cegos.” 
J esus
(Lucas, 14: 13) 
“Auxiliai os infelizes o melhor que puder des.” 
(cap. 13, Item 9) 
Nas obras de assistência aos irmãos que nos felicitam com as oportunidades 
do serviço fraterno, em nome do Senhor, vale salientar a autoridade amorosa do 
Cristo que no­los recomendou. 
Ao recebê­los à porta, intentemos ofertar­lhes algumas frases de conforto e 
bom ânimo, sem ferir­lhes o coração, ainda mesmo quando não lhes possamos ser 
úteis. 
Visitando­lhes o lar, diligenciemos respirar­lhes o ambiente doméstico, 
afetuosamente, reconhecendo­nos, na intimidade da própria família, que nos merece 
respeito natural e cooperação espontânea, sem tragos de censura. 
Em lhes servindo à mesa, fujamos de reprovar­lhes os modos ou 
expressões, diferentes dos nossos, calando apontamentos deselegantes e 
manifestações de azedume, o que lhes agravaria a subalternidade e a desventura. 
Socorrendo­lhes o corpo enfermo ou dolorido, reflitamos nos seres que nos 
são particularmente amados e imaginemos a gratidão de que seríamos possuídos, 
diante daqueles que os amparassem nos constrangimentos orgânicos. 
Se aceitamos a incumbência de prová­los nas filas organizadas para a 
distribuição de favores diminutos, preservemos o regulamento estabelecido, com 
lhaneza e bondade, sem fomentar impaciência ou tumulto; e, se alguns deles, depois 
de atendidos, voltarem a nova solicitação, recordemos os filhos queridos, quando 
nos pedem repetição do prato, e procuremos satisfazê­los, dentro das possibilidades 
em mão, sem desmerecê­los com qualquer reprimenda. 
Na ocasião em que estivermos reunidos, em equipes de trabalho, a fim de 
supri­los, estejamos de bom­humor, resguardando a disciplina sem intolerância e 
cultivando a generosidade sem relaxamento, na convicção de que, usando a 
gentileza, no veiculo da ordem, é sempre possível situar os tarefeiros do bem, no 
lugar próprio, sem desperdiçar­lhes o concurso valioso. 
Nós que sabemos acatar com apreço e solicitude a todos os representantes 
dos poderes transitórios do mundo e que treinamos boas maneiras para


75 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

comportamento digno nos salões aristocráticos da Terra, saibamos também ser 
afáveis e amigos, junto dos nossos companheiros em dificuldades maiores. 
Eles não são apenas nossos irmãos. São convidados de Cristo, em nossa 
casa, pelos quais encontramos ensejo de demonstrar carinho e consideração para 
com Ele o Divino Mestre, em pequeninos, gestos de amor.


76 –
Fr ancisco Cândido Xavier
37 
Exercício do Bem
“Mas ajuntai tesouros no Céu, onde nem a traça nem a 
ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam e nem 
roubam.” 
J esus
(Mateus, 6: 20) 
“Sede bons e car idosos: essa a chave dos céus, chave 
que tendes em vossas mãos. Toda a eter na felicidade se contém 
nesse pr eceito: Amai­vos uns aos outr os.” 
(Cap. 13, Item 12) 
Comumente inventamos toda a espécie de pretextos para recusar os deveres 
que nos constrangem ao exercício do bem. 
Amolentados no reconforto e instalados egoisticamente em vantagens 
pessoais no imediatismo do mundo, não ignoramos que é preciso agir e servir na 
solidariedade humana, todavia, derramamos desculpas a rodo, escondendo teimosia 
e mascarando deserção. 
Confessamo­nos incompetentes. 
Alegamos cansaço. 
Afirmamo­nos sem tempo. 
Declaramo­nos enfermos. 
Destacamos a necessidade da vigilância na contenção do vício. 
Reclamamos cooperação. 
Aqui e ali empregamos expressões crônicas que nos justifiquem a fuga, 
como sejam “muito difícil”, “impossível”, “melhor esperar”, “vamos ver” e 
ponderamos vagamente quanto aos arrependimentos que nos amarguram o coração e 
complicam a vida à face de sentimentos, idéias palavras e atos infelizes a que em 
outras ocasiões, nos precipitamos de maneira, impensada. 
Na maioria das vezes, para o bem exigimos o atendimento a preceitos e 
cálculos, enquanto que para o mal apenas de raro em raro imaginamos 
conseqüências. 
Entretanto, o conhecimento, do bem para que o bem se realize é de tamanha 
importância que o apóstolo Tiago afirma no versículo 17 do capítulo 4 de sua carta, 
no Evangelho “Todo aquele que sabe fazer o bem e não o fez comete falta. E 
dezenove séculos depois dele os instrutores desencarnados que supervisionaram a 
obra de Allan Kardec desenvolveram, o ensinamento ainda mais explicando na


77 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Questão 642 de “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”:
“ Cumpre ao homem fazer o bem, no 
limite das suas forças, porquanto responderá pelo mal que resulte de não haver 
praticado o bem” . 
O Espiritismo, dessa forma, definindo­se não apenas como sendo a religião 
da verdade e do amor, mas também da justiça e da responsabilidade, vem esclarecer­ 
nos que responderemos, não só pelo mal que houvermos feito, mas igualmente pelo 
mal que decorra do nosso comodismo em não praticando o bem que nos cabe fazer.


78 –
Fr ancisco Cândido Xavier
38 
Credores no Lar
“Honrai vosso pai e vossa mãe...” 
J esus
(Mateus,19:19) 
“Honr ar a seu pai e sua mãe não consiste apenas em 
r espeitá­los; é também assisti­los na necessidade; é 
pr opor cionar ­lhe r epouso na velhice; é cer cá­los de cuidados 
como eles fizer am conosco na infância.” 
(cap.14, Item 3) 
No devotamento dos pais, todos os filhos são jóias de luz, entretanto, para 
que compreendas certos antagonismos que te afligem no lar, é preciso saibas que, 
entre os filhos­companheiros, que te apóiam a alma, surgem os filhos credores, 
alcançando­te a vida, por instrutores de feição diferente. 
Subtraindo­te aos choques de caráter negativo, no reencontro, preceitua a 
eterna bondade da Justiça Divina que a reencarnação funcione, reconduzindo­os à 
tua presença, através do berço. É Por isso que, a principio, não ombreiam contigo, 
em casa, como de igual para igual, porquanto reaparecem humildes e pequeninos. 
Chegam frágeis e emudecidos para que lhes ensines a palavra de 
apaziguamento e brandura. 
Não te rogam a liquidação de débitos na intimidade do gabinete, e sim 
procuram­te o colo para nova fase de entendimento. 
Respiram­te o hálito e escoram­se em tuas mãos, instalando­se em teus 
passos para a transfiguração do próprio destino. 
Embora desarmados, controlam­te os sentimentos. 
Não obstante dependerem de ti, alteram­te as decisões com simples olhar. 
De doces inspiradores do carinho, passam, com o tempo, à condição de 
examinadores constantes de tua estrada. 
Governam­te impulsos, fiscalizam­te os gestos, observam­te as companhias 
e exigem­te as horas. 
Aprendem novamente na escola do mundo com o teu amparo, todavia, à 
medida que se desenvolvem no conhecimento superior, transformam­se em 
inspetores intransigentes do teu grau de instrução. 
Muitas vezes choras e sofres, tentando adivinhar ­lhes os pensamentos para 
que te percebam os testemunhos de amor. 
Calas os próprios sonhos para que os sonhos deles se realizem.


79 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Apagas­te, pouco a pouco, para que fuljam em teu lugar. 
Recebes todas as dores que te impõem à alma com sorrisos nos lábios, 
conquanto te amarfanhem o coração. 
E nunca possuis o bastante para abrilhantar­lhes a existência, de vez que 
tudo lhes dás de ti mesmo, sem faturas de serviço e sem notas de pagamento. 
Quando te vejas, diante de filhos crescidos lúcidos, erguidos à condição de 
dolorosos problemas do espírito, recorda que são eles credores do passado a te 
pedirem o resgate de velhas contas. 
Busca auxiliá­los e sustentá­los com abnegação e ternura, ainda que isso te 
custe todos os sacrifícios, porque, no justo instante em que a consciência te afirme 
tudo haveres efetuado para enriquecê­los de educação e trabalho, dignidade e 
alegria, terás conquistado em silêncio, o luminoso certificado de tua própria 
libertação.


80 –
Fr ancisco Cândido Xavier
39 
Familiares
“Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus esse é 
meu irmão, minha irmã e minha mãe” 
J esus
(Marcos, 3, 35) 
“Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos 
laços espir ituais e as famílias pelo.laços cor por ais. Dur áveis, as 
Pr imeir as se for talecem pela pur ificação e se per petuam no 
mundo dos Espír itos atr avés das var ias migr ações da alma; as 
segundas, fr ágeis como a matér ia, se extinguem com o tempo e, 
muitas vezes, se dissolvem mor almente já na existência atual.” 
(cap. 14, Item 8) 
Parentela — instituto primário de caridade. 
Fora do lar, é possível o sossego na consciência, distribuindo as sobras do 
dinheiro ou do tempo, aliás, com o mérito de quem sabe entesourar a beneficência. 
Nada difícil suportar o agressor desconhecido que raramente 
conseguiremos rever. 
Nenhum sacrifício em amparar o doente, largado na rua, a quem não nos 
vinculamos compromisso direto. Em casa, porém, somos constrangidos ao exercício 
da assistência constante. 
É aí, no reduto doméstico, por trás das paredes que nos isolam do aplauso 
público, que a vidência Divina nos experimenta a madureza tal ou o proveito dos 
bons conselhos que ministramos. 
Nós que, de vez em vez, desembolsamos sorrindo pequena parcela de 
recursos em beneficio dos outros, estamos incessantemente convocados a sustentar 
os familiares que precisam de nós, não apenas mobilizando possibilidades materiais, 
mas também apoio e compreensão, disciplina e exemplo, resguardando as forças que 
nos asseguram felicidade. 
Anseias por encargos sublimes queres a convivência das entidades 
superiores, sonhas com posse de dons luminescentes, suspiras pela ascensão 
espiritual!... 
Contempla, no entanto, o espaço estreito que serve de moradia e lembra­te 
da criança na escola. 
Em cada companheiro que partilha a consangüinidade, temos um livro de 
lições que, às vezes, nos detém o passo por tempo enorme, no esforço da repetência.


81 –
LIVRO DA ESPERANÇ A (pelo Espírito
Emmanuel

Cada um deles nos impele a desenvolver determinadas virtudes; num, a 
paciência, noutro, a lealdade, e ainda em outros, o equilíbrio e a abnegação, a 
firmeza e a brandura! 
A pretexto de auxiliar a Humanidade, não fujas do cadinho fervente de lutas 
em que a vida te colocou sob o telhado em que respiras. 
Ainda mesmo ao preço de todos os valores da existência física, refaze 
milhares de vezes, as tuas demonstrações de humildade e serviço, perante as 
criaturas que te cercam, ostentando os títulos de pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos 
ou irmãos, porque é de tua vitória moral junto deles que depende a tua admissão 
definitiva, entre os amados que te esperam, nas vanguardas de luz, em perpetuidade 
de regozijo na Família Maior.


82 –
Fr ancisco Cândido Xavier
40 
Na intimidade doméstica
“Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes 
meus pequeninos irmãos a mim o fizestes.” 
J esus
(Mateus, 25: 40) 
“Toda a mor al de J esus se r esume na car idade e na 
humildade, isto é, nas duas vir tudes contr ár ias ao egoísmo e ao 
or gulho.” 
(cap. 15, Item 3) 
A história do bom samaritano, repetidamente estudada, oferece conclusões 
sempre novas. 
O viajante compassivo encontra o ferido anônimo na estrada. 
Não hesita em auxiliá­lo. 
Estende­lhe as mãos. 
Pensa­lhe as feridas. 
Recolhe­o nos braços sem qualquer idéia de preconceito. 
Conduz­lo ao albergue mais próximo. 
Garante­lhe a pousada. 
Olvida conveniências e permanece junto dele, enquanto necessário. 
Abstém se de indagações. 

Baixar 0.95 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3




©psicod.org 2023
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
santa catarina
Prefeitura municipal
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
universidade federal
prefeitura municipal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
seletivo simplificado
Conselho nacional
oficial prefeitura
terapia intensiva
Boletim oficial
Curriculum vitae
direitos humanos
Concurso público
saúde mental
Universidade estadual
educaçÃo infantil
educaçÃo física
Centro universitário
saúde conselho
ciências humanas
Excelentíssimo senhor
santa maria
Poder judiciário
assistência social
Conselho regional
Atividade estruturada
ensino aprendizagem
língua portuguesa
Colégio estadual
recursos humanos
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
outras providências
Dispõe sobre
público federal
educaçÃo universidade
secretaria municipal
catarina prefeitura
Conselho municipal
Componente curricular
conselho estadual
Serviço público