Ficha Formativa de Trabalho de Grupo 13 – a memória 1



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Ficha Formativa de Trabalho de Grupo 13 – A Memória

1. O conceito de memória define-se como um processo de recordar conteúdos aprendidos que são armazenados para serem utilizados em momentos posteriores. A memória, enquanto processo e faculdade cognitiva é fundamental e constitui o sustentáculo para todas as aprendizagens, a qual envolve três fases:

- a fase de aquisição (a entrada da informação),

- a fase de retenção (o armazenamento da informação);

- a fase de recuperação (a reativação e a atualização da informação retida, a lembrança propriamente dita).

Em suma, a memória é assim a capacidade de um sistema (natural ou artificial) para codificar informação extraída da sua experiência com o meio, armazenando-a de forma a poder recuperá-la e utilizá-la nas ações ou operações que o sistema realiza.



2. A memória sensorial equivale ao armazenamento, bastante curto, cerca de 0,25 segundos, de informações de todo o tipo que chegam até aos nossos sentidos. Podem ser estímulos visuais, auditivos, táteis, olfativos e gustativos. A memória visual permite-nos, por exemplo, percecionar o movimento contínuo numa tela de cinema, quando o que de facto está a ser projetado é uma sequência de imagens fixas. A linguagem oral é também uma sucessão de palavras soltas, que só fazem sentido pela recordação das palavras anteriores. É a memória auditiva que nos permite compreender o discurso, dando sentido àquilo que ouvimos. As informações passam por esta memória, sem receber nenhum tipo de processamento. Se lhes prestarmos atenção, então os dados codificam-se e são transferidos para um outro depósito: a memória a curto prazo. Se não lhes prestarmos atenção, as informações acabam por se perder.

3. A memória a curto prazo é considerada o centro da consciência, na medida em que é nela que se encontram os pensamentos, as informações e as lembranças. A sua função é reter temporariamente a informação que aí permanece durante um período mais longo que na memória sensorial, pois as lembranças só estão aí disponíveis durante o tempo necessário para serem utilizadas. Podemos ainda acrescentar que esta memória tem uma capacidade limitada de armazenamento, codificando apenas cerca de oito itens; cabe-lhe ainda o papel de selecionar e enviar os conteúdos significativos para a memória a longo prazo.

4. O sistema de memória a longo prazo confere-nos a capacidade de recordar uma quantidade substancial de informação durante períodos bastante longos. É nela se encontram também armazenados os materiais provenientes da aprendizagem que foram sujeitos à codificação na memória a curto prazo. Grandes estudos têm sido feitos, o que permitiu concluir que nesta memória existe uma grande flexibilidade na codificação dos materiais, pois tanto se pode codificar em termos de imagens como em termos verbais, sendo a matéria verbal retida essencialmente pelo seu significado. Esta memória é muito importante, pois permite-nos continuamente recuperar informação desta memória, apesar de todo o processo ser gerido pela memória a curto prazo.

5. O esquecimento não é uma doença de memória, embora seja provocada por diversas doenças. O esquecimento é uma função seletiva da memória, com o qual a memória não pode viver. As doenças que provocam o esquecimento podem ser a amnésia, a qual é caracterizada por uma incapacidade da memória em recuperar ou reter algumas informações. Há dois tipos de amnésia: a amnésia anterógrada e a amnésia retrógrada. A amnésia anterógrada afeta a memória dos acontecimentos vividos progressivamente pelo sujeito, isto é, a memória “vinda do futuro”. A amnésia retrógrada afeta a memória dos acontecimentos e informações decorridos antes do aparecimento de um estado patológico, ou seja, a memória “projetada para trás”; esta amnésia afeta também as recordações biográficas, os conhecimentos didáticos e socioculturais. Outra doença que provoca o esquecimento é o Alzheimer. Em suma, não se pode falar de memória sem falar de esquecimento e este não pode ser encarado como uma lacuna da memória, como uma doença, uma vez que o esquecimento é uma condição da própria memória. O esquecimento tem uma função seletiva, dado que afasta materiais que não são necessários.

6. Há diversos fatores que contribuem para o esquecimento, como por exemplo, o esquecimento provocado, o esquecimento regressivo, as interferências de novas aprendizagens, a alteração do traço mnésico e a motivação inconsciente. No esquecimento provocado, as perturbações da memória são originadas por certas lesões cerebrais, a amnésia retrógrada e a anterógrada, sendo que, nesta última, a aptidão do paciente para fixar material na memória ao longo prazo é perturbada e na retrógrada há perda de recordações de acontecimentos ocorridos imediatamente antes da lesão. No esquecimento regressivo, as capacidades amnésicas diminuem em consequência da degenerescência progressiva dos tecidos cerebrais como e envelhecimento. A alteração do traço mnésico deve-se a falhas que podem ocorrer na codificação, no armazenamento ou na recuperação dos conteúdos mnésicos. Segundo Freud, na motivação inconsciente, o processo de esquecer é seletivo, ou seja, não esquecemos tudo, mas apenas aquilo que inconscientemente nos interessa esquecer. Freud chamou recalcamento à tendência que os humanos têm de evitar inconscientemente a recordação de certas impressões. Distinguem-se dois tipos de interferências de novas aprendizagens: a inibição proativa e a retroativa. A inibição proativa corresponde à influência negativa que a aprendizagem anterior tem sobre a recordação de uma nova informação. Por exemplo, se uma pessoa perder o seu cartão multibanco e receber um novo, o código do perdido pode interferir na recordação do novo. A inibição retroativa corresponde ao efeito negativo que a informação nova tem sobre a anterior. Por exemplo, depois de uma pessoa usar o cartão multibanco várias vezes com o novo código, tem dificuldade em recordar o número antigo.

7. Esquecimento por inibição proativa é considerado um processo de deterioração dos conteúdos mnésicos provocado pela interferência de recordações passadas. O esquecimento por inibição retroativa é considerado um processo de deterioração dos conteúdos mnésicos provocado pela interferência de novas informações. Tomemos por exemplo os adeptos de futebol que podem esquecer-se de certos pormenores de um jogo que já viram há meses, sendo possível que isso de deva à interferência das lembranças de todos os jogos a que assistiram antes desse, sendo por isso, considerado um esquecimento por inibição proactiva, mas estes mesmos pormenores do jogo de futebol podem também ter sido esquecidos por causa das lembranças dos jogos a que os adeptos assistiram depois desse, sendo assim considerado um esquecimento por inibição retroativa.

8. Segundo Freud, o processo de esquecer é seletivo: não esquecemos tudo, mas apenas aquilo que inconscientemente nos interessa esquecer. Com efeito, o caráter perturbador ou provocador de ansiedade, ligado a recordações como o medo, a dor, a angústia ou a ansiedade faz com que sejam reprimidas, isto é, afastadas da zona iluminada da consciência. Por isso, a pessoa é incapaz de voluntariamente as evocar.´ Freud chamou recalcamento ou repressão à tendência que os seres humanos têm de evitar inconscientemente a recordação de certas impressões e situações penosas. Estas interpretações freudianas apresentam-se plausíveis para explicar factos da vida corrente, como, por exemplo, esquecermo-nos de ir à consulta marcada no oftalmologista, de comparecer a um encontro com amigos enfadonhos ou uma reunião de trabalho marcada para horas inconvenientes. Estas situações do quotidiano podem ser categorizadas naquilo a que Freud chamou atos falhados, isto define-se como um erro na fala, na memória ou numa ação física que seria supostamente causada pelo inconsciente. Alguns erros, como o marido que, acidentalmente, troca o nome da própria esposa pelo da amante, parecem representar casos relativamente claros de atos falhos ou deslizes freudianos. Noutros casos, erros triviais ou bizarros na aparência podem encerrar um significado mais profundo se analisados. Os atos falhos não são limitados ao discurso oral ou a desejos sexuais reprimidos podendo afetar até mesmo a cognição, que se vê prejudicada por fixações do inconsciente. Também há uma série de mecanismos inconscientes que defendem o ego das pulsões ou motivações consideradas desagradáveis ou socialmente indesejáveis. Freud identificou vários mecanismos dessa natureza, por exemplo, a formação reativa ou o deslocamento. Um outro mecanismo de defesa é a repressão, que é a operação psíquica que pretende fazer desaparecer, da consciência, impulsos ameaçadores, sentimentos, desejos, ou seja, conteúdos desagradáveis ou inoportunos. Em sentido amplo, é uma operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: ideia, afeto, etc. Neste sentido, o recalque seria uma modalidade especial de repressão. Esquecemos muito do que aprendemos e, em muitos casos, com bastante rapidez. Contudo nem sempre o esquecimento é algo de negativo. Há uma dimensão positiva no esquecimento, na medida em que desempenha uma insubstituível função seletiva. O psiquismo necessita de depurar materiais, eliminando muitos deles, antes de se fazerem novas aquisições. Desta forma, evitam-se perturbações graves, associadas à impossibilidade de a memória fazer a gestão normal das informações. É pelo esquecimento que nos libertamos do peso de informações sem interesse e nos mantemos disponíveis, abertos a outras aprendizagens.

12ºB


Daniel Sebastião

Diogo Palma

Gonçalo Paulos

Luís Diogo



Miguel Baltazar
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