Experiência docente e produção de sentidos



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2.2. Diário de Bordo

O diário é um instrumento utilizado em diversas áreas do conhecimento nas ciências humanas, como a psicologia, a antropologia, a etnologia e a sociologia. Segundo Hess e Weigand (2000), a construção de um diário é uma prática antiga, uma forma de coleta de dados, que se utiliza para agrupar, no dia-a-dia, registros e reflexões sobre experiências (vivido), as idéias que ocorrem (concebido), os encontros, as observações (percebido). E, ainda, pode ser concebido sob diversos estilos e objetivos.

Quando se produz uma escrita diária, com o objetivo de construção de conhecimento científico, nos referimos então, ao diário de campo ou diário de pesquisa. O objetivo dessa forma de diário, que se dá em torno de uma investigação, é a realização de registros, pelo pesquisador, de suas hipóteses e achados.

Desde a perspectiva antropológica de Rocha & Eckert (2005, p.37), nos diários de campo, nas descrições densas ou nos relatos de pesquisa, ler e escrever traduzem a preocupação do antropólogo com a fixação, através da escrita, da temporalidade do acontecimento por ele vivido com os seus “nativos”.26

Já no âmbito da educação e da formação de professores, autores como o espanhol Miguel Zabalza (2004) propõem a construção do diário de formação, por docentes, com o objetivo de escrever sobre suas dificuldades em sala de aula, no que se refere à relação com alunos, escola, questões didáticas, entre outras. O diário é utilizado como uma ferramenta na formação profissional, à medida que é lido por uma equipe de formadores, normalmente psicopedagogos, que buscam ajudar os docentes a solucionar questões que são colocadas como problemas na sala de aula.

No entanto, ao nosso estudo interessa um tipo de diário denominado diário de viagem, e mais especificamente, uma forma particular deste, o diário de bordo. De acordo com Hess e Weigand (ibid, p.23), os diários de bordo eram construídos sobre os navios que partiam à descoberta do “novo mundo”:


Patrick Berthier, em “As origens navais do diário de bordo” [...], analisa muito particularmente o Diário de uma viagem às Índias, de Robert Challe, uma expedição de 1690. Naquela época, esta prática era muito comum. O diário de bordo é interessante, pois ele conta as experiências vividas por um grupo.

O diário de viagem tem por objetivo a escrita de acontecimentos que se dão no período de uma ou várias viagens. Sua especificidade, enquanto diário de bordo, consiste na dimensão social que toma, pois os textos que o compõem partem das experiências vividas por um grupo de pessoas/ navegantes localizados num mesmo espaço/ navio. Porém, ainda que as experiências narradas sejam coletivas, a escrita pode ser realizada, em muitas situações, por um só indivíduo: o escrevente.

E, como já vimos, as experiências dos sujeitos são singulares. De modo que a produção de um diário de bordo por um escrevente, ainda que pretenda relatar as experiências de um coletivo, trata-se sempre da escrita a partir das experiências de um sujeito em particular, e de como ele percebe, sente e é afetado pelo coletivo do qual faz parte.

O grupo de pesquisadores do Laboratório de Estudos em Linguagem, Interação e Cognição, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LELIC/ UFRGS) vem desenvolvendo estudos e utilizando o diário de bordo como suporte na formação continuada de professores em serviço do projeto CIVITAS.

O diário de bordo27, na formação de professores do CIVITAS, integra uma proposta metodológica que está sendo desenvolvida por Axt e Martins (2007). Nesse contexto, o uso do diário é inicialmente orientado pelo formador, na busca do ‘inusitado’ na sala de aula, ou seja, dos acontecimentos que escapam à linha do previsto pelo professor.

Para observar acontecimentos da sala de aula, escutá-los, os professores utilizam, além do caderno de relatos ou bloco de notas, também câmeras fotográficas digitais, que funcionam como auxiliares na captura do que está passando/acontecendo nos encontros com seus alunos, com a sala de aula, com as informações/conteúdos, com as teorias/conceitos (Axt e Martins, ibid). (grifo meu)


Um caderno ou bloco no qual se possa escrever, rabiscar ou desenhar é o suporte material a partir do qual se produz o diário de bordo. Um material que acompanha o professor na sala de aula ou em outros espaços da escola, bem como em sua casa e demais ambientes em que o professor deseja realizar seus registros, inclusive sobre aquilo que o afeta nos seus encontros com a escola.

Retomemos a metáfora da viagem. Se a experiência refere-se ao que acontece numa viagem, como dito anteriormente, então o diário de bordo pode constituir-se num suporte para escrita das experiências, o que veremos no próximo sub-capítulo, como texto-experiência.



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