Estudo dos traços de personalidade em atletas de basquetebol juvenil relatório de projeto de pesquisa



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2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 A FILOSOFIA DO ESPORTE COMPETITIVO


Para Barbero (1993), Brohm (1993) e Rúbio (2001a), o esporte contemporâneo é considerado um dos maiores fenômenos sociais do século XX e tem agregado em torno de si um número cada vez maior de áreas de pesquisa, constituindo as chamadas Ciências do Esporte, compostas por disciplinas como Antropologia, Filosofia, Psicologia e Sociologia do Esporte, no que se refere à área sócio-cultural, incluindo também a Medicina, Fisiologia e Biomecânica do Esporte. Bracht (2000) vê nesse conjunto de disciplinas que compõem as Ciências do Esporte uma tendência à interdisciplinaridade. Para Rúbio (2002), essa tendência ainda não representa uma prática interdisciplinar, uma vez que as diversas subáreas convivem enquanto soma, mas não em relação, fazendo com que as Ciências do Esporte vivam hoje um estágio denominado ‘pluridisciplinar’.

Segundo Silva (1967, p. 01), “Só há esporte quando ocorrem três fatores: jogo, movimento e agonística ou competição”.

Silva (1967) concluiu que, no jogo, encontram-se os elementos e os efeitos constitutivos da beleza: equilíbrio, compensação, contraste, relevo, variação, união, desunião. No jogo, se somam duas condições que o homem pode observar: ritmo e harmonia. Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver, por meio dele, formas e contribuições para gerar talentos, aperfeiçoar potencialidades e criar novas habilidades de conviver.

Segundo Friedmann (1996), o jogo pode ser ensinado de duas formas: primeiro, o jogar espontâneo, em que o jogo tem apenas o objetivo de divertimento; segundo, o jogar dirigido, em que ele passa a ser proposto como fonte de desafios, promovendo o desenvolvimento da aprendizagem.

Por movimento, entende-se, segundo Canestrari apud Silva (1967, p. 11), como elemento vivo da personalidade. O atleta deve mostrar o grau de interesse e capacidade que revela em relação a este aspecto comportamental; a força da motivação que o faz dirigir e alimentar dar-lhe-á significado, valor e finalidade. Sem este componente, a motivação, o movimento perde seu valor psicológico e formativo, para tornar-se mera repetição motora, puramente instrumental, sem associar-se a uma mínima participação afetiva.

Da combinação fisiológica dos nervos, reflexos e músculos, e mais os motivos psíquicos, diz-se Psicomotricidade. A psicomotricidade está associada à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente. E o indivíduo tendo problemas motores apresentará problemas de expressão (FONSECA, 1988). Barreto (2000) diz que a psicomotricidade permite a integração do indivíduo com o espaço à sua volta, utilizando, para isso, o movimento, levando em consideração os aspectos psicológicos, relacionais, cognitivos e motrizes. É a educação pelo movimento consciente, visando melhorar a eficiência. Dessa maneira, no momento em que a psicomotricidade educa o movimento, ela, ao mesmo tempo, coloca em jogo as funções da inteligência.

De Lisi apud Silva (1967, p. 12) observou a relação da psicomotricidade com a personalidade e agrupou os indivíduos em quatro tipos: 1) Indivíduo forte, hábil, ágil: É o atleta ligeiro, o operário manual ótimo e versátil, enfim o sujeito de motricidade evoluída e harmoniosa; 2) Indivíduo forte, lento, inábil, pesado: É o atleta pesado, o operário adaptado a trabalhos duros que exigem resistência, o sujeito com tempos de reação demorada; a reação tônica prevalece sobre a ação automática; 3) Indivíduo débil, célere, hábil, ágil: É o atleta ligeiro não exaurível, o operário adaptável a trabalhos minuciosos, mas de pouca força e resistência, o sujeito de motilidade um tanto desarmoniosa, mas evoluído nos componentes psicomotores a serviço de faculdades intelectuais; 4) Indivíduo fraco, lento, inábil, embaraçado: É o tipo inadaptado a exercícios de ginástica, a esportes, a trabalhos manuais, sujeito a motilidade de todo desarmônica e ineficaz.

Para Corsini (2004), todos os seres humanos (inclusive os animais) trazem consigo um

impulso agressivo. A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas. Portanto, é algo natural. No entanto, a maneira de reagir frente à agressividade varia conforme a sociedade e cultura em que vive a pessoa, pois cada uma tem as suas leis (umas inclusive agressivas), valores, crenças, etc. Alguns comportamentos agressivos são tolerados, outros são proibidos. Nas sociedades ocidentais, bastante competitivas, a agressividade costuma ser aceita e estimulada quando esta vale como sinônimo de iniciativa, ambição, decisão ou coragem. Mas é impedida, reprimida ou punida quando identificada como atitudes de hostilidade, de sentimentos de cólera. Corsini (2004) afirma que existem dois tipos de agressividade: Instrumental: que é dirigida apenas para alcançar uma recompensa. Não visa acarretar sofrimento ao outro; Hostil: que tem como objetivo atacar e/ou ferir o outro. Pode-se encontrar agressividade na forma verbal: ataca por meio de palavras, e física: que envolve o ataque físico.

Segundo Freud (1976), a agressividade é um conjunto de tendências presente em todos os indivíduos, que se manifesta em comportamentos reais ou fantasiosos que objetivam prejudicar, destruir ou humilhar o outro.

Poucas atividades requerem um envolvimento total do ego como a do atleta, porque nele uma força irracional, normalmente destruidora como a agressividade, desempenha papel dominante. O êxito em quase todas as competições esportivas exige uma atitude e um comportamento de alto teor agressivo. Por conseqüência, na dinâmica da agonística, encontra-se o sentimento de culpa, uma vez que, a agressão e culpabilidade estão sempre juntas. O sentimento de culpa ocorrerá com mais freqüência e profundidade naqueles atletas que descarreguem com maior vigor e intensidade sua carga agressiva (SILVA, 1967).

No basquete, a agressividade deve ser entendida como uma prontidão para a realização do ato com explosão, devendo estar presente, em especial, nos rebotes e disputas de bola, acompanhados de uma carga emocional elevada, determinada pela evolução do resultado, do ambiente e da velocidade de jogo. Quanto aos aspectos psicológicos e aos valores morais envolvidos na prática do basquetebol, pode-se afirmar que o praticante desse esporte desenvolve a confiança em si mesmo, a responsabilidade, a sociabilidade, o espírito de cooperação, o espírito de luta, o reconhecimento da vitória e da derrota e a agressividade criativa, que é a determinação e a coragem para tomar decisões e realizar tarefas durante um jogo (FERREIRA, 2001). Objetivo do ensino e treinamento deve desenvolver no atleta a capacidade de autocontrole, automotivação (motivação intrínseca) e a capacidade de assumir responsabilidade em situações de fracasso. A motivação no esporte depende da estrutura da personalidade do atleta, sobretudo de como e em que medida se convertem algumas necessidades esportivas relevantes em alguma característica da estrutura deste indivíduo. O desenvolvimento intelectual é um forte aliado do desportista que busca o sucesso; nesta dimensão, a visão da necessidade e utilidade da prática esportiva, relacionando o envolvimento do treinamento físico com questões de ordem geral, as funções socializadoras, as funções compensadoras no esporte. Considerando que o reforço intelectual da motivação no esporte requer um determinado nível intelectual, é compreensível que este esforço possua uma maior importância entre pesquisadores da Psicologia do Esporte do que propriamente entre os esportistas ou dirigentes (BARRETO, 2002).

2.2 PSICOLOGIA DO ESPORTE

A Psicologia do Esporte tem como meio e fim o estudo do ser humano envolvido com

a prática de atividade física e esportiva competitiva e não competitiva. Esses estudos podem abarcar os processos de avaliação, as práticas de intervenção ou a análise do comportamento social que se apresenta na situação esportiva a partir da perspectiva de quem pratica ou assiste ao espetáculo (RÚBIO, 2000 a).

A Psicologia no Esporte é a transposição da teoria e da técnica das várias especialidades e correntes da Psicologia para o contexto esportivo, seja no que se refere à aplicação de avaliações para a construção de perfis, seja no uso de técnicas de intervenção para a maximização do rendimento esportivo (FEIJÓ, 2000).

O processo de avaliação psicológica no esporte é conhecido como psicodiagnóstico esportivo e está relacionado diretamente com o levantamento de aspectos particulares do atleta ou da relação com a modalidade escolhida. As investigações de caráter diagnóstico têm como objetivo determinar o nível de desenvolvimento de funções e capacidades no atleta com a finalidade de prognosticar os resultados esportivos (FEIJÓ, 2000).

No esporte de alto rendimento, o psicodiagnóstico está orientado para a avaliação de características de personalidade do atleta, para o nível de processos psíquicos, os estados emocionais em situação de treinamento e competição e as relações interpessoais. Com o resultado do diagnóstico, pode-se chegar a conclusões referentes a algumas particularidades pessoais ou grupais que oferecem subsídios para se fazer uma seleção de novos atletas para uma equipe, para mudar o processo de treinamento, individualizar a preparação técnico-tática, escolher a estratégia e a tática de conduta em uma competição e otimizar os estados psíquicos.

Os métodos utilizados para esse fim podem ser tanto da categoria de análise de particularidades de processos psíquicos, nos quais se enquadram os processos sensórios, sensórios-motores, de pensamentos, mnemônicos3 e volitivos4 como os de ordem psicossociais, nos quais são estudadas as particularidades psicológicas de um grupo esportivo, buscando revelar e explicar sua dinâmica (LUCCAS, 2000).

Para Barreto (2002), a Psicologia Social é fundamental nos esportes coletivos. Dirigese para o estudo das relações entre os atletas, das relações entre o atleta e o grupo, e entre o grupo social e o outro. Uma equipe de basquetebol terá mais chances de vitórias ou mesmo de ganhar um campeonato se o grupo for coeso, ou seja, um número de pessoas integradas, voltadas para objetivos comuns. São as chamadas unidades morais, espirituais e psicológicas de uma equipe. Uma equipe unida necessita de várias condições: um grupo identificado com a meta estabelecida e consciente da sua realidade; pessoas afirmativas, seguras, disciplinadas, guerreiras, maduras psicologicamente, controladas emocionalmente, conscientes da árdua tarefa que têm pela frente; presença de um líder tático e um líder afetivo do tipo senso-prático; liberdade para criar, sem críticas.


2.3 O ESPORTE E A PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE
Na literatura pesquisada, verificou-se que há um grande número de pesquisadores e profissionais voltados à pesquisa da personalidade em situações esportivas. No entanto, muitas questões sobre este assunto ainda não foram devidamente equacionadas e esclarecidas. Entre psicólogos e pesquisadores, existem divergências entre o próprio conceito de personalidade e sobre as teorias que tentam explicar sua aplicação na Psicologia do Esporte.

De um modo geral, os psicólogos não aceitam a idéia de que a personalidade seja simplesmente atratividade social, porque essa idéia lhe atribuiria um significado demasiado restrito (WEINBERG; GOULD, 2001).

Ao se referirem à natureza da personalidade, os pesquisadores se defrontam com outro debate conceitual, de igual essência ao referido acima, qual seja, a existência da controvérsia entre a influência da hereditariedade (genética ou constituição) e do ambiente (comportamento) na formação da personalidade do indivíduo. Essa polêmica tem feito com que muitos psicólogos enfatizem mais a importância de uma ou de outra para o desenvolvimento de um indivíduo. As discussões acerca da preponderância dos elementos ambientais ou hereditários na gênese da Personalidade são antigas e inconclusivas. A tendência moderna e politicamente correta seria entender a pessoa como um resultado de influência equilibrada dos elementos ambientais e hereditários; mas, como o politicamente correto sempre se caracteriza por acentuada simulação de discurso, melhor é compreender as duas concepções.

Allport (1973, p. 98) enfatiza que o aspecto mais importante do acordo científico é que nenhuma qualidade ou aspecto seja de origem exclusivamente hereditária ou exclusivamente ambiental. Os dois fatores causais devem estabelecer uma relação de equação entre elas, ou seja, um fator deve atuar como multiplicador; desta forma, se um dos dois fatores for zero, não poderá haver personalidade.

2.3.1 Definição de personalidade
O termo personalidade, em português, ou personanlité, em francês, ou personality, em inglês, provém da palavra latina persona, que muitos autores admitem que, originalmente, significava uma máscara usada pelos atores no teatro antigo. Conforme essa derivação, não é de surpreender que a interpretação, nos dias de hoje, conserve ainda resquícios daquela significação, isto é, as aparências exteriores do indivíduo ou suas qualidades superficiais.

Afirmam, também, que nada é tão importante quanto outras pessoas para a determinação da natureza do indivíduo e, além disso, afirmam que a coisa mais importante e valiosa para se compreender uma pessoa é o seu modo geral de interagir com outras.“Personalidade é um campo organismo-ambiente, definido por sua maneira característica de desempenhar papéis sociais”.


2.3.2. Relações entre personalidade e esporte
A importância do esporte como formador de virtudes e da personalidade foi propagada e salientada em todas as épocas, nas mais diversas condições sociais e predominantemente em sistemas sociais fechados. Pode-se afirmar que a prática desportiva tem efeitos diretos sobre o corpo humano, e supõe-se que exista esta relação desde a Antigüidade.
2.3.3 Diferenciações de atletas do sexo feminino em relação a pratica esportiva
Segundo Cattell (1975), estudos de correlação do comportamento revelaram uma estrutura muito semelhante entre os sexos. Contudo, nesses fatores, os indivíduos tendem a se colocar em níveis diferentes. Os resultados indicam que as mulheres são menos dominantes, emocionalmente sensíveis e superprotegidas, imaginosas, mais infantis, mais conservadoras, mais expansivas e menos auto-suficientes.

Nos estudos realizados por Bushan e Agarwar apud Weinberg e Gould (2001), utilizando o 16 PF de Cattell, descobriram que as mulheres de projeção esportiva, comparados

a homens esportivos, tiveram escores significantemente mais altos nos fatores primários de desconfiança, dominância e tensão; e escores mais baixos em afetividade, estabilidade emocional; e, em fatores de segunda ordem, escores altos em angústia, aprumo vivaz e independência.



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