Entidade Educacional Com Jurisdição Nacional


Modelos Éticos Alternativos



Baixar 95.04 Kb.
Página6/38
Encontro27.05.2018
Tamanho95.04 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   38
Modelos Éticos Alternativos

Fischer reconhece com propriedade que a ação filantrópica é desenvolvida em meio a dilemas morais que se manifestam em meio às histórias pessoais e de organizações. Ao invés de apelar para modelos deontológicos o que, segundo ela, implicaria em conceituar o pensamento ético e tentar aplicar regras mecanicamente, sua proposta é que decidamos "que regras aplicar numa determinada situação e se é um caso em que deveríamos seguir as regras diretamente ou abrir uma exceção." O modelo ético mais adequado para a tomada de decisões, propõe ainda Fischer, deve lançar mão de "padrões de narração de histórias... imaginando diferentes resultados potenciais e perguntando o que cada um significaria para a organização, a comunidade, e os indivíduos afetados." Ética, portanto, deve ser pensada no contexto de uma narrativa de modo a inserir as regras éticas dentro de um contexto apropriado. Fischer se esforça por evitar qualquer acusação de relativismo enfatizando que embora certas escolhas morais se situem no que se poderia denominar de área nebulosa, "algumas escolhas morais são "claramente certas ou erradas, e chamar a ética de nebulosa nestes casos é um modo de se esconder da responsabilidade e verdades éticas."

Então, quando quer que um real dilema ético surja, "pensar em ética como uma narração de histórias pode ser útil." No processo de contar nossa história para nós mesmos e para outras pessoas imaginativamente, "características proeminentes emergirão, enquanto detalhes menos importantes esmaecerão." Diálogo exercitado no contexto de uma cuidadosa investigação é evidentemente uma atividade central na reflexão ética. Conclui-se que o modelo proposto por Fischer possui pelo menos três características básicas: a importância da situação em um julgamento moral, a relevância do diálogo e da narração como ferramentas investigativas da decisão moral, e a avaliação dos resultados da decisão moral, podendo ser denominado um modelo situacional-narrativo-teleológico.

O diálogo como instrumento, coerente com a metodologia platônica, não implica, porém, necessariamente na adoção de um modelo ético fundamentado na situação e na narrativa, e no conseqüente afastamento de um modelo deontológico. Em algumas de suas obras, Platão evidencia que se pode lançar mão do diálogo como um recurso epistemológico para a identificação de um princípio moral, sem necessariamente afastar-se de um modelo deontológico. Ainda mais, a adoção de um modelo deontológico é compatível com o cultivo das virtudes, como a proposta aristotélica evidencia. Anderson dá suporte à legitimidade desta conclusão ao afirmar: Sem dúvida, Aristóteles está familiarizado com o conceito [de traçar linhas estabelecendo os limites da moralidade] e assumiu em seu pensamento sobre a Ética a convicção metafísica de que existem linhas inscritas na natureza das coisas às quais nossas próprias decisões e ações deveriam se conformar.

Em resumo, o reconhecimento da dificuldade inerente à tomada de algumas decisões morais, da importância do diálogo para a identificação da opção moral correta - ou pelo menos a que aparenta ser - e de uma ênfase ao cultivo das virtudes não são necessariamente incompatíveis com a adoção de um modelo ético deontológico fundamentado na lei moral revelada no Decálogo que, me parece, melhor expressa a tradição cristã em geral e a reformada em particular.

A análise de um caso hipotético pode ser útil na avaliação da aplicabilidade dos modelos acima descritos no contexto da captação de recursos. Por exemplo, um doador potencial deseja fazer uma doação significativa para uma escola com princípios evangélicos, digamos R$ 1 milhão. A única restrição imposta é que 50% do dinheiro seja destinado a bolsas de estudo para uma minoria gay. Que respostas os modelos éticos alternativos apresentados no artigo, a saber, o chamado situacional-narrativo-teleológico e o deontológico ofereceriam ao doador em questão?

O primeiro modelo requereria uma avaliação do contexto específico do doador e dos potenciais beneficiados por tal doação. A aplicabilidade ou não de regras a priori - supondo que elas existissem - deveria ser objeto de discussão, lançando-se mão da imaginação e considerando os diferentes resultados potenciais para as vidas dos envolvidos no processo de decisão. Em outras palavras, ainda que um conjunto de regras não recomendasse a aceitação da doação, fossem seus resultados concebidos como satisfatórios para um número significativo de pessoas beneficiadas - os membros da minoria gay que recebessem a bolsa - a legitimidade moral da decisão estaria assegurada.

No modelo deontológico, em contrapartida, a moralidade da decisão seria avaliada em termos independentes da situação. No caso do modelo deontológico proposto neste artigo, a aceitação da doação deveria ser avaliada com base na Lei Moral revelada no Decálogo, assumindo que a escola em questão explicitamente defina em sua declaração de missão seu compromisso com esta Lei Moral. À luz do Decálogo, seria moralmente não-permissível a aceitação da doação condicionada nos termos mencionados, porque, independentemente dos eventuais benefícios gerados, preceitos morais pré-estabelecidos estariam sendo quebrados. Na eventualidade, porém, da missão da escola não possuir um compromisso formal com os valores da Lei Moral expressa no Decálogo, mas conceber sua responsabilidade simplesmente em termos do desenvolvimento do ser humano, caberia ao órgão responsável pela direção da escola optar por uma dentre as seguintes alternativas: aceitar a oferta ou rever a declaração de missão.

Conclusão

Aristóteles estava correto. Decidir a quem, quanto, quando e para que propósito doar recursos financeiros - além de nosso tempo e talentos - não é uma coisa fácil. Dilemas morais surgirão neste processo que envolve a captação de recursos seja do ponto de vista da missão da organização destinatária, seja do ponto de vista do captador, ou das relações envolvendo doador e captador.

A atividade filantrópica baseada numa perspectiva antropológica que entende o ser humano como capaz de atos morais e de um caráter virtuoso encontra respaldo na Escritura e na teologia reformada e, conseqüentemente, deve ser valorizada e incentivada.

O tratamento das questões morais que inevitavelmente surgirão no processo de captação de recursos deverá levar em consideração o diálogo e enfatizar o cultivo das virtudes - altruísmo e integridade entre outras. Isto, porém, não significará necessariamente abrir mão de um modelo ético deontológico, baseado na lei moral revelada na Escritura, e mais especificamente no Decálogo. O apego - e porque não dizer, submissão - a esta lei moral nos permitirá acolher e nos relacionar com compaixão e boa vontade com doadores e/ou captadores como Maria Lugones, sem necessariamente definir integridade em termos teleológicos sujeitos a uma perspectiva individual e subjetiva.



Baixar 95.04 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   38




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual