Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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Encontro06.04.2018
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Conclusão
A psiquiatria evoluiu para um sistema multidisciplinar mais completo. “Pode-se designar este período da evolução da psiquiatria como o da medicina da totalidade humana, medicina da unidade bio-psico-social, medicina da pessoa dinâmica vivendo um universo movediço e instável” (Leitão, 1974: 43).

O teste às hipóteses que coloquei no início do trabalho foi sendo feito ao longo do estágio pela minha observação diária, complementada com as entrevistas aos técnicos. Assim, com o que ficou exposto, podemos perceber que no CHPC técnicos com formações distintas têm a mesma percepção do doente do foro mental. Todos trabalham pela humanização do doente, procurando olhar este como um todo, e não como sendo apenas um ser biológico ou social. Um exemplo muito relevante da proximidade entre técnicos e doentes é a inexistência da bata branca, apenas a enfermagem e as auxiliares utilizam farda de trabalho. O facto de os médicos e os outros técnicos não utilizarem esta indumentária cria uma relação mais próxima, de confiança. É afastado o «peso» da doença. O trabalho multidisciplinar é essencial para o tratamento do doente mental. As diferentes formações dos técnicos permitem analisar o todo do doente. Ao avaliar-se o indivíduo como um todo consegue-se uma recuperação mais eficaz, pois nenhuma situação fica descurada. A equipa deveria tentar limar algumas arestas deste trabalho multidisciplinar, ou seja discutir mais vezes os casos e não apenas quando há necessidade. A articulação entre os técnicos é boa, mas pode ser melhorada. As reuniões entre a equipa responsável pelo doente deveriam ser mais frequentes, não devendo ficar apenas para a reunião geral de serviço. O facto de os técnicos estarem afectos a mais do que um serviço dificulta esta situação, porém, parece-me pertinente reflectir-se pois uma maior interacção pode ser sinónimo de um tratamento mais eficaz.

O hospital é uma instituição que apoia o doente mental na sua reinserção, contribui para integração eficaz na sociedade. Para tal, contribuem as terapias complementares aos fármacos, que permitem ao utente recuperar algumas competências e aprender outras, bem como é uma porta aberta a novas oportunidades no meio social do doente. O hospital não intensifica o estigma pois durante o tempo em que o doente está hospitalizado não existe um isolamento total da sociedade. Os doentes interagem com outros doentes, interagem com os técnicos, interagem com a família e amigos. Quer isto dizer que o doente durante o internamento não fica excluído do mundo exterior, mantém contactos de alguma forma indirectos com tudo o que faz parte da sua vida social. O afastamento é temporário e não é total. Dependendo da patologia que motiva o internamento, muitas vezes o afastamento do meio é fundamental para uma boa recuperação, uma vez que o doente vai perceber quais as situações que lhe possam estar a prejudicar e vai aprender a contorná-las. Por outro lado, o tratamento do doente no seu meio parece-me, igualmente, uma questão importante. Se o doente for afastado do seu quotidiano para ir fazer um tratamento ao hospital, muitas das suas funções diárias vão sair prejudicadas.

Deste modo, sendo os técnicos a ir ao meio do doente muitos dos inconvenientes poderão ser evitados. O utente poderá ter um acompanhamento mais atempado e eficaz, bem como a equipa poderá educar o doente na sua postura perante a doença. Todavia, para que se consiga a eficácia desta equipa multidisciplinar na comunidade, é necessário investir na formação da sociedade face à saúde mental, começando por uma maior descentralização dos recursos de apoio, aumentar as intervenções na comunidade, pois nem todas as populações têm a mesma abertura e conhecimento em relação à doença. Portanto, é necessário evitar constrangimentos quer para o doente quer para o seu meio envolvente.





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