Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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Período

Terça-Feira

Quarta-Feira

Quinta-Feira

Sábado

Manhã

Jogos Terapêuticos

Educação para a Saúde

Reunião Comunitária

Auto-Massagem

Tarde

-

-

Relaxamento

-

Os Jogos Terapêuticos visam incentivar as relações intergrupais e interpessoais, de acordo com os objectivos de cada jogo. Cada jogo apresenta uma metodologia específica, uma duração variável e o recurso a uma ou várias técnicas de treino e desenvolvimento individual e interpessoal. Com estes jogos espera-se que as utentes, entre outras coisas, recuperem a auto-confiança, desenvolvam auto-crítica, treinem competências, memória, assumam responsabilidades dentro do grupo.

Com a Educação para a Saúde, a equipa de enfermagem, pretende desenvolver intervenções que incentivem a adopção de estilos de vida e padrões de comportamento que condicionem favoravelmente a vida; bem como procuram promover o desenvolvimento de normas sociais que respondam às necessidades de saúde e aos interesses da população, incrementando a cultura de saúde. Estas sessões visam o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisão no domínio da saúde que promova mudanças conscientes e duradouras do comportamento, ou seja, o desenvolvimento do sentido de responsabilidade face à saúde individual, familiar e ao nível da comunidade.

A Reunião Comunitária procura fomentar a comunicação numa atitude analítica, isto é, a percepção da dinâmica do serviço. Nesta reunião gerem-se conflitos e planeiam-se as actividades terapêuticas para a semana estimulando a participação activa das utentes. Esta actividade é facilitadora no desenvolvimento da expressão verbal dos acontecimentos relacionados com a vivência grupal; no desenvolvimento de relações interpessoais e dinâmicas grupais; na reflexão auto-crítica; no processo comunicacional.

O Relaxamento é importante para o aumento da auto-estima e da auto-imagem, para a melhoria do padrão de sono e de repouso, para a aquisição de conhecimentos sobre a gestão de sentimentos emoções. Do mesmo modo, a Auto-Massagem é fundamental para dotar as doentes de conhecimentos e estratégias na redução do stress, ansiedade e mal-estar, através da utilização de técnicas de relaxamento, estimulação cutânea, massagem terapêutica e gestão de emoções.

Às segundas-feiras e sextas-feiras não há actividades planeadas, uma vez que raramente estão todas as doentes. Algumas têm permissão médica para passarem o fim-de-semana em casa, vão sexta-feira após o almoço e regressam segunda-feira de manhã. Nos dias de hoje, o hospital psiquiátrico aproxima-se cada vez mais da tão falada humanização. As idas dos doentes a casa constituem uma forma de terapia humanista, é um incentivo à reinserção familiar e social. O domingo é passado muitas vezes com as visitas familiares. Algumas doentes são de longe, tendo visitas apenas neste dia.

Nem sempre as utentes aceitam de bom agrado as actividades terapêuticas. Como já referi, um internamento num hospital psiquiátrico não é igual a um internamento num hospital geral, da mesma maneira que as utentes não estão internadas para fazerem umas férias da sua vida na comunidade. As utentes vão fazer um tratamento no qual se procura que não percam todas as suas competências, pelo que as actividades visam que não haja um corte com o meio. A fraca adesão que se constata em algumas actividades prende-se com o facto de algumas doentes não aceitarem este método, considerando que devem permanecer nos quartos e tomar a medicação. Deste modo, o procedimento dos profissionais, nomeadamente de enfermagem, baseia-se na estimulação para as actividades. As utentes não são obrigadas a participar, no entanto são incentivadas a fazê-lo, são-lhes explicadas as vantagens que estas actividades têm para o seu tratamento.

“O hospital deve funcionar como uma verdadeira família – deve ser a casa em que vivemos, como uma comunidade, que encare com frontalidade os problemas que se avizinham, numa entreajuda mútua, onde se induza nas pessoas a esperança e a vontade de poder vir a ser uma pedra fundamental na mesma” (Vidigal, 1994: 59).

As aulas de educação física são duas vezes por semana. Há um técnico específico para desenvolver esta actividade. As doentes deslocam-se ao pavilhão do Serviço de Reabilitação, onde terá lugar a aula. Como os internamentos são curtos, muitas destas doentes não realizam esta actividade, pois muitas vezes estão instáveis. De acordo com a equipa de enfermagem, no internamento de agudos o mais importante não é fazer, é estimular a fazer. As doentes têm que perceber que têm uma doença, que os fármacos têm efeitos, e que têm de aprender a contornar esses efeitos e/ou a minimizá-los.

A alta é preparada desde a admissão da doente. Uma vez que o objectivo é que a doente não perca o seu lugar na família, no seu meio sociocultural, que o internamento seja o mais curto possível e que a doente vá estabilizada, equilibrada, a alta deve ser preparada desde o inicio por todos os intervenientes do processo terapêutico. “Durante a fase de internamento a situação social do doente deve ser convenientemente considerada a fim de já estar definida, antes da alta, a atitude a tomar para a sua recuperação e reintegração social. O tipo de tratamento psiquiátrico que o doente recebe no dispensário varia com a competência e meios de trabalho da equipa” (Leitão, 1974: 57).

Aquando da alta, serão entregues ao doente os seguintes documentos: informação clínica para o médico de família; receita médica; informação sobre a data/hora da próxima consulta.

Durante o estágio na clínica feminina de agudos pude verificar que um grande número dos internamentos se deve a reacções e a descompensações de pessoas que face aos problemas, às necessidades, pressões e conflitos do dia-a-dia, não conseguem lidar com eles correctamente. Muitos destes casos são reinternamentos. Quando uma utente é internada a equipa multidisciplinar procura aliviar a sintomatologia psíquica aguda, reverter a descompensação emocional, fazer uma investigação diagnóstica detalhada, facilitar a posterior integração familiar e ocupacional, evitar comportamentos inadequados, como a violência. O principal objectivo do internamento do doente psiquiátrico é a sua integração na comunidade com o máximo de autonomia que as suas capacidades permitam, evitando a sua institucionalização. No Anexo V, está disponível um breve resumo de três situações de internamento que acompanhei durante o período de estágio.

Quando uma utente chega ao internamento, o Serviço Social começa a actuar desde o primeiro momento. A equipa multidisciplinar inicia um plano terapêutico com vista à doente permanecer internada o menor tempo possível, pois os internamentos longos afastam a doente do seu meio social, as famílias acabam por afastar-se, demitindo-se do seu papel apoiante, e permitindo o aumento do estigma associado à doença mental. No internamento a família é a primeira instância a quem a equipa recorre, procurando garantir o suporte social à reintegração e reabilitação do doente. Mais uma vez se evidenciam as escassas estruturas de apoio na comunidade, que auxiliem o papel da família. Existindo estruturas de apoio descentralizadas, o doente e a família têm um suporte social mais próximo de si.

As principais problemáticas do doente mental prendem-se com problemas pessoais e familiares, tais como a afectação ao nível das relações interpessoais no agregado, conflitos, ruptura, divórcio, morte, etc; a problemática laboral, como a desadaptação ao trabalho, dificuldades relacionais, desemprego; e a problemática socioeconómica, como a precariedade económica e a dependência de terceiros, estão igualmente associadas a grande parte dos internamentos.



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