Discurso e memória no videoclipe de pabllo vittar



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PALAVRAS-CHAVE:

Videoclipe; Identidade-de-Gênero; Cinema; Discurso.



MÉTODO:

O território analítico utilizado para o desenvolvimento desta pesquisa é a linha francesa Análise do Discurso, criada por Michael Pêcheux. A partir do dispositivo teórico analítico, é possível trabalhar os gestos de interpretação e a relação com a exterioridade constitutiva, considerando as condições de produção dos dizeres em seus aspectos sociais e históricos. Trabalhar discursivamente “é compreender como o texto funciona, como ele produz sentidos, é compreendê-lo enquanto objeto linguístico-histórico, é explicar como ele realiza a discursividade que o constitui” (ORLANDI, p.70, 2007). Os gestos de interpretação não buscam trazer a intenção do autor da obra ou buscar por uma verdade absoluta que se mantém oculta, e sim como determinados sentidos se constituem ao olhar do analista. A Análise do Discurso “teoriza a interpretação, isto é, que coloca a interpretação em questão” (ORLANDI, 2007, p. 25). O dispositivo analítico se constitui então, no batimento entre o dispositivo teórico discursivo, a posição do analista e uma posição de escuta teórica que circunscreve o corpus de análise. Em nosso caso, as teorias Queer e os estudos de cinema, recortando no segundo especificamente, o funcionamento do gênero documentário.

RESULTADOS E DISCUSSÕES:

Quanto aos avanços teórico-analítico, nosso gesto de interpretação, a partir do dispositivo teórico, possibilitou-nos a compreensão da arte de Drag Queen em suas condições de produção, os percursos e as lutas por visibilidade e de reconhecimento como artistas. A pesquisa propõe discutir o ato político de resistência, vista a partir de uma trajetória de constantes de lutas que ainda estão presentes, e que necessitam serem debatidas. Considerando este cenário, seria possível o estabelecimento de um discurso não binário no âmbito social contemporâneo?

Quanto as compreensões estéticas e estilísticas, o gesto de análise nos mostrou que o funcionamento do videoclipe traz suas características dos gêneros documentário e do drama ficcional. A partir dessa informação trabalhamos com a noção de Tecedura e Tessitura (NECKEL, 2010) e os seus funcionamentos a partir do recorte analítico: memória–videoclipe-documentário. A tessitura estaria então para o “fio do discurso”, aquilo que se estrutura na cadeia do significante, ou seja, o funcionamento próprio do videoclipe em sua organização e montagem. Já a Tecedura, está para as teias da memória, que através da linguagem cinematográfica traz consigo na construção da narrativa, que o videoclipe utiliza parta contar suas histórias. Segundo Orlandi, “O trabalho da narratividade no texto, pensando discursivamente, liga-se à relação entre estrutura e acontecimento, no funcionamento da memória, na produção de versões” (2017, p.317).

Quanto a linguagem audiovisual em grande parte dos documentários obtemos o relato dos entrevistados em tela, que através dessas informações de texto/discurso se constrói a narrativa e acentua os sentidos do filme. Cada entrevistado traz consigo versões dos seus relatos, formas de contar o seu ponto de vista ou até mesmo informações inéditas ao roteiro.

Conforme Neckel (2010, p.143)

A noção de tecedura é cunhada na imagem metafórica de uma teia, numa teia invisível que nos envolve por completo. E, é nessa teia que somos tecidos discursivamente. No caso da imagem, Tecedura representa a rede de filiações da memória a outras imagens e/ou materialidades, às quais nem sempre temos acesso, pois tal teia é tramada pelos esquecimentos constitutivos (1 e 2) formulados por Pêcheux.

E, tomamos por Tessitura, a estrutura da própria das diferentes materialidades discursivas ancoradas no artístico em seus modos de funcionamento. Tomamos metaforicamente Tessitura do conceito de funcionamento musical, como aquilo que ordena o andamento, os compassos, as notas, etc. Assim como no funcionamento musical, a Tessitura estaria para a estrutura do dizer (visual/sonoro/gestual/verbal). A tessitura se mostra na circulação do movimento parafrástico, o que recuperaria uma memória marcada e mostrada pela heterogeneidade discursiva.
Para se considerar um documentário é necessário trazer uma ligação com fatores e acontecimentos ditos como reais, ou relatos de seus personagens. A ficção está presente no videoclipe como forma de relato, que contribui com o funcionamento da narrativa e a construção do roteiro se ambienta em dois momentos temporais, um que aborda fragmentos de uma lembrança pessoal, atravessada por uma memória social, e outra, pela posição social de cantora(o) e interprete a musical. A narrativa acentua a memória, através da escrita do roteiro, sua elaboração de Mise-en-scène3 até a sua montagem.

Desta forma, acreditamos ter alcançado os objetivos secundários mesmo analisando um único videoclipe, a saber: a) Abordar sobre a representatividade de identidade de gênero no cinema e nos videoclipes brasileiros; b) Analisar e comparar a Mise en scène, (cenário, figurino, maquiagem, iluminação e atuação) dos filmes e videoclipes escolhidos; c) Citar e argumentar sobre o meio social em que esses clipes são produzidos; d) Comparar essas duas linguagens e argumentar sua contribuição para a quebra de estereótipos de gênero não binário na sociedade brasileira. A análise e discussão de dados demonstrará tal alcance.



Em grande parte dos documentários obtemos os entrevistados em tela, que através dessas informações de texto/discurso se constrói a narrativa e acentua os sentidos do filme. Cada entrevistado traz consigo versões dos seus relatos. O contar uma história, tanto no cinema quanto na literatura é o que possamos chamar de narrativa, onde “o trabalho da narratividade no texto, pensando discursivamente, liga-se à relação entre estrutura e acontecimento, no funcionamento da memória, na produção de versões” Orlandi (2017, p.317). O relatar em si é uma narrativa, que aqui é construida pelo gênero drama ficcional.


Figura 1 Sequência de frames do videoclipe Indestrutível de Pabllo Vittar.

Na próxima ambientação a artista se encontra interpretando a música. Os enquadramentos se alternam em planos gerais e enquadramentos mais fechados. É uma reflexão do próprio sujeito com ele mesmo, por esse motivo está observando o seu reflexo no espelho, a ação de tirar seus assessórios, a a identidade artística e a leva a outra persona4.

Segundo Grigoletto:

Assim, o sujeito do discurso, ao mesmo tempo em que ele é interpelado/assujeitado ideologicamente pela formação social, ele se inscreve/ocupa um dos lugares sociais que lhe foi determinado. É o espaço do empírico. Na passagem para o espaço teórico, no nosso caso, para o espaço discursivo , o lugar social que o sujeito ocupa numa determinada formação social e ideológica, que está afetada pelas relações de poder, vai deter minar o seu lugar discursivo , através do movimento da forma-sujeito e da própria for mação discursiva com a qual o sujeito se identifica.

O sujeito sempre fala de um deter minado lugar social, o qual é afetado por diferentes relações de poder, e isso é constitutivo do seu discurso. Então, é pela prática discursiva que se estabiliza um determinado lugar social/empírico. (GRIGOLETTO, 20007 p.07)

A materialidade desse movimento de identificação, marcam a partir de uma posição social da artista, que traz identificação ao seu público com o mesmo discurso, vindo do social.




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