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- Faça de cada tarefa um jogo



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5- Faça de cada tarefa um jogo.
O que se faz com prazer é impossível de se fazer mal feito. Mark Twain dizia que havia duas classes de pessoas: as que faziam as coisas por prazer e as que as faziam por obrigação. Dava o exemplo de um guia turístico conduzindo alpinistas em uma escalada de fim de semana. Para o guia, subir uma montanha era trabalho, para os turistas era prazer. Em seu famoso romance, “ As Aventuras de Tom Sawier”, ele conta como o garoto Tom conseguiu fazer com que um grupo de amigos o ajudasse num trabalho maçante – caiar uma enorme cerca – transformando aquilo que havia sido lhe imposto como castigo, num estimulante jogo.48

Imaginem se pudéssemos acordar pela manhã, sempre muito excitados com a perspectiva de obter grandes doses de prazer na execução do nosso trabalho. Tal não seria a nossa dedicação a ele!

Isso pode parecer uma utopia, mas não é. Existem pessoas que conseguem, realmente criar para si mesmas tais estados de excitação. São pessoas que trabalham por puro prazer. Não falo dos chamados work alchoólics, pessoas obcecadas pelo trabalho, que não sabem se divertir, que são incapazes de encontrar alegria em outra atividade. Pessoas assim trabalham, não pelo amor ao que fazem ou pela expectativa do resultado, mas pelo medo de serem superados pelos concorrentes, pela incapacidade de desenvolver outro tipo de afeto ou de buscar outros tipos de interesse, etc.

Agora, amar o que faz é outra coisa. Esse amor pode ser percebido na maneira como a pessoa trabalha, como fala dele, como procura aperfeiçoar, a cada dia, o seu processo produtivo. É uma mística que se desenvolve na atividade praticada e que eleva o caráter do seu praticante a uma espécie de taumaturgo no seu ofício.


É claro que existem trabalhos mais inspiradores que outros. É difícil pensar em encontrar algum prazer recolhendo o lixo de um hospital, de uma cidade; ou empacotando mercadorias em um supermercado, lavando latrinas, por exemplo. Mas todo trabalho precisa ser feito, e alguém tem que fazê-lo. O que não podemos é deixar que a condição humilde da tarefa a ser feita nos humilhe como executores, e nos faça acreditar que seremos sempre trabalhadores de baixo nível de qualificação e renda, envenenando, com essa crença, o nosso sistema neurológico. Dessa forma, seremos incapazes de ver qualquer oportunidade de progresso na empresa e logo entraremos para o batalhão dos pessimistas, dos descrentes, que é o primeiro degrau dos excluídos.

Em outras palavras, o trabalho pode ser humilde, mas a pessoa que o faz não precisa sentir-se humilhada por ter que fazê-lo. Quando uma ocupação é humilde, ela deve ser vista como um degrau a ser vencido para que se possa subir a um patamar mais alto. Se o executor de qualquer tarefa puder pensar em formas mais criativas e produtivas de fazer o seu trabalho, por mais humilde que ele seja, certamente logo será chamado para realizar tarefas de nível mais elevado. Agora, se resolver acreditar que o trabalho é humilhante, enfadonho, sem motivo, então a tendência será fazê-lo apenas por obrigação, com má vontade, com desgosto até, e nessa condição jamais será notados e convidado para fazer coisa melhor.

No filme “Vigésima Quinta Hora”, o ator Anthony Quinn interpreta um desgraçado camponês romeno. Os acontecimentos históricos o transformaram num joguete do destino. Preso pelo simples fato de que o oficial de polícia cobiçava sua bela esposa (interpretada por Virna Lisi), o personagem de Quinn foi, seguidamente, preso, torturado e depois enviado a um campo de concentração nazista, sob a acusação de ser judeu.

Depois, um nazista maluco, metido a cientista, resolveu descobrir nele o protótipo do homem perfeito e com isso transformou-o em garoto propaganda da superioridade da raça ariana. Quando os nazistas foram derrotados e expulsos da Romênia, os vencedores resolveram julgá-lo como criminoso de guerra. Submetido a novas torturas, novas humilhações, foi novamente encarcerado, vilipendiado, humilhado.

Tudo ele suportou, sem nunca reclamar, como se o que estivesse lhe acontecendo fosse uma coisa natural. Finalmente liberto, depois de dez anos de desgraça após desgraça, ele volta para casa e encontra-a destruída. Alguns de seus filhos haviam morrido, sua outrora bela esposa não passava de um trapo. Além do que, tinha sido estuprada pelos soldados nazistas e gerado o filho de um deles, que ele logo acolheu como se fosse seu.

Apesar de todas as vicissitudes, o personagem de Quinn jamais perdeu a esperança e o humor. Quando preso no campo de concentração, os nazistas o obrigaram a cavar trincheiras e canais. Enquanto seus companheiros de infortúnio maldiziam os seus algozes, ele dizia a eles: “quando a guerra acabar,vou trazer meus filhos aqui para mostrar-lhes o belo canal que estamos cavando.”


Uma visão positivista de tudo que nos acontece, ainda que sejam coisas ruins, não significa assumir um espírito conformado e abandonar-se á fatalidade, como se nada pudéssemos fazer para mudá-las. Aliás, se não conseguirmos encontrar nada de bom em um acontecimento, então jamais poderemos fazer dele uma oportunidade de aprendizagem, pois a tendência do sistema neurológico é sempre buscar o prazer e evitar a dor.

Seja qual for o nível da tarefa a ser realizada, é preciso não perder de vista as alternativas que ela apresenta. Crer que ela não possibilita nenhuma ascensão poderá condenar seu executante a continuar, pela vida toda, a ser um trabalhador sem qualificação, pois a nossa mente tenderá, com o tempo, a confundir a rotina da tarefa com suas próprias opções de vida; por outro lado, assumi-lo como um degrau que tem que ser superado, pode proporcionar ao sistema neurológico um sentido de ascensão, que fatal-

mente se consumará, à medida que a tarefa for sendo executada, cada vez com maior grau de perfeição, transformando o objetivo em um processo.

O que a mente assume como um hábito para a realização de determinada tarefa, tende a assumir para outras atividades e de uma forma geral, acaba padronizando esse comportamento como forma geral de emitir respostas.

E é assim que as pessoas acabam se habituando ao sucesso.





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