Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)


Não simplesmente acredite: teste



Baixar 1.4 Mb.
Página117/126
Encontro06.04.2018
Tamanho1.4 Mb.
1   ...   113   114   115   116   117   118   119   120   ...   126
Não simplesmente acredite: teste

Os campeões não são aqueles que nunca perdem, nunca caem. São aqueles que perdem e caem, mas sabem extrair dos seus maus resultados importantes lições para o aprendizado da excelência.

O fracasso não existe para quem não acredita nele, porém maus resultados podem acontecer para todo mundo. Dificilmente um time consegue ser campeão invicto, terminando uma temporada sem perder ou empatar uma única vez.

Uma vida, uma carreira, não é feita de um único evento, mas sim de uma multiplicidade deles. Não é tudo em nossa vida que costuma dar certo. Qual o estudante que sempre tirou “A” em todas as provas; qual o atacante que nunca chutou um pênalti para fora, ou o goleiro que nunca tomou um “frango”? Qual o homem ou mulher que nunca levou “um fora” de uma namorada, ou namorado; qual o comerciante ou investidor que nunca teve prejuízo em algum negócio ou transação que fez?

Ora, o que são todas essas experiências que não deram certo? Certamente não foram fracassos, pois nenhuma delas encerrava um objetivo em si, mas apenas etapas de um processo, que certamente foram mal planejadas ou frustradas por obstáculos que a pessoa, naquele momento, não tinha informação nem recursos suficientes para superar.

O que mais se lucra com uma experiência, quer dê certo ou errado, é o aprendizado. Aprende-se a fazer certo quando acertamos, aprende-se como não fazer quando erramos. Só não podemos “aprender a desistir” nem a

creditar que as chances de perder serão sempre maiores do que as de ganhar.

A juventude, particularmente, é a idade do sonho, da esperança, da afirmação. Que mal não fazem os pais e professores que ficam passando aos seus filhos e alunos uma visão limitada de mundo, baseados em suas próprias experiências frustradas! Eles não souberam aproveitar suas experiências mal sucedidas para realizar aprendizagem e melhorar seus resultados, e depois procuram compartilhar com os filhos, ou alunos, seus modelos de conformismo, descrença, desesperança e limitações. Parece que, pelo fato de não terem conseguido coisa melhor para suas vidas, eles se vingam alimentando a esperança de que os outros também não consigam, para poderem dizer: “ eu não falei?”

Nos meus tempos de aluno na universidade, o que eu mais detestava eram os professores que entravam na sala de aula com aquela postura arrogante, de donos da verdade, criticando a tudo e a todos, e ao final, dizendo aos alunos: “ eu já fiz a minha parte: agora é com vocês.”

A mim parecia que aqueles senhores já estavam mortos e alguém se esquecera de enterrá-los. Pois se o mundo era aquela porcaria que eles diziam que era, que diabos andaram fazendo até aquele momento? Por que é sempre à nova geração que cabe a tarefa de consertar o que está errado?

Quando me tornei professor também jurei a mim mesmo que nunca iria dizer tais coisas aos meus alunos. Cumpri o quanto pude essa disposição e não me arrependo, embora alguns dos meus carrancudos colegas me tenham dado o apelido de Polyana.47

Nunca me importei com isso, aliás, até achava engraçado. Mas nunca precisei brigar com meus alunos, jamais tive que ameaçá-los com punições e reprovação, nunca dei “provas-castigo”, como fazem alguns professores e deixei o magistério com um grande número de amigos entre os meus antigos alunos.

Eu sempre dizia que não estava ali para ensinar ninguém, mas sim para trazer informações que poderiam ou não ser úteis para eles. Mas quem teria que julgar isso seria eles mesmos. “ Não precisam acreditar em mim”, eu lhes dizia. “Testem, vejam se funciona, se serve para vocês.”

Se ao final do meu curso algum aluno apresentava um fraco aproveitamento, eu sabia que ele julgara de pouco valor as informações que eu lhe

dera. Das duas uma: ou era a minha forma de informar que estava sendo ineficiente ou aquele aluno estava desperdiçando seus recursos em busca de uma resposta que não lhe servia. Conforme o diagnóstico eu mudava a estratégia de aula, ou então procurava fazer com que ele mudasse a dele.

Com isso aprendi que é preciso saber aproveitar as informações que o mundo nos dá para aprender como fazer as coisas funcionarem. Se determinado comportamento não produziu o resultado que esperamos, temos que indagar a razão. Sabendo a razão, poderemos corrigir a nossa atuação da próxima tentativa e melhorar o resultado.

De aperfeiçoamento em aperfeiçoamento é que se chega à melhor resposta. Tudo que aprendemos na vida é feito através de tentativas e erros, sejam os nossos próprios erros, sejam os erros alheios. Tudo isso constitui um processo de aproximação, que nos move de um estado atual de insatisfação neurológica, para um estado futuro desejado, onde essa satisfação é buscada em grau mais alto.

Uma pessoa que tem a experiência de crescer numa família infeliz por causa de um pai beberrão, irresponsável, brutal, sabe que esses comportamentos só podem causar a infelicidade. Em conseqüência, se souber utilizar bem a lição que a vida lhe deu, não os repetirá e por conseqüência, não formará uma família infeliz igual àquela em que foi criado.

A crença de que somos fadados ao fracasso é um grande perigo para a nossa aprendizagem. Acreditar, por exemplo, que já viemos ao mundo, marcados pela nódoa do pecado e que para expiá-lo temos que viver uma vida ascética e sem qualquer alegria, ou então que Deus criou raças inferiores, ou pessoas destinadas a viver por toda a vida como párias, é se condenar antes de qualquer julgamento. E o melhor julgamento é aquele que a própria vida faz.

Crenças como essas prejudicaram o desenvolvimento de uma boa parte da humanidade por muitos séculos e ainda continuam fazendo inúmeras vítimas pelo mundo todo. Admiti-las como verdades incontestes é como sorver um veneno que contamina a mente e se espalha pelo organismo todo, provocando um estado de inércia que paralisa nervos e músculos e nos torna incapazes de qualquer ação positiva.

Assim sendo, não sofra quando descobrir que errou. Volte atrás, peça desculpas se ofendeu ou prejudicou alguém; perdoe a si mesmo e recomece tudo de novo. Lembre-se que quando não obtemos o resultado esperado em nossas respostas, não somos nós que falhamos como pessoas, mas sim, as estratégias de ação é que foram mal escolhidas ou os planos traçados é que foram mal executados. Faça de novo, variando as estratégias.

Mais cedo ou mais tarde, você encontrará a resposta que procura. E a melhor resposta é a que sempre produz o melhor resultado, não só para o indivíduo, mas também para o sistema onde ele está inserido.

Sobretudo, escolha com cuidado no que deve acreditar. São as crenças que adotamos que constroem a nossa personalidade. Não simplesmente acredite no que lhe dizem, mostram ou querem fazer você sentir. Teste. Veja se funciona. Se derem o resultado que você procura, são úteis. Se não derem, não perca tempo discutindo seus pressupostos. Bom é o que útil, verdadeiro é o que dá resultado.



Baixar 1.4 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   113   114   115   116   117   118   119   120   ...   126




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual