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Motivos psicológicos

Sabemos, no entanto, que o corpo tem uma sabedoria que lhe é inata. Essa “sabedoria” responde pelos comportamentos que são gerados a nível de mente consciente. Posto diante de uma série de alimentos que precisa para se manter saudável, por exemplo, o organismo escolherá aqueles que ele necessita para manter o seu equilíbrio homeostático.

Na base do encéfalo temos uma região denominada hipotálamo. Nessa região os pesquisadores descobriram uma “área da alimentação” que sugere ser a geradora das sensações de apetite que experimentamos. Outras regiões do cérebro, como a glândula pituitária, por exemplo, parecem exercer importantes funções motivacionais de caráter fisiológico.

O que se pergunta e ainda não foi possível responder com segurança, é se existe a possibilidade de mediante comandos conscientes o individuo conseguir exercer alguma influência sobre essas áreas cerebrais e controlar, em alguma medida, os comportamentos que ali são gerados?

Dado o caráter sistêmico do organismo humano, eu, particularmente, acredito nessa possibilidade. Penso ser possível sim, algumas manipulações na “sabedoria” inata do organismo, de forma que os comportamentos homeostáticos não permaneçam como processos organizados à revelia da nossa vontade. Certas proezas realizadas pelos cultores da educação física e algumas práticas esotéricas orientais, como as dos praticantes de ioga e budismo zen, por exemplo, parecem ter provado isso.

Essa seria a prova de que motivos psicológicos podem, muitas vezes, prevalecer sobre os motivos homeostáticos. Uma crença fortemente estabelecida pode fazer com que o organismo consiga sublimar uma necessidade orgânica.

A crença é que faz o faquir e não a necessidade de conviver com a fome, como parecia pensar Winston Churchil, ao analisar as motivações de Mahatma Gandi, quando este último comandava inumeráveis multidões de indianos em greves de fome pela liberdade da Índia.

A principal diferença entre os motivos homeostáticos e os psicológicos, como causa motivacional, parece estar no fato de que os primeiros são uma função inata do próprio organismo e os segundos são frutos de aprendizagem. Todavia, não parece que eles constituam funções independentes no complexo sistema que é o nosso organismo. Na verdade, parece que eles são funções que se completam e evoluem de forma sistêmica, demonstrando, mais uma vez, a verticalização dos nossos níveis neurológicos.

Assim, a fome é um motivo homeostático, mas o refinamento do paladar é psicológico; o instinto sexual é homeostático, mas o amor, a monogamia, a ética que deve estar presente na parceria instituída para a preservação do núcleo é psicológico; lutar para garantir o alimento e a procriação pode ser homeostático, mas o reconhecimento, a auto-estima, o sentimento de grandeza que vem com a vitória, são claramente psicológicos.

Os motivos psicológicos também podem ser chamados de sociais e a intensidade com que eles influem em nossa motivação depende da posição que ocupamos na escala social. Maior a nossa representatividade nessa escala, maior a intensidade com que somos motivados por eles.

Da mesma forma, a influência dos motivos homeostáticos decresce na medida em que subimos na escala social. Assim, fome é um motivo homeostático, mas aprender a controlá-la quando submetido a um estado de pressão é psicológico. Resulta da nossa aprendizagem social. A criança pode “aprender” que se toda vez que demonstrar ansiedade ela for alimentada pela mãe pode se tornar um adulto obeso, pois sempre que tiver esse sentimento recorrerá à comida.

Destarte, o sexo é um motivo homeostático que incorpora uma grande dose de motivação psicológica. No atual estágio da civilização, eu não saberia dizer se o psicológico influi mais, ou se é o homeostático que predomina em relação às nossas motivações sexuais, pois é grande a dose de psiquismo que hoje colocamos nessa importante função do nosso organismo. Evidente que tudo isso são generalizações que revelam apenas tendências e não regras estritas de comportamento.

Quanto mais forem os contra-exemplos observados, mais estaremos sujeitos à mudança de padrões. É possível observar casos em que organismos premidos pela fome não reagem com tanta motivação à procura de alimentos, da mesma forma que indivíduos situados no topo da escala social podem se comportar como verdadeiros glutões ou mesmo como sádicos maníacos sexuais.

Assim sendo, as fronteiras entre a homeostase e a psicologia ainda é incerta na questão da motivação. Atualmente, pode-se dizer que constituem faces da mesma moeda.




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