Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



Baixar 0.59 Mb.
Pdf preview
Página1/14
Encontro25.07.2020
Tamanho0.59 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 

Juliano, Jean Clark 

A arte de restaurar histórias : libertando o diálogo / 

Jean Clark Juliano. — São Paulo : Summus, 1999. 

ISBN 85-323-0680-2 

1. Diálogo 2. Gestalt-terapia 3. Psicoterapeuta e paciente 

4. Psicoterapia I. Título. 

99-3824 CDD-616.89143 

NLM-WM 420 

índices para catálogo sistemático: 

1. Diálogo : Gestalt-terapia : Psicoterapia : Medicina 616.89143 

2. Gestalt-terapia : Psicoterapia : Medicina 616.89143 

o diálogo criativo 

no caminho pessoal 

Jean Clark Juliano 

s

 ummus editorial 



Trabalhando com a percepção: 

o mapa da mina 

Ao tentar descrever no que consiste, em última instância, a 

tecnologia do trabalho em psicoterapia, podemos dizer, de ma-

neira simples, que o mais evidente em nossa abordagem é tentar 

trabalhar com a pessoa na direção de conseguir fazer mudanças 

na sua maneira de estruturar a sua percepção. 

Ao estudarmos como um todo o mecanismo do processo de 

percepção, é curioso constatar que o aparato sensorial básico de todo 

ser humano é anatômica e fisiologicamente igual, assim como a ma-

neira como os estímulos incidem sobre os nossos órgãos dos sentidos. 

Mas a integração do percebido, a síntese formada, é singu-

lar, dependendo do contexto em que essa percepção ocorre, da 

história de cada um, do estado de espírito do momento. E, conse-

qüentemente, o comportamento, a maneira de estar no mundo 

vai depender desse conjunto. 

Às vezes é como se aquele que nos chega estivesse sofrendo 

de uma profunda miopia, e, portanto, tomando-se incapaz de 

37 



A arte de restaurar histórias 

distanciar-se de sua vida, perdendo, por conseguinte, a possibi-

lidade de ter uma perspectiva mais ampla, "arejando" a percep-

ção, estabelecendo um possível sentido para o vivido. 

Acho que o próprio princípio da terapia, o fato de o traba-

lho ser feito a dois, já fala sobre os rumos do processo. Porque o 

cliente precisa dos olhos do terapeuta, não por serem o "olhar 

certo", mas, sim, porque se constituem "num olhar diferente", e 

a própria condição de diversidade já possibilita "oxigenar" seus 

temas. O simples fato de uma outra pessoa ver o mesmo aconte-

cimento a partir de um outro ângulo já provoca movimento. 

E movimento é saúde. 

Se pensarmos em termos de qualidade perceptual, vamos de 

forma global dividir as pessoas que chegam até nossos consul-

tórios em dois grandes conjuntos: em um, pessoas com excesso 

de foco na sua forma de perceber o mundo, "estreitando", dessa 

maneira, suas possibilidades existenciais, deixando de usufruir 

alternativas, de se valer da imensa riqueza de estímulos que nos 

cerca. Em outro, aquelas com uma tremenda dificuldade em dar 

qualquer foco ao percebido, perdendo-se em devaneios e, assim, 

deixando oportunidades de contato perderem-se pelo caminho... 

Diferenciar esses dois conjuntos é muito importante. 

Por isso, ao entrevistar as pessoas, estaremos dando ênfase a 

duas vertentes, não muito fáceis de serem exercidas: o conteúdo 

da fala, a queixa que a pessoa traz e, ao mesmo tempo, a estru-

tura de sua fala, que nos dará pistas a respeito de seu funcio-

namento perceptual. 

A partir dessa observação podemos ter uma idéia geral de 

qual é o padrão de comportamento e leitura do universo dessa 

pessoa e, com isso, vem a direção do trabalho a ser realizado. 

Os sintomas parecem ser os mesmos em todas. O que muda 

é o que elas fazem de seus sintomas. Qual é o sentido desses 

sintomas na vida dela? A que se destinam? Se não soubermos 

38 


A arte de restaurar histórias 

essas respostas, estaremos perdendo um tempo valioso tentando 

"combater" o inimigo... Levantando defesas ainda mais altas. 

Afinal, defesas foram feitas para defender... 

Não deixo de ser tomada de um sentimento de perplexida-

de ao constatar um fenômeno que as pessoas apresentam e que 

eu chamo de "hipótese básica", que colore sua percepção: uma 

frase, um refrão, um mito que define e norteia o maior medo de 

cada pessoa e a conseqüente evitação dele. Pode ser algo do 

tipo "Não nasci para ser feliz", ou "Nenhum homem presta" ou, 

"Meu destino é ficar sozinha", "Nada vai dar certo para mim". 

Noto com surpresa que, de alguma forma, a vida, ou a 

percepção dela, é direcionada pela sua hipótese básica. E o que 

é ainda mais surpreendente, a pessoa "trabalha" com bastante 

eficiência na direção de tornar sua profecia concretamente real. 

Ou seja, ela própria cria condições para ir ao encontro do que 

mais teme... 

E sem saber disso. Completamente alienada de si mesma e 

dos seus atos. 

A partir desse momento, há um longo percurso a ser trilha-

do. O trabalho de afiar e afinar o aparelho sensorial, com um 

ensaio concreto de novas possibilidades e maneiras de ser e 

estar no mundo. Esse trabalho com a percepção, com o contato, 

pode ser comparado a um processo de alfabetização sensorial. 

Só então poderemos entrar em áreas mais complexas da 

existência de cada um. 

Focalizando o processo 

O trabalho no Aqui e Agora tem como objetivo inter-

romper o desgastado processo de estar preso a uma condição 

39 



A arte de restaurar histórias 

antiga e inacabada que está sempre retornando, ou, ainda, de 

estar num eterno ensaio do que tem de ser realizado. 

A ênfase na awareness e no contato nos episódios de tera-

pia, com sua abordagem transversal, é essencial. As pessoas ten-

dem a se prender a experiências do passado ou a viver 

fantasiando possibilidades de futuro. Sonham acordadas em vez 

de se dedicarem a descobrir o que está imediatamente disponí-

vel, enfraquecendo sua energia para a ação. 

Só se é capaz de estar e permanecer no Aqui e Agora depois de 

uma longa luta para "limpar" o entulho que dificulta nossa per-

cepção daquilo que está bem em frente aos nossos sentidos. 



Atitudes 

Relação Terapêutica 

Inclusão 

Confirmação 

Ouvindo em voz alta 

Experimento 




Baixar 0.59 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
Processo seletivo
ensino médio
oficial prefeitura
minas gerais
terapia intensiva
Conselho nacional
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
Conselho regional
ciências humanas
ensino aprendizagem
outras providências
secretaria municipal
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
Dispõe sobre
catarina prefeitura
Colégio estadual
recursos humanos
Conselho municipal
consentimento livre
ministério público
conselho estadual
público federal
psicologia programa
Serviço público