Curso de gnose on line escola gnóstica do brasil arcano 1 1ª Edição – 1981 –


CAPÍTULO 4 - A CIÊNCIA DA ILUMINAÇÃO



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CAPÍTULO 4 - A CIÊNCIA DA ILUMINAÇÃO
Diz o Mestre Samael Aun Weor:
Informação intelectual não é vivência. Erudição não é experiência. O ensaio, a prova, e a demonstração exclusivamente tridimensionais não são unitotais. Deve haver alguma faculdade superior à mente e independente do intelecto que seja capaz de nos dar um conhecimento e uma experimentação direta sobre qualquer fenômeno porque opiniões, conceitos, teorias, hipóteses, não significam verificação, experiência, consciência plena sobre tal ou qual fenômeno. Somente libertando-nos da mente podemos viver de verdade isso que há de real, que se encontra em estado potencial atrás de qualquer fenômeno.
Mente há em toda parte. Os sete cosmos, o mundo, as luas, os sóis, nada mais são do que substância mental cristalizada ou condensada. A mente também é matéria, ainda que bem mais rarefeita. Substância mental existe nos reinos mineral, vegetal, animal e humano. A única diferença que existe entre o animal intelectual e a besta irracional é isso que chamamos de intelecto.
O bípede humano deu à mente a forma intelectual.UU O mundo nada mais é do que uma forma mental ilusória que se dissolverá inevitavelmente no fim deste grande Dia Cósmico. Minha pessoa, teu corpo, meus amigos, as coisas, minha família são, no fundo, isso que os hindus chamam de maya ou ilusão - vãs formas mentais que cedo ou tarde deverão ser reduzidas à poeira cósmica. O dualismo intelectual, como prazer e dor, elogios e ofensas, triunfo e derrota, riqueza e miséria, constituem o doloroso mecanismo da mente.
Não pode haver verdadeira felicidade dentro de nós enquanto formos escravos da mente. Ninguém pode conhecer a Verdade enquanto seja escravo da mente. O Real não é questão de suposições, mas de experiência direta. Quando nos libertamos da mente ela se converte em um veículo dúctil, elástico, útil, mediante o qual nos expressamos neste mundo de maneira consciente.
A lógica superior convida-nos a pensar de maneira consciente. A lógica superior convida-nos a pensar que libertar-se, safar-se de toda a mecanicidade, emancipar-se da mente, eqüivale a despertar a Consciência e a terminar com o automatismo.
— Quem ou o quê deve se safar, se libertar da mortificante mente?
O que deve e o que pode se libertar é o que temos de alma em nós - a Consciência. A mente só serve para nos amargar a existência. Felicidade autêntica, legítima, real, só é possível quando nos emancipamos do intelecto. Porém, devemos reconhecer que há um inconveniente, um grande obstáculo, um problema grave para essa aspirada libertação da Essência. Quero me referir ao tremendo batalhar das antíteses.
A Essência, a Consciência, ainda que de natureza búddhica, infelizmente vive engarrafada no dualismo mental do sim e não, do bom e mau, do alto e baixo, do meu e teu, do gosto e desgosto, do prazer e dor, etc. Quando cessa a tempestade no oceano da mente e termina a luta entre os opostos, a Essência escapa e submerge no Real.
O difícil, trabalhoso, árduo e penoso é conseguir o silêncio mental absoluto em todos e em cada um dos 49 níveis subconscientes da mente. Isso, em verdade, só é possível na ausência do Ego. Quer dizer: quando tivermos eliminado o ego ou esvaziado a mente. Este é um trabalho penoso, difícil e lento, muito lento [que se consegue ao longo do CAMINHO INICIÁTICO – nunca do dia para a noite].
Alcançar ou obter quietude e silêncio no nível meramente intelectual ou em uns quantos níveis subconscientes não é suficiente. A Essência continua ainda enfrascada no dualismo submerso, infraconsciente e inconsciente. Mente em branco é algo demasiado superficial, oco e intelectual. Necessitamos de reflexão serena se de verdade queremos conseguir a quietude e o silêncio absoluto da mente. [Daí a necessidade de Meditar, fazer muita Meditação, todos os dias, ao longo de nossa vida, e poucos, bem poucos se disciplinam para tanto].
A palavra chinesa mo significa “silencioso” ou “sereno”; chao significa “refletir” ou “observar”. Logo, mo-chao pode ser traduzido como reflexão serena ou observação serena.
Porém, no gnosticismo puro, os termos serenidade e reflexão têm sentido muito mais profundo e devem ser compreendidos em suas conotações especiais. UUO sentido de sereno transcende ao que normalmente se entende por calma ou tranqüilidade - implica em um estado superlativo, de atenção atenta que está além dos raciocínios, dos desejos, das contradições e das palavras. UUDesigna uma situação que se encontra fora do bulício mundano. Portanto, UUsereno é a serenidade do não-pensamentoUU, e UUreflexão significa consciência intensa e clara.
UUReflexão serena é consciência clara na calma e na tranqüilidade do não pensamento. Quando reina a serenidade perfeita, consegue-se a verdadeira e profunda iluminação.


4.1 Resultados

No misterioso umbral do Templo de Delfos havia uma máxima gravada na pedra que dizia: Gnozi si auton. É o nosce te ipsum, o nosso conhece a ti mesmo.


O estudo de si mesmo, a serena reflexão, em última instância, conclui obviamente na quietude e no silêncio da mente (mente vazia). Quando a mente está quieta e em silêncio, não apenas no nível superficial do intelecto, mas em todos e em cada um dos 49 departamentos da subconsciência, advém o novo, liberta-se a Essência, a Consciência, e produz-se o despertar da alma, o êxtase, o samadhi, o satori do zen.
UUA experiência mística do Real nos transforma radicalmente. As pessoas que jamais experimentaram isso que é a Verdade, vivem borboleteando de escola em escola. Não encontraram seu centro de gravidade cósmico e morrem fracassadas, sem ter, jamais, conseguido a tão desejada auto-realização íntima.
UUO despertar da Consciência, da Essência, da Alma ou do Buddhata só é possível com a libertação, com a emancipação do dualismo mental, do batalhar das antíteses. Qualquer luta subconsciente, infraconsciente, inconsciente que seja, indica, assinala, acusa pontos obscuros, ignorados, desconhecidos do homem.
UURefletir, observar, conhecer esses aspectos infra-humanos do mim mesmo, esses pontos obscuros do ego, torna-se indispensável para se conseguir a quietude e o silêncio absolutos da mente. Só na ausência do ego é possível experimentar isso que não é do tempo.


4.2 O Mestre Meng Shan

Contam velhas tradições chinesas, que se perdem na noite dos séculos, que o mestre Meng Shan conheceu a ciência da iluminação [Meditação] antes dos 25 anos de idade. Dizem os místicos amarelos que dessa idade até os 32 anos estudou com 18 anciões.


É interessante notar que esse grande iluminado estudou com infinita humildade aos pés do venerável ancião Wan Shan que lhe ensinou a utilizar inteligentemente o poderoso mantra WU - que se pronuncia como um UUUUUUUUU alongado - imitando o rugido do vento na garganta das montanhas.
UUEsse irmão nunca se esqueceu do estado de alerta, ou auto-observação ou ainda do estado de atenção para o novo de cada momento, tão indispensável e tão necessário para o Despertar da Consciência.
UUO venerável Wan Shan ensinou que durante as 12 horas do dia é preciso estar alerta [atento], como um gato que espreita um rato ou como uma galinha que choca um ovo, sem abandonar a tarefa por um segundo sequer.
Certo dia Meng Shan, UUdepois de 18 dias e noites contínuas de meditação interior profundaUU, sentou-se para tomar chá e... oh! maravilha! Compreendeu o sentido íntimo do gesto de Buddha ao mostrar a flor e o profundo significado de Mahakazyapa com seu exótico e inesquecível sorriso. Interrogou a três ou quatro anciãos sobre a experiência mística, mas eles guardaram silêncio. Outros disseram-lhe para que identificasse a vivência esotérica com o Samadhi do Selo do Oceano. Este sábio conselho, naturalmente, inspirou-lhe grande confiança em si mesmo.
Meng Shan avançava triunfante em seus estudos, mas nem tudo na vida são rosas; também há espinhos. No mês de julho, durante o quinto ano de chindin (l264), infelizmente contraiu disenteria em Chunking. Com a morte nos lábios, decidiu fazer testamento e distribuir seus bens terrenos. Feito isso, incorporou-se lentamente, queimou incenso e sentou-se num local elevado. Ali orou em silêncio aos Três Bem-Aventurados e aos Deuses Santos, arrependendo-se das más ações que cometera em sua vida. Considerando certo o fim de sua vida fez aos Inefáveis um último pedido: “Desejo que mediante o poder de Prajna e de um estado mental controlado possa eu me reencarnar em um lugar favorável, onde possa fazer-me monge em tenra idade. Se por casualidade me recobrar desta enfermidade, renunciarei ao mundo e tomarei os hábitos para levar a luz a outros jovens buddhistas”.
UUDepois de formular esses votos submergiu em profundo silêncio, cantando mentalmente o mantra WU [UUUU UUUU]. A enfermidade o atormentava, os intestinos torturavam-no espantosamente, porém ele resolveu não lhes dar atenção. Meng Shan esqueceu-se por completo de seu corpo e suas pálpebras fecharam-se firmemente, ficando como se estivesse morto. Contam as tradições chinesas que quando Meng Shan entrou em meditação, só o verbo - o mantra WU (U .. U .. ) - ressoava em sua mente; depois, não soube mais de si mesmo...
— E a enfermidade? Que houve com ela? Que aconteceu?
UUÉ evidente que toda afecção, doença, dor, tem por base determinadas formas mentais. Se conseguirmos o esquecimento radical, absoluto, de qualquer padecimento, o cimento intelectual se dissolve e a indisposição orgânica desaparece.
Quando Meng Shan se levantou daquele lugar no começo da noite, sentiu com infinita alegria que já estava quase curado. Sentou-se de novo e continuou submerso em profunda meditação até a meia-noite, quando sua cura se completou. No mês de agosto, Meng Shan foi a Chiang Ning e cheio de fé ingressou no sacerdócio. Permaneceu um ano naquele mosteiro e depois iniciou uma viagem durante a qual ele mesmo cozinhava seus alimentos, lavava suas roupas e cuidava de suas necessidades. UUEntão compreendeu, na íntegra, que a tarefa da meditação deve ser tenaz, resistente, forte, firme e constante, sem se cansar nunca.
Mais tarde, caminhando por terras chinesas, chegou ao mosteiro do Dragão Amarelo. Aí UUcompreendeu a fundo a necessidade de Despertar a ConsciênciaUU. Depois, continuou sua viagem em direção a Che Chiang. Chegando lá, arrojou-se aos pés do mestre Ku Chan, de Chin Tien, e UUjurou não sair do mosteiro enquanto não atingisse a iluminação. Depois de um mês de meditação intensiva, recobrou o trabalho perdido na viagemUU, porém, seu corpo encheu-se de horríveis bolhas, as quais foram intencionalmente ignoradas por ele, tendo continuado com a disciplina esotérica.
Certo dia convidaram-no para uma deliciosa refeição. No caminho tomou sua Hua Tou e trabalhou com ela. UUSubmerso na meditação, passou diante da porta de seu anfitrião sem se dar conta, foi quando compreendeu que poderia manter o trabalho esotérico mesmo em plena atividade.
No dia 6 de março, quando estava meditando com a ajuda do mantra WU, o monge principal do mosteiro entrou na sala de meditação com o evidente propósito de queimar incenso. Porém, aconteceu que ao golpear a caixa de defumações, produziu um ruído específico. Então, Meng Shan reconheceu a si mesmo e pôde ver e ouvir a Chao Chou, notável mestre chinês. Todos os biógrafos chineses concordam que no outono Meng Shan entrevistou-se com Hsueh Yen, em Ling An, e com Tui Keng, Hsu Chou, Shih Keng e outros notáveis anciões.
“Sempre entendi - diz o mestre Samael - que o koan ou frase enigmática decisiva para Meng Shan foi, sem sombra de dúvida, aquela com a qual Wan Shan o interrogou: ”Não é a frase a luz brilha serenamente sobre a areia da praia, uma observação prosaica desse tom de Chang?"
A apreensão do secreto significado dessa frase foi suficiente para Meng Shan. Quando Wan Shan o interrogou, mais tarde, com a mesma frase, isto é, repetiu-lhe a mesma pergunta, o místico amarelo respondeu atirando ao chão o colchão da cama, como que dizendo “já estou desperto”.
UUPortanto, querido e respeitado estudante, a Meditação é a chave do Despertar da Consciência. Por isso mesmo, a Meditação é o exercício diário de todo aquele que anela trilhar a SENDA DA INICIAÇÃO, sem a qual, não há nem pode haver avanço e progresso. Cuide-se e fique na paz de Avalokiteswara.



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