Conselho nacional de saúde ata da ducentésima nonagésima oitava reunião ordinária do conselho nacional de saúde cns



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Soeli Terezinha Guerra, segunda expositora, também agradeceu a oportunidade de falar sobre o SUS que deu certo em um momento de desastre tão grave. Iniciou com fotos para mostrar o cenário do desastre e o espaço da boate Kiss (que não atendia a legislação prevista para circulação de espaços públicos - única porta de entrada e saída; sem janelas; sem portas de fuga). Também apresentou números da tragédia: 263 vítimas no local; 577 pacientes atendidos na rede local (primeiras horas); 84 pacientes colocados em ventilação mecânica (primeiras seis horas) e, desse total, 59 pacientes removidos para hospitais da rede; 98% dos pacientes submetidos à ventilação mecânica sobreviveram; e 242 mortos. Explicou que, após três horas do desastre, foi instalado Gabinete de Crise composto por defesa Civil e representantes legais e instituições de saúde; potencializada com a chegada da Força Nacional do SUS e Médicos sem Fronteiras. Dos 242 vítimas fatais, 136 faleceram no local (profissionais de diversas áreas). Em relação ao atendimento emergencial, destacou a atuação do Hospital Universitário de Santa Maria – HUSM e do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo. Como ações, na época, foram organizadas equipes com cadastro de voluntários - identificação por categoria profissional; formação de grupos multiprofissionais; distribuição dos grupos de trabalho nos pavilhões de atendimento; e setor de urgência e emergência em saúde. Acrescentou que se formou uma rede de solidariedade e foi colocado em prática o atendimento multiprofissional. As estruturas foram definidas e originaram-se as estruturas de apoio psicossocial, acompanhamento e reconhecimento corpos, equipe para preparo do corpo. Também fez um destaque ao trabalho dos voluntários da Força Nacional do SUS oferecendo alimentação e acolhimento aos parentes das vítimas, além de retaguarda importante (com disponibilidade de leitos). Apresentado o cenário, detalhou o Termo de Cooperação Técnica explicando que tem por finalidade estabelecer cooperação entre os entes signatários com vistas à realização dos procedimentos técnicos e operacionais para continuidade da atenção à Saúde das vítimas, de familiares e de profissionais envolvidos no incêndio ocorrido, ern 27 de janeiro 2013, na Boate Kiss, Município de Santa Maria (RS), envolvendo vigilância à saúde, atenção básica, especializada e psicossocial. No que se refere às pactuações firmadas no Termo, destacou: MS – responsável pelo acompanhamento e repasse de recursos pactuados; SES/RS – responsável pelo apoio/assistência, interlocução com os municípios, agendamento de consultas, vigilância em saúde e assistência farmacêutica; SMS/Santa Maria – atenção psicossocial, apoio, atenção básica, entre outros; HUSM – estrutura de equipe ambulatorial e hospitalar, acompanhamento CIAVA/ambulatorial, urgência e emergência e internação. Continuando, falou sobre a terceira fase do desastre, acompanhamento longitudinal com: acolhimento a todos os expostos a fumaça tóxica através de estrutura ambulatorial; acompanhamento e seguimento; busca ativa de todos os pacientes expostos; atendimento ambulatorial pelas especialidades de referência; Ministério da Saúde - formulário de cadastramento no sítio eletrônico do próprio ministério ou pelo telefone 136; e identificação, contato e agendamento dos envolvidos para acompanhamento. Salientou que a partir dessas iniciativas forma-se a Rede de Cuidado: Rede de Atenção Psicossocial - Acolhe Saúde; construção apoio psicossocial - torna-se real a criação de uma referência para o cuidado psicossocial aos sobreviventes, familiares, trabalhadores e para a cidade de Santa Maria; e Núcleo de Atenção Psicossocial Santa Maria 2013. Apresentou dados do serviço Acolhe Saúde (atenção básica): 2013: 6.408 atendimentos; 2014: 2.225 atendimentos; 2015: 2.794 atendimentos; 2016: 2.320 atendimentos; e 2017: 1.425 atendimentos (até agosto). Disse que o CEREST também participou ativamente com: atendimento a 53 trabalhadores envolvidos no desastre, nas áreas de clínica médica, fisioterapia, psicologia e exames; vigilância em saúde do trabalhador: coleta de materiais no local para exame de toxinas, orientações à justiça, entre outros; orientações e encaminhamentos sobre direitos trabalhistas e previdenciários para sobreviventes e familiares, bem como aos sindicatos; e participação das atividades desenvolvidas pelo grupo Gestor do Cuidado. Falou ainda sobre o Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes – CIAVA que funciona no Hospital Universitário de Santa Maria – HUSM e conta com equipe multiprofissional, além de abordagem multi e interdisciplinar, visando à atenção integral das vítimas diretas e indiretas do incêndio. Além do enfoque assistencial dispensado às vítimas, o Centro busca, em uma segunda etapa, reunir um conjunto de informações e dados com a finalidade de fomentar pesquisas na área e produzir conhecimento para o SUS e promover capacitação de profissionais. Disse ainda que foram realizados dois mutirões com atendimento de 405 indivíduos e as áreas com maiores demandas são pneumologia e fisioterapia. Destacou que foram 15.585 atendimentos no CIAVA até junho de 2017 e o Centro teve grande produção científica. Falou ainda sobre a dimensão social do desastre, destacando: usuários cadastrados na planilha Google drive compartilhada: 328 policiais militares; 251 profissionais de saúde que trabalharam no atendimento às vítimas; 1.472 entre sobreviventes, familiares e comunidade em geral que acessou algum serviço em decorrência do desastre. Além disso: em acompanhamento no HUSM (2017): 403; atendimentos/consultas (até junho de 2017): 15.585; voluntários inscritos na FNS: 12.869; e busca ativa em 2017: 400. Falou ainda sobre o Grupo Gestor do Cuidado às Vítimas da KISS, explicando que foram 83 reuniões no período de 2013 a 2017, tendo como principais deliberações e encaminhamentos: organização dos mutirões de atendimento às vítimas - Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes (CIAVA); definição dos fluxos de referência entre serviços; Acolhe Saúde, CIAVA, CEREST; agendamentos e busca ativa das vítimas diretas e indiretas do desastre; participação na criação e revisão dos protocolos assistenciais; elaboração de material informativo sobre o acesso aos serviços, e importância do cuidado; desenvolvimento de ações interinstitucionais e intersetoriais, entre associação de vítimas, gestores e prestadores de serviço de Santa Maria, Região e Estado para organização do cuidado longitudinal; elaboração de ferramenta digital para integração de serviços; criação de um link vinculado ao site da AVTSM com informações sobre os serviços de saúde disponíveis para o cuidado; disponibilização de ouvidoria para as demandas da boate Kiss em parceria com o Município de Santa Maria; organização de seminários e mostras para planejamento, avaliação e organização das demandas de cuidado das vítimas; mobilização das instituições que tiveram servidores envolvidos no desastre, como: saúde, segurança, transporte, funerárias, policiais civis, militares, para a necessidade de acompanhamento da saúde desses trabalhadores; participação de audiências públicas municipais e estaduais com foco principal na assistência farmacêutica; articulação dos serviços para elaboração de protocolos clínicos; recomendação ao município de Santa Maria para elaboração do plano de enfrentamento de desastres e catástrofes do município. Pontuou ainda os desafios do Grupo Gestor: garantia de profissionais e recursos financeiros para a continuidade dos serviços e pesquisas; desenvolvimento de ações intersetoriais de promoção e prevenção envolvendo a comunidade; busca ativa, localização e vinculação dos sobreviventes aos serviços de saúde do local onde residem; repactuação do termo de compromisso com os signatários, redefinindo as responsabilidades de cada ente, com a participação do grupo gestor do cuidado; mobilização das equipes de saúde dos municípios onde residem os sobreviventes do desastre para atendimento da especificidade do cuidado destes usuários; validação dos novos protocolos clínicos com a incorporação de medicamentos necessários e não disponíveis na RENAME (ex.: medicamentos de saúde mental, pneumologia, antídoto para material tóxico, dentre outros); mobilizar os gestores para implantação e/ou implementação da política nacional de enfrentamento de desastres e eventos de massa; e solicitar a estruturação definitiva, em Santa Maria, da rede de cuidados ampliada para vítimas de todo tipo de acidentes e desastres. Concluindo, apresentou as lições aprendidas: despertar da solidariedade da população municipal, nacional e mundial; capacidade do setor público de possibilitar e articular os serviços, nas situações de emergência; capacidade do cuidado multidisciplinar e interdisciplinar; comprometimento individual dos trabalhadores – voluntários; capacidade dos profissionais de ser criativo, inventivos e intuitivos, durante e pós-desastre; potência de construir conhecimento a partir das experiências vivenciadas; incorporação de grupo gestor como instância do controle social para organização e referência do processo de trabalho; a relação com a mídia; importância do cuidado com o ser humano no momento do luto (afeto, escuta, acolhimento, ombro amigo); compreensão do lugar do outro – empatia (sofrimento e dor do outro); importância de ser referência, compartilhar o aprendizado/conhecimento construído durante o processo; utilização das tecnologias de teleconferência médicas, enfermagem, fisioterapia, pneumologia para troca de informações técnicas de cuidado; luto coletivo da Cidade (Somos todos pais KISS). Acrescentou que o Acolhe Saúde compartilhou sua experiência em diversas situações, com equipes de municípios do RS e estados em situações traumáticas como: tragédia do ônibus escolar de Borborema (SP) em outubro de 2014; enchente no município de Itaqui/RS, em julho de 2014; tragédia da barragem de Mariana (MG) em novembro de 2015; atendimento aos atingidos pela enchente na cidade de Santa Maria em 2015; e desastre aéreo da associação chapecoense de futebol – 2016. Citou ainda o Livro “A integração do cuidado diante do incêndio na Boate Kiss. Testemunhos e reflexões. – 2016”. Por fim, pontuou que o Grupo Gestor do Cuidado às vitimas da Boate Kiss agradece a oportunidade de compartilhar com o Pleno do CNS um pouco da história da maior tragédia da Cidade de Santa Maria, do RS e do país. Concluídas as apresentações, foi aberta a palavra ao Plenário para considerações. Nas manifestações, os conselheiros frisaram a gravidade e a extensão da tragédia de Santa Maria, sem precedentes no país manifestaram solidariedade aos familiares das vítimas e apoio às pessoas afetadas que necessitam de atendimento. Foi feito elogio especial aos profissionais envolvidos na atenção às vítimas e ao trabalho dos voluntários no momento da tragédia. Nas palavras dos conselheiros, as ações de saúde vão além do SUS, pois representam lição de vida, de solidariedade, de cumplicidade e de ações articuladas. Além disso, foi unânime, nas falas, o apoio à renovação do Termo de Compromisso firmado em 2013, para dar assegurar continuidade do cuidado às vítimas. Conselheira
Catálogo: atas -> 2017
2017 -> Conselho nacional de saúde resumo executivo da ducentésima nonagesima segunda reunião ordinária do conselho nacional de saúde data
2017 -> Ministério da saúde conselho nacional de saúde ata da ducentésima nonagésima quarta reunião ordinária do conselho nacional de saúde cns
2017 -> Ministério da saúde conselho nacional de saúde ata da ducentésima nonagésima quinta reunião ordinária do conselho nacional de saúde cns
2017 -> Ministério da saúde conselho nacional de saúde ata da ducentésima nonagésima reunião ordinária do conselho nacional de saúde cns
2017 -> Conselho nacional de saúde ata da ducentésima nonagésima oitava reunião ordinária do conselho nacional de saúde cns
2017 -> Objetivos da 93ª reunião ordinária: Apresentar os informes e as indicações
2017 -> Ministério da saúde conselho nacional de saúde resumo executivo da ducentésima octuagésima nona reunião ordinária do conselho nacional de saúde data

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