Conceitos fundamentais da Psicanálise



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Conceitos fundamentais da Psicanálise




Juízo/Valor de traço

A leitura imaginária do analisante

O Real na lógica cartesiana

A lógica da mentira

O grande Outro,

o lugar da fala

Fins inaplicáveis à Psicanálise

Dora –

O desejo enquanto desejo do outro

O sonho - expressão do desejo


Intencionalidade e formações do inconsciente


A interrelação sujeito/objeto

na Ciência

Bunuel –

Esse obscuro objeto do desejo

A circularidade do desejo na relação –

Caso Dora

Goethe –

Afinidades eletivas

Objeto do desejo/ Sujeito

A livre expressão no contexto da psicanálise

A sujeição linguageira


A herança do desejo materno

O paradoxo na ética do desejo

O Outro do Outro

Inconsciente - nomenclatura imprecisa


A sublimação

O sinthoma

Análise/Sugestão


A função da Psicanálise

A morte no Édipo

Conceitos fundamentais da Psicanálise


Apresentação, leitura e comentários de

Seminários e Textos de Jacques Lacan


Os Nomes-do-Pai


e

Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise
Paulo Medeiros
16 - 14 de setembro de 2004
Memória e transcrição de gravação 1

Leitura na página 38: Ora, isto não perturba Freud, porque - ...


Intervenção – [....]
Claro, não é para avaliar, no sentido de estabelecer algum juízo, mas, se entra como signo, está nesse jogo estabelecido pelo valor de traço.
Intervenção – [....]
Sim, numa situação de análise tudo o que se diz tem valor de traço, indica algo inscrito de algum modo, não devendo receber nenhuma apreciação de juízo de valor.
Intervenção – [....]
No jargão lacaniano, nesse caso, estamos diante de uma leitura imaginária, ou seja, devemos deixar o imaginário do analisante trabalhar, e, por essa via, ele fará mil e uma suposições, as quais, certamente, trarão elementos a serem simbolizados na fala pela via das associações entre os elementos surgidos. E o que é traço surgirá, ainda que retraçado pelas reinscrições. As respostas dadas na dimensão das demandas imaginárias impedirão o advir do desejo subjacente à demanda, parando, pelo menos temporariamente, por ali. O imaginário é então essa porta entreaberta do simbólico, ou seja, dessas inscrições primeiras a serem lidas, isto é, faladas. Os dados, no seu sentido factual, não importam, sendo relevante os fatos linguageiros.

Só para rememorar um pouco nossas conversas da semana anterior: há a história do Descartes em relação a um Outro não-enganador, um Outro da verdade, e esse Outro em referência estaria fora do sujeito, exatamente para dar ao sujeito certas garantias, sendo, para Descartes, Deus. Tudo isso porque, para a Filosofia, há o engano dos sentidos, ou seja, os sentidos enganam o sujeito; há que haver verdade isenta do engano dos sentidos. Estamos aí diante de mais uma conotação em torno do real, quando indagamos o que há de real diante dos enganos dos sentidos? Então, busca-se um pensar puramente lógico, isento das aparências.



Lacan, no entanto, procura demonstrar que esse Outro, alteridade ao sujeito, mente, colocando em jogo o que seja verdade e o que seja saber para o sujeito.
Intervenção – [...]
Sim, relembrando Rosa, mas mente pouco quem a verdade toda diz.
Continuação da leitura na página 40: Mais tarde...
Zenão? Não estou certo. Reza a tradição que os cretenses eram muito mentirosos, então surgiu no campo da Lógica este paradoxo: Estou mentindo, atribuído a um cretense. Freud faz uso desse exemplo em um de seus escritos sobre a Weltanschauung. Se o sujeito está mentindo, está falando a verdade; se está falando a verdade, está mentindo. Enfim, a verdade da mentira.
Continuação da leitura na páginas 40-41: Simplesmente Freud...
Intervenções –
Equivaleria, nos termos lacanianos, ao Outro, ao lugar da fala. Trata-se primeiramente de uma relação, a relação do sujeito falante com toda a rede de significantes, ou seja, com tudo o que o representa de algum modo. Nesse contexto, o próprio analista faz parte, sem que o sujeito o saiba, dessa rede. A atribuição da transferência ao analista, à pessoa do analista, é puramente imaginária. Quanto ao analista, não lhe cabe o aceitar atribuições como sendo reais.
Intervenções
Sim, e ainda ocorre, ou seja, há situações em que a família conduz o filho ou a filha a um analista, e, no mais das vezes, acompanhados pela demanda de se tornarem bonzinhos. Desde os começos da Psicanálise, encontramos referências a essas demandas, ora colocando o psicanalista como prolongamento do educador ou do moralista, ora como psicólogo para melhorar o comportamento etc. Enfim, como se o psicanalista fosse mais um na formação adequada do indivíduo para a sociedade.
Intervenção [....]
Sim, ajustar... Há, de fato, esse aspecto, mas percebemos em Freud um não se dobrar a tais pedidos, buscando sempre aquilo que hoje podemos designar como real, ou seja: o que há aí, em cada caso, de real a ser constatado? Em relação aos casos de Freud, aprendemos com seus erros e com sua incansável busca, não nos detendo diante das aparências. Nesse caso, o caso Dora, o desejo parece ser muito mais o do pai querendo corrigir a filha ou fazê-la obediente o bastante para aceitar a relação dele com a outra, essa outra que, sendo o objeto do desejo do pai, torna-se, para ela, Dora, objeto de seu desejo também. Ilustração do desejo enquanto desejo do outro, sendo o outro aí, no caso, o pai.
Intervenções [....]
Sim, claro, é preciso haver atenção quanto a isso para que o sujeito não fique sob mais um controle, o do psicanalista, especialmente no seu exemplo, o de haver conluio entre psicanalista e psicopedagogo, psicanalista e psiquiatra etc.
Intervenção [....]
Trata-se de uma proposição para lidar com o paradoxo na Lógica, ou sofisma, se preferir. Mas, numa situação de análise, não se atribui intenção de mentir. Também a ética, na Psicanálise, refere-se sempre ao desejo, não à moral.
Intervenção [....]
Ao mesmo tempo há algo que se possa corrigir nessa expressão, quando, por exemplo, dizemos: Eu sonhei. Freud corrige essa expressão na sua Onirologia, escrevendo um sonho veio a mim. O sonho independe da ação do sujeito, assim como o desejo, pois, afinal, o sonho é uma expressão do desejo; o sujeito sim, está submetido ao desejo.
Intervenção [....]
Também. Tem razão. Ouvimos a expressão de se fazer uma doença, como se houvesse uma intenção do sujeito, ou lhe fosse atribuído esse poder fazer, seja lá o que for. Uma doença, um sonho, ou qual formação inconsciente, como qualquer sintoma, que pode ser um dito qualquer, um enunciado do sujeito, apresentam-se como sintomas e querem, isso sim, dizer alguma coisa. Uma análise deverá permitir que todos esses sintomas falem por meio do sujeito.
Intervenção [....]
Mas não é alguma coisa que o sujeito se põe a desejar. O desejo ocorre à revelia do sujeito.
Intervenções [....]
Mas, por exemplo, diante de nossas discussões sobre a Ciência: no espírito científico o sujeito escolhe o objeto ou é escolhido pelo objeto que o atrai? O que determina o fato de o sujeito dirigir-se a um determinado objeto e não a um outro?
Intervenção [....]
Isso não quer dizer não haver uma margem para o sujeito desejar, e até pensar algumas coisas, formular uma frase qualquer que expresse uma razão, por exemplo. Porém, o que estabelece uma relação com o sujeito, o seduz, o chama, o atrai já está determinado, de algum modo, na própria relação. Aqui, por exemplo, não é de graça que nós estamos aqui a estudar a Psicanálise, algo nos induz a tal. Algo nos captou de algum modo; estamos numa rede e somos fisgados, seja Psicanálise ou qualquer outra coisa; a rede, nós a chamamos rede de significantes.
Intervenções [....]
Sim, de fato, é um filme recomendável: Esse obscuro objeto do desejo, de Buñuel, e demonstra o de que nos ocupamos de modo estético além de ético.
Intervenção [....]
Acaso ou necessidade, creio ser o título do livro a que se refere.
Intervenção [....]
De fato, nós estamos discutindo hoje aqui os temas que atraíram os gregos, os temas perenes e universais. Eles nos antecederam em muito. Não os discutimos para elucidá-los, mas para desdobrá-los, fazê-los prosseguir.



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