Clara Regina Rappaport



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João e Paulo A fantasia familiar
Vimos dois exemplos extremos. De um lado, uma configuração de fantasia familiar, dentro da qual a concepção do filho concretiza no plano simbólico a destruição dos pais. Por concretização estou entendendo a existência de uma fantasia ou temor não assumido, que de repente vem à tona face a um fato concreto que magicamente o confirme. Por exemplo, normalmente não acreditamos que “quebrar espelhos dá sete anos de azar”. Mas, se recebermos uma notícia trágica logo depois de haver quebrado um, magicamente associamos os fatos, e a superstição fica instalada. Da mesma maneira não é este filho que desagrega os pais. Ele apenas faz com que os problemas anteriores, camuflados, aflorem juntos. Fecha-se um círculo vicioso onde os pais se sentem simultaneamente destruídos por seu nascimento, ao mesmo tempo em que, por não poder ajudá-lo, assumem o papel de seus destruidores. A culpa gerada, ainda que inconsciente, torna-se novo foco de angústia que impedirá tanto a reorganização individual dos pais, quanto o adequado relacionamento com o filho.
De outro lado, para Paulo estavam reservados amor e confiança. Um relacionamento adequado dos pais já lhe traçara a estrada de um desenvolvimento sadio. A natureza o levou, destruindo-lhe um órgão fundamental para o desenvolvimento infantil. Pais fortes, não se abateram; e, se erraram, foi na tentativa de acertar. Havia uma ideologia coerente de mundo, transmitida para a criança, dentro da qual estavam claras as mensagens de que ela era amada e de que se confiava nela. Polidas as arestas, Paulo pôde desenvolver seu potencial.
1.2.2 As fantasias e os sintomas específicos da gestação
A mãe é a figura central do desenvolvimento psicológico infantil. O pai só tardiamente é percebido. Paralelamente ao contexto de fantasia familiar, haverá um significado psicológico específico da gravidez para a mãe, significado este que facilitará ou dificultará assumir adequadas relações de maternagem.
Rachel Soifer, psicanalista argentina, em seu Psicoiogía dei Embarazo, Parto y Puerperio, descreve e sistematiza as várias etapas pelas quais a gestante passa, da concepço ao puerpério, esclarecendo os vários surtos de ansiedades específicas que a gestante tem, bem como as fantasias subjacentes a cada momento.

Para Soifer, toda gestação implica de início em uma ambivalência básica: de um lado o desejo de ter a criança, ou seja, sua aceitação; de outro, a rejeição à gravidez, ou seja, o temor da gestante de ser destruída pela gestação. Note-se que não é uma rejeição específica ao filho, mas sim uma postura defensiva diante dos temores gerados que levam a mãe a fantasias ou sintomas de rejeição. Para ela, os genitais possuem estreita correlação com os processos psíquicos e, quando os padrões de não aceitação da concepção predominam, estabelecem-se vários processos psicanalíticos que impedem a concepção. Por exemplo, contrações uterínas que expulsam o esperma, inflamações tubárias, variações do PH que tornam a vagina e o útero espermaticidas. O pressuposto é então que, quando uma concepção se realiza e é mantida, o desejo de ser mãe é predominante sobre a rejeição. Mesmo que a vinda da criança crie enormes problemas reais e seja rejeitada ao nível consciente, no plano inconsciente e mais fundamental há o desejo de um filho. Devemos acentuar que a relação inversa é igualmente verdadeira, ou seja, qualquer gravidez bem aceita, planejada, oriunda de pais saudáveis, sempre trará consigo alguns temores. As ansiedades aqui serão minimizadas, mas surgirão, e qualquer surto de ansiedade sempre incrementará fantasias ligadas à rejeição da gravidez.


As mensagens de aceitação ou rejeição, embora possam ser explicitadas verbalmente, são basicamente processos inconscientes. Enquanto atuantes a este &vel, não as perceberemos formalmente verbalizadas, mas as compreenderemos através de seus sintomas. Um sintoma é uma forma disfarçada de expressar a mensagem que não pode ser dada, ou seja, a mensagem ou o desejo surge sob a forma de um enigma, que impedirá que o sujeito tenha percepção consciente de um processo ansiogênico.


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