Clara Regina Rappaport



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Conceito de objeto. Nesta etapa de seu desenvolvimento a criança, ao contrário do subestádio anterior, já leva em conta os deslocamentos sucessivos do objeto. Em termos de sua atuação prática, isto implica, por exemplo, que procurará um objeto no ponto onde foi visto pela última vez, isto é, na posição que resulta do último deslocamento visível. Assim, se sob as vistas da criança escondemos um objeto sob uma almofada e, depois, ainda procedemos a um novo deslocamento deste objeto, escondendo-o sob uma segunda almofada, este será procurado debaixo da segunda almofada (não mais sob a primeira, como no subestádio anterior). Apesar deste progresso, onde os deslocamentos se dão dentro de um espaço contínuo e não tão fragmentado, observamos que a criança não é capaz de fazer inferências; no caso, não prevê a possibilidade de movimentos invisíveis. Se, por exemplo, escondemos um objeto em nossa mão, depois o depositamos atrás de nós, embaixo de um travesseiro e finalmente reapresentamos nossa mão fechada à criança, esta procurará o objeto apenas na mão, e não sob o travesseiro. A criança falha na solução deste problema por não ser capaz de fazer inferências, porque não pode prever um movimento invisível.
Estádio 6: a invenção de novos meios por combinação mental (18-24 meses)
Esta fase pode ser considerada como de transição para o período seguinte que é o pré-operatório. A grande novidade que marca esta passagem é o início da representação mental dos acontecimentos. Torna-se possível imaginar acontecimentos e segui-los até certo ponto mentalmente.
A fase precedente é considerada como a última que não inclui esta representação interna do mundo exterior. Notaremos que para solucionar problemas a criança pode prescindir, até certo ponto, é claro, dc tentativas-e-erros explícitas e utilizar-se da dedução, que se baseia numa representação mental anterior, numa antecipação dos acontecimentos.
Um exemplo clássico citado por Piaget para caracterizar a diferença entre uma criança desta etapa e uma da etapa precedente é

o da coirente e a caixa de fósforos. A criança é colocada diante da seguinte situação-problema: enfiar uma correntinha através de um pequeno orifício dentro de uma caixa de fósforos. A criança da fase precedente conseguirá enfiar a corrente dentro da caixa, após inúmeras tentativas fracassadas. Após uma ou duas tentativas fracassadas, a criança desta fase poderá interrompê-las e então solucionar diretamente o problema, por exemplo, enrolando a correntinha toda numa bolinha e então enfiando de uma só vez a bolinha pelo orifício da caixa de fósforos. A diferença entre estas duas crianças estaria, segundo Piaget, justamente no momento da “interrupção” das tentativas. Aí, interpreta Piaget, é como se a criança imaginasse mentalmente a solução do problema e depois a colocasse em prática. Ao invés de atuar concretamente, haveria uma interiorização das ações e uma posterior colocação em prática da solução “mentalmente” encontrada (no caso, ao invés de continuar tentando colocar a corrente inteira na caixa, fazer dela uma bolinha e aí então colocá-la diretamente no orifício para dentro da caixa).


A passagem da ação explícita para a representação mental é de importância fundamental em termos das possibilidades de adaptação ao meio. Pode resolver problemas com muito maior rapidez e eficiência, pois entre as situações problema e suas respectivas soluções existe a representação interna, que por sua plasticidade e versatilidade conferem à ação um papel secundário, embora de forma nenhuma dispensável.
O aparecimento da linguagem nesta época confirma a existência da capacidade de representação mental. Na descrição do período seguinte vamos perceber como a utilização da palavra implica numa idéia, numa representação de algum aspecto da realidade externa. Mas isto já é assunto do qual nos ocuparemos posteriormente.
Conceito de objeto. Temos agora um objeto verdadeiramente constituído e cuja existência e permanência no mundo independem da sua percepção. Notamos que para a criança ele continua a existir e é adequadamente procurado, mesmo que sofra deslocamentos invisíveis.
O fato de incluir deslocamentos invisíveis quando busca os objetos constitui mais uma “prova” de que nesta fase a criança representa mentalmente os eventos (imagina aquele deslocamento e o leva em conta quando vai procurar o objeto).


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