Clara Regina Rappaport



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Conceito de objeto. Quanto à reação da criança ao desaparecimento de objetos nesta fase, notamos que já existe uma busca, muito embora seja restrita apenas à trajetória do movimento ou ação em curso. Há movimentos de acomodação, mas apenas como continuação da ação que já estava em curso. imaginemos, por exempio, um bebê, que acompanha com os olhos a trajetória de um objeto colorido. Se de repente o retiramos, a criança poderá reencontrá-lo visualmente se ele for colocado em algum ponto da trajetória que percorria, mas ainda não empreenderá uma busca ativa (eliminando obstáculos interpostos entre ela e o objeto, etc.).
A permanência do objeto no mundo é mais longa do que nos subestádios precedentes, embora ainda não ocorra a busca ativa do objeto que não esteja dentro do seu campo perceptivo.
Estádio 4: a coordenação dos esquemas secundários e sua aplicação às novas situações (8-12 meses)
Neste subestádio encontramos as condutas propriamente inteligentes. Isto porque há uma verdadeira dissociação entre meios e fins. A criança é capaz de variar os meios utilizados para atingir um determinado objetivo. Por exemplo, se quer um brinquedo que está colocado atrás de um anteparo, poderá empurrá-lo, balançá-lo, etc., até que tenha acesso ao mesmo. Há uma nova coordenação dos

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esquemas que o bebê possui para obter um resultado desejado. Os esquemas são aplicados a uma situação nova. Não são mais utilizados como fim em si mesmo (como, por exemplo, pegar e largar um objeto várias vezes à guisa de exercício), mas como um instrumento numa seqüência complexa de ações para atingir um determinado resultado.


Um resultado interessante, como, por exemplo, o balançar de um móbile pendurado em cima do berço pode ser atingido de muitas formas; o bebê não vai repetir apenas a ação que deu certo para balançá-lo anteriormente, mas poderá se utilizar de todos os comportamentos de que dispõe para tal fim.
Além desta notável mobilidade dos esquemas, notamos claramente a intencionalidade dos comportamentos. O contato com o objeto despertará um desejo inicial que por sua vez desencadeará toda uma seqüência de comportamentos. E geralmente o “fim” almejado pela criança já não é diretamente acessível como o era nos subestádios anteriores. Não sendo diretamente acessível, fica muito mais fácil observarmos como os esquemas se tornam instrumentos, como são encadeados em seqüências às vezes muito diferentes umas das outras para a obtenção deste fim.
Uma limitação característica deste subestádio é o fato de o bebê não ser capaz ainda de criar meios novos para obter um resultado. Utilizará apenas os meios conhecidos. Neste ponto sua adaptação às situações ainda está prejudicada, pois só será possível dentro do “conhecido”.
Quanto aos fins aos quais a criança se propõe, convém ficar claro que não são “pensados” ou planejados anteriormente como nós, adultos, o fazemos. Há sempre um elemento de sugestão do meio exterior, pois o bebê vai agir sob pressão de fatos percebidos ou em prolongamento de uma reação precedente e recente. Exemplificando: provavelmente porque viu seu brinquedo sendo colocado atrás de um anteparo é que vai empreender as tentativas de chegar até ele; ou é porque estava entretido em capturar e depois recapturar objetos, que alguém tirava de suas mãos, que fará tentativas de remover um obstáculo que se interponha entre ela os mesmos (objetos). Não existe um planejamento prévio independente do campo perceptivo como ocorre com os adultos. Nós, adultos, podemos planejar ou fazer algo que não tenha nenhuma ligação com o que estamos fazendo no momento. Podemos, por exemplo, estar estudando um assunto e logo pensar em viajar, ou realizar algo que não tenha nada a ver com o estudo ao qual estamos nos dedicando no momento.
Conceito de objeto. Notamos um avanço considerável quanto à noção de permanência dos objetos. A criança passa a buscar ativa-

mente os objetos que são tirados de seu campo perceptivo, sendo que esta busca não se limita mais apenas à trajetória que o objeto vinha seguindo. Piaget testou isto em seus filhos, ocultando brinquedos sob uma almofada. Neste subestádio, verificou que a criança que presenciou tudo vai procurar e realmente encontra o brinquedo sob a almofada. No entanto, há ainda uma falha grave na noção que a criança tem do deslocamento dos objetos no espaço: a permanência é encarada como absoluta e estática, pois, se o brinquedo for escondido novamente (sob as vistas da criança), se for retirado do primeiro esconderijo e colocado sob uma segunda almofada, a criança persistirá em sua busca no local onde o objeto desapareceu pela primeira vez. A atuação da criança neste subestádio em relação à permanência dos objetos poderia ser expressa nos seguintes termos: o objeto continua a existir mesmo que não esteja acessível às modalidades sensoriais e ele poderá ser sempre encontrado no local onde desapareceu pela primeira vez.


Muitas vezes a criança obterá uma adaptação satisfatória buscando objetos no local onde foram colocados na primeira vez, da mesma forma como nós, adultos, podemos alcançar resultados sati fatórios repetindo ações que deram certo uma vez. Exemplificando:
suponhamos que num jogo de xadrez sejamos bem-sucedidos porque utilizamos uma determinada estratégia; podemos repeti-la com o mesmo parceiro ou com outros, com sucesso. No entanto, se nosso parceiro descobre nossa fórmula, ou joga de maneira diferente, precisamos levar este fato em conta e alterar nossa estratégia de jogo, para podermos obter sucesso novamente.
A repetição de uma ação que deu certo pode ser adaptativa numa série de circunstâncias, mas a adaptação mais completa só será possível se levarmos em conta as transformações e eventos ocorridos entre uma ação e a seguinte.
Apesar de não termos ainda o advento definitivo da noção de objeto, percebemos, por exemplo, que houve a coordenação de permanência tátil com visual, e assim por diante (o objeto visto é o mesmo objeto que agora só pode ser “sentido” tatilmente).


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