Clara Regina Rappaport



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Conceito de objeto. Quais são então as reações do bebê ao desaparecimento de objetos? Como já foi explicado anteriormente, a noção de objeto e sua permanência no mundo externo é pesquisada através da reação da criança ao desaparecimento do mesmo.
Durante os dois primeiros subestádios não observamos reação ativa alguma da criança, face ao desaparecimento dos objetos. Isto implica na não existência da noção de objeto permanente. No entanto, as coordenações entre os vários esquemas (preensão/visão, preensão/audição, etc.) constituem passo fundamental na aquisição da noção de um único mundo externo. Um exemplo de coordenação que se instala é a tentativa do bebê de olhar para o que ouve (coordenação dos esquemas visuais e auditivos). Na medida em que um mesmo estímulo é objeto simultaneamente de ações visuais e auditivas (o bebê olha para o que ouve), temos já um primeiro passo importante na constituição do “objeto permanente”.
Até o final do segundo subestádio temos um bebê para quem os objetos desaparecidos são como quadros que aparecem e desaparecem. E quando desaparecem, como numa projeção de slides, deixam de existir. É muito difícil para nós, adultos, imaginar um mundo dentro deste referencial.
Estádio 3: as reações circulares secundárias e os processos destinados a fazer durar os espetáculos interessantes (4-8 meses)
O terceiro subestádio é considerado como uma fase de transição entre os atos denominados pré-inteligentes e os propriamente inteligentes. Até o final do subestádio anterior as ações da criança eram desprovidas de qualquer intencionalidade (diferenciação entre meios e fins), O esforço de repetição dos comportamentos sempre incidia sobre resultados muito ligados às atividades reflexas (por exemplo, a sucção do polegar). A mobilidade dos comportamentos também

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era bastante restrita, não permitindo uma adaptação contínua às novas situações.


A partir deste subestádio notamos que a criança vai procurar repetir resultados interessantes obtidos por acaso, em relação ao meio exterior. A esta repetição voltada para o meio Piaget denomina reação circular secundária. Como exemplo de uma reação circular secundária poderíamos citar o bebê que certo dia puxa acidentalmente uma cordinha à qual está atada uma série de bichinhos que se movimentam quando a mesma é puxada. A criança observa os bichinhos balançando e passa sistematicamente a puxar a cordinha, repetindo assim o “resultado interessante” descoberto por acaso. Lembremos aqui que o resultado obtido é prazeiroso para o bebê, constituindo-se o prazer a motivação básica para a repetição.
Consideramos as reações circulares secundárias como transição entre os atos pré-inteligentes e os inteligentes porque a reprodução de comportamentos passa a incidir sobre resultados cada vez mais distantes das atividades reflexas. Voltando-se para o meio, o número de resultados novos possíveis é infinito e cada vez a adaptação da criança à situação tem que ser maior, jmplicando isto numa necessidade maior de mudança de seus esquemas para enfrentar a situação nova (acomodação). Daqui para frente poderá ocorrer uma grande ampliação do número de esquemas que a criança possui, dependendo muito das oportunidades propiciadas pelo meio ambiente.
Assim, se a criança está num meio rico em termos de estimulação, terá maior oportunidade para descobrir estes “resultados interessantes”, ampliando seu repertório de esquemas; e o inverso ocorre num meio de pequena estimulação. Por esta razão, as grandes diferenças individuais entre as crianças, principalmente quanto à gama de comportamentos que apresentam, vão se configurar mais nitidamente a partir deste subestádio.
Se, por um lado, temos uma criança que está mais voltada para o meio, adquirindo novos padrões de ação e se utilizando das relações dos objetos entre si, temos, por outro lado, que admitir que não estamos ainda diante do ato de inteligência completo. Em primeiro lugar, porque o fim a ser obtido não foi previamente estabelecido, tendo ocorrido na primeira vez por acaso e depois desejado na medida em que se dava a repetição da ação. Em segundo lugar, porque a reação circular secundária tem ainda um caráter conservador, que é o de repetir sempre o mesmo resultado. Há portanto o domínio da assimilação sobre a acomodação. Temos acomodação porque a criança pode ter que fazer um esforço para reproduzir as condições nas quais obteve o resultado interessante: por exemplo, no caso da corda com os bichinhos, precisa pegar a corda onde estiver, pois cada vez está em posição um pouco diferente e isto

implica uma mudança. Mas depois há o predomínio da assimilação, pois a criança vai apenas repetir exatamente a “ação que deu certo” para obter o resultado desejado: ainda em relação à corda e aos bichinhos, uma vez de posse da cordinha puxará e assim os bichinhos balançarão (resultado desejado). Em terceiro lugar porque o ato verdadeiramente inteligente é aquele em que há possibilidade de variar os meios para atingir um determinado fim. Considerando ainda este exemplo, observamos que o bebê nesta fase não será capaz de variar os meios que utiliza para balançar os bichinhos. Imaginemos que a cordinha esteja fora do alcance de seus braços; o bebê não será capaz de chegar a uma outra solução intencional, como, por exemplo, pegar um bastãozinho e bater nos bichinhos, ou puxar com as pernas o barbante e então pegá-lo com as mãos, etc.


A intenção, se é que já se pode falar verdadeiramente nela, está muito vinculada à própria ação. Só no final deste subestádio e no início do seguinte teremos uma distinção mais nítida entre meios e fins, onde o contato com o objeto vai desencadear a intenção (por exemplo, o contato visual com um chocalho pode desencadear a vontade, o desejo de pegá-lo) e a subseqüente busca de meios apropriados para a consecução de um determinado fim (busca da melhor forma de pegar o chocalho, por exemplo).


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