Clara Regina Rappaport


Organização afetiva inicial: fase oral e amamentação



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2.2 Organização afetiva inicial: fase oral e amamentação

Wagner Rocha Fiori



2.2.1 A fase oral

2.2.1.1 A descoberta da afetividade oral

As descobertas da psicanálise seguiram uma caminho inverso ao processo de evolução. Partindo do estudo das neuroses, notada- mente da histeria, Freud descobre que há, em todo neurótico, perturbações da genitalidade. Isto o levou a concluir que há um padrão de sexualidade adulto ou, melhor dizendo, genital, que constitui a base da organização afetiva normal. Ë deste padrão de sexualidade, desta evolução da libido para uma genitalidade plena que o homem saudável se define como aquele que é capaz de “amar e trabalhar”. Amar num sentido amplo tanto envolve os prazeres das atividades sexuais quanto os da constituição familiar, procriação e preparo ou formação dos descendentes que virão a sucedê-lo.


Trabalhar implica nos derivativos sublimados da sexualidade. De um lado, produzir, seja bens ou cultura, é eternizar sua permanência no mundo, tal qual o faz na constituição da geração seguinte. Cada empresa que se desenvolve, cada produto que é concluído, cada técnica desenvolvida, cada colheita obtida simbolicamente correspondem a um produto seu, que permanece, que o serve, que serve ao grupo e que serve à preservação da vida. De outro lado, o trabalho representa a mobilização dos processos secundários do Ego, é dar ferramental e suporte para que as sublimações se realizem. Ê permitir que a sexualidade primitiva evolua não só para a sexualidade genital, mas face à plasticidade da libido, evolua, para satisfazer-se em relações produtivas e adequadas à sobrevivência do grupo humano.
Estes padrões eram perturbados nos neuróticos e, progressivamente, Freud passa a observar que a sexualidade não partia do nada para brotar espontaneamente no adulto. Freud descobre que na infância as fantasias sexuais já se manifestavam. Era uma sexualidade fantasiada que se organizava em torno do grupo familiar. A configuração do triângulo edípico propiciava a organização de base para a sexualidade adulta. Os quadros histéricos traziam como pano de fundo uma vivência inadequada deste período de sexualidade

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infantil, posteriormente denominado de fase fálica. Assim, a partir de um trabalho clínico, primeiro ficam identificados os padrões da genitalidade adulta, e depois uma fase infantil, que é básica para sua organização. Entre os dois se estabelece um período onde a sexualidade é contida, ou melhor, reprimida, denominado período de latência.
Com a continuidade destes tratamentos e com a tentativa de compreender e tratar quadros mais graves — ou seja, a neurose obsessiva, a paranóia, a melancolia e a própria esquizofrenia — foram sendo descobertos traços de que já havia uma organização afetivo-sexual infantil anterior à sexualidade centrada nos genitais. Verifica-se que o conjunto de instintos voltados para o prazer. que chamamos de libido, tinha em cada etapa evolutiva da vida uma correlação com as estruturas biológicas que formavam o centro do processo maturacional no momento. Assim são descritos traços de organização psíquicos correspondentes aos segundo e terceiro anos de vida, período típico do domínio muscular voluntário, do andar, do falar, das primeiras produções pessoais, que na fantasia infantil se acham profundamente associados com os primeiros produtos que ela pode expulsar ou reter em seu corpo, ou seja, as fezes e a urina. Associados aos fracassos nestas aquisições, a psicanálise descobre a organização de núcleos patogênicos que mais tarde poderão desencadear a neurose obsessiva e a paranóia.
Os traços afetivos da organização infantil mais precoce, referentes ao desenvolvimento do primeiro ano de vida, foram os que apresentaram maior dificuldade de serem discriminados e compreendidos. Em primeiro lugar, por situarem-se no período mais primitivo da vida, sendo portanto mais difíceis de serem rememorados. Em segundo lugar, porque este período corresponde a um período pré-verbal da existência, havendo portanto a necessidade de uma evolução na teoria dos símbolos para sua compreensão. Em terceiro lugar, porque nos é difícil, como adultos, senão por um grande esforço de introspecção e imaginação, compreender o sentido das emoções infantis. E finalmente porque, embora estes traços estejam presentes nos adultos, só com o desenvolvimento das técnicas ludoterápicas, notadamente o trabalho de Melanie Klein, com a psicoterapia de crianças pequenas, que se pode estar mais próximo da organização afetiva inicial. A organização afetiva do primeiro ano de vida, período denominado pela psicanálise de fase oral, terá sua organização básica proposta por Freud. Karl Abrahan se deterá em seu exame, discriminando melhor seus mecanismos e modalidades de relação. Melanie Klein, notabilizada como analista de crianças, dará o grande modelo teórico de compreensão deste período.



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