Clara Regina Rappaport



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O final da gestação
À medida que o momento do parto se aproxima, se a ansiedade predominou na gestação, acirram-se os conflitos básicos já discutidos. Apenas três aspectos nos parecem um acréscimo importante. Em primeiro lugar, o temor de morte passa a ser não só uma fantasia de transição de gerações, mas também um temor específico de morrer no parto. Apenas há poucas gerações que as mulheres

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estão livres deste risco. Antes dos desenvolvimentos da cirurgia, das anestesias e dos antibióticos, o risco de morrer no parto era razoavelmente grande. Agora este risco parece menor do que o de morrer em um acidente automobilístico mas, dentro do pensamento coletivo, o temor do parto permanece.


Em segundo lugar, o desenvolvimento rápido do feto provoca alterações bruscas do esquema corporal, e sabemos que estas alterações provocam sensações de estranheza, interferem na organização espaço-temporal e atualizam núcleos psicóticos de despersonalização. Devemos lembrar que isto não acontece apenas com a gestante. As engordas rápidas, ou os emagrecimentos rápidos, também as provocam. O mesmo fenômeno se dá com o desenvolvimento físico brusco do adolescente inicial.
Em terceiro lugar, a interrupção das relações sexuais, situação que freqüentemente ocorre neste período final, contribui para a elevação da ansiedade. Rachei Loifer afirma que as relações sexuais devem ser mantidas até os últimos dias por três motivos básicos. Em primeiro lugar, porque mantêm a harmonia conjugal ao diminuir os ciúmes, tanto os do marido com relação ao filho, quanto os da mulher com relação aos possíveis casos extraconjugais do marido. Em segundo lugar, porque, sendo o orgasmo a maior fonte de descarga de tensão do adulto normal, a manutenção da capacidade orgástica e libidinosa, da mulher propicia momentos de prazer, relaxamento e tranqüilidade dentro de um processo que tem seus aspectos ansiógenos. Em terceiro lugar, porque o exercício sexual mantém a flexibilidade dos músculos perineais, o que facilita a distensão no momento do parto.
1.2.3 Conclusão
Tentamos explicitar que a vida psíquica da criança não parte de um marco zero com o nascimento. As estruturas psíquicas do pai e da mãe já reservam para a criança um lugar pré-determinado. Também os conflitos evolutivos não resolvidos de cada um serão atualizados durante a gestação e terão importância fundamental nas expectativas ou fantasias parentais. Ao rascer, a criança não está livre para se desenvolver. Ela crescerá com o amor e fantasias positivas que os pais nela depositam, mas também reagirá e sofrerá as crises decorrentes do lugar persecutório que ocupa nas fantasias parentais. isto nos deixa algumas lições básicas. A primeira é a de que só poderemos compreender a patologia infantil se tivermos a compreensão das fantasias familiares ligadas a esta criança. A segunda é a de que uma psicoterapia infantil terá sua probabilidade de sucesso ampliada, à medida que os conflitos dos pais, notadamente

os correlatos à criança, possam ser suportados por uma aconselhamento terapêutico. E em terceiro lugar, muitas patologias familiares e conflitos prejudiciais ao desenvolvimento infantil seriam evitados com o atendimento do casal em uma psicoprofilaxia de parto.


1.2.4 Leituras recomendadas
As leituras indicadas neste segundo volume pressupõem o embasarnento teórico tratado no primeiro. Ë necessário que os conceitos básicos de psicanálise estejam adquiridos, para que o acompanhamento da leitura mais especializada possa resultar proveitoso.
1. Mannoni, M. A criança atrasada e sua mãe. Lisboa, Moraes Ed., 1977. A autora, psicanalista teoricamente filiada ao grupo de Lacan, analisa o contexto da fantasia familiar e suas decorrentes implicações na patologia infantil.
2. Soifer, R. Psicología dei embarazo, parto y puerperio. Buenos Aires, Kargioman, 1976. Rachei Soifer analisa neste trabalho, etapa por etapa, as reações psíquicas e sintomas existentes na mãe, no pai e nos filhos, decorrentes da gestação. O trabalho propõe ainda as bases da psicoprofilaxia da gestação e parto.
3. Dolto, F. Psicanálise e Pediatria. Rio de Janeiro, Zahar,
1 972. A autora discute em linguagem simples o desenvolvimento da libido, para em seguida exemplificá-lo com vários casos clínicos.
4. Abrahan, K. Teoria psicanalítica da libido. Rio de Janeiro, Imago, 1970. Ë uma coletânea de vários textos teóricos de Abrahan. Neles, Abrahan desenvolve e aprofunda os conhecimentos deixados por Freud referentes às etapas pré-genitais de desenvolvimento.
5. Segal, H. Introdução à obra de Melanie Klein. Rio de Janeiro, Imago, 1975. A autora, professora de psicanálise do Instituto de Psicanálise de Londres, apresenta neste trabalho uma síntese das aulas por ela ministradas sobre Melanie Klein. Este livro oferece uma visão panorâmica e didática que facilita o posterior contato com as obras específicas de M. Klein.

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