Ausência de limites em criançAS: como intervir utilizando a terapia cognitivo-comportamental thaise Pinto Pascoal¹; Flávia Regina Martoni de Oliveira²



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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Logo no primeiro atendimento durante uma breve conversa com L. ficou perceptível que o “apego” citado durante as conversas era apenas por parte da mãe que durante um instante foi suscinta ao relatar que dava ao filho todo amor do mundo, pois precisava suprir a falta do pai. A partir da segunda sessão R.C contou que o repreendia bastante e que não entendia o porquê de L. ser tão desobediente e mal educado. Ela ainda sinalizou que L. dormia em sua cama, pois o quarto dele estava em reforma. As conversas com L. eram sempre muito rápidas, pois ele apenas respondia o que era perguntado.

A queixa inicial de desobediência associada à morte do pai desapareceu logo na segunda sessão, restando apenas a queixa de desobediência. R.C, responsável, foi orientada a anotar todos os comportamentos de L. considerados adequados e/ou inadequados. Com L., foi realizada uma técnica simples denominada de “cartograma”, que consiste em fazer com que o paciente demonstre seus interesses, pensamentos, sentimentos e comportamentos através de frases do tipo: gosto/não gosto. R.C mostrou- se bastante afetuosa e em demasia autoritária. Segundo (Kail, 2004) o supercontrole é ruim, pois priva as crianças de encontrarem padrões de comportamento próprios e o subcontrole prejudica as crianças, pois não lhes ensina o padrão de comportamento cultural. Nas últimas sessões R.C foi orientada a trabalhar o equílibrio.

Ao avaliar o caso pôde–se perceber que educar não está relacionado ao cuidado excessivo ou à imposição frequente de regras, mas sim ao equilíbrio, à dosagem correta. A terapia ainda não chegou ao fim, mas já foi levantada uma hipótese diagnóstica.

Observou-se que a desobediência da criança não está associada à morte do pai, mas sim à falta de limites.

A mãe expôs um relevante extremismo durante o processo terapêutico, protegendo e cobrando responsabilidades da criança de forma desequilibrada. L. não ouvia elogios e quando fazia algo bom, sua mãe lhe dizia: “não fez mais que sua obrigação”. A criança não era estimulada aos bons comportamentos, ouvia apenas reclamações e nunca palavras motivadoras.





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