As Cinco Linguagens do Amor


Amando a Quem não Merece Nosso Amor



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12. Amando a Quem não Merece Nosso Amor


Era um lindo sábado de setembro. Minha esposa e eu caminhávamos pelo Jardim Reynolda, “curtindo” a flora, que continha vários exemplares provenientes de diversos países do mundo. Os pomares foram originariamente cultivados por R. J. Reynolds, o magnata do tabaco, como parte de sua propriedade rural. Agora, fazem parte do campus da Uni­versidade Wake Forest. Acabávamos de passar pelo jardim das rosas quando vimos Ann, uma senhora a quem eu come­çara a aconselhar duas semanas atrás, a qual caminhava em nossa direção. Ela olhava para baixo, para as pedras dispos­tas ao longo do chão, formando o corredor por onde andá­vamos. Parecia estar completamente abstraída. Quando a cumprimentei, teve inicialmente um sobressalto, mas depois olhou para cima e sorriu. Apresentei-a Karolyn e trocamos alguns cumprimentos. De repente, ela de chofre fez uma das perguntas mais profundas que já me foram formuladas:

— Dr. Chapman, é possível amar alguém a quem odiamos? Eu sabia que aquela pergunta tinha brotado de uma profunda ferida e merecia uma resposta bem avaliada. Eu tinha horário marcado com ela para outra sessão de aconse­lhamento na semana seguinte. Então lhe disse:



— Ann, essa é pergunta que precisa ser muito bem pen­sada antes de respondida. Que tal conversarmos sobre ela na semana que vem?

Ela concordou e Karolyn e eu continuamos nosso pas­seio. A pergunta que ela fizera, porém, não nos abando­nou. Mais tarde, enquanto dirigia para casa, Karolyn e eu falamos sobre aquela interrogação. Começamos a nos lem­brar dos primeiros anos de nosso casamento e de como, por várias vezes, tivemos o sentimento de ódio. As palavras condenatórias que dirigíamos um ao outro estimularam a mágoa e, no calcanhar da mesma, a ira, que abrigada no interior transformou-se em ódio. O que foi diferente em nosso caso? Ambos fizemos a escolha de amar e percebe­mos que, se continuássemos aquele trajeto de cobranças e condenação, destruiríamos nosso casamento.

Felizmente, após um período de um pouco mais de um ano, aprendemos como discutir nossas diferenças sem condenarmos um ao outro; a tomar decisões sem destruir nossa unidade; a dar sugestões construtivas ao invés de fa­zermos cobranças; e, eventualmente, a falarmos a primeira linguagem do amor um do outro. (Muitos desses itens fo­ram descritos em um outro de nossos livros — Toward a Growing Marriage, Moody Press — “Em Busca de um Casa­mento Maduro”, publicado pela Editora Moody.) Nossa decisão de amar foi feita em meio a sentimentos negativos mútuos. Quando começamos a falar a primeira linguagem do amor um do outro, os sentimentos negativos provenien­tes da mágoa e do ódio foram desfeitos.

Nossa situação, no entanto, era diferente da que Ann enfrentava. Karolyn e eu estávamos abertos para apren­der e crescer. O marido de Ann, porém, não concordava. Ela me dissera ainda na semana anterior, que implorara para ele fazer um aconselhamento, ler um livro ou ouvir alguma fita sobre casamento. No entanto, ele recusara todas estas alternativas. Segundo ela, a postura que ele as­sumira era:

“Não tenho qualquer dificuldade. Você é quem possui os problemas aqui.”



Na mente dele, ele estava certo e ela errada — e isto era simples. Os sentimentos de amor que ela nutria por ele fo­ram mortos através dos anos de crítica e condenação cons­tantes. Após dez anos de casamento, sua energia emocional esgotara-se e sua auto-estima praticamente se destruíra. Haveria esperança para o casamento de Ann? Ela consegui­ria gostar de um marido indigno de ser amado? Será que, algum dia, ele corresponderia ao seu amor?

Eu sabia que Ann era profundamente religiosa e fre­qüentava regularmente sua igreja. Deduzi, então, que a úni­ca esperança que ela possuía para seu casamento residia em sua fé. No dia seguinte, com meus pensamentos nela, come­cei a ler a vida de Cristo no evangelho de Lucas. Sempre gos­tei da forma deste evangelista escrever sobre Jesus, pois, como médico, dava muita atenção a detalhes e ainda no primeiro século fez um relato cronológico dos ensinos e do estilo da vida do Filho de Deus. Naquele que muitos consideram o melhor sermão de Jesus, li as seguintes palavras, às quais chamo de grande desafio do amor:

“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: Amai os vos­sos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós tam­bém a eles. Se amais os que vos amam, qual é a vossa re­compensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam.”1

Pareceu-me que aquele profundo desafio escrito há quase dois mil anos era o caminho que Ann procurava. Mas... ela poderia “dar conta daquele recado”? Será que alguém conseguiria? Seria possível amar um cônjuge que se tornou um inimigo? Seria possível amar alguém que pragueja con­tra você, maltrata-o (a), e dedica-lhe desprezo e ódio? E, se na melhor das hipóteses, ela conseguir, será que ele de algu­ma forma lhe retribuiria? Seria possível que aquele marido mudasse e começasse a expressar amor e cuidado por ela? Fiquei espantado com as próximas palavras de Jesus ditas naquele antigo sermão: “Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante generosamente vos da­rão: porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.

Será que aquele princípio de amar a quem não merece nosso amor funcionaria em um casamento no ponto em que estava o de Ann? Decidi fazer uma experiência. Tomei como hipótese o fato de que se ela aprendesse a primeira lingua­gem do amor de seu marido e utilizasse-a por um período de tempo de forma que as necessidades emocionais dele fos­sem atendidas, eventualmente, ele se tornaria recíproco e começaria a demonstrar amor por Ann. Imaginei... Será que vai funcionar? Encontrei-me com ela na semana seguinte e ouvi-a novamente enquanto falava sobre os horrores de seu casamento. Ao final de seu resumo, repetiu o que dissera no Reynolda Gardens. Dessa vez, porém, ela colocou em forma de afirmação.

— Dr. Chapman, simplesmente não sei se voltarei a


amá-lo depois do que ele fez comigo.

— Você já conversou sobre sua situação com alguns de seus amigos? — perguntei.

Ela respondeu:

— Com umas duas amigas mais chegadas e, por cima, com outras pessoas.

— E o que elas lhe disseram?

Todos são unânimes em dizer que devo me separar


dele, porque ele nunca vai mudar, e esta demora só prolonga a agonia. Dr. Chapman, ocorre que eu não consigo fazer isso! Talvez eu devesse, mas não quero acreditar que esta é a coisa mais certa a se fazer.

Eu então lhe disse:

— Parece-me que você está em um dilema. Por um lado sua crença religiosa e a moral, lhe dizem ser errado desmanchar um casamento; e por sua dor emocional lhe afirma ser o rompimento a sua única forma de sobreviver.

— É exatamente isso, Dr. Chapman. É desta maneira que me sinto. Não sei o que fazer!





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