Ana maria candido de menezes raguazi


O uso do álcool em adolescentes e jovens



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2.3 O uso do álcool em adolescentes e jovens

A adolescência é um período de transição entre a infância e a condição de adulto, no qual o adolescente se mostra mais resistente às orientações, pois vislumbra a possibilidade de ter poder e controle sobre si mesmo. Esse período é caracterizado por um processo de mudanças importantes, e tais mudanças, de ordem biológica e psicossocial, acabam por colocar os adolescentes em grupo vulnerável às diversas influências, que tanto podem contribuir de forma positiva quanto negativa no curso de suas vidas. E o uso de drogas, como o álcool, é uma questão que causa grande preocupação entre pais, educadores e profissionais da saúde (ALMEIDA FILHO et al., 2007).

O uso e o abuso de álcool e outras drogas têm sido uma das principais causas desencadeadoras de situações de vulnerabilidade na adolescência e juventude a exemplo dos acidentes, suicídios, violência, gravidez não planejada e a transmissão de doenças por via sexual e endovenosa, nos casos das drogas injetáveis. Não fosse o consumo de drogas um problema suficientemente grave, tem-se ainda a problemática do tráfico, o qual representa, no Brasil e em outros países, uma séria ameaça à estabilidade social (BRASIL, 2005).

De acordo com Monteiro (2007), o uso do álcool pelos jovens pode trazer várias consequências para suas vidas, como: 1) Acidentes relacionados ao consumo de bebida alcoólica sendo a maior causa de morte e deficiência entre os jovens; 2) Os jovens iniciam sua vida sexual precocemente, além de não praticarem o sexo seguro em relação aos jovens que não bebem; 3) Jovens que bebem são mais vulneráveis a serem vítimas de crimes violentos; 4) Problemas escolares; 5) O indivíduo que começa a beber jovem é 4 vezes mais propenso a desenvolver dependência do aqueles que iniciam o consumo quando adultos.

Várias pesquisas em todo Brasil avaliam o consumo de álcool entre os jovens, principalmente entre os estudantes. Esses estudos mostram que o uso de álcool tem início precoce na vida desses adolescentes: idade média de 12,35 anos em estudo realizado em Paulínia – SP, onde 1990 alunos com idade entre 11 e 21 anos responderam a um questionário sobre o uso do álcool (VIEIRA et al., 2007); 12,5 anos no V Levantamento Nacional Sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas Entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino nas 27 Capitais Brasileiras (GALDURÓZ et al., 2004).

Quanto ao uso do álcool segundo o sexo, alguns estudos não encontraram diferença entre homens e mulheres, como na pesquisa realizada entre estudantes universitários do estado de São Paulo, porém, a mesma pesquisa mostrou que houve uma diferença quanto ao uso de drogas ilícitas; sendo que 36,8% dos alunos usaram drogas ilícitas nos últimos 12 meses, contra 23% das alunas (SILVA et al., 2006).

No estudo em Paulínia – SP (2004), quando analisado o padrão de consumo de álcool no último mês, considerando gênero e faixa etária, não foram observadas diferenças entre os sexos até os 15 anos, exceto para o consumo de cinco ou mais doses em uma ocasião, maior entre as meninas na faixa etária dos 13 aos 15 anos. A partir dos 16 anos, porém, a prevalência entre os meninos foi significativamente maior em quase todos os padrões de comportamento considerados (VIEIRA et al., 2007).

Já em pesquisa realizada em Goianá – MG, em que se avaliou o consumo de substâncias psicoativas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino do município; as mulheres apresentaram maior prevalência de uso na vida de álcool (65,9%) comparada aos homens (62,2%) (TEIXEIRA et al., 2009).

Apesar da lei 8069, de 13 de julho de 1990 (BRASIL, 1990a) que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu art. 81, inciso I; assim como a Lei Federal 9294, de 15 de julho de 1996 (art. 3º A, inciso IX) (BRASIL, 1996) proibirem a venda de bebida alcoólica às crianças e adolescentes, é prática comum o descumprimento das referidas leis. Tal fato é relatado no estudo realizado em Paulínia- SP, onde os estudantes não tiveram dificuldades em comprar álcool, inclusive dentro da escola. Mais da metade (55%) dos estudantes menores de idade afirmaram ter comprado bebidas alcoólicas e apenas 1% relatou ter tentado sem sucesso por recusa do estabelecimento (VIEIRA et al., 2007).

No mesmo estudo citado anteriormente, as fontes de fornecimento mais citadas no último episódio de consumo foi familiares (31,7%) e amigos (23,5%). Isso mostra que os amigos e familiares têm influência direta (oferecendo bebida) e indireta (expectativa dos efeitos do uso, aceitação social) sobre o padrão de consumo (VIEIRA et al., 2007).

A influência do convívio social pode também proteger o jovem do consumo de álcool, pois em pesquisa realizada por Silva et al. (2006), os alunos que eram praticantes de uma religião tiveram menor consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas; mostrou também que pertencer a uma religião onde há uma condenação mais explícita e clara do uso de drogas, como o protestantismo, está associado a um menor uso de substâncias como, por exemplo, o álcool.



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