Adler e sua teoria da personalidade



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a vontade do poder orientou os estudos de Adler para a compreensão do comportamento humano, Para ele o poder atendia as mesmas exigências dos instintos básicos de Freud e a motivação da atitude humana estava firmemente atrelada à sua vontade do poder, e ele comparou o poder aspirado, por exemplo, por um assassino que deseja ser o mais pérfido entre seus pares, com a aspiração de poder em um indivíduo bom e caridoso que manifesta sua pulsão de supremacia entre seus companheiros de altruísmo.

Ele acentua, assim, a questão da vaidade, apontando que ela estaria tanto naquela pessoa que vaidosamente deseja ser a mais cruel, quanto naquela que deseja ser, vaidosamente, a mais santa e piedosa entre todas.

“Vontade do Poder”, “Inferioridade” e “Psicologia do Indivíduo” são expressões adlerianas que consagraram esse psicólogo como alguém voltado para o indivíduo e sua luta pelo seu crescimento. Adler escreveu sobre a "luta pela superioridade", que representa o indivíduo buscando se superar. É segundo Adler "a força que arrasta para cima". Ele insistia que, seja a timidez ou qualquer outra característica de personalidade, não precisamos ser escravos dos nossos temperamentos. Podemos e devemos caminhar. Sempre para frente e se possível para cima, como defendeu.

Alfred Adler, criador da Psicologia Individual, introduziu conceitos como "sentimento de inferioridade" ou, mais popularmente, "complexo de inferioridade". Desenvolveu uma psicoterapia flexível, de apoio, no sentido de conduzir o paciente à maturidade emocional, ao bom senso e à integração social quando emocionalmente deficientes em razão de sentimentos de inferioridade. Adler deu ênfase à consideração do paciente em relação à totalidade1 do meio, através de uma abordagem holística dos problemas humanos. Segundo Goldstein existe uma interação constante entre o organismo e o meio-ambiente, e a pessoa deve entrar em um acordo com o ambiente, porque este proporciona os meios pelos quais se torna possível a autorrealização. Estudioso da neurologia, Goldstein chegou à mesma conclusão de Adler: um sintoma não pode ser considerado ou compreendido a partir apenas da questão orgânica, mas da consideração do organismo-como-um-todo, pois o organismo é uma unidade, e o que ocorre em uma parte, afeta o todo.

Por volta de 1900, Adler havia começado a investigar a psicopatologia no campo da medicina. E, em 1902 foi convidado por Freud para juntar-se ao grupo de pesquisadores e intelectuais que se reuniam em sua casa semanalmente para discutir psicopatologia. Porém, gradualmente, as diferenças entre os dois tornaram-se irreconciliáveis.

Adler nunca aceitou a teoria original de Freud do trauma sexual, segundo a qual os conflitos sexuais da infância seriam a causa das doenças mentais, e chegou mais tarde a reconhecer na sexualidade apenas um papel simbólico na busca do homem em superar sentimentos de inadequação. Ele se opôs à generalização na interpretação dos sonhos como expressão única de satisfação sexual.

A infância e a vida familiar de Adler marcaram significativamente sua personalidade e sua obra. Debilitado fisicamente, apresentava acentuado raquitismo infantil (que o impediu de caminhar antes dos 4 anos) e dispnéias frequentes; era protegido pelo pai e rejeitado pela mãe, além de marcantes ciúmes e inveja do irmão mais velho, também de nome Sigmund, tal como Freud (com quem competiu acirradamente na vida profissional).

Mais jovem que Freud 14 anos, frequentou o mesmo liceu do pai da psicanálise e formou-se médico em 1895 na mesma Universidade de Viena; iniciou a carreira como oftalmologista, mas logo passou a exercer clínica geral em consultório privado, já enfocando, desde o princípio, o ambiente sócio-familiar-profissional de seus pacientes. Nunca se sentiu um verdadeiro judeu e converteu-se ao protestantismo com duas filhas em 1904.

Adler deixou a organização psicanalítica vienense (era o presidente), juntamente com nove membros, por “divergências sobre concepções teóricas inconciliáveis”. Nunca aceitou a importância do papel do recalque e da libido no funcionamento psíquico. Alternativamente, desenvolveu ideias como a neurose em consequência de sentimentos de inferioridade existentes desde o primeiro contato da criança com a sexualidade e da luta entre o feminino e o masculino em que os meninos são encorajados desde pequenos a serem ativos e assertivos, e as meninas o contrário.

Adler impressionou-se com a história de Roosevelt, que cresceu franzino e doente até a adolescência (tal como ele próprio), passando então por intensas transformações e chegando a ser o mais jovem presidente dos Estados Unidos. Perguntava-se se tal potencialidade para mudança seria característica da personalidade de Roosevelt ou se seria comum à natureza humana.

Também foi influenciado pelas ideias holísticas de Jan Smuts, que cunhou o termo holismo para a compreensão do ser humano com seu livro Holism and evolution, de 1926. Outro conceito que o inspirou foi o da teleologia, que identifica a motivação e as metas como motor básico humano, sendo a finalidade o que guia a natureza e a humanidade. Em Hans Vaihinger, inspirou-se para criar o conceito de “finalismo funcional”: aquilo que uma pessoa acredita a respeito de si própria e que a ajuda a conduzir-se pela vida.

Na construção da sua teoria sobre o funcionamento e adoecimento psíquicos e em seu trabalho psicoterapêutico, Adler, não aceitando qualquer determinação pela libido, considerou inicialmente a “busca pela perfeição” como o fator motivacional humano. Essa busca se expressaria por diferentes mecanismos:

1.A relação e a adaptação sociais;

2.A preocupação do indivíduo em alcançar objetivos preestabelecidos (vontade);

3.A luta pela superioridade (incluindo voracidade pelo poder e pela notoriedade);

4.A agressividade, principalmente frente à frustração, que seria o instinto primário ao qual todos estariam subordinados.

Ele não reconheceu a importância do recalque e do inconsciente. Acreditava que a orientação informativa mudaria o auto-entendimento e estimularia a vontade para a autotransformação e a adaptação social. Postulava a necessidade de ver o homem como um todo, uma unidade funcional, reagindo ao meio tanto quanto aos seus próprios dotes físicos, em lugar de vê-lo como um somatório de instintos, desejos e outras manifestações psicológicas.

Adler recusou a teoria freudiana do trauma sexual e relegava a sexualidade a um papel simbólico na tentativa de superação do indivíduo. A ruptura entre Freud e Adler foi violenta e a animosidade entre eles manteve-se até o fim de suas vidas. A base principal das ideias de Alfred Adler encontra-se em sua publicação de 1907: “A compensação psíquica do estado de inferioridade dos órgãos”. E em sua publicação de 1912: “O temperamento nervoso”, expôs a essência da sua doutrina. No ano seguinte criou, juntamente com ex-membros da Sociedade freudiana, a Psicologia Individual, posteriormente conhecida como Psicologia do Eu, e criou a Sociedade de Psicologia Individual, provocando a primeira cisão importante do movimento psicanalítico.

Em sua teoria da personalidade, que preferia chamar de estilo de vida, postulou existir um empenho por autoestima e uma tentativa de superar o sentimento de inferioridade ou o “complexo de inferioridade”, por meio da procura compensatória de poder, domínio, superioridade, que seriam alcançados por suas atividades e interesse social no bem comum.

Achava que toda criança tem um sentimento de inferioridade por comparação realista com os adultos, maiores e mais hábeis, cuja superação seria sua principal meta na vida.

Adler agrupou as personalidades humanas tendentes à doença psíquica em três tipos:

DA AÇÃO, tendendo à agressividade e dominação, podendo resultar, por exemplo, em sadismo, dependência química, ou suicídio;

DA SUBMISSÃO ou DEPENDÊNCIA, tendentes a desenvolver fobias, obsessões, compulsões, histeria etc.;

e DA EVITAÇÃO OU FUGA, tendentes à psicose.

Um quarto tipo de personalidade, o dos SOCIALMENTE ÚTEIS, seria o sadio, apresentando interesse social e energia.

Conforme Dias (2009), o conceito de self criativo seria “a realização suprema de Adler como teórico da personalidade“, ficando todos os demais conceitos subordinados a ele, dada a sua força. Dias afirma que cada ser humano construiria sua própria personalidade.

Para Adler, o instinto fundamental a ser desenvolvido seria o social (em parte como disposição inata e em parte aprendido), do qual derivariam os sentimentos de amor, amizade, ternura, altruísmo. Tal instinto teria de ser reforçado pelos pais e pela educação para não ser perdido, e seria o responsável pela empatia e o desejo de ajudar o outro; ele estaria na dependência dos sentimentos de inferioridade e suas compensações ou de auto-aceitação satisfatória.

De acordo com Adler, os objetivos do tratamento psicoterapêutico, usualmente de curta duração e focado, consistiam em conduzir o paciente a perceber seu estilo de vida, a orientá-lo e reeducá-lo para melhorar sua situação real, sem qualquer exploração dos conflitos inconscientes.

O paciente era então explicitamente encorajado a ações concretas que pudessem facilitar-lhe a vida real, como trocar óculos por lentes de contato, caso os primeiros lhe causassem sentimento de inferioridade. Para Adler, o terapeuta não deveria buscar a verdade nem se preocupar com interpretações subjetivas do que se passa na sessão. A relação a ser desenvolvida entre terapeuta e paciente deveria ser igualitária, face a face e empática. Pode-se dizer que seu trabalho clínico desenvolveu-se com uma orientação de natureza pedagógica, como afirma Zimerman (2001).

Segundo o site americano para a psicologia adleriana, suas teorias e técnicas formaram a base para outras psicoterapias atuais, empregadas especialmente nos EUA: cognitivo-comportamental, terapia da realidade, terapia focada na solução, terapia emocional-racional, terapia existencial, psicologia holística, terapia familiar, psicologia humanista, neoanálise, reconstrução e comunicação paradoxal, entre outras.


Também pensadores modernos afirmam ter obtido na obra de Adler substrato para desenvolvimento de suas próprias contribuições, como Karen Horney, Erich Fromm, Viktor Frankl, Abraham Maslow, Aaron Beck, Rollo May e Carl Rogers. Na área da pedagogia suas teorias e práticas tornaram-se bastante difundidas, considerando a orientação de crianças como preventiva contra um futuro adoecimento psíquico.

1 Exatamente como defende a Teoria Organísmica de Goldstein, que alicerçou a Psicologia Humanista.


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