Acessibilidade plena



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Subsídios metodológicos na construção de uma “acessibilidade plena”: a produção da identidade e da subjetividade de pessoas com deficiência

Regina Cohen1

Cristiane Rose de S. Duarte2

1. Introdução

Este trabalho tem por base um projeto de pesquisa interdisciplinar sobre acessibilidade desenvolvido no âmbito do Núcleo Pró-acesso da UFRJ. O enfoque está na questão da sensorialidade e do afeto para a construção da identidade e subjetividade em espaços dessa natureza.

O acesso é um direito de todos, devendo o gestor e planejador conhecer a diversidade de experiências física, sensorial e emocional das pessoas com deficiência nos espaços. Considera-se aqui a “acessibilidade plena”,3 abordagem que temos adotado em nossas investigações e que vai muito mais além de uma simples visão cartesiana que só leva em conta o acesso físico, não considerando a multissensorialidade que envolve a deficiência visual: o “ver e não ver”. Por essa razão, trabalhando com a função social dos espaços, entendemos que o planejamento deve primar pela relação dinâmica que se estabelece entre o espaço e o observador, que estará se enriquecendo a partir das constantes mudanças nos significados e da essência de uma ambiência a ser compartilhada. Nesse sentido, a maneira como as informações são fornecidas aos visitantes assume uma importância fundamental. Estabelecendo-se a comunicação, favorecem-se as trocas e a transmissão de conhecimento levando aquele lugar a cumprir sua função de forma plena.

Mas a comunicação não é feita apenas por meio da visão ou da audição. Muito além dos sentidos, a eficiência na transmissão do conhecimento passa, inevitavelmente, pelo afeto e pela empatia. Assim, uma ambiência adequada favorecerá e até fomentará sentimentos afetivos e motivações necessários à plenitude dessa imersão na cidade. Dependendo de suas características, as ambiências podem favorecer a identidade do sujeito, sua subjetividade e sua emoção, possibilitando a transformação do espaço em lugar provido de afeto.

A pesquisa que deu origem a este artigo traz os resultados de ferramentas metodológicas desenvolvidas por vários pesquisadores. Utilizaram-se princípios e recomendações de acessibilidade desenvolvidos nessas pesquisas e nas normas brasileiras, adotando uma abordagem multimétodos que envolve o cruzamento de tabelas com levantamentos fotográficos, mapeamento e análise de percursos definidos a partir do entorno urbano até o interior de uma edificação.

Torna-se necessário, assim, delinearmos, antes, alguns conceitos para podermos desenvolver as questões aqui apresentadas.4





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