Academia militar das agulhas negras academia real militar (1811)



Baixar 134.42 Kb.
Página10/22
Encontro29.11.2019
Tamanho134.42 Kb.
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   22
2.2 Inteligência Emocional
A fim de abordar o que há de mais atualizado e importante sobre a inteligência emocional (IE), buscou-se apresentar três modelos de IE: o modelo de Mayer e Salovey (1990), o modelo de Bar-on (2006) e o modelo de Goleman (1995), o qual será o modelo escolhido como base para compor este trabalho.

Uma definição clara e que bem sintetiza o conceito de inteligência emocional é a dada por Mayer e Salovey (1990): “Inteligência Emocional é a habilidade para controlar os sentimentos e emoções em si mesmo e nos demais, discriminar entre elas e usar essa informação para guiar as ações e os sentimentos”. Essa definição será o ponto de partida para o entendimento do tema.

Inicialmente, um dos autores que introduziram uma nova forma de pensar sobre a inteligência foi Howard Gardner, com o lançamento do seu livro Estruturas da mente, em 1983, quando cunhou o termo Inteligências Múltiplas (IM). O objetivo de Gardner era “o de chegar a uma visão do pensamento humano mais ampla e mais abrangente daquela aceita pelos estudos cognitivos da época” (GARDNER, 1993, p.3), época essa em que os testes de “QI” predominavam e eram utilizados para prever “quais crianças iriam ter sucesso e quais iriam fracassar nas séries primárias das escolas” (GARDNER, 1993, p.12). Porém, foi observado que “os testes de QI predizem o desempenho escolar com considerável exatidão, mas não predizem de maneira satisfatória o desempenho numa profissão depois da instrução formal” (JENCKS, 1972 apud GARDNER, 1993, p.20). Devido a esses acontecimentos, Gardner investigou a mente humana de um ponto de vista “alternativo”, e concluiu que

Numa visão tradicional a inteligência é definida operacionalmente como a capacidade de responder a itens em testes de inteligência. [...] A teoria das inteligências múltiplas, por outro lado, pluraliza o conceito tradicional. Uma inteligência implica na capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. [...] Os problemas a serem resolvidos variam desde teorias científicas até composições musicais para campanhas políticas de sucesso. (GARDNER, 1993, p.21)


Essa conclusão mostra que a inteligência é algo mais complexo do que se pensava na época, e para enfatizar tal conclusão, usou a palavra “múltiplas” para enfatizar “um número desconhecido de capacidades humanas diferenciadas” (GARDNER, 1993, p.3). Ao fim de sua pesquisa, foram enumeradas sete inteligências, que são, segundo Armstrong (2001): a Inteligência linguística, que é a capacidade de usar as palavras de forma efetiva quer oralmente, quer escrevendo; a inteligência interpessoal, que é a capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimento de outras pessoas; a inteligência intrapessoal, definida como o autoconhecimento e a capacidade agir adaptativamente com base neste conhecimento; a inteligência lógico-matemática, que é a capacidade de usar os números de forma efetiva e de raciocinar bem; inteligência musical, que é a capacidade de perceber (por exemplo, como aficionado por música), discriminar (como um crítico de música), transformar (como compositor) e expressar (como musicista) formas musicais. Esta inteligência inclui sensibilidade ao ritmo, tom ou melodia e timbre de uma peça musical. Podemos ter um entendimento figural ou geral da música (global, intuitivo) um entendimento formal ou detalhado (analítico, técnico), ou ambos; a inteligência espacial, que é a capacidade de perceber com precisão o mundo visual-espacial (por exemplo, como caçador, escoteiro ou guia) e de realizar transformações sobre essas percepções (por exemplo, como decorador de interiores, arquiteto, artista ou inventor). Esta inteligência envolve sensibilidade à cor, linha, forma, configuração e espaço. Inclui também a capacidade de visualizar, de representar graficamente ideias visuais e de orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial; a inteligência corporal-cinestésica, que é definida como a perícia no uso do corpo todo para expressar ideias e sentimento (por exemplo, como ator, mímico, atleta ou dançarino) e facilidade no uso das mãos para produzir ou transformar coisas (por exemplo, como escultor, artesão, mecânico ou cirurgião). Esta inteligência inclui habilidades físicas específicas, tais como coordenação, equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade.

Dessas sete inteligências, destacamos a inteligência interpessoal e a intrapessoal que, como veremos mais adiante, são as que mais se aproximam de maneira geral ao conceito de inteligência emocional e que serviram de base para o desenvolvimento deste ramo do conhecimento.

Baseados nos trabalhos de Gardner, outros autores se aprofundaram nesse ramo de pesquisa e desenvolveram seus próprios corpos teóricos, que são chamados de modelos. Neste ponto, faz-se necessário fazer a diferenciação entre inteligência e modelos de inteligência. Segundo Mayer e Salovey (1990, p.187), “inteligência é um amplo conjunto de habilidades. Por outro lado, modelos de inteligência são organizações mais restritivas do campo que servem para descrever inter-relações entre as habilidades mentais ou as causas delas”.

Dentre os modelos de inteligência emocional, vamos citar primeiramente o modelo de Mayer e Salovey, que define a inteligência emocional como “a habilidade para controlar os sentimentos e emoções em si mesmo e nos demais, discriminar entre elas e usar essa informação para guiar as ações e os sentimentos” (MAYER; SALOVEY, 1990, p.189). Em seu primeiro artigo sobre inteligência emocional, Mayer e Salovey apresentam a inteligência emocional dividida em três partes: Avaliação e expressão da emoção, regulação da emoção e utilização da emoção.

O segundo artigo de Mayer e Salovey provou por meio de empirismo como a inteligência emocional poderia ser reconhecida como habilidade mental (NETA; GARCÍA; GARGALLO, 2008, p.12). Podemos ainda citar outra definição dada pelos autores e que vai ao encontro da questão do desenvolvimento da liderança:

A inteligência emocional implica a habilidade para perceber e valorar com exatidão a emoção; a habilidade para acessar e/ou gerar sentimentos quando esses facilitam o pensamento; a habilidade para compreender a emoção e o conhecimento emocional, e a habilidade para regular as emoções que promovem o crescimento emocional e intelectual (MAYER; SALOVEY. 1997/2007, p.32).


O segundo modelo que iremos apresentar é o do doutor Reuven Bar-on. Inicialmente, Bar-on diz que a literatura sobre o tema revela várias tentativas de combinar os componentes social e emocional da inteligência, e cita como exemplo o trabalho de Howard Gardner que conceitua a inteligência intrapessoal (emocional) e a inteligência interpessoal (social) (BAR-ON, 2006, p.2,). Baseando-se nessas tentativas, ele cunhou o termo “Inteligência emocional-social” (IES), que é “composto por competências e habilidades interpessoais e intrapessoais que se combinam para determinar efetivamente o comportamento humano” (BAR-ON, 2006, p.2, tradução livre).

Procurando aumentar a compreensão dos termos usados anteriormente, faz-se necessário definir o que é “competência” e o que é “domínio”, termos que serão utilizados no decorrer deste trabalho. Para isso, nos atemos à definição dada pelo Estado Maior do Exército (EME, 2012, p.2), que diz: “Competência é a capacidade de mobilizar, ao mesmo tempo e de maneira inter-relacionada, conhecimentos, habilidades, valores, atitudes e experiências, para decidir e atuar em situações diversas”. A definição de domínio, para a qual precisamos utilizar neste trabalho, é “aquilo que uma arte ou ciência compreende; esfera de ação” (PRIBERAM, 2018).

É também de autoria de Bar-on o termo Quociente Emocional (QE), que é “uma forma de mensurar o comportamento social e emocional inteligente que fornece uma estimativa da IES” (BAR-ON, 2006, p.4, tradução livre).

De acordo com este modelo,

Ser emocional e socialmente inteligente é saber se expressar e se entender efetivamente, entender e se relacionar bem com os outros, e lidar com sucesso com as demandas diárias, desafios e pressões. Isso é baseado, primeiramente e acima de tudo, na capacidade intrapessoal de alguém em estar ciente de si mesmo, entender seus pontos fortes e fracos e de expressar seus sentimentos e pensamentos de forma não destrutiva. (BAR-ON, 2006, p.3-4, tradução livre).
Desta forma, o modelo de Bar-on é categórico em afirmar que precisamos gerir as emoções para que elas trabalhem para nós e não contra nós, e precisamos ser suficientemente otimistas, positivos e motivados (BAR-ON, 2006).

Resumidamente, Bar-on diz que as competências e habilidades emocionais e sociais são: a habilidade de reconhecer, entender e expressar emoções e sentimentos; a habilidade de entender como os outros se sentem e se relacionar com eles; a habilidade de gerir e controlar emoções; a habilidade de gerir mudanças, se adaptar e resolver problemas, e; a habilidade de gerar impressões positivas e de ser motivado. Cada uma dessas habilidades é composta por outras competências e habilidades relacionadas, que são: competência intrapessoal (autoconsciência e autoexpressão), que se divide em autoestima (perceber, entender e aceitar a si mesmo com precisão), autoconsciência emocional (estar ciente e entender as emoções em si mesmo), assertividade (saber expressar a si mesmo e suas emoções de forma construtiva e efetiva), independência (ser autossuficiente e livre de dependência emocional de outros). A competência Interpessoal (consciência social e relacionamento interpessoal) se divide em auto-realização (ser esforçado para alcançar objetivos pessoais e atualizar o próprio potencial), empatia (estar ciente e entender como os outros se sentem), responsabilidade social (se identificar com um grupo social e cooperar com os outros) e relacionamento interpessoal (estabelecer relacionamentos mutuamente satisfatórios e se relacionar bem com os outros). Outra competência e a do gerenciamento do estresse (gerenciamento e regulação da emoção), cujas subdimensões são a tolerância ao estresse (gerenciar emoções de maneira efetiva e construtiva) e o controle de impulsos (controlar emoções de maneira efetiva e construtiva). A competência adaptabilidade (gerenciamento das mudanças) se subdivide em teste da realidade (validar objetivamente os sentimentos e pensamentos com a realidade externa), flexibilidade (adaptar e ajustar os sentimentos e pensamentos a situações novas)e resolução de problemas (resolver efetivamente problemas de natureza pessoal e interpessoal). Por fim, temos a competência da disposição geral (automotivação), onde se encontram o otimismo (ser positivo e olhar para o lado bom da vida) e a felicidade (sentir-se contente consigo mesmo, com os outros e com a vida em geral).

O terceiro modelo que iremos apresentar é o de Daniel Goleman, que escreveu o livro “Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”, em 1995.

Baseado nos estudos de Gardner, Goleman reafirma que a inteligência emocional é mais importante ou tão importante quanto o QI para o sucesso de uma pessoa na vida. Porém, afirma também que quanto mais uma pessoa se distancia do meio acadêmico, mais importante se torna a inteligência emocional em detrimento do QI (GOLEMAN, 1995). Mas apesar de todo o apanhado teórico que apresentou no corpo do texto, de todas as histórias ilustrativas que se utilizou, das abundantes referências científicas e explicações da IE, Goleman não apresentou nenhuma definição clara e concisa do que é a IE (NETA; GARCÍA; GARGALLO, 2008), diferentemente de como fizeram os outros autores dos modelos apresentados anteriormente.

Baseado nos trabalhos de Mayer e Salovey, Goleman adotou um modelo de cinco domínios, a saber: conhecer as próprias emoções, lidar com emoções, motivar-se, reconhecer emoções nos outros e lidar com relacionamentos.

Os autores Richard Boyatzis e Annie Mckee, co-autores do livro “o poder da inteligência emocional” juntamente com Goleman, basearam-se neste modelo e, para aplicar a inteligência emocional na liderança, definiram quatro domínios de IE compreendendo 18 competências de liderança (BOYATZIS; MCKEE, 2006) que são: a Competência pessoal (capacidades que determinam como lidar consigo mesmo) que se subdivide em autoconsciência e autogestão. A autoconsciência, por sua vez, se divide em autocontrole emocional (identificar as próprias emoções e reconhecer seu impacto; utilizar-se da “intuição” para guiar as decisões), a autoavaliação precisa (conhecer os pontos fortes e os limites) e a autoconfiança (possuir um sólido senso de valor próprio e capacidade). Da mesma maneira, a autogestão se divide em autocontrole emocional (manter as emoções destrutivas e os impulsos sob controle), transparência (demonstrar honestidade, integridade e ser digno de confiança), a adaptabilidade (apresentar flexibilidade em se adaptar a situações voláteis ou sem superar obstáculos), a superação (possuir o impero ara aprimorar o desempenho a fim de satisfazer a padrões interiores de excelência) a iniciativa (estar preparado para agir e aproveitar as oportunidades) e o otimismo (enxergar o “lado bom dos acontecimentos”). Definido a competência pessoal, verifica-se a competência social, que são capacidades que determinam como administramos os relacionamentos. Esta competência se divide em consciência social e administração de relacionamento. A consciência social se divide em empatia (perceber as emoções das pessoas, compreender suas perspectivas e interessar-se ativamente por suas preocupações), consciência organizacional (identificar as tendências, as redes de decisões e a política no nível organizacional) e o serviço (reconhecer e atender às necessidades dos subordinados, clientes e compradores). A administração de relacionamentos se divide em liderança inspiradora (orientar e motivar utilizando-se de uma visão convincente), influência (utilizar-se de uma variedade de táticas para a persuasão), desenvolver os demais (cultivar as capacidades das outras pessoas utilizando-se de feedback e orientação), a catalisação de mudanças (iniciar, administrar e liderar em uma nova direção), o gerenciamento de conflitos (solucionar desavenças) e o trabalho em equipe e colaboração (incentivar a cooperação e a criação em equipe).

Retomando nosso objetivo, vamos agora definir o que é competência social e liderança ressonante. Segundo Topping, Bremner e Holmes (BAR-ON; PARKER, 2002, p.42)

Competência social é a posse e o uso da capacidade de integrar pensamento, sentimento e comportamento para realizar tarefas a fim de obter resultados sociais valorizados no contexto e na cultura em que o individuo está inserido.


As características do líder ressoante que iremos usar neste trabalho serão aquelas dadas por Boyatzis e Mckee (2006, p.2):

Líderes ressonantes fazem as pessoas irem adiante – de maneira poderosa, passional e com propósito. E o fazem ao mesmo tempo em que administram os sacrifícios inevitáveis inerentes à função. Dão o Maximo de si a serviço da causa, mas também se preocupam consigo, comprometendo-se com a renovação a fim de assegurar poder e sustentar a ressonância com o passar do tempo. [...] São motivadores e obtêm resultados.


Este foi o modelo adotado para verificar e aferir, nesta pesquisa, se os líderes do Exército Brasileiro que estão em contato direto com os cadetes do curso de Engenharia da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) estão alinhados com o modelo de Inteligência Emocional. Vale ressaltar que as competências de IE não são talentos inatos, mas habilidades que podem ser ensinadas e aprendidas, cada uma com uma contribuição específica para a ressonância (GOLEMAN; BOYATZIS; MCKEE, 2002).


Baixar 134.42 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   22




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual