[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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Segredo de mulher!

Nem queiram saber como são elas! Elas são muito mais astutas e dissimuladas do que nós homens, a ponto de dormir com o amante no quarto ao lado no dia do casamento. E não é exagero meu não. Acreditem se quiserem, mas foi a própria “adúltera” que me confessou o “crime” por ela cometido.

Foi mais ou menos assim... Ela me disse que o seu marido era desses que tinha uma amizade muito estreita com um dos seus colegas de infância; era mais ou menos como o “cu e a calça”; não se desgrudavam para nada. Ela disse que muitas vezes precisava brigar com o marido, quando ainda eram namorados, para que dispensasse o colega que não se cansava de “segurar vela” a noite toda. Era insuportável.

O Bernardo era feio de doer, mas era uma boa alma e por isso é que o marido desta minha amiga gostava muito dele. Ele era “pau pra toda obra”. E o “Zetão”, de Donizete, não desgrudava dele de jeito nenhum. Onde estava um, o outro lá estava. Houve até uma vez na escola (contavam as más línguas) em que separaram os dois de sala no início do ano e as mães apavoradas e raivosas foram à escola e aprontaram o maior barraco, pois o “Nardo” e o “Zetão” eram inseparáveis.

Pois bem, ela se casou e imaginou que agora sim conseguiria afastar o “Nardo”. Mas, além de padrinho, ele foi o organizador da festa e por isso naquele dia não bebeu muito como de costume porque não queria fazer feio na festa do melhor amigo. Ocorre que a felicidade do “Zetão” era tanta que este não se conteve e bebeu pra mais da conta, passando o tempo todo abraçado ao melhor amigo e nem sequer se lembrava da pobre esposa. Até parecia que ele tinha se casado com o amigo.

Pobre Alzira, no dia do casamento já se via preterida pelo marido. Mas como era festa, não ligou muito porque logo todos iriam embora e ela ficaria a sós com ele. E foi o que aconteceu. Todos se foram, menos um. Este precisou levar o noivo pra cama, pois “Zetão” pegou uma fogueira sem precedentes.

A noiva muito entristecida buscou consolo no amigo. A “vontade” dela era tanta que “Nardo” naquela mesma noite ocupou o lugar do amigo no quarto ao lado. Antes de raiar o dia, os amantes se despertaram enquanto o marido traído ainda dormia como um “anjinho de chifres” sem desconfiar de nada. Alzira sentiu pena do pobre coitado e foi vê-lo; deu-lhe um beijo na testa e o ouviu sussurrando baixinho o nome do melhor amigo. Foi a “gota d’água”!

Naquela manhã, Alzira entendeu que uma grande amizade não se desfazia assim tão facilmente. Voltou a dormir e até sonhou com outras noites ao lado de Bernardo. E o sonho se realizou...



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