A simbologia mística nos monumentos históricos de Portugal: um estudo exploratório da possível presença de elementos místico-maçônicos* Resumo



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Resultados e conclusão


Durante os primeiros meses de investigação, havia profunda convicção de que se encontraria facilmente a simbólica maçônica espalhada por diversos monumentos portugueses. Entretanto, esta perspectiva não encontrou apoio frente aos escritos científicos e frente aos símbolos encontrados nos monumentos.

Com as visitas técnicas, que incluíram o Mosteiro dos Jerônimos, a Quinta da Regaleira e a Baixa Pombalina, nos deparamos com uma incrível quantidade de símbolos místicos, entretanto, não podemos afirmar que se trata de símbolos maçônicos.

Embora muitos destes símbolos tenham caráter místico e que possam facilmente ser relacionado com a Maçonaria, a falta de documentação e a inconsistência das opiniões dos especialistas nos levam a postular que a simbólica nos referidos monumentos estudados não é de caráter exclusivamente maçônico.

Toda a simbologia observada e analisada tem um caráter místico e esotérico, que deve ser interpretada de acordo com o período histórico em que foi construída e com a localidade onde estes símbolos se encontram.

Em debate com o orientador, Prof. Alfredo Teixeira, e seguindo as referências bibliográficas, chegamos à conclusão de que grande parte desses símbolos encontrados nos monumentos são claramente referenciados a uma outra temática. Esta temática tem a ver com a chamada mística do Quinto Império português, muito difundida pela cultura portuguesa.

Tal tema consiste na crença, amplamente difundida na cultura portuguesa, de que haverá um momento na história mundial em que Portugal se sobressairá como um grande império. Tal império, denominado de Quinto Império, trará consigo uma nova era denominada de era do Espírito Santo.

A simbólica de tal nova era está arraigada na crença de uma nova religiosidade para o povo português. É certo que historicamente a crença do Quinto Império surgiu com as profecias de Joaquim de Fiore, abade italiano do século XII que postulou teses religiosas denominadas de milenarismo.

Joaquim de Flora dividiu a História da Humanidade através de cálculos e analogias com acontecimentos narrados no Velho Testamento, cujos correspondentes ele identificava no Novo, em três etapas distintas: 1ª) a idade do Pai, que começava em Adão e acabava em Cristo, durando 1260 anos, e cuja história vinha narrada no Antigo Testamento; 2ª) a Idade do Filho, que também deveria durar 1260 anos, ou mais ou menos isso (o que possibilitou a místicos posteriores mudarem a data do início da Terceira Idade), cujo desenrolar estava descrito no Novo Testamento; e 3ª) a Idade do Espírito Santo, que se iniciará com a derrota do Anticristo e cujo texto sagrado seria o Evangelho Eterno, uma fusão dos dois textos anteriores (Velho e Novo Testamento), a orientar uma época de Fraternidade Universal, quando cristãos, judeus e árabes viveriam em paz numa atmosfera espiritualizada. (ADRIÃO, 2010 p. 188-189).

Loução (2007) amplia a concepção da crença milenarista de Joaquim de Fiore, e argumenta que tal profecia influenciou profundamente a cultura portuguesa, preservando sua mística nos símbolos dos monumentos portugueses e nas festas populares dedicadas ao Espírito Santo, comuns em todo o país.

Todas as localidades investigadas possuem o seu caráter místico, e têm uma conotação amplamente amparada na tradição do Quinto Império. Um exemplo claro é a Quinta da Regaleira, este místico jardim, que congrega símbolos de diversas religiões, sofre grande influencia do mito do Quinto Império, em que todas as religiões do mundo se unificariam em plena base de igualdade e fraternidade. Assim acontece com os símbolos do Mosteiro dos Jerônimos, que, assim como a Quinta da Regaleira, apresenta uma infinidade de símbolos místicos e esotéricos, fornecendo margem para a tradição do Quinto Império.

Tal mito leva também para uma interpretação mística da Praça do Comércio, que pode ser interpretada dentro dos parâmetros da crença popular do Quinto Império. Segundo Adrião (2010) a arquitetura da praça foi concebida nos moldes de um majestoso templo, que aguarda a chegada do Imperador Universal, que regerá o Quinto Império.

Loução (2007) amplia que esta temática do Quinto Império ganhou ainda mais força quando, no século XVI, o rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no Norte de África. O desaparecimento deste rei marca o início da decadência do império português, que, inclusive seria anexado à Espanha. O rei da Espanha impôs a tese de que era o herdeiro do trono português. Entretanto, o povo descontente com a situação, aderiu à crença de que D. Sebastião voltaria como imperador universal e devolveria toda a glória do império português. Tal crença se difundiu com as citadas teses milenaristas.

Toda esta temática abre margem para uma nova linha de pesquisa, amparada sobretudo na temática do mito do Quinto Império, e a sua interpretação nos símbolos dos monumentos portugueses.

Apesar dos resultados nos levarem para outro campo de interpretação simbólica, o que não é propriamente maçônico por falta de fontes históricas, seria possível fazer uma leitura de todos estes símbolos dentro da simbólica maçônica, entretanto, não estaríamos de acordo com as fontes bibliográficas que se apresentam.

Por outro lado, a investigação chega à conclusão de que os símbolos maçônicos estão muito presentes, principalmente nos canteiros de obras das antigas igrejas medievais, como no caso do Mosteiro dos Jerônimos, com as marcas em pedras. Tais marcas também são encontradas por outras igrejas espalhadas por Portugal, exemplo disso são algumas igrejas situadas no Porto, em Coimbra e Faro. Tais sinais em pedra são análogos uns aos outros, independentemente da região em que se encontram. Esta verificação pode dar margem para os historiadores que admitem que a Maçonaria tenha surgido destes canteiros de construção, e que os mesmos compartilhavam de certos sinais para identificar o devido construtor. Este período é denominado de Maçonaria Operativa, ou seja, os antigos maçons construíam igrejas, e cada maçom possuía sua marca para distinguir o seu trabalho dos demais.







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