A psicopedagogiaem Piaget: uma ponte para a educação



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A psicopedagogiaem Piaget:


uma ponte para a educação
da liberdade
Maria Marta Mazaro Balestra

Foi feito o depósito legal.

Informamos que é de inteira responsabilidade do autor a emissão de conceitos.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Ibpex.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Apresentação


As dificuldades de aprendizagem que respondem pelo insucesso escolar vêm recebendo explicações das mais variadas conotações, tanto no enfoque das suas explicações teóricas quanto das políticas. Sucintamente isso é o que procuraremos demonstrar neste livro.

Além disso, destacamos que a psicopedagogia é área de estudos de caráter teórico-prático e interdisciplinar que instrumentaliza o profissional nas tarefas de educar ou de ensinar. Conceitos estes que apresentam diferenças que serão especificadas no transcorrer desta obra.

Consideramos que a grande procura pelo curso de Psicopedagogia nos últimos anos é uma demonstração inequívoca da urgente necessidade de intervenção no processo educacional, especialmente nos ciclos de educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Sendo que a presença do psicopedagogo (nesses níveis de educação) representa uma alternativa para a resolução dos problemas do processo de ensino-aprendizagem, no trabalho de apoio pedagógico.

No Brasil, o insucesso escolar já foi explicado como sendo de origem orgânica. Essa visão teórica de concepção organicista via esse problema como uma patologia que atingia os educandos, dificultando sua aprendizagem. Por isso que, nos anos 1970, gerou-se a crença de que os problemas de aprendizagem dos alunos eram causados, em sua maioria, por uma disfunção neurológica não-detectável em exame clínico. A isso se deu o nome de “disfunção cerebral mínima”, ou dcm.

No entanto, já nos anos da década de 1980, graças à influência de pesquisas, como a de Maria Helena Souza Patto, o fracasso escolar passou a ser pensado e explicado a partir de uma visão sócio-política. Nesse caso, foi considerado que as causas dos problemas de aprendizagem poderiam ser encontradas na dificuldade da criança em adaptar-se à cultura escolar, a qual pode, por vezes, ser completamente diferente daquela em que o aluno vive em seu meio familiar. O que ocorria, nesse contexto, é que os conhecimentos e as experiências trazidos de casa pelo aluno não eram reconhecidos nem considerados como ponto de partida para um novo patamar de aprendizado no ambiente escolar. É a partir dessa visão sócio-política que foi, então, concebido o curso de Psicopedagogia, como mostra a vasta produção teórica realizada nessa área1.

As explicações de cunho social e político para os problemas de aprendizagem trazem uma nova perspectiva de abordagem para as dificuldades que causam esses obstáculos. Os pressupostos teóricos selecionados para o embasamento da formação dos futuros psicopedagogos são norteados a partir desse enfoque. É aí que começa a procura por alternativas teóricas entre as várias correntes de pensamento que buscam visualizar o contexto do problema. Assim, as experiências resultantes dos trabalhos de Jean Piaget, entre outros, é que dão um referencial para esta discussão, então, instaurada.

A teoria de Jean Piaget, denominada “epistemologia genética”, constitui uma das bases teóricas adotadas pelas propostas programáticas dos cursos de psicopedagogia. É dela que nos propomos tratar neste trabalho, que não tem a pretensão de esgotar a imensa obra piagetiana, mais de 75 publicações entre livros e outros materiais de estudo. Entretanto queremos destacar que estas linhas não podem e não devem ser interpretadas como um manual.

Por manual entendemos seguir estritamente o que está escrito sem uma análise mais crítica acerca da abrangência dos conceitos colocados e sem o devido aprofundamento do que está sendo lido.

Nossa experiência, advinda da prática docente e de várias outras funções pedagógicas, possibilitou-nos constatar que a teoria piagetiana, além de ser pouco conhecida, quando o é, via de regra se apresenta de forma tão limitada e superficial que não consegue transcender o nível do discurso.

Esse limite teórico pode ser a conseqüência de uma leitura simplista ou, até mesmo, ingênua acerca da teoria de Piaget denominada “epistemologia genética”. Com este trabalho queremos provocar no leitor, especialmente no futuro psicopedagogo, o desejo e, sobretudo, a necessidade de ampliar o seu conhecimento a respeito dos estudos realizados pelo mestre genebrino, que, como veremos adiante, têm grande influência sobre o processo de ensino e aprendizagem; e que nos ajuda a compreender e a explicar os fenômenos pedagógicos que encon­tramos no nosso dia-a-dia.

1. Piaget: um pouco da sua vida e da sua obra


Neste capítulo, abordaremos alguns aspectos relevantes da vida e da obra de Jean Piaget, pois, mesmo não se considerando educador, embora tivesse por essa profissão grande respeito e entusiasmo, Piaget sempre viu a educação como a condição indispensável para o alcance da liberdade humana. A citação abaixo, proferida durante uma conferência apresentada no 28º Congresso Suíço dos Professores, em 08/07/44, deixa clara essa convicção: “É óbvio que uma educação do pensamento, da razão e da própria lógica é necessária e que é a condição primeira da educação da liberdade. Não é suficiente preencher a memória de conhecimentos úteis para se fazer homens livres: é preciso formar inteligências ativas”1.

Assim, esse biólogo, nascido em Neuchâtel, Suíça, em 9 de agosto de 1896, desde muito cedo revelou suas qualidades de investigador da natureza, dedicando-se ao estudo de moluscos.

Seguindo um itinerário rigorosamente coerente, a par de trabalhar na natureza, Piaget passou por quase todos os domínios do conhecimento até chegar à lógica formal e à teoria da ciência. Entretanto, foi como epistemólogo – teórico voltado para a questão do conhecimento ou, ainda, para os mecanismos que produzem conhecimento – que Piaget deixou sua maior contribuição para a educação. Ou seja, buscava conhecer o “sujeito epistêmico”, o que significa dizer, o indivíduo em seu processo de construção do conhecimento.

A história de Piaget mostra que ele jamais pretendeu escre­ver um manual por meio do qual o professor aprendesse a ensinar; foram os profissionais da educação que buscaram em sua teoria subsídios epistemológicos para melhor entender o desenvolvimento da inteligência infantil. Entre eles, podemos mencionar Saltini, destacado psicólogo, que investiga a inteligência e a afetividade no desenvolvimento infantil, e grande entusiasta das idéias piagetianas aplicadas à educação.

Saltini referencia Piaget diante das questões pedagógicas educacionais, através de um acontecimento ocorrido quando de uma viagem a Genebra, em 1979, com a finalidade de convidar Jean Piaget para participar de um congresso sobre educação que seria realizado no Brasil. Na ocasião, ao ser convidado, o pesquisador genebrino teria respondido com as seguintes palavras:



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