A psicologia é simultaneamente uma das ciências mais antigas e uma das mais recentes



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Comportamento – É qualquer ato efetuado pelo organismo e que possa ser observado e registado. Ex.: sorrir, falar, calçar um sapato. (exterior, físico)

Processo mental – Fenómeno interno e subjetivo, inferido a partir dos comportamentos observados. Ex.: sensações, perceções, lembranças. (interior, mente)


  • Finalidades da psicologia

A psicologia tem como finalidades:



  • Compreender e descrever comportamentos e processos mentais

  • Explicar comportamentos e processos mentais, identificando as causas que os determinam

  • Prever comportamentos, a partir da identificação das suas causas.

  • Prevendo comportamentos, controlar as circunstâncias em que estes ocorrem.



Na tentativa de compreender o ser humano, os psicólogos foram fazendo investigações e recolhendo dados de outras ciências que mantêm as afinidades com a psicologia: a biologia, a etologia, as ciências sociais, a antropologia, a linguística e outras.

Mas, apesar do seu esforço de cientificidade, os psicólogos não conseguiram escapar a exageros, assumindo posições extremadas e unidirecionais, base de acentuadas dicotomias, tendentes a perspetivas parcelares.

Assim, acerca da determinação do comportamento e do desenvolvimento humano, surgem as seguintes questões dicotómicas:




  • O inato e o adquirido

Surge a propósito da questão de saber:

Como é que nos tornamos humanos?”

Trata-se de concluir se nascemos com todo o equipamento necessário ou se depende de aquisições feitas no contacto com o meio.

Alguns psicólogos apoiam que os comportamentos do ser humano se explicam a partir de mecanismos inatos de natureza hereditária.

Assim, o potencial genético determinaria o desenvolvimento dos seres humanos e, por isso, repercutir-se-ia no modo como se situam no mundo e sobre ele agem. Estes psicólogos consideram o meio apenas como condição necessária para que as características determinadas geneticamente se atualizem – inato.

De modo contrário, há psicólogos que apoiam que o comportamento do ser humano é adquirido no contacto com o meio ambiente. O desenvolvimento humano processar-se-ia à medida que o organismo fosse reagindo a estímulos provenientes do meio. Para estes psicólogos, as experiencias e as aprendizagens são fatores insubstituíveis na aquisição de estruturas que possibilitam a cada ser humano as adaptações adequadas à sua sobrevivência e à sua continuidade. Serão as aprendizagens que o individuo efetua no contacto com as situações que irão determinar as diferenças nos comportamentos ao longo da vida – adquirido.



  • Interno – externo

A questão que se põe nesta dicotomia é uma consequência da questão anterior, que se traduz por:

Aquilo que cada um é e o modo como se comporta dependem de fatores internos ou de fatores externos ao individuo?”

O que são fatores internos? E externos?

Quando falamos de fatores internos, estamos a referir-nos a traços transmitidos pelos genes, sejam eles de natureza anatómica, fisiológica ou psicológica. Interno refere-se ao individuo, com o que radica na sua hereditariedade, por exemplo, a estatura, o funcionamento dos órgãos internos, o sistema nervoso e hormonal, a capacidade de se emocionar ou o nível das competências cognitivas que utiliza na resolução de problemas – interno.

Falar de fatores externos é admitir a possibilidade de os estímulos do meio agirem sobre o individuo, determinando, assim, a sua essência. Falar do polo externo é fazer referência ao meio ambiente, ou seja, ao conjunto de fatores circunstanciais que fazem com que o individuo seja aquilo que é e se comporte do modo como o faz – externo.


  • Individual – social

A questão que aqui se coloca é:

O homem deve ser entendido como ser social ou como ser individual?”

O individual centra-se na consciência, no inconsciente, no desenvolvimento e no comportamento, encaram seres humanos na sua individualidade e procuram explicar os seus mecanismos psicológicos sem qualquer referência ao meio social em que cada um está integrado – individual.

Com o aparecimento da psicologia social, desenvolve-se a convicção de que o individual puro não existe, na medida em que todos os indivíduos são seres sociais. Se somos humanos, somos seres sociais. O individuo emerge de contextos sociais, culturais e históricos que o ajudam a ser aquilo que é e a ver o mundo da maneira como o vê. Para se compreender, o ser humano tem de ser perspetivado no contexto social de onde retira a sua identidade, as suas representações, o seu modo de se exprimir, ver, pensar e reagir a situações e acontecimentos. Quando se fala da individualidade do ser humano, está subjacente a ideia de que cada pessoa se desenvolve pela intervenção das coletividades sociais que lhe moldaram a sua essência e que, por isso mesmo, estão presentes em tudo aquilo que ele faz – social.



  • Estabilidade – Mudança

Quando tentamos descobrir se,

O ser humano é a mesma pessoa ao longo da vida? Ou muda de identidade com o tempo?”

A mudança é uma realidade. Sabemos que ser criança não é o mesmo que ser adolescente. Ao longo da vida passamos por alterações que determinam etapas qualitativamente diferentes no percurso que efetuamos. As mudanças cognitivas por que somos obrigados a passar, e que fazem com que cada etapa percorrida no nosso desenvolvimento se caracterize por formas de pensar, sentir e agir diferentes das que caracterizam as outras etapas. Também mudamos porque as circunstâncias da vida nos obrigam a mudar. Ninguém nasce predestinado a ser uma estrutura rígida, mantendo-se invariável ao longo do tempo. Somos uma estrutura dotada de elasticidade. Mesmo depois de construída a nossa identidade, não significa que se fique com uma personalidade rígida, pois o individuo continua a ter de reorganizar em cada momento os elementos integrantes da sua personalidade, ajustando-os às diversas circunstâncias do meio – mudança.

Mas existe uma certa estabilidade. Há todo um conjunto de traços, reações, expressões e modos de falar que se mantêm os mesmos e que nos permitem identificar a pessoa como sendo quem é e prever os comportamentos que dela são únicos. No fundo, cada pessoa permanece idêntica a si própria o que permite reconhecê-la nas mais diversas circunstâncias. Para lá do que nos aparece de diferente em cada pessoa, existe uma individualidade específica e regular de um eu que apresenta uma certa permanência, uma certa constância no decurso do seu desenvolvimento – estabilidade.




  • Continuidade – Descontinuidade

Com esta dicotomia, prende-se a questão:

Como é que o ser humano e os outros seres vivos evoluem? Brusca ou progressivamente?”

As nossas características físicas e psicológicas evoluem por um processo de crescimento semelhante ao que ocorre com a estatura e o peso (alterações graduais). De uma fase da vida para a outra, os caracteres permanecem os mesmos, variando apenas em complexidade e grau ou quantidade. Ex.: a evolução do pensamento de uma criança até à adolescência e daqui até à idade adulta resulta dum somatório de experiências, atualização dos potenciais genéticos. O sujeito é passivo, limitando-se a seguir o curso dos fatores que do interior ou do exterior o determinam – continuidade.

As correntes que defendem a descontinuidade são de opinião de que as modificações ocorridas ao longo da vida correspondem a processos de transformação qualitativa que dá origem a estádios de desenvolvimento de natureza diferente que se vão construindo ao longo da vida. O desenvolvimento descrito pelos psicólogos descontinuistas implica a conceção de um sujeito ativo que intervém no desenvolvimento das suas próprias estruturas.


As dicotomias são ultrapassadas ao considerar-se o ser humano como um todo complexo que integra elementos inatos e adquiridos, internos e externos, individuais e sociais, que permanece o mesmo na sua identidade, estando sujeito a mudanças graduais em alguns aspetos e abruptas em outros.


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