12 Meses de Empreendedorismo


Empreendedorismo: Desaprender para aprender



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Empreendedorismo: Desaprender para aprender

Falar de educação em Agosto não parece ser uma boa ideia, mas o prometido é devido. É que a educação tem um papel fundamental no desenvolvimento de uma sociedade empreendedora e no dinamismo económico que ela acarreta. Mas de que tipo de educação se trata quando falamos de empreendedorismo? A primeira tarefa para estimular uma cultura empreendedora - condição essencial para o aparecimento de empreendedores em quantidade suficiente que assegure a dinamização da economia - é a de, como insistem com razão os franceses, desenvolver de uma forma generalizada um esprit d'entreprise. Quer isto dizer que, mesmo que se ensinem as ferramentas técnicas para a criação e gestão de uma empresa, o efeito dinâmico só ocorrerá na economia se toda a sociedade no seu conjunto adquirir formas de raciocínio e comportamentos que aceitem e promovam a actividade empreendedora.

Na ausência de uma cultura d'esprit d'entreprise o sistema educativo parece ser o veículo mais capaz de desempenhar a função de aculturação necessária - de desaprendizagem da aprendizagem estabelecida - para mudar mentalidades e redireccionar energias. Se uma educação empreendedora - que promova a criatividade, a abertura de espírito, a disposição para correr riscos e a auto-confiança - se disseminar através da sociedade, ela constituir-se-á num mecanismo automático de reafirmação permanente e o esprit d'entreprise estará de tal modo enraizado que os professores, da primária ou do ensino superior, de matemática ou de literatura, mesmo inconscientemente, utilizarão a educação formal para reforçar a crença social geral em vez de a combater.

O "alvo" não deverá ser então apenas o indivíduo que deseja iniciar uma empresa, mas todos os elementos da sociedade com quem nos cruzamos no dia a dia: a nossa família, amigos, professores, artistas, bancários, chefes de empresa, funcionários públicos... Por isso a educação empreendedora - formadora de novos raciocínios e comportamentos - deve ser introduzida muito cedo no sistema educativo (se tivermos coragem logo no primário) e a todos disponibilizada. Depois, deve ser continuada ao longo dos diferentes níveis de ensino até ao universitário e pós-graduado. Só assim poderemos promover não apenas o aparecimento de indivíduos criadores de emprego para si próprios e para outros, mas também a corroboração social das suas decisões que a família e amigos hão-de apoiar, os professores estimular, os artistas valorizar. Só assim os bancários passarão a avaliar projectos não pelo que os indivíduos possuem, mas pelo que podem vir a possuir; os chefes de empresa irão entender que a cooperação e a partilha são as novas formas de competição e, só assim, governos e funcionários públicos se absterão de dificultar novos empreendimentos a ponto de os desencorajar.

É óbvio que tudo isto tem implicações importantes ao nível do estabelecimento de políticas e da nossa responsabilidade individual. Ao introduzir-se a educação empreendedora não como uma disciplina optativa e marginal, mas disseminada pelo currículo de todos os níveis do sistema, pretende-se atingir toda a força de trabalho em geral, sem nenhum objectivo ou interesse particular a não ser o de alargar o âmbito da liberdade de escolha individual não separando desde logo - como é tendência de muita educação tradicional - futuros "patrões" de futuros "empregados", reafirmando, de uma forma pouco saudável, distinções de classe características de uma era industrial já passada e que pouco têm a ver com a organização da nova economia.

Foi recentemente contabilizada a existência em Portugal de 308 organizações (308!) dos mais diferentes quadrantes, públicas e privadas, que afirmam dedicar-se á promoção do empreendedorismo. A maior parte apareceu nos últimos dois anos e esforça-se com ardor por compensar as falhas educativas do sistema. Existem pelo menos dois problemas associados a esta explosão: por um lado o custo excessivo para a nossa economia da ausência de racionalidade inerente à não coordenação de esforços e, por outro, a concentração em "alvos" específicos do estrato social a quem são transmitidas técnicas como a elaboração de planos de negócios ou receitas sobre constituição de empresas. Por mais louváveis que estes ensinamentos possam ser, eles não resolvem o problema de fundo: o do desenvolvimento de qualidades empreendedoras na generalidade da população. Mais: enquanto mecanismos de redução de risco, estas técnicas isoladamente ensinadas podem ter um efeito perverso em sociedades que lhe são avessas.

Em resumo, o empreendedorismo pode ser ensinado; esse ensino deve ser inserido desde bem cedo no sistema e geralmente disponibilizado; o seu objectivo tem de ser muito mais vasto do que a criação imediata de empresas e ambicionar o desenvolvimento de pessoas empreendedoras. Na Irlanda, por exemplo, o programa YES a nível universitário, não mede o seu sucesso pelo número de empresas iniciadas pelos estudantes que nele participam. Pelo contrário, dá muito mais importância à sua capacidade em despertar neles sentimentos de auto-confiança, de trabalho em grupo, de apreciação do valor do trabalho enquanto transmite ensinamentos de gestão, de finanças e de marketing.

Sentimentos que, precisamente, inculcam nas pessoas as fundações que lhes permitem iniciar actividades empreendedoras mais tarde na vida.



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