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A QUALIDADE DE VIDA E A AUTONOMIA DO IDOSO



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2.3 A QUALIDADE DE VIDA E A AUTONOMIA DO IDOSO

A Política Nacional do Idoso tem como foco a promoção de um envelhecimento saudável e ativo, levando em conta as experiências positivas e as oportunidades que o individuo teve ao longo dos tempos, o que só é possível quando este mantém sua capacidade funcional, sendo valorizada, portanto, sua autonomia e preservada sua independência física e mental (BRASIL, 1996).

A longevidade humana com qualidade de vida só ocorre quando os idosos estão livres de ameaças que restringem sua autonomia e independência, geralmente causadas pela deterioração da saúde e empobrecimento da vida social (DUARTE & DIOGO, 2000).

No que se refere aos idosos, não se pode negar que o modo como se entende a noção de autonomia é essencial para o estudo das relações entre saúde e envelhecimento humano. Conceitos como envelhecimento senescente ou esperança de vida ativa, ao evidenciarem a necessidade de atribuir aos idosos um importante papel no seio de suas comunidades, fazem-no sempre pelo viés da manutenção e qualificação de uma vida autônoma (FARINATTI, 2008).

De acordo com Abreu et al. (2002), se os indivíduos envelhecerem preservando sua autonomia e independência, as dificuldades serão mínimas para eles, sua família e a sociedade, pois a autonomia vem se constituindo em uma das principais perdas com o avançar da idade (CADER et al., 2006).

Observa-se que as alterações funcionais que acometem os idosos no decorrer dos anos, juntamente com as doenças crônicas não transmissíveis, vêm tornado os idosos mais dependentes, não conseguindo manter sua autonomia funcional nas atividades da vida diária (AVD), comprometendo, desta forma, sua qualidade de vida (AMORIM & DANTAS, 2003).

A qualidade de vida na velhice é comumente associada à dependência e à autonomia, sendo as dependências resultantes de alterações biológicas (deficiências ou incapacidade) e de mudanças nas exigências sociais (desvantagens). Segundo Souza et al. (2003), frequentemente as exigências sociais determinam as alterações biológicas.

De acordo com Baltes & Silvenberg (1995, p. 78), existem três tipos de dependência:

Estruturada, onde o significado do valor do ser humano é determinado, em primeiro lugar, pela participação no processo produtivo (na velhice salienta-se a dependência gerada pela perda do emprego).

Física, incapacidade funcional individual para realizar atividades de vida diária.

Comportamental, com frequência antecedida pela dependência física, é socialmente induzida independentemente do nível de competência do idoso, o meio espera incompetência.

Ao se analisar o perfil de morbidade na população idosa no Brasil, observa-se que suas principais causas são por doenças que, além de crônicas, geram incapacidades e dependência, fatores considerados as maiores adversidades da saúde associadas ao envelhecimento. Desta forma, existe uma forte tendência de haver um número crescente de idosos que, apesar de viverem por mais tempo, “irão se confrontar com déficits de funcionalidade física, psíquica e social, aumentando a demanda por cuidados, no mínimo, onerosos” (FREITAS et al., 2002, p. 78).

A dependência funcional, que se constitui na incapacidade de se realizar tarefas motoras de forma independente, necessitando de auxilio para executar tarefas básicas da vida diária, está entre uma das causas de maior morbidade na população idosa. Apesar de ser fato que, com o passar dos anos, ocorre um declínio do desempenho funcional, é necessário que ocorram intervenções adequadas, retardando ou evitando-as, pois esta afeta não somente o idoso, mas também à sua família, além de onerar os serviços de atenção à saúde (FREITAS et al., 2002).

Um indivíduo autônomo é aquele capaz de decidir sobre seus objetivos pessoais e agir na direção dessa decisão. Segundo De Domenico (2011, p. 6):

Respeitar a autonomia é valorizar a consideração sobre as opiniões e escolhas, evitando, da mesma forma, a obstrução de suas ações, a menos que elas sejam claramente prejudiciais para outras pessoas. Demonstrar falta de respeito para com um agente autônomo é desconsiderar seus julgamentos, negar ao indivíduo a liberdade de agir conforme seus julgamentos, ou omitir informações necessárias para que possa ser feito um julgamento, quando não há razões convincentes para fazer isso.

Uma boa qualidade de vida da população idosa deve ser entendida como um empreendimento sociocultural, não devendo ser considerada apenas um atributo do indivíduo biológico, social ou psicológico, mas o resultado da interação destes indivíduos na sociedade. Assim, esta deve ser avaliada levando em conta a multiplicidade de critérios e indicadores que possui, apesar de não haver sido estabelecido com clareza o grau de importância que cada um possui. Segundo Lorenzini (2006, p. 14), “o que se sabe é que as diferentes variáveis relacionadas à qualidade de vida na velhice podem ter diferentes impactos sobre o bem-estar subjetivo”.

De Domenico (2011) ressalta que as necessidades e expectativas da qualidade de vida na população idosa se organizam em torno de quatro pontos:

O desejo de autonomia e de independência, especialmente no que se refere aos filhos, e a chance de continuar a viver em sua própria casa, se deslocar com facilidade e decidir livremente a forma como quer viver.

O desejo de assistência, com adaptações dos espaços às suas capacidades físicas e sensoriais; maior acompanhamento médico e social, implantação de dispositivos de emergência, ou de proteção contra agressões.

O desejo de normalidade, vivendo junto ao seu meio social, podendo participar da vida pública e associativa, tendo a certeza de que é digno de afeição e amor.

O desejo de especificidade, sendo respeitado e reconhecido em seu saber e experiência, sendo foco de atenção e bem representado na sociedade, sem ostracismo, rejeição ou desprezo, não tendo sua participação em atividades sociais e de lazer negligenciada, não se isolando socialmente.




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